{"id":1781,"date":"2015-05-16T13:57:01","date_gmt":"2015-05-16T13:57:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/?p=1781"},"modified":"2015-05-16T13:57:01","modified_gmt":"2015-05-16T13:57:01","slug":"a-religiosidade-no-periodo-medieval","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/wicca\/a-religiosidade-no-periodo-medieval\/","title":{"rendered":"A religiosidade no per\u00edodo medieval"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Portal-ae2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1017\" src=\"http:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Portal-ae2.jpg\" alt=\"Portal a&amp;e\" width=\"47\" height=\"86\" \/><\/a>\u00a0<span style=\"color: #ff0000;\"><strong>A religiosidade no per\u00edodo medieval<\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\u00a0Autoria de Ana Carolina Lappe do Prado Teixeira Neto<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O contexto hist\u00f3rico do per\u00edodo medieval foi marcado por aspectos relacionados ao terror: tortura, forte influ\u00eancia religiosa na vida do povo, <a href=\"https:\/\/www.magianegra.com.pt\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"5\" title=\"Bruxaria, saiba tudo aqui\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">bruxaria<\/a>, colheitas mal sucedidas, mis\u00e9ria, marginaliza\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia, crescimento demogr\u00e1fico acompanhado da falta de alimentos, supremacia do Estado perante os s\u00faditos, desigualdade social. A partir do estudo desses aspectos, a tentativa de se tra\u00e7ar um panorama da situa\u00e7\u00e3o apresenta-se mais palp\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Entretanto, a an\u00e1lise isolada dos componentes hist\u00f3ricos sem um olhar atento acerca da forma\u00e7\u00e3o mental daquele per\u00edodo n\u00e3o \u00e9 satisfat\u00f3ria para a sua plena compreens\u00e3o. A nossa inser\u00e7\u00e3o em outro paradigma \u2013 obviamente bastante distinto do medieval \u2013 colabora com que vejamos outras situa\u00e7\u00f5es diferentemente, a partir dos olhos da pr\u00f3pria sociedade na qual fomos criados. Dessa forma, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, hoje, conceber a ideia de que torturar um indiv\u00edduo em pra\u00e7a p\u00fablica teria finalidade did\u00e1tica ao resto do povo. Entretanto, a dor do condenado na Idade M\u00e9dia simbolizava aos demais a for\u00e7a do Estado e de <a href=\"http:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/deuses\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"10\" title=\"Deuses e Deusas, veja mais aqui\">Deus<\/a> para com aqueles que ousassem transgredir as regras pol\u00edticas e morais impostas. A tortura e a pena de morte, dentre outras medidas sancionat\u00f3rias, eram algo que, por constitu\u00edrem pr\u00e1ticas correntes na \u00e9poca, justificavam-se e eram, de certa forma, dotadas de efetividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Destarte, procura-se aqui lan\u00e7ar um olhar mais abrangente acerca da presen\u00e7a da religiosidade no contexto social medieval, bem como uma breve an\u00e1lise das pr\u00e1ticas da Inquisi\u00e7\u00e3o e das acusa\u00e7\u00f5es de <a href=\"https:\/\/www.magianegra.com.pt\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"5\" title=\"Bruxaria, saiba tudo aqui\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">bruxaria<\/a> por meio de casos concretos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A INFLU\u00caNCIA DA IGREJA NA SOCIEDADE MEDIEVAL<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Europa, ano de 1666, Elizabeth Cubon foi acusada de pr\u00e1tica de <a href=\"https:\/\/www.magianegra.com.pt\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"5\" title=\"Bruxaria, saiba tudo aqui\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">bruxaria<\/a>. Em um per\u00edodo repleto de pr\u00e1ticas ofensivas \u00e0 integridade humana, a r\u00e9 teve \u201csorte\u201d em n\u00e3o ter morrido queimada na fogueira. O contexto hist\u00f3rico da Inquisi\u00e7\u00e3o iniciou-se no s\u00e9culo XIII e desde o seu princ\u00edpio foi verificada a aplica\u00e7\u00e3o de procedimentos penais tidos atualmente como agressivos e atrozes. O estudo de tais procedimentos sancionadores deve estar acompanhado de uma an\u00e1lise hist\u00f3rica dos costumes, cren\u00e7as e valores vigentes na \u00e9poca, os quais nos ajudar\u00e3o a compor o paradigma vivido por aquela sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, com a tend\u00eancia de valoriza\u00e7\u00e3o cada vez mais incisiva dos direitos humanos, direitos individuais, n\u00e3o \u00e9 simples conceber as pr\u00e1ticas de tortura utilizadas pela Inquisi\u00e7\u00e3o. Todavia, na