Evangelhos Apócrifos – O Livro de Enoque

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O livro de Enoch é um texto apócrifo que é mencionado por algumas cartas do Novo Testamento (Judas, Hebreus e 2ª de Pedro). Até a elaboração da Vulgata, por volta do ano 400, os primeiros seguidores de Cristo o mencionavam abertamente em seus textos e o aceitavam como real. Após a Vulgata ele caiu no esquecimento. Entretanto, o livro é muito interessante e parece real. O livro de Enoch foi preservado somente em uma cópia, na totalidade, em etíope e, por esta razão, também é chamado de Enoch etíope.

Capítulo 1

1As palavras das bênçãos de Enoque, com as quais ele abençoou os eleitos e os justos, os quais devem existir nos tempos da tribulação, rejeitando toda iniqüidade e mundanismo. Enoque, um homem justo, o qual estava com Deus, respondeu e falai com Deus enquanto seus olhos estavam abertos, e enquanto via uma santa visão dos céus. Isto os anjos me mostraram.

2Deles eu ouvi todas as coisas e entendi o que vi; coisas que não terão lugar nesta geração, mas numa geração que deve acontecer num tempo distante, por causa dos eleitos.

3A respeito deles eu falei e conversei com Ele, o qual virá de Sua habitação, o Santo e Poderoso, o Deus do mundo:

4O qual pisará sobre o Monte Sinai; aparecerá com Suas hostes e se manifestará com a força do Seu poder dos céus.

5Todos estarão temerosos e as Sentinelas estarão aterrorizados.

6Grande temor e tremor se apoderarão deles, mesmo aos confins da terra. As alturas das montanhas serão abaladas, e os altos montes serão abatidos, derretidos como o favo de mel na chama de fogo. A terra será imersa e todas as coisas que nela estão perecerão; enquanto julgamento virá sobre todos, mesmo sobre todos os justos:

7Mas a eles será dada paz: Ele preservará os eleitos e para com eles exercitará clemência.

8Então todos pertencerão a Deus, serão felizes e abençoados, e o esplendor da Divindade os iluminará.

Capítulo 2

1Eis que Ele vem com dezenas de milhares dos Seus santos para executar julgamento sobre os pecadores e destruir o iníquo, e reprovar toda coisa carnal e toda coisa pecaminosa e mundana que foi feita, e cometida contra Ele. (2)

(2) Citado por Judas, vss. 14, 15.

Capítulo 3

1Todos os que estão nos céus sabem o que transcorre lá.

2Eles sabem que as luminárias celestes não mudam seus caminhos; que cada uma nasce e se põe regularmente, cada uma a seu próprio tempo, sem transgredir os mandamentos que receberam. A VISÃO da terra, e entendem o que deve acontecer, desde o princípio até o seu fim.

3Eles vêem que toda obra de Deus é invariável no período de seu aparecimento. Eles vêem o verão e o inverno: percebendo que toda terra está repleta de água; e que a nuvem, o orvalho, e a chuva refrescam-na.

Capítulo 4

1Eles consideram e vêem cada árvore, como aparecem para depois murchar, e toda folha, para depois cair, exceto de quatorze árvores, as quais não são efêmeras, e esperam pelo aparecimento das folhas novas por dois ou três invernos.

Capítulo 5

1Novamente eles consideram os dias de verão, que o sol está sobre a terra desde o princípio; enquanto tu procuras por uma cobertura e por um lugar sombreado por causa do sol ardente; enquanto a terra é queimada com calor fervente, e tu te tornas incapaz de andar sobre a terra ou sobre as rochas em conseqüência do calor.

Capítulo 6

1Eles consideram como as árvores, quando elas dão suas folhas verdes, cobrem-se e produzem frutos; entendendo tudo, e sabendo que Ele, o qual vive para sempre, faz todas estas coisas por causa de vós:

2Que as obras desde o princípio de todo ano existente, que todas as suas obras são obedientes a Ele e invariáveis; assim como Deus determinou, assim todas as coisas acontecem.

3Eles vêem também como os mares e os rios juntos completam suas respectivas operações:

4Mas tu resistes impacientemente, não cumpres os mandamentos do Senhor, mas transgrides e calunias a Sua grandiosidade; e malditas são as palavras em tua boca poluída contra Sua majestade.

5Tu, murcho de coração, a paz não estará contigo!

6Portanto teus dias te amaldiçoarão, e os anos de tua vida perecerão; execração perpétua se multiplicará, e não obterás misericórdia.

7Nestes dias tu resignas tua paz com a eterna maldição de todos os justos, e os pecadores perpetuamente te execrarão;

8Eles te execrarão com tudo o que não é divino.

9Os eleitos possuirão luz, alegria e paz; e herdarão a terra.

10Mas tu, que não és santo, serás amaldiçoado.

11Então a sabedoria será dada aos eleitos, todos os que viverão, e não transgredirão por impiedade ou orgulho, mas humilhar-se-ão, processando prudência, e não repetirão transgressão.

12Eles não condenarão todo o período das suas vidas, não morrerão em tormento e indignação; mas a soma dos seus dias se completará, e envelhecerão em paz; enquanto os anos de sua felicidade se multiplicarão em alegria, e com paz, para sempre, em toda a duração de sua existência.

Capítulo 7

1E aconteceu depois que os filhos dos homens se multiplicaram naqueles dias, nasceram-lhe filhas, elegantes e belas.

2E quando os anjos, (3) os filhos dos céus, viram-nas, enamoraram-se delas, dizendo uns para os outros: Vinde, selecionemos para nós mesmos esposas da progênie dos homens, e geremos filhos.

(3) No texto aramaico lê-se “Sentinelas” (J.T. Milik, Aramaic Fragments of Qumran Cave 4 [Oxford: Clarendon Press, 1976], p. 167).

3Então seu líder Samyaza disse-lhes: Eu temo que talvez possais indispor-vos na realização deste empreendimento;

4E que só eu sofrerei por tão grave crime.

5Mas eles responderam-lhe e disseram: Nós todos juramos;

6 (e amarraram-se por mútuos juramentos), que nós não mudaremos nossa intenção mas executamos nosso empreendimento projetado.

