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Bruxas e demónios O Papa Eugénio IV, em
1437, escreveu uma missiva na qual descrevia a bruxaria. Na carta são referidos:
Pois na verdade, a bruxa foi em tempos encarada como um ser sobrenatural,
uma espécie de vampiro ou mais concretamente um «succubus»
que á noite invadia o lar das pessoas, fosse na
forma de um gato negro, ou de uma traça, ou de neblina, para ter relações
sexuais com um ou mais dos humanos daquela casa, extraindo assim as forças
vitais desses humanos para seu próprio alimento.
Estas noções são na verdade herdadas das mais ancestrais
tradições místicas hebraicas. Já no I Livro de Henoc
é possível observar que a Bruxaria é praticada pela primeira vez quando Satã,
Azazel e outros 198 anjos descem á terra. Na verdade, o I Livro de Enoch descreve como
200 anjos caíram, ou seja, abandonaram a esfera celeste e habitaram neste
mundo. E assim continua o apócrifo Enochiano:
Segundo o I Livro de
Enoch, no inicio da humanidade, ( após a expulsão de
Adão e Eva do paraíso), alguns anjos estavam encarregues de
vigiar o ser humano na terra , chamando-se esses os «vigilantes». Entre eles,
encontrava-se Satã, Azâzêl, Samîazâz, Arâkîba,
Râmêêl, Kôkabîêl, Tâmîêl, Râmîêl, Dânêl, Êzêqêêl, Barâqîjâl, Armârôs, Batârêl, Anânêl, Zaqîêl, Samsâpêêl, Satarêl, Tûrêl, Jômjâêl e Sariêl. Os anjos vigilantes, desejaram as filhas
dos homens, as mulheres. Em conjunto, decidiram abandonar o céu para se unirem carnalmente
ás mulheres. Assim o fizeram, e 200 anjos abandonaram o céu e uniram-se
carnalmente ás mulheres, escolhendo dentre elas todas as que quiseram. Os
anjos penetraram-nas e amaram-nas e com elas casaram. Foi nesse momento que os anjos rebeldes ensinaram ás suas
mulheres os segredos das artes da magia negra em troca do sexo que com elas
tinham, e assim nasceu a magia negra. Não só nasceu a magia negra, como da união sexual entre os anjos
caídos e as mulheres, nasceram filhos:
os neffilins. Deus desaprovou tanto a fuga dos anjos, como a união entre esses
e as mulheres, e gerou o dilúvio que tudo destruiu á
face da terra. Ao faze-lo, lançou uma maldição: I as mulheres dos anjos seriam mortas, bem
como os seus filhos; II não só perderiam para sempre as suas
mulheres e filhos, como próprios anjos caídos seriam para sempre espíritos
sem descanso nem paz aprisionados num dos cantos do reino dos mortos; III os espíritos dos filhos que nasceram do
amor entre os anjos e as mulheres, ( entretanto mortos no dilúvio), passariam
a ser espíritos terrenais, espíritos impuros, espíritos maus. Assim sendo: Segundo Enoch, é neste momento que nascem os demónios, ou seja: eles são tanto os 200 anjos caídos que
amaram as mulheres, como os seus filhos, ( ou os espíritos dos seus filhos),
condenados a vaguear eternamente na terra. Rezam as crenças Enochianas, que os anjos caídos e os seus filhos
continuam vagueando neste mundo, amando as mulheres, desejando a carnalidade
com elas, e
concedendo-lhes o seu poder e sabedoria. A essas mulheres, chamam-se bruxas,
e aos homens que por causa dessas mulheres possuem uma aliança com esses
espíritos chamam-se bruxos. Os demónios facultam ás
bruxas:
Os espíritos
terrenais, (ver: dicionário de demónios),
manifestam-se nas bruxas através de incorporação, ( incorporação sucede
quando um espírito desencarnado habita momentaneamente no corpo de um humano,
ao mesmo tempo que a alma desse mesmo humano), que é permitida através do processo de
possessão voluntária, sendo que essa é angariada através da carnalidade. Sobre tal tipo de
processos místicos entre bruxas e demónios, recomenda-se leitura do Malleus Maleficarum e sobre o Sabbath. Ora, verifica-se assim que a mais ancestral
teologia hebraica revela que a bruxaria foi oferecida ás mulheres em troca do
acto sexual com os anjos caídos, e assim nasce a arte da bruxaria tal como
ela é conhecida.
Por isso mesmo, consideravam os manuais inquisitórios que o Diabo
ou Satã:
Dizia-se que dessas relações carnais,( a
génese do pecado original que desgraçou Adão e Eva, assim como gerou a causa
do dilúvio ), nascia o pacto satânico
que facultava os poderes sobrenaturais que as bruxas e bruxos possuíam, que
eram na verdade os poderes das trevas, ou o «dom das trevas». Acreditava-se também que eram nas missas negras e nos Sabbath, que o pacto demoníaco era não só selado, como
ciclicamente celebrado e repetido para agrado dos prazeres demoníacos.