vig\u00eancia do s\u00e9culo XIV, por exemplo, a soberania da Igreja encontrava o seu poder no intenso temor a <a href=\"http:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/deuses\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"10\" title=\"Deuses e Deusas, veja mais aqui\">Deus<\/a> compartilhado pela maior parte da sociedade. Caberia \u00e0 Igreja, assim, a fun\u00e7\u00e3o de salvar os fi\u00e9is e de determinar a puni\u00e7\u00e3o daquelas pr\u00e1ticas que n\u00e3o condissessem com os ideais morais da <a href=\"http:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/santos\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"9\" title=\"Santos e Santas, veja mais aqui\">Santa<\/a> Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carlo Ginzburg, em <a href=\"http:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/deuses\/mitos-e-mitologia\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"14\" title=\"Mitologia, veja mais aqui\">Mitos<\/a>, Emblemas e Sinais, aponta de forma esclarecedora o simbolismo da \u201calteza\u201d, isto \u00e9, aquilo inating\u00edvel, o que tamb\u00e9m engloba o que n\u00e3o deve ser questionado. Assim, reflete-se a manuten\u00e7\u00e3o desse simbolismo tanto pela esfera pol\u00edtica quanto pela esfera religiosa. No que concerne \u00e0 esfera pol\u00edtica, havia a inten\u00e7\u00e3o excessivamente conservadora de manuten\u00e7\u00e3o da hierarquia social e pol\u00edtica, censurando-se de maneira atroz qualquer um que ousasse desafiar a ordem Estatal. Frisa-se que a esfera religiosa atuava conjuntamente com a pol\u00edtica, de modo que uma refor\u00e7ava o poderio da outra; ademais, os dogmas religiosos eram incontest\u00e1veis: era vedado tentar conhecer os segredos de <a href=\"http:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/deuses\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"10\" title=\"Deuses e Deusas, veja mais aqui\">Deus<\/a>. Ginzburg aponta o uso pol\u00edtico da religi\u00e3o como o mais <a href=\"http:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/esoterismo\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"11\" title=\"Esoterismo, veja mais aqui\">oculto<\/a> dos segredos do poder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali\u00e1s, se adotarmos essa perspectiva do autor, ter\u00edamos, nesse uso pol\u00edtico da religi\u00e3o, uma utiliza\u00e7\u00e3o indubitavelmente bem articulada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como exemplo de a legitimidade do poder conter um fundamento religioso, o historiador Quentin Skinner nos traz Bossuet que, em seu tratado Pol\u00edtica retirada das palavras mesmas das <a href=\"http:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/santos\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"9\" title=\"Santos e Santas, veja mais aqui\">Santas<\/a> Escrituras, em 1679, afirmava que \u201ctodo s\u00fadito que resista \u00e0s determina\u00e7\u00f5es de um rei, mesmo que este seja perverso, \u201cseguramente receber\u00e1 a condena\u00e7\u00e3o eterna\u201d, e ainda que \u201ctoda resist\u00eancia \u00e0 autoridade constitui uma resist\u00eancia ao mandamento divino\u201d (p. 192).\u201d (BOSSUET apud SKINNER, 1999, p. 393).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Destarte, e dado o poderio da Igreja, o principal instrumento por ela utilizado no per\u00edodo da Inquisi\u00e7\u00e3o era o terror, o qual era incitado tanto pelas pr\u00e1ticas de tortura e morte \u2013 havia incont\u00e1veis maneiras de se matar o indiv\u00edduo ap\u00f3s a tortura &#8211; quanto pela interfer\u00eancia constante da esfera religiosa na vida da sociedade. Ali\u00e1s, a efic\u00e1cia da tortura e das penas capitais como teor did\u00e1tico durou enquanto n\u00e3o tinha lugar a concep\u00e7\u00e3o individualista. \u00c9 o que demonstra Lynn Hunt em A Inven\u00e7\u00e3o dos direitos humanos: uma hist\u00f3ria. A princ\u00edpio, o objetivo principal da pr\u00e1tica p\u00fablica da tortura seria o de servir de exemplo aos demais. Assim, as dores sofridas pelo condenado n\u00e3o pertenciam somente a ele, tendo prop\u00f3sitos pol\u00edticos capazes de reafirmar a autoridade estatal e a ordem moral. Contudo, com o passar do tempo, essa quest\u00e3o mudou de figura, pois pela vis\u00e3o individualista a dor era apenas do indiv\u00edduo. Dessa forma, n\u00e3o mais caberia o sacrif\u00edcio dele para o \u201cbem\u201d da comunidade. O corpo passou a ter um papel distinto daquele que tinha no in\u00edcio dessa pr\u00e1tica e as pessoas come\u00e7aram a se ver mais como indiv\u00edduos do que como mero \u201cpovo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltando-se \u00e0 interfer\u00eancia da Igreja, a intoler\u00e2ncia a quaisquer