7Então eles juraram todos juntos, e todos se amarraram (ou uniram) por mútuo juramento. Todo seu número era duzentos, os quais descendiam de Ardis, (4) o qual é o topo do monte Armon.

(4) de Ardis. Ou, “nos dias de Jared” (R.H. Charles, ed. and trans., The Book of Enoch [Oxford: Clarendon Press, 1893], p. 63).

8Aquele monte portanto foi chamado Armon, porque eles tinham jurado sobre ele, (5) e amarraramse por mútuo juramento.

(5) Mt. Armon, ou Monte Hermon deriva seu nome do hebreu herem, uma maldição (Charles, p. 63).

9Estes são os nomes de seus chefes: Samyaza, que era o seu líder, Urakabarameel, Akibeel, Tamiel, Ramuel, Danel, Azkeel, Saraknyal, Asael, Armers, Batraal, Anane, Zavebe, Samsaveel, Ertael, Turel, Yomyael, Arazyal. Estes eram os prefeitos dos duzentos anjos, e os restantes estavam todos com eles. (6)

(6) O texto aramaico preserva uma lista anterior dos nomes destes Guardiães ou Sentinelas: Semihazah; Artqoph;

Ramtel; Kokabel; Ramel; Danieal; Zeqiel; Baraqel; Asael; Hermoni; Matarel; Ananel; Stawel; Samsiel; Sahriel, Tummiel; Turiel; Yomiel; Yhaddiel (Milik, p. 151).

10Então eles tomaram esposas, cada um escolhendo por si mesmo; as quais eles começaram a abordar, e com as quais eles coabitaram, ensinando-lhes sortilégios, encantamentos,e a divisão de raízes e árvores.

11E as mulheres conceberam e geraram gigantes, (7).

(7) O texto grego varia consideravelmente do etíope aqui. Um manuscrito grego acrescenta a esta secção, “E elas [as mulheres] geraram a eles [as Sentinelas] três raças: os grandes gigantes. Os gigantes trouxeram [alguns dizem “mataram”] os Naphelim, e os Naphelim trouxeram [ou “mataram”] os Elioud. E eles sobreviveram, crescendo em poder de acordo com a sua grandeza.” Veja o registro no Livro dos Jubileus.

12Cuja estatura era de trezentos cúbitos. Estes devoravam tudo o que o labor dos homens produzia e tornou-se impossível alimentá-los;

13Então eles voltaram-se contra os homens, a fim de devorá-los;

14E começaram a ferir pássaros, animais, répteis e peixes, para comer sua carne, um depois do outro, (8) e para beber seu sangue.

(8) Sua carne, um depois do outro. Ou, “de uma outra carne”. R.H. Charles nota que esta frase pode referir-se à destruição de uma classe de gigantes por outra. (Charles, p. 65).

15Então a terra reprovou os injustos.

Capítulo 8

1 Além disso, Azazyel ensinou os homens a fazerem espadas, facas, escudos, armaduras (ou peitorais), a fabricação de espelhos e a manufatura de braceletes e ornamentos, o uso de pinturas, o embelezamento das sobrancelhas, o uso de todo tipo selecionado de pedras valiosas, e toda sorte de corantes, para que o mundo fosse alterado.

2A impiedade foi aumentada, a fornicação multiplicada; e eles transgrediram e corromperam todos os seus caminhos.

3 Amazarak ensinou todos os sortilégios, e divisores de raízes:

4 Armers ensinou a solução de sortilégios;

5 Barkayal ensinou os observadores das estrelas, (9)

(9) Observadores das estrelas. Astrólogos (Charles, p. 67).

6 Akibeel ensinou sinais;

7Tamiel ensinou astronomia;

8E Asaradel ensinou o movimento da lua,

9E os homens, sendo destruídos, clamaram, e suas vozes romperam os céus.

Capítulo 9

1Então Miguel e Gabriel, Radael, Suryal, e Uriel, olharam abaixo desde os céus, e viram a quantidade de sangue que era derramada na terra, e toda a iniqüidade que era praticada sobre ela, e disseram um ao outro; Esta é a voz de seus clamores;

2A terra desprovida de seus filhos tem clamado, mesmo até os portões do céu.

3E agora a ti, ó Santo dos céus, as almas dos homens queixam-se, dizendo: Obtém justiça para conosco com o Altíssimo (10). Então eles disseram ao seu Senhor, o Rei: Tu és Senhor dos senhores, Deus dos deuses, Rei dos reis. O trono de Tua glória é para sempre e sempre, e para sempre seja Teu nome santificado e glorificado.

(10) Obtém justiça para conosco. Literalmente, “Traz julgamento para nós do…” (Richard Laurence, ed. and trans.,

The Book of Enoch the Prophet [London: Kegan Paul, Trench & Co., 1883], p. 9).

4Tu fizeste todas as coisas; Tu possuis poder sobre todas as coisas; e todas as coisas estão abertas e manifestas diante de Ti. Tu vês todas as coisas e nada pode esconder-se de Ti.

5Tu viste o que Azazyel tem feito, como ele tem ensinado toda espécie de iniqüidade sobre a terra, e tem aberto ao mundo todas as coisas secretas que são feitas nos céus.

6Samyaza também tem ensinado sortilégios, para quem Tu deste autoridade sobre aqueles que estão associados Contigo. Eles tem ido juntos às filhas dos homens, têm-se deitado com elas; têm-se contaminado;

7E têm descoberto crimes a elas. (11)

(11) Descoberto crimes. Ou, “revelado estes sinais” (Charles, p. 70).

8As mulheres igualmente têm gerado gigantes.

9Assim toda a terra tem se enchido de sangue e iniqüidade.

10E agora, vês que as almas daqueles que estão mortos clamam.

11E queixam-se até ao portão do céu.

12Seus gemidos sobem; nem podem eles escapar da injustiça que é cometida na terra. Tu conheces todas as coisas, antes de elas existirem.

13Tu conheces estas coisas, e o que tem sido feito por eles; já Tu não falas a nós.

14O que, por conta destas coisas, devemos fazer contra eles?