As teses que
professavam que a Bruxa nascia de um Pacto com o Diabo assinado em sangue ,( sangue da própria bruxa), e celebrado através de
sexo, ( com o próprio corpo da bruxa que assim se prostituía ao demónio),
alegavam igualmente que uma das características identificativas das bruxas, (
de acordo com os manuais inquisitórios), é a «marca da bruxa». Essa marca corporal
confirmava que a bruxa era na verdade uma bruxa. A marca não pode ser um
sinal de nascença, mas sim algo adquirido no momento em que o Diabo assume
poder sobre essa pessoa, ou que o demónio escolheu essa pessoa para ser seu
servo, aliado e sacerdote. A «marca do Diabo» é
um sinal deixado pelo demónio no corpo da bruxa como forma de assinalar a
obediência dessa pessoa para com o Diabo. Tradicionalmente,
acreditava-se que a «Marca do Diabo» era criada de diversas formas: ou pelas garras do
Diabo ao passar pela carne do seu servo, ou pela língua do Diabo que tocando
o individuo, lhe deixa a marca demoníaca. Professava-se por isso
que a «marca» podia-se manifestar em diversas formas: Uma verruga, uma
cicatriz, um sinal, e especialmente um pedaço de pele totalmente insensível. Nas teses ocultistas
de magia negra, a «marca da bruxa», ou o «sinal do Diabo», possui o nome de:
a «marca de Caim». Hoje em dia muitos
ocultistas acreditam que a «marca do diabo» não é na realidade uma marca
física que é impressa pelo demónio no corpo da bruxa, ( tal
como um selo é marcado com ferro em brasa na carne de um animal), mas antes
trata-se de uma marca espiritual que fica impressa na alma da bruxa, ou seja:
o seu «nome espiritual», ou o seu «nome demoníaco», por oposição ao seu nome
de baptismo cristão . Alegam essas teses
ocultistas, que quando um pacto é realizado, o demónio que apadrinhou uma
bruxa concede-lhe um «nome espiritual», que é um
«sinal» que ficará marcado para sempre no espírito de quem vendeu a alma ao
Diabo. È com esse nome que a
bruxa passará a viver, a trabalhar nas artes da bruxaria, e mesmo será
recebida no mundo dos espíritos depois da sua morte neste mundo. Por esse motivo, todos os grandes
bruxos adoptaram nomes esotéricos diferentes dos seus nomes de baptismo
cristão:
Se os «nomes de baptismo» cristão identificam uma alma perante
Deus, o «nome espiritual» que provem de um Pacto é o «sinal» que identifica
um bruxo diante do demónio. Sendo a bruxa o resultado de um Pacto por via do qual lhe é
concedida uma nova e eterna vida ao serviço do Diabo, então no momento do
Pacto a bruxa é «baptizada» com o sinal, ( «nome»),
que para sempre a identificará perante o Demónio. § §
§ §
Segundo essas teses
defendidas em alguns manuais inquisitórios, a bruxa era um ser condenado,
pois a alma humana da bruxa, ao conviver intimamente
,(desde a nascença), com o espírito demoníaco que habita no corpo
dela, era uma alma impura, uma alma contaminada pelo espírito de feitiçaria,
uma alma contagiada pelo espírito das trevas que habita no corpo da bruxa,
uma alma condenada a não ingressar no céu e a permanecer eternamente
aprisionada nesta terra. Dizia-se por isso que alma da bruxa nunca descansaria em paz após
a morte, vagueando neste mundo, procurando prazeres carnais, procurando
instigar a actos de bruxaria, apadrinhando outros bruxos, atacando vitimas inocentes, etc. Prova dessa mesma noção, encontramos no antigo Livro de São Cipriano, (Cap. V – Poderes ocultos – Secção 11, p.
183), onde o santo depois de ter renegado a bruxaria e se ter convertido á fé em Deus, ainda foi atormentado por fantasmas que
eram os espiritos de bruxas mortas, vagueando sem descanso por este mundo. Por isso
mesmo a bruxa era queimada, pois julgava-se que pelo fogo era possível
expulsar o espírito demoníaco daquele corpo, ao mesmo tempo que enviando a
alma condenada da bruxa aos infernos de forma a que ela não pudesse regressar
a este mundo para atormentar os fieis de Deus. Outra forma de evitar que o
espírito da bruxa regressasse a esta mundo e vagueasse pela terra atacando
vitimas inocentes, era amarrar o corpo da bruxa a uma pesada pedra e atirar a
bruxa a um rio, ou a um poço, ou a um lago, acreditando-se que assim a alma
da bruxa permaneceria enclausurada no corpo, não podendo abandona-lo para
regressar a esta mundo e «vampirizar» os filhos de Deus. Fonte: magianegra.com.pt Veja tambem:
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