exerc\u00edcios de questionamento adentrava a vida de cada um, tendo em vista que as den\u00fancias eram muito bem-vindas ao Tribunal do <a href=\"http:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/santos\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"9\" title=\"Santos e Santas, veja mais aqui\">Santo<\/a> Of\u00edcio. A obra Dar a Alma, de Adriano Prosperi, demonstra essa interven\u00e7\u00e3o do <a href=\"http:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/santos\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"9\" title=\"Santos e Santas, veja mais aqui\">Santo<\/a> Of\u00edcio na vida da mulher solteira, em busca de encontrar poss\u00edveis ocorr\u00eancias de infantic\u00eddio \u2013 o qual, por sinal, era tamb\u00e9m rigidamente punido com a morte da m\u00e3e. Mais uma vez o terror das puni\u00e7\u00f5es constando como did\u00e1tico, isto \u00e9, quanto pior a puni\u00e7\u00e3o, mais claro ficaria \u00e0 sociedade que as ordens impostas pela Igreja n\u00e3o deveriam ser violadas em qualquer hip\u00f3tese. Prosperi narra que na Carolina a investiga\u00e7\u00e3o de secretos infantic\u00eddios era extremamente invasiva no corpo feminino:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[&#8230;] bastava a presen\u00e7a de leite no seio ou, ainda mais, um crescimento e uma s\u00fabita normaliza\u00e7\u00e3o do ventre para que tivesse in\u00edcio o inqu\u00e9rito e fosse justific\u00e1vel o interrogat\u00f3rio com tortura. [&#8230;] Uma vez comprovado, seguia-se uma puni\u00e7\u00e3o extremamente severa[1].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A chamada \u201cvisita ginecol\u00f3gica\u201d consistia na inspe\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica do corpo das mulheres solteiras, o que revelava a desimport\u00e2ncia da mulher, bem como o seu car\u00e1ter secund\u00e1rio: o seu corpo n\u00e3o era sequer um quesito de sua pr\u00f3pria autonomia, cabendo ao Estado e \u00e0 Igreja decidir o que fazer ou n\u00e3o com ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A justificativa implicava na import\u00e2ncia da institui\u00e7\u00e3o familiar para a Igreja, de modo que essa investiga\u00e7\u00e3o seria legitimada por estar cumprindo os preceitos divinos. Foi assim que, em 1556, na Fran\u00e7a, tornou-se obrigat\u00f3rio informar a gravidez ao Estado. Ora, tal fato revela, e muito, a forte associa\u00e7\u00e3o entre o Estado e a Igreja &#8211; <a href=\"http:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/santos\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"9\" title=\"Santos e Santas, veja mais aqui\">s\u00e3o<\/a> muitos os historiadores contempor\u00e2neos que entendem que o fim do Imp\u00e9rio Romano acarretou na perda de um sistema universal, isto \u00e9, deixou uma lacuna a ser preenchida pelos novos Estados que, por sua vez, buscavam essa universalidade na religi\u00e3o crist\u00e3. Assim, embora fosse uma medida imposta pelo rei Henrique II, encontrava em seu seio uma justificativa de cunho religioso, que norteava toda a sociedade da \u00e9poca. Aclara-se esse fato com a diferen\u00e7a, citada pelo autor, entre o infantic\u00eddio dentro de uma institui\u00e7\u00e3o familiar e o infantic\u00eddio praticado por mulheres que n\u00e3o eram casadas. Fato que demonstra que o conden\u00e1vel n\u00e3o era puramente o infantic\u00eddio, mas principalmente a sua pr\u00e1tica por uma mulher que n\u00e3o compactuasse com o ideal de fam\u00edlia da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">OS DELITOS DE F\u00c9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como vimos, o controle social exercido pelo <a href=\"http:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/santos\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"9\" title=\"Santos e Santas, veja mais aqui\">Santo<\/a> Of\u00edcio era bastante aprimorado e qualquer amea\u00e7a a este modelo deveria ser banida de modo a n\u00e3o se proliferar. Esse mesmo cen\u00e1rio deu lugar \u00e0 ca\u00e7a \u00e0s <a href=\"https:\/\/www.magianegra.com.pt\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"4\" title=\"Bruxas e Bruxos, saiba tudo aqui\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">bruxas<\/a>, uma longa persegui\u00e7\u00e3o com hist\u00f3ricos de tortura e matan\u00e7a em busca da \u201cerradica\u00e7\u00e3o do mal\u201d. Para Robert Mandrou, o sistema mental que consistia na ca\u00e7a \u00e0s feiticeiras era constitu\u00eddo por tr\u00eas elementos b\u00e1sicos: uma forte cren\u00e7a crist\u00e3, uma experi\u00eancia vis\u00edvel para todos do processo judici\u00e1rio vigente e, por fim, senten\u00e7as, fogueiras, torturas, confiss\u00f5es e o que mais representasse o julgamento divino. Esses tr\u00eas pilares