Capítulo 10

1Então o Altíssimo, o Grande e Santo falou,

2E enviou a Arsayalalyur (12) ao filho de Lamech,

(12) Arsayalalyur. No texto em grego lê-se “Uriel”.

3Dizendo: Diz a eles em Meu nome: Esconde-te.

4Então explicou-lhe a consumação que está preste a acontecer; pois toda a terra perecerá; as águas do dilúvio virão sobre toda a terra, e todas os que estão nela serão destruídos.

5E agora, ensina-o como ele pode escapar, e como sua semente pode permanecer em toda a terra.

6Novamente o Senhor disse a Rafael: Amarra a Azazyel, mãos e pés; lança-o na escuridão; e

abrindo o deserto que está em Dudael, lança-o nele.

7Arremessa sobre ele pedras agudas, cobrindo-o com escuridão;

8Lá ele permanecerá para sempre; cobre sua face, para que ele não possa ver a luz.

9E no grande dia do julgamento lança-o ao fogo.

10Restaura a terra, a qual os anjos corromperam; e anuncia vida a ela, para que Eu possa recebê-la.

11Todos os filhos dos homens, sua descendência, não perecerão em consequência de todo segredo, pelo qual as Sentinelas têm destruído, e o que eles ensinaram;

12Toda a a terra tem se corrompido pelos efeitos dos ensinamentos de Azazyel. A ele, portanto, se atribui todo crime.

13A Gabriel também o Senhor disse: Vai aos bastardos, (13) aos réprobos, aos filhos da fornicação; e destrói os filhos da fornicação, a descendência das Sentinelas de entre os homens; traga-os e excita-os uns contra os outros. Faça-os perecer por mútua matança; pois o prolongamento de dias não será deles.

(13) “bastardos” (Charles, p. 73; Michael A. Knibb, ed. and trans., The Ethiopic Book of Enoch [Oxford: Clarendon Press, 1978], p. 88).

14Eles rogarão a ti, mas seus pais não obterão seus desejos com respeito a eles; pois eles esperaram por vida eterna, e que eles possam viver, cada um deles, quinhentos anos.

15A Miguel, igualmente o Senhor disse: Vai e anuncia seus próprios crimes a Samyaza, e aos outros que estão com ele, os quais têm se associado às mulheres para que se contaminem com toda sua impureza. E quando todos os seus filhos forem mortos, quando eles virem a perdição dos seus bem amados, amarra-os por setenta gerações debaixo da terra, mesmo até o dia do julgamento, e da consumação, até o julgamento, cujo efeito que dura para sempre, seja completado.

16Então eles serão levados para as mais baixas profundezas do fogo em tormentos; lá eles serão encerrados em confinamento para sempre.

17Imediatamente depois disso ele, (14) juntamente com os outros, queimarão e perecerão; eles serão amarrados até a consumação de muitas gerações.

(14) Ele. I.e., Samyaza.

18Destrói todas as almas viciadas na luxúria, (15) e a descendência das Sentinelas, pois eles tiranizam a humanidade.

(15) “luxúria” (Knibb, p. 90; cp. Charles, p. 76).

19Que todo opressor pereça na face da terra;

20Que toda má obra seja destruída;

21A semente da justiça e da retidão apareça, e o que é produtivo torne-se uma bênção.

22Justiça e retidão serão plantados para sempre com prazer.

23E então todos os santos darão graças, e viverão até terem gerado milhares de filhos, enquanto todo o período se sua juventude, e seus sábados, serão completados em paz. Naqueles dias toda a terra será cultivada em retidão; ela será totalmente cultivada com árvores, e será cheia de bendições; toda árvore de delícias será plantada nela.

24Vinhas serão plantadas; e a vinha que nela será plantada produzirá frutos para saciedade; toda semente que nela será semeada produzirá mil por uma medida; e uma medida de olivas produzirá dez prensas de óleo.

25Purifica a terra de toda opressão, de toda injustiça, de todo crime, de toda impiedade, e de toda impureza que é cometida sobre ela. Extermina-os da terra.

26Então todos os filhos dos homens serão justos, e todas as nações me pagarão divinas honras, e Me abençoarão; e todos Me adorarão.

27A terra será limpa de toda corrupção, de toda punição e de todo sofrimento; Eu não enviarei novamente dilúvio sobre ela, de geração em geração para sempre.

28Naqueles dias Eu abrirei tesouros de bênçãos que estão nos céus, para que Eu possa fazê-las descer sobre a terra, e sobre todos os trabalhos e labores do homem.

29Paz e eqüidade se associará aos filhos dos homens todos os dias do mundo, em cada uma de suas gerações.

Capítulo 11 (não tem)

Capítulo 12

1Antes de todas estas coisas acontecerem, Enoque esteve escondido; e nenhum dos filhos dos homens sabia onde ele estava, onde ele havia estado, e o que havia acontecido.

2Ele esteve totalmente engajado com os santos, e com as Sentinelas em seus dias.

3Eu, Enoque, fui abençoado pelo grande Senhor e Rei da paz.

4E eis que as Sentinelas chamaram-me Enoque, o escriba.

5Então o Senhor disse-me: Enoque, escriba da retidão, vai e dize às Sentinelas dos céus, os quais desertaram o alto céu e seu santo e eterno estado, os quais foram contaminados com mulheres.

6E fizeram como os filhos dos homens fazem, tomando para si esposas, e os quais têm sido grandemente corrompidos na terra;

7Que na terra eles nunca obterão paz e remissão de pecados. Pois eles não se regozijarão em sua descendência; eles verão a matança dos seus bem-amados; lamentarão a destruição dos seus filhos e farão petição para sempre; mas não obterão misericórdia e paz.

Capítulo 13

1Então Enoque, passando ali, disse a Azazyel: Tu não obterás paz. Uma grande sentença há contra ti. Ele te amarrará;

2Socorro, misericórdia e súplica não estarão contigo por causa da opressão que tens ensinado;

3E por causa de todo ato de blasfêmia, tirania e pecado que tens descoberto aos filhos dos homens.