compunham satisfatoriamente a tradi\u00e7\u00e3o da \u00e9poca, colaborando com a fundamenta\u00e7\u00e3o e legitimidade do Poder Eclesi\u00e1stico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que tange \u00e0 esfera do Direito Can\u00f4nico, dentre os delitos quanto \u00e0 f\u00e9 estavam: heresia, cisma, apostasia, blasf\u00eamia, perj\u00fario, simonia, sacril\u00e9gio, magia, dentre outros[2]. Cabe, aqui, ressaltar que tais delitos dificilmente poderiam ser ocultados dos olhos dos Tribunais Eclesi\u00e1sticos, uma vez que, como foi dito acima, estes dispunham de tent\u00e1culos que lhes permitiam infiltrar-se dentro da vida e da intimidade de cada um. A den\u00fancia secreta era uma pr\u00e1tica corrente na \u00e9poca, e a Inquisi\u00e7\u00e3o apenas necessitava de um pequeno rastro, de uma pequena e aparente irregularidade, para desenvolver a sua investiga\u00e7\u00e3o, dando continuidade ao processo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todas as pequenas querelas, todas as tagarelices de aldeia podem servir de base para den\u00fancias, e para testemunhos acabrunhantes como os que se seguem: a apar\u00eancia pouco atraente e a vestimenta do acusado, as extravag\u00e2ncias do comportamento [&#8230;] [3].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Iniciado o processo, era poss\u00edvel que o acusado sequer soubesse do que se tratava, uma vez que a den\u00fancia era secreta e as provas testemunhais colhidas n\u00e3o lhe eram transmitidas. No entanto, algo era imprescind\u00edvel: era exigida deste a confiss\u00e3o, a qual poderia ser obtida mediante a tortura, caso necess\u00e1rio. A import\u00e2ncia da confiss\u00e3o estava no que esta representava o arrependimento do culpado, isto \u00e9, possibilitava demonstrar que este buscava voltar para o rebanho, do qual, vale dizer, nunca deveria ter sa\u00eddo. Aos olhos de hoje, pode-se discutir a possibilidade de a tortura ter ocasionado falsas confiss\u00f5es; entretanto, para os olhos da Igreja da \u00e9poca, n\u00e3o era por ocorr\u00eancia da tortura que o acusado oferecia a confiss\u00e3o: para a Inquisi\u00e7\u00e3o, se este confessava seu crime, era culpado. O princ\u00edpio da presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia estava \u00e0s moscas, j\u00e1 que quase nunca era utilizado. Evidente est\u00e1 que neste processo poucos dispunham de uma defesa efetiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">COM RELA\u00c7\u00c3O \u00c0 <a href=\"https:\/\/www.magianegra.com.pt\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"5\" title=\"Bruxaria, saiba tudo aqui\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">BRUXARIA<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As ocorr\u00eancias de <a href=\"https:\/\/www.magianegra.com.pt\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"5\" title=\"Bruxaria, saiba tudo aqui\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">bruxaria<\/a> no final do s\u00e9culo XII n\u00e3o se deram por mero acaso. A vida em uma sociedade tomada pela religiosidade fazia do dualismo Bem\/Mal algo necess\u00e1rio ao entendimento entre o que era permitido segundo os des\u00edgnios morais\/religiosos e o que era proibido. Desse modo, coube \u00e0 Igreja apontar como demon\u00edaco tudo aquilo que contestasse a sua ordem, como a pr\u00e1tica de <a href=\"https:\/\/www.magianegra.com.pt\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"5\" title=\"Bruxaria, saiba tudo aqui\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">bruxaria<\/a>. A ideia de que o Dem\u00f4nio estaria sempre na sociedade, pronto a provocar a tenta\u00e7\u00e3o e o cometimento do pecado, foi acompanhada da crescente presen\u00e7a de <a href=\"https:\/\/www.magianegra.com.pt\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"4\" title=\"Bruxas e Bruxos, saiba tudo aqui\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">bruxas<\/a>, as quais estariam mancomunadas com o Mal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acrescenta-se que as consequ\u00eancias das pr\u00e1ticas de magia, as quais em grande parte possu\u00edam o intuito de dominar a natureza, ou mesmo de agir contrariamente a ela, dificilmente poderiam ser explicadas na \u00e9poca segundo a Ci\u00eancia. Isso certamente corroborava com a sua condena\u00e7\u00e3o pela Igreja e com o ju\u00edzo de que aquilo seria fruto de for\u00e7as ocultas. Com rela\u00e7\u00e3o aos objetivos dos sortil\u00e9gios, esses eram os mais variados, podendo ter finalidade de adoentar, encantar, tornar colheitas improdutivas, ocasionar tempestades, provocar a impot\u00eancia sexual &#8211; como nos seguintes trechos \u201cfeiti\u00e7o de impot\u00eancia, essa opera\u00e7\u00e3o perversa que pretendia impedir a consuma\u00e7\u00e3o do casamento\u201d (MANDROU, 1979, p.68) e tamb\u00e9m \u201c O diab\u00f3lico feiti\u00e7o de impot\u00eancia traduz certamente uma preocupa\u00e7\u00e3o obsessiva largamente difundida\u201d -, dentre muitos outros. Cabe aqui uma ressalva de que a \u201cfama\u201d dada pela Igreja \u00e0s <a href=\"https:\/\/www.magianegra.com.pt\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"4\" title=\"Bruxas e Bruxos, saiba tudo aqui\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">bruxas<\/a> certamente era superior ao poder que realmente possu\u00edam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode-se dizer \u2013 n\u00e3o, por\u00e9m, sem a devida cautela &#8211; que \u00e9 poss\u00edvel que mulheres tidas como <a href=\"https:\/\/www.magianegra.com.pt\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"4\" title=\"Bruxas e Bruxos, saiba tudo aqui\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">bruxas<\/a> no per\u00edodo de sua persegui\u00e7\u00e3o pudessem ser pessoas com transtornos ps\u00edquicos, n\u00e3o compreendidas. Ademais, o ambiente em que viviam, no qual a supersti\u00e7\u00e3o, a tradi\u00e7\u00e3o e os mist\u00e9rios eram demasiado presentes, tamb\u00e9m era em parte respons\u00e1vel por sugestionar a presen\u00e7a de pr\u00e1ticas de <a href=\"https:\/\/www.magianegra.com.pt\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"5\" title=\"Bruxaria, saiba tudo aqui\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">feiti\u00e7aria<\/a>. A ordem eclesi\u00e1stica buscou coibir tais pr\u00e1ticas de v\u00e1rias formas, sendo a fogueira uma das mais famosas. Depois de um longo processo inquisit\u00f3rio, constando a obten\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a, a tortura, a confiss\u00e3o, etc., o corpo da <a href=\"https:\/\/www.magianegra.com.pt\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"4\" title=\"Bruxas e Bruxos, saiba tudo aqui\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">feiticeira<\/a> seria lan\u00e7ado ao fogo para erradicar o mal nele presente \u2013 embora valha lembrar que cada pa\u00eds possu\u00eda suas particularidades de como encarar os hereges. Robert Mandrou cita que, juntamente com o corpo, objetos &#8211; como livros, facas, imagens, e outros que pertencessem \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.magianegra.com.pt\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"4\" title=\"Bruxas e Bruxos, saiba tudo aqui\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">bruxa<\/a> &#8211; tamb\u00e9m eram queimados [4].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ca\u00e7a \u00e0s <a href=\"https:\/\/www.magianegra.com.pt\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"4\" title=\"Bruxas e Bruxos, saiba tudo aqui\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">bruxas<\/a> era facilitada pela sua den\u00fancia, que podia ser feita sem que estas soubessem o seu delator. Nessas den\u00fancias <a href=\"http:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/santos\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"9\" title=\"Santos e Santas, veja mais aqui\">s\u00e3o<\/a> frequentes os relatos concernentes \u00e0s finalidades dos sortil\u00e9gios, descritas aqui anteriormente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses temores alde\u00f5es nutrem-se tamb\u00e9m por vezes da presun\u00e7\u00e3o imprudente das mulheres reputadas como feiticeiras que se gabam de seus poderes extraordin\u00e1rios na ocasi\u00e3o de uma tormenta ou de uma chuva h\u00e1 muito desejada. Por pouco que se fundam coincid\u00eancias e rancores pessoais, os testemunhos acumulam rapidamente sobre os suspeitos todos os males: dores de rins, reumatismo, falsos partos e perdas de aves dom\u00e9sticas[5].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 interessante como a quest\u00e3o da colheita e da cria\u00e7\u00e3o de animais \u00e9 intensamente abordada nos relatos que dizem respeito \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.magianegra.com.pt\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"5\" title=\"Bruxaria, saiba tudo aqui\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">bruxaria<\/a>. No caso de Elizabeth Cubon, o qual est\u00e1 anexado a este artigo, pode-se observar:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John Quay complained that when Elizabeth frequented Keg ny How\u2019s house there were great losses in his cattle. As for his own crop after her visit in May, nothinge grew but oats and darnell; that he did not reape of 2 dayes plowing of barley but one bowle. Elizabeth frequented those places att the beginninge of every quarter of the yeare and that his cattle died, and since he gott an oath of her his cattle died not.