4Então partindo dele, falei a eles todos juntos;

5E eles todos ficaram apavorados, e tremeram;

6Abençoando-me por escrever por eles um memorial de súplica, para que eles pudessem obter perdão; e que eu fizesse um memorial de suas orações ascendendo diante do Deus do céu; porque eles, por si mesmos, desde então não podiam dirigir-se a Ele, nem levantar seus olhos aos céus por causa da infame ofensa com a qual eles foram julgados.

7Então eu escrevi um memorial de suas orações e súplicas, por seus espíritos, por tudo o que eles haviam feito, e pelo assunto de sua solicitação, para que eles obtivessem remissão e descanso.

8Procedendo nisso, eu continuei sobre as águas de Danbadan, (16) as quais estão da direita para o oeste de Armon, lendo o memorial de suas orações, até que caí adormecido.

(16) Danbadan. Dan in Dan (Knibb, p. 94).

9E eis que um sonho veio a mim, e visões apareceram acima de mim. E caí e vi uma visão de castigos, para que eu pudesse ralatá-la aos filhos dos céus, e reprová-los. Quando eu acordei fui até eles. Todos estavam reunidos chorando em Oubelseyael, que está situada entre o Libano e Seneser,

(17) com suas faces escondidas.

(17) Libanos e Seneser. Líbano e Senir (próximo a Damasco).

10E relatei em sua presença todas as visões que eu havia visto, e meu sonho;

11E comecei a pronunciar estas palavras de retidão, reprovando as Sentinelas do céu.

Capítulo 14

1Este é o livro das palavras de retidão, e de reprovação das Sentinelas, os quais pertencem ao mundo, (18) de acordo com o que Ele, que é santo e grande, ordenou na visão. Eu percebi em meu sonho que eu estava então falando com a língua da carne, e com meu fôlego, que o Poderoso colocou na boca dos homens, para que eles pudessem conversar com Ele.

(18) Os quais pertencem ao mundo. Ou, “os quais (são) da eternidade” (Knibb, p. 95).

2Eu entendi com o coração. Assim como Ele havia criado e dado aos homens o poder de compreender a palavra de entendimento, assim criou, e deu a mim o poder de reprovar os Sentinelas, a geração dos céus. E escrevi sua petição; e na minha visão foi-me mostrado que seu pedido não lhes será atendido enquanto o mundo perdurar.

3Julgamento passou sobre vós: vosso pedido não vos será atendido.

4De agora em diante, nunca ascendereis ao céu; Ele o disse que na terra Ele vos amarrará, tanto tempo quanto o mundo existir.

5Mas antes destas coisas tu verás a destruição dos vossos bem-amados filhos; não os possuireis, mas eles cairão diante de vós pela espada.

6Nem pedireis por eles, nem por vós mesmos;

7Mas chorareis e suplicareis em silêncio. As palavras do livro que eu escrevi.(19)

(19) Mas chorareis… Eu escrevi. Ou, “Assim também, a despeito de vossas lágrimas e orações, não recebereis nada, de tudo o que está contido nos registros que eu tenho escrito” (Charles, p. 80).

8Uma visão então me apareceu.

9Eis que naquela visão, nuvens e névoa convidaram-me; estrelas agitadas e brilho de relâmpagos impeliram-me e pressionaram-me adiante, enquanto ventos na visão assistiram meu vôo, acelerando meu progresso.

10Eles elevaram-me no alto ao céu. Eu prossegui, até que cheguei próximo dum muro construído com pedras de cristal. Uma chama de fogo vibrante (20) rodeou-o, a qual começou a golpear-me com terror.

(20) Chama de fogo vibrante. Literalmente, “uma língua de fogo”.

11Nesta chama de fogo vibrante eu entrei;

12E aproximei-me de uma espaçosa habitação, também construída com pedras de cristal. Seus muros também, bem como o pavimento, eram formados com pedras de cristal, e de cristal também era o piso. Seu telhado tinha a aparência de estrelas agitadas e brilhos de relâmpagos; e entre eles haviam querubins de fogo num céu tempestuoso.

(21) Uma chama queimava ao redor dos muros; e seu portal queimava com fogo. Quando eu entrei nesta habitação, ela era quente como fogo e frio como o gelo. Nenhum traço de encanto ou de vida havia lá. O terror sobrepujou-me, e um tremor de medo apoderou-se de mim.

(21) Num céu tempestuoso. Literalmente, “e seu céu era água” (Charles, p. 81).

13Violentamente agitado e tremendo, eu caí sobre minha face. Na visão eu olhei.

14E ví que lá havia outra habitação mais espaçosa que a primeira, cada entrada da qual estava aberta diante de mim, elevada no meio da chama vibrante.

15Tão grandemente superou em todos os pontos, em glória, em magnificência, em magnitude, que é impossível descrever-vos o esplendor ou a extensão dela.

16Seus pisos eram de fogo, acima haviam relâmpagos e estrelas agitadas, enquanto o telhado exibia um fogo ardente.

17Eu examinei-a atentamente e vi que ela continha um trono exaltado;

18A aparência do qual era semelhante à da geada, enquanto que sua circunferência assemelhava-se à órbita do sol brilhante; e havia a voz de um querubim.

19Debaixo desse poderoso trono saíam rios de fogo flamejante.

20Olhar para ele foi impossível.

21Alguém grande em glória assentava-se sobre ele,

22Cujo manto era mais brilhante que o sol, e mais branco que a neve.

23Nenhum anjo era capaz de penetrar para olhar a Sua face, o Glorioso e Efulgente; nem podia algum mortal vê-Lo. Um fogo flamejante rodeava-O.

24Também um fogo de grande extensão continuava a elevar-se diante dEle; de modo que nenhum daqueles que estavam ao redor dEle eram capazes de aproximar-se dEle, entre as miríades de miríades(22) que estavam diante dEle. Para Ele santa consulta era desnecessária. Contudo, o Santificado, que estava próximo dEle, não apartou-se dEle nem de noite nem de dia; nem eram eles tirados de diante dEle. Eu também estava tão adiantado, com um véu sobre minha face, e trêmulo.

Então o Senhor com sua própria boca chamou-me, dizendo: Aproxima-se aqui acima, Enoque, à minha santa palavra.

(22) Miríades de miríades. Dez mil vezes dez mil (Knibb, p. 99).

25E Ele ergueu-me, fazendo aproximar-me, mesmo até à entrada. Meus olhos estavam dirigidos para o chão.

Capítulo 15

1Então dirigindo-se para mim, Ele falou e disse: Ouve, não se atemorize, justo Enoque, tu escriba da retidão: aproxima-te para cá, e ouve a minha voz. Vai, dize às Sentinelas do céu, a quem te enviei para rogar por eles; tu deves rogar pelos homens, e não os homens por ti.

2Portanto, deves abandonar o sublime e santo céu, o qual permanece para sempre; deitastes com mulheres; vos corrompestes com as filhas dos homens; tomastes para ti esposas; agistes igual aos filhos da terra, e gerastes uma ímpia descendência.(23)

(23) Uma ímpia descendência. Literalmente, “gigantes” (Charles, p. 82; Knibb, p. 101).

3 Sois espirituais, santos, e possuidores de uma vida que é eterna; vos contaminastes com mulheres, procriastes em sangue carnal; cobiçastes o sangue de homens; e fizestes como aqueles que são carne e sangue fazem.

4Estes, contudo, morrem e perecem.

5Portanto, de agora em diante Eu dou-vos esposas, para que possais coabitar com elas; para que

filhos nasçam delas; e que isto seja negociado sobre a terra.

6Mas desde o princípio fostes feitos espirituais, possuindo uma vida que é eterna, e não sujeito à morte para sempre.

7Portanto, eu não fiz esposas para vós, porque, sendo espirituais, vossa habitação está no céu,

8Agora, os gigantes que têm nascido de espírito e de carne, serão chamados sobre a terra de maus espíritos, e na terra estará a sua habitação. Maus espíritos procederão de sua carne, porque eles foram criados de cima; dos santos Sentinelas foi seu princípio e a sua primeira fundação. Maus espíritos eles serão sobre a terra, e de espíritos da maldade eles serão chamados. A habitação dos espíritos do céu será no céu, mas sobre a terra estará a habitação dos espíritos terrestriais, os quais

são nascidos na terra.(24)

(24) Note as muitas implicações dos versículo 3-8 com respeito à progênie dos maus espíritos.

9Os espíritos dos gigantes serão semelhantes às nuvens, (25) os quais oprimem, corrompem, caem, contendem e confundem sobre a terra.

(25) A palavra grega para “nuvem” aqui, nephelas, pode ocultar a mais antiga leitura, Napheleim (Nephilim).

10Eles causarão lamentação. Nenhuma comida eles comerão; e terão sede; eles se esconderão e não (26) se levantarão contra os filhos dos homens, e contra as mulheres; pois eles virão durante os dias da matança e da destruição.

(26) Não. Quase todos os manuscritos contêm esta negativa, mas Charles, Knibb, e outros acreditam que o “não” deve ser deletado para que na frase leia-se “levantarão”.

Capítulo 16

1E quanto à morte dos gigantes, onde quer que seus espíritos se apartem de seus corpos; que sua carne, que é perecível, esteja sem julgamento.(27) Assim eles perecerão, até o dia da grande consumação do mundo. Uma destruição das Sentinelas e dos ímpios acontecerá.

(27) Que sua carne… esteja sem julgamento. Ou, “sua carne será destruída antes do julgamento” (Knibb, p. 102).

2E então às Sentinelas, aos quais enviei-te para rogar por eles, os quais no princípio estavam no céu, 3Dize: No céu tens estado; coisas secretas, entretanto, não têm sido manifestadas a ti; contudo tens conhecido um reprovável mistério.

4E isto tens relatado às mulheres na dureza do vosso coração, e por aquele mistério as mulheres e a humanidade têm multiplicado males sobre a terra.

5Dize a eles: Nunca, portanto, obtereis paz.

Capítulo 17

1Eles levantaram-me a um certo lugar, onde lá havia (28) a aparência de um fogo fervente; e quando eles se agradaram assumiram a semelhança de homens.

(28) Onde havia. Ou, “onde eles [os anjos] eram semelhantes” (Knibb, p. 103).

2Eles levaram-me a um alto lugar, a uma montanha, cujo topo alcançava o céu.

3E eu vi os receptáculos da luz e do trovão nas extremidades do lugar, onde ele era profundo. Havia um arco de fogo, e flechas em seu vibrar, uma espada de fogo, e toda espécie de relâmpagos.

4Então eles levaram-me a um arroio murmurante, (29) e a um fogo no oeste, o qual recebeu todo pôr-do-sol. Eu vim a um rio de fogo, o qual fluiu como água, e desaguou no grande mar para o oeste.

(29) A um arroio murmurante. Literalmente, “à água da vida, a qual fala” (Laurence, p. 23).

5Eu vi todo largo rio, até que cheguei à grande escuridão. Eu fui para onde toda carne migra; e vi as montanhas da escuridão as quais constituem o inverno, e o lugar do qual flui a água em cada abismo.

6 Eu vi também as bocas de todos os rios no mundo, e as bocas das profundezas.

Capítulo 18

1Eu então examinei os receptáculos de todos os ventos, percebendo que eles contribuem para adornar toda criação, e para preservar a fundação da terra.

2Eu examinei a pedra que apóia os cantos da terra.

3Também vi os quatro ventos, os quais sustêm a terra, e o firmamento do céu.

4E eu vi os ventos ocupando o céu exaltado,

5Surgindo no meio do céu e da terra, e constituindo os pilares do céu.

6Eu vi os ventos que giram no céu, os quais ocasionam e determinam a órbita do sol e de todas as estrelas; e sobre a terra eu vi os ventos que mantêm as nuvens.

7Eu vi o caminho dos anjos.

8Percebi na extremidade da terra o firmamento do céu acima dele. Então passei para a direção do sul,

9Onde queimam, tanto de dia quanto de noite, seis montanhas formadas de gloriosas pedras, três em direção ao leste, e três em direção ao sul.

10Aquelas que estão em direção ao leste eram de pedra multicolorida, uma das quais era de margarite, e outra de antimônio. Aquelas em direção ao sul eram de uma pedra vermelha. A do meio aproximava-se do céu como o trono de Deus; um trono composto de alabastro, o topo do qual era de safira. Vi também um fogo flamejante suspenso sobre todas as montanhas.