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do caso em quest\u00e3o, h\u00e1 diversos outros em que uma queda dr\u00e1stica na colheita era tida como culpa das <a href=\"https:\/\/www.magianegra.com.pt\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"4\" title=\"Bruxas e Bruxos, saiba tudo aqui\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">bruxas<\/a>, ao passo que uma eleva\u00e7\u00e3o na produtividade era fruto da aus\u00eancia das feiticeiras; logo ent\u00e3o se afigurava a den\u00fancia. Ginzburg em Andarilhos do bem relata como os benandanti \u2013 tidos como os feiticeiros do bem, os quais se diziam combater em causa da f\u00e9 &#8211; afirmavam aos inquisidores que, quando eram vencedores em sua luta contra as <a href=\"https:\/\/www.magianegra.com.pt\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"4\" title=\"Bruxas e Bruxos, saiba tudo aqui\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">bruxas<\/a>, a colheita era boa e abundante. Em contrapartida, quando estes perdiam a luta contra as <a href=\"https:\/\/www.magianegra.com.pt\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"4\" title=\"Bruxas e Bruxos, saiba tudo aqui\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">bruxas<\/a>, a colheita seria ruim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, qual seria a rela\u00e7\u00e3o entre <a href=\"https:\/\/www.magianegra.com.pt\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"5\" title=\"Bruxaria, saiba tudo aqui\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">bruxaria<\/a> e produtividade da colheita? Mandrou realiza um esclarecimento bastante oportuno quanto a isso. Primeiramente atesta-se que a maior parte das perseguidas era miser\u00e1vel, o que automaticamente elimina o benef\u00edcio do confisco econ\u00f4mico de sua apreens\u00e3o. E \u00e9 justamente a mis\u00e9ria que nos encaminha ao segundo ponto: os rebanhos e as colheitas estavam constantemente entrando em crise, de modo que o desespero sem ter a quem pedir aux\u00edlio era recorrente. Desse modo, a atmosfera de terror criada pela pr\u00f3pria estrutura da \u00e9poca contribu\u00eda com o terror gerado pela possibilidade de perda do \u00fanico sustento dispon\u00edvel \u00e0quelas pessoas. A necessidade de acusar algu\u00e9m pelas desgra\u00e7as ocorridas e a imagina\u00e7\u00e3o condicionada pela supersti\u00e7\u00e3o talvez tenham sido os motivos de culparem-se as <a href=\"https:\/\/www.magianegra.com.pt\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"4\" title=\"Bruxas e Bruxos, saiba tudo aqui\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">bruxas<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <a href=\"http:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/deuses\/mitos-e-mitologia\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"14\" title=\"Mitologia, veja mais aqui\">mito<\/a> de que as <a href=\"https:\/\/www.magianegra.com.pt\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"4\" title=\"Bruxas e Bruxos, saiba tudo aqui\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">bruxas<\/a> possu\u00edam o poder de se transformar em animais tamb\u00e9m era bastante difundido. O caso de Elizabeth Cubon traz v\u00e1rias den\u00fancias de que esta se transformava frequentemente em uma lebre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Two good Samaritans, Henry Maddrell, of Ballamaddrell, and William Cubbon, of Ballacubbon, stood surety for her. The main charges brought against her were that she had cast evil spells upon cattle, crops, and churning ; that she could transform herself into a hare ; and that she claimed the power to lessen or increase a man\u2019s store.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O curioso \u00e9 que o <a href=\"http:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/deuses\/mitos-e-mitologia\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"14\" title=\"Mitologia, veja mais aqui\">mito<\/a> estava bastante disseminado, de modo que ter visto uma lebre no campo \u2013 um local perfeitamente normal para a ocorr\u00eancia desse animal \u2013 era imediatamente associado \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.magianegra.com.pt\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"4\" title=\"Bruxas e Bruxos, saiba tudo aqui\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">feiticeira<\/a> em quest\u00e3o e \u00e0 desgra\u00e7a que adviesse em seguida. Assim, quando William Tyidesley e Mr. H. Calcott andavam e comentavam sobre Elizabeth Cubon, a \u00e9gua de Mr. Calcott sofreu de um mal s\u00fabito e posteriormente faleceu. Uma min\u00facia oportuna: haviam avistado uma lebre durante o seu trajeto. O trecho segue:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[\u2026]till they returned to the very selfe same place where the sd Mr. Calcott said, \u2018What, doe you call Elizabeth Cubon a hare\u2019 and there his Mare fell sick that she was not able to goe further, and was forced to leave her there and rid home behind Capt John Stanley . . . . and his sd Mare came home after but soone died.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Percebe-se que, naquele momento hist\u00f3rico, a rela\u00e7\u00e3o entre o que se pensava justificar e o que de fato aquilo justificava era descoincidente: para aquela comunidade, tudo de ruim era fruto de <a href=\"https:\/\/www.magianegra.com.pt\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"5\" title=\"Bruxaria, saiba tudo aqui\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">feiti\u00e7aria<\/a>. Ao analisar o caso de Elizabeth Cubon, observa-se que praticamente todos os relatos existentes contra ela <a href=\"http:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/santos\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"9\" title=\"Santos e Santas, veja mais aqui\">s\u00e3o<\/a> de associa\u00e7\u00f5es m\u00edticas da acusada com acontecimentos externos \u2013 n\u00e3o h\u00e1 provas de fato que ela teria ocasionado a morte da \u00e9gua, por exemplo. Entretanto, em raz\u00e3o de naquela \u00e9poca n\u00e3o haver melhor explica\u00e7\u00e3o para os acontecimentos, era cab\u00edvel essa rela\u00e7\u00e3o que se fazia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro ponto interessante ao qual nos reportamos \u00e9 a dificuldade, por vezes ocorrida, de a Justi\u00e7a encontrar a prova dos frequentadores das cerim\u00f4nias sab\u00e1ticas. Uma das provas mais procuradas e satisfat\u00f3rias era a marca de insensibilidade, tamb\u00e9m chamada de punctum diabolicum. Este era um sinal corp\u00f3reo que o Diabo colocaria em seus seguidores, de modo que nesse ponto o acusado n\u00e3o sentiria dor alguma e n\u00e3o correria sangue quando a agulha fosse retirada. \u201c[&#8230;] a procura da prova faz-se [&#8230;] com o concurso de m\u00e9dicos, de cirurgi\u00f5es barbeiros que come\u00e7am por raspar todo o corpo do acusado [&#8230;]\u201d (MANDROU, 1979, p.78). Era comum a ideia de que o Diabo poderia proteger os acusados para que estes n\u00e3o fossem descobertos, de modo que os ju\u00edzes deveriam ser ainda mais espertos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Robert Mandrou narra que um juiz respons\u00e1vel por um processo de <a href=\"https:\/\/www.magianegra.com.pt\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"5\" title=\"Bruxaria, saiba tudo aqui\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">feiti\u00e7aria<\/a> era ocupado pelo medo de que pudesse ser enganado pelas mentiras sat\u00e2nicas, o que o faria desconfiar at\u00e9 das provas concretas; no s\u00e9c. XVII, por exemplo, ap\u00f3s uma procura intermin\u00e1vel do punctum diabolicum, os ju\u00edzes conclu\u00edram que o dem\u00f4nio teria interferido para ocult\u00e1-lo momentaneamente e enganar a justi\u00e7a[6].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como dito, os m\u00e9todos de puni\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas de <a href=\"https:\/\/www.magianegra.com.pt\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"5\" title=\"Bruxaria, saiba tudo aqui\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">bruxaria<\/a> variavam bastante de um pa\u00eds para outro \u2013 enquanto um pa\u00eds empregava abundantemente a pena capital com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s <a href=\"https:\/\/www.magianegra.com.pt\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"4\" title=\"Bruxas e Bruxos, saiba tudo aqui\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">bruxas<\/a>, outro pa\u00eds aplicava penas predominantemente brandas. Lynn Hunt nos conta, por exemplo, que a Gr\u00e3-Bretanha tinha supostamente substitu\u00eddo a tortura judicial pelos j\u00faris no sec. XIII, mas a tortura ainda ocorria nos s\u00e9culos XVI e XVII nos casos de sedi\u00e7\u00e3o e <a href=\"https:\/\/www.magianegra.com.pt\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"5\" title=\"Bruxaria, saiba tudo aqui\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">feiti\u00e7aria<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o tempo, verificou-se que a Justi\u00e7a Comum foi ocupando o lugar dos Tribunais Eclesi\u00e1sticos no julgamento dessas pr\u00e1ticas. No per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o, em que as duas Justi\u00e7as julgavam as feiticeiras, por vezes a penit\u00eancia da Justi\u00e7a Eclesi\u00e1stica era mais branda, como se pode observar no caso de Elizabeth