11E lá eu vi um lugar do outro lado de um extenso território, onde águas foram coletadas.

12Também vi fontes terrestriais, profundas em colunas ardentes do céu.

13E nas colunas do céu eu vi fogos, os quais desciam sem número, mas nem no alto, ou no profundo. Sobre estas fontes também percebi um lugar onde não havia nem o firmamento do céu acima dele, nem o sólido chão abaixo dele; nem havia água acima; ou nada no vento; mas o lugar era desolado.

14E lá eu vi sete estrelas, semelhantes a grandes montanhas, e como espíritos suplicando-me.

15Então o anjo disse: Este lugar, até a consumação do céu e da terra, será a prisão das estrelas, e das hostes do céu.

16As estrelas que rolam sobre fogo são aquelas que transgrediram o mandamento de Deus antes que seu tempo chegasse; pois elas não vieram em sua própria estação. Portanto, Ele ofendeu-se com elas, e amarrou-as até o período da consumação dos seus crimes no ano secreto.

Capítulo 19

1Então Uriel disse: Eis aqui os anjos que coabitaram com mulheres, escolheram seus líderes;

2E sendo numerosos em aparência (30) profanaram os homens e fizeram com que errassem; assim eles sacrificaram aos demônios como aos deuses. Pois no grande dia haverá um julgamento, no qual

eles serão julgados, até que sejam consumidos; e suas esposas também serão julgadas, as quais levaram desencaminhadamente os anjos do céu para que as saudassem.

(30) Sendo numerosos em aparência. Ou, “assumindo muitas formas” (Knibb, p. 106).

3E eu, Enoque, só vi a aparência do fim de todas as coisas. Não tendo visto nenhum homem enquanto via as coisas.

Capítulo 20

1Estes são os nomes dos anjos Sentinelas:

2Uriel, um dos santos anjos, o qual preside sobre o clamor e o terror.

3Rafael, um dos santos anjos, o qual preside sobre os espíritos dos homens.

4Raguel, um dos santos anjos, o qual inflige punição ao mundo e às luminárias.

5Miguel, um dos santos anjos, o qual, presidindo sobre a virtude humana, comanda as ações.

6Sarakiel, um dos santos anjos, o qual preside sobre os espíritos dos filhos dos homens que transgridem.

7Gabriel, um dos santos anjos, o qual preside sobre Ikisat, (31) sobre o paraíso e sobre o querubim.

(31) Ikisat. As serpentes (Charles, p. 92; Knibb, p. 107).

Capítulo 21

1Então eu fiz um circuito para um lugar no qual nada estava completo.

2E lá eu não vi nem as tremendas manufaturas do um céu exaltado, nem de uma terra estabelecida, mas um lugar desolado, preparado e terrível.

3Lá também vi sete estrelas do céu amarradas juntas, semelhantes a grandes montanhas, e semelhante ao fogo fervente. Eu exclamei: Por que espécie de crime elas foram amarradas, e por que foram removidas de seu lugar? Então Uriel, um dos santos anjos que estava comigo, e o qual conduzia-me, respondeu: Enoque, por que perguntas; por que arrazoas consigo mesmo, e ansiosamente indagas? Estas são aquelas estrelas que transgrediram o mandamento do altíssimo Deus; e estão aqui amarradas, até que o número infinito dos dias dos seus crimes esteja completo.

4Dali eu passei depois para um outro lugar terrível;

5Onde eu vi a operação de um grande fogo flamejante e resplandecente, no meio do qual havia uma divisão. Colunas de fogo lutando juntas para o fim do abismo, e profunda era sua descida. Mas sua medida e magnitude eu não fui capaz de descobrir, nem pude perceber sua origem. Então exclamei:

Quão terrível é este lugar, e quão difícil explorá-lo!

6Uriel, um dos santos anjos que estava comigo, respondeu e disse: Enoque, por que estás alarmado e maravilhado com este terrível lugar, à vista deste lugar de sofrimento? Isto, disse ele, é a prisão dos

anjos; e aqui eles serão mantidos para sempre.

Capítulo 22

1Dali eu me dirigi para outro lugar, onde vi a oeste uma grande e elevada montanha, uma forte rocha, e quatro lugares deleitosos.

2Internamente ele era profundo, espaçoso e plano: ele era profundo e escuro à vista.

3Então Rafael, um dos santos anjos que estava comigo, respondeu e disse: Estes são os lugares deleitosos onde os espíritos, as almas dos mortos, serão reunidos; para eles ele foi formado e aqui serão reunidas todas as almas dos filhos dos homens.

4Estes lugares, nos quais habitam, eles ocuparão até o dia do julgamento, e até seu período escolhido.

5Seu período escolhido será longo, mesmo até o grande julgamento. E vi os espíritos dos filhos dos homens que estão mortos; e suas vozes rompem o céu, enquanto eles são acusados.

6Então inquiri de Rafael, o anjo que estava comigo, e disse: Que espírito é aquele, a voz do qual alcança o céu, e acusa?

7Ele respondeu, dizendo: Este é o espírito de Abel o qual foi morto por Caim seu irmão; o qual acusará aquele irmão, até que sua semente seja destruída da face da terra;

8Até que sua semente desapareça da semente da raça humana.

9 Naquele tempo portanto eu inquiri a respeito dele, e a respeito do julgamento geral, dizendo: Por que um está separado ou outro? Ele respondeu: Três separações foram feitas entre os espíritos dos mortos, e assim os espíritos dos justos foram separados,

10Nomeadamente, por uma fenda na terra, por água, e por luz acima dela.

11E da mesma maneira os pecadores são separados quando morrem, e são sepultados na terra; julgamento não os surpreenderá em seu tempo de vida.

12Aqui suas almas estão separadas. Além disso, abundante é seu sofrimento até o tempo do grande julgamento, o castigo, e o tormento daqueles que eternamente execraram, cujas almas são munidas e amarradas lá para sempre.

13E assim tem sido desde o princípio do mundo. Assim, existe uma separação entre as almas daqueles que proferem reclamações, e daqueles que vigiam pela sua destruição, para sua matança no dia dos pecadores.