Cubon Kewin:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cThe Sentence<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elizabeth Kewin for useing of unlawfull meanes in the nature of sorcery as appears by the foregoeing proofes is censured to doe 3 Sundayes penance in the parish churches of Kirk Malue, Kirk Arborey and KK Christ Rushen with a scheadule on her breast [\u2026]\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONCLUS\u00c3O<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo desse breve panorama hist\u00f3rico relacionado a um paradigma diverso do nosso, um dos maiores desafios \u00e9 o de observar a realidade daquela \u00e9poca a partir da neutralidade, mas sem perder a vis\u00e3o cr\u00edtica. Ao iniciar-se este <a href=\"https:\/\/www.magianegra.com.pt\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"2\" title=\"Trabalhos de magia negra, saiba tudo aqui\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">trabalho<\/a>, as pr\u00e1ticas de tortura foram caracterizadas como atrozes aos olhos atuais. O questionamento que se faz, ent\u00e3o, \u00e9 se os olhos atuais seriam os mais indicados para se entender o paradigma medieval. Frisa-se que a concep\u00e7\u00e3o do que constitui uma puni\u00e7\u00e3o cruel sempre esteve intimamente associada \u00e0s expectativas culturais vigentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim sendo, a tortura era encarada com grande naturalidade na Idade M\u00e9dia; era um instrumento de aplica\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a. Al\u00e9m disso, pode-se dizer que era, de certo modo, compat\u00edvel com as rudes condi\u00e7\u00f5es da vida medieval, de modo que a sociedade n\u00e3o encarava com estranheza a ocorr\u00eancia de penas capitais e de tortura. Contestar as pr\u00e1ticas vigorantes seria um ultraje, o que explica o lento processo de desuso da tortura. A Igreja provavelmente adotou a pr\u00e1tica da tortura pelo fato de ela mesma estar inserida em um paradigma no qual esse costume era comum; ademais, a Igreja influenciava o paradigma medieval e tamb\u00e9m nele estava inserida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u00faltima an\u00e1lise, a tortura servia indiretamente para salvar uma alma, tendo em vista que ela estava diretamente relacionada com a confiss\u00e3o e esta, como foi melhor explicado no <a href=\"https:\/\/www.magianegra.com.pt\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"2\" title=\"Trabalhos de magia negra, saiba tudo aqui\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">trabalho<\/a>, com a salva\u00e7\u00e3o de uma alma no plano espiritual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Portal-ae2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1017\" src=\"http:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Portal-ae2.jpg\" alt=\"Portal a&amp;e\" width=\"47\" height=\"86\" \/><\/a>\u00ab\u00ab Voltar ao tema: <span style=\"color: #008000;\"><a style=\"color: #008000;\" href=\"http:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/wicca\/\" target=\"_blank\">Wicca<\/a> <\/span>|<\/p>\n ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0A religiosidade no per\u00edodo medieval &nbsp; \u00a0Autoria de Ana Carolina Lappe do Prado Teixeira Neto &nbsp; INTRODU\u00c7\u00c3O O contexto hist\u00f3rico do per\u00edodo medieval foi marcado por aspectos relacionados ao terror: tortura, forte influ\u00eancia religiosa na vida do povo, bruxaria, colheitas mal sucedidas, mis\u00e9ria, marginaliza\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia, crescimento demogr\u00e1fico acompanhado da falta de alimentos, supremacia do Estado perante os s\u00faditos, desigualdade social.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1782,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[144],"tags":[450,449,74,372,351,75],"class_list":["post-1781","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-wicca","tag-a-religiosidade-no-periodo-medieval","tag-eiticos-wicca","tag-magia-wicca","tag-religiao-wicca","tag-rituais-wicca","tag-wicca"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1781","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1781"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1781\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1783,"href":"https:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1781\/revisions\/1783"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1782"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1781"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1781"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.astrologosastrologia.com.pt\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1781"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}