14Um receptáculo deste tipo foi formado para as almas dos injustos, e dos pecadores; daqueles que cometeram crime, e se associaram aos ímpios, com os quais eles se assemelham. Suas almas não serão aniquiladas naquele dia de julgamento, nem se levantarão deste lugar. Então eu bendisse a Deus,

15E falei: Abençoado seja o meu Senhor, o Senhor da glória e da retidão, cujo reino será para sempre e sempre.

Capítulo 23

1Dali eu fui para outro lugar, em direção ao oeste, até às extremidades da terra,

2Onde vi um fogo resplandecente correndo ao longo sem cessar, com um curso não intermitente, nem de dia nem de noite; mas sempre o mesmo, continuadamente.

3Eu indaguei,dizendo: O que é isto, que nunca cessa?

4Então Raguel, um dos santos anjos que estava comigo, respondeu,

5E disse: Este fogo flamejante que tu vês correndo em direção ao oeste é aquele de todas as luminárias do céu.

Capítulo 24

1Eu fui dali para outro lugar, e vi uma montanha de fogo que resplandece tanto de dia quanto de noite. Fui em direção a ela e percebi sete esplêndidas montanhas, as quais eram diferentes umas das outras.

2Suas pedras eram brilhantes e belas; todas eram brilhantes e esplêndidas à vista e formosa era sua superfície. Três montanhas estavam em direção ao leste, consolidadas e fortalecidas por estarem

colocadas uma sobre a outra; três estavam em direção ao sul, consolidadas de maneira similar. Três eram igualmente vales profundos, os quais não se acercavam uma da outra. A sétima montanha estava no meio delas. Em comprimento elas todas se assemelhavam ao assento de um trono, e árvores odoríferas rodeavam-nas.

3Entre estas havia uma árvore de um odor incessante; nem daquelas que estavam no Éden, havia lá alguma, de todas as árvores de fragrância, que cheirava como esta. Suas folhas, suas flores, nunca ficam murchas, e seu fruto era belo.

4Seu fruto assemelhava-se ao cacho da palmeira. Eu exclamei: Vê! Esta árvore é vistosa de aspecto, agradável em suas folhas, e o aspecto de seus frutos é delicioso à vista. Então Miguel, um dos santos anjos que estava comigo, e um dos que presidem sobre elas, respondeu,

5E disse: Enoque, por que inquires a respeito do odor desta árvore?

6Por que estás inquisitivo para sabê-lo?

7Então eu, Enoque, respondi-lhe, e disse: Concernente a tudo eu estou desejoso de instrução, mas particularmente com respeito a esta árvore.

8Ele respondeu-me dizendo: A montanha que tu vês, o prolongamento da qual assemelha-se ao assento do Senhor, será o assento no qual se assentará o Santo e grande Senhor da glória, o eterno Rei, quando Ele virá e descerá para visitar a terra com bondade.

9E aquela árvore de agradável aroma, não de um odor carnal; lá ninguém terá poder para toca-la até o tempo do grande julgamento. Quando todos serão punidos e consumidos para sempre; isto será conferido sobre os justos e humildes. O fruto da árvore será dado ao eleito. Pois em direção ao norte, vida será plantada no santo lugar, em direção à habitação do eterno Rei.

10Então eles se regozijarão grandemente e exultarão no Santo. O doce odor entrará em seus ossos; e eles viverão uma longa vida na terra como seus antepassados; em seus dias não haverá tristeza, angústia, aborrecimento e nem punição os afligirá.

11E eu abençoei o Senhor da glória, o eterno Rei, porque ele preparou esta árvore para os santos, formou-a, e declarou que Ele a daria para eles.

Capítulo 25

1Dali eu fui para o meio da terra, e vi um feliz e fértil lugar, o qual continha ramos espalhando-se continuamente das árvores que estavam plantadas nele. Ali eu vi uma santa montanha, e debaixo dela a água do lado de traz fluía em direção ao sul. Eu vi no oriente outra montanha tão alta quanto aquela; e entre elas havia um profundo, mas não largo vale.

2Água corria para a montanha para o ocidente dela; e debaixo dela havia igualmente outra montanha.

3Lá havia um vale, mas não um vale largo, abaixo; e no meio deles havia outro profundo e seco vale em direção da extremidade da árvore. Todos esses vales, que eram profundos, mas não oblíquo, consistia de uma forte rocha, com a árvore que estava plantada nela. E eu maravilhei-me com a rocha e o vale, ficando extremamente surpreso.

Capítulo 26

1Então eu disse: O que significa esta terra abençoada, e todas estas altas árvores, e o vale amaldiçoado entre elas?

2Então Uriel, um dos santos anjos que estava comigo, respondeu: Este vale é o amaldiçoado dos amaldiçoados para sempre. Aqui serão reunidos todos os que pronunciaram com suas bocas linguagem imprópria contra Deus, e falaram rudes coisas da Sua glória. Aqui eles serão reunidos.

Aqui será seu território.

3Nos últimos dias um exemplo de julgamento será feito em retidão diante dos santos, enquanto aqueles que receberam misericórdia, para sempre, todos os dias, abençoarão a Deus, o eterno Deus.

4E no período do julgamento eles abençoarão a Ele por sua misericórdia, como Ele distribuiu-a a eles. Então eu abençoei a Deus, dirigindo-me a Ele, e fazendo menção, como foi reconhecida, Sua grandiosidade.

Capítulo 27

1Dali eu fui à direção do leste para o meio da montanha no deserto, do qual somente o nível da superfície eu percebi.

2Ele estava cheio de árvores da semente aludida; e água jorrava sobre ela.

3Ali apareceu uma catarata composta de muitas cachoeiras voltadas tanto para o oriente quanto para o ocidente. Sobre um lado havia árvores; sobre o outro água e orvalho.

Capítulo 28

1Então eu fui para outro lugar do deserto; em direção ao leste daquela montanha da qual eu havia me aproximado.

2Ali eu vi árvores escolhidas, (32) particularmente aquelas que produzem o cheiro doce opiato, incenso e mirra; e árvores diferentes umas das outras.

(32) Árvores escolhidas. Literalmente “árvores de julgamento” (Laurence, p. 35; Knibb, p. 117).

3E sobre elas havia a elevação da montanha ocidental, a não grande distância.

Capítulo 29

1IIgualmente vi outro lugar com vales de água que nunca param,

2Onde percebi uma agradável árvore, a qual em odor assemelha-se a Zasakinon. (33)

(33) Zasakinon. A árvore de mastic (Knibb, p. 118).

3Em direção ao vale eu percebi o cinamomo de doce odor. Sobre eles avancei em direção ao leste.

Capítulo 30

1Então vi outra montanha contendo árvores, da qual água fluía como Neketro.(34) Seus nomes eram Sarira, e Kalboneba.(35) E sobre esta montanha eu vi outra montanha, sobre a qual haviam árvores de Alva.(36)

(34) Neketro. O néctar (Knibb, p. 119).

(35) Sarira, e Kalboneba. Styrax e galbanio (Knibb, p. 119).

(36) Alva. Aloé (Knibb, p. 119).

2Estas árvores estavam cheias como amendoeiras, e fortes; e quando elas produziam frutos eram superiores a toda redondeza.

Capítulo 31

1Depois destas coisas, inspecionando as entradas do norte acima das montanhas, vi montanhas e

percebi sete montanhas repletas de puro nardo, árvores odoríferas e papiro.

2Dali eu passei acima dos picos daquelas montanhas a alguma distância para o leste, e fui sobre o mar da Eritréia.(37) E quando eu havia avançado para longe, além dele, passei ao longo, acima do anjo Zateel, e cheguei ao jardim da justiça. Neste jardim eu vi outras árvores, as quais eram numerosas e grandes, e floresciam ali. (37) Mar da Eritréia. O Mar Vermelho.

3Sua fragrância era agradável e poderosa e sua aparência era tanto agradável quanto elegante. A árvore do conhecimento também estava ali, do qual se alguém comesse, tornava-se dotado de grande sabedoria.

4Ela era semelhante às espécies da tamareira, dando frutos semelhantes à uva extremamente fina, e sua fragrância estendia-se a considerável distância. Eu exclamei: Que bela é esta árvore e quão deleitável é sua aparência!

5Então o santo Rafael, um anjo que estava comigo, respondeu e disse: Esta é a árvore do conhecimento, da qual vosso antigo pai e vossa mãe comeram, os quais foram antes de ti e que obtendo conhecimento, seus olhos sendo abertos, e descobrindo que estavam nus, foram expulsos do jardim.

Capítulo 32

1Dali eu fui na direção das extremidades da terra, onde vi grandes feras diferentes umas das outras, e pássaros variados em suas aparências e formas, bem como com notas de diferentes sons.

2Para a direita destas feras eu percebi as extremidades da terra, onde os céus cessam. Os portões do céu estavam abertos e vi as estrelas celestiais vindo. Eu enumerei-as enquanto elas procediam do

portão e escrevi-as todas, enquanto elas saiam uma por uma, de acordo com seu número. Eu escrevi seus nomes completamente, seus tempos e estações, enquanto o anjo Uriel, que estava comigo, mostrava-as a mim.

3Ele as mostrou todas a mim, e escrevi uma conta delas.

4Ele também escreveu para mim seus nomes, seus regulamentos, e suas operações.

Capítulo 33

1Dali eu avancei em direção ao norte, para as extremidades da terra.

2E ali vi a grande e gloriosa maravilha das extremidades de toda terra.

3Vi ali portões celestiais abertos para o céu, três dos quais distintamente separados. Os ventos do norte procediam deles, soprando frio, granizo, geada, neve, orvalho e chuva.

4De um dos portões eles sopravam suavemente, mas quando eles sopravam dos dois outros portões, ele era violento e forte. Eles sopravam sobre a terra fortemente.

Capítulo 34

1Dali eu fui para as extremidades do mundo para o oeste;

2Ali percebi três portões abertos, enquanto eu estava olhando no norte; os portões e passagens através deles era de igual magnitude.

Capítulo 35

1Então eu segui às extremidades da terra ao sul, onde vi três portões abertos para o sul, do qual provinha orvalho, chuva e vento.

2Dali eu fui para as extremidades do céu oriental, onde vi três portões celestiais abertos para o leste, os quais tinham portões menores dentro deles. Através de cada um desses portões menores as estrelas do céu passavam, e passaram para o oeste por um caminho que foi visto por elas, e todo o período de seu aparecimento.

3Quando eu as vi, as abençoei cada vez que elas apareceram, e abençoei o Senhor da glória que tinha feito estes grandes e esplêndidos sinais, para que eles pudessem mostrar a magnificência de suas obras aos anjos e às almas dos homens, e para que estes pudessem glorificar todas as suas obras e operações, pudessem ver os efeitos do seu poder; pudessem glorificar o grande labor de suas mãos e abençoá-lo para sempre.

Capítulo 36 (não tem)

Capítulo 37

1A visão que ele viu, a segunda visão de sabedoria, que Enoque viu, o filho de Jared, filho de Malaleel, o filho de Canan, filho de Enos, filho de Seth, filho de Adão. Este é o começo da palavra de sabedoria, a qual eu recebi para declarar e dizer àqueles que habitam sobre a terra. Ouvi desde o princípio, e entendei até o fim, as santas coisas que eu pronuncio na presença do Senhor dos espíritos. Aqueles que eram antes de nós pensaram-nas boas para se pronunciar; 2E nós, que viemos depois, obstruímos o princípio da sabedoria. Até ao presente tempo nunca aconteceu ter sido dado diante do Senhor dos espíritos o que eu recebi, sabedoria de acordo com a capacidade do meu intelecto, e de acordo com o prazer do Senhor dos espíritos; o que eu recebi dele, uma porção da vida eterna.

3E eu obtive três parábolas, as quais eu declarei aos habitantes do mundo.

Capítulo 38

1A primeira parábola. Quando a congregação dos justos for manifestada e os pecadores forem julgados por seus crimes, e forem afligidos à vista do mundo;

2Quando os justos forem manifestados (38) na presença dos mesmos justos, os quais serão eleitos por suas boas obras corretamente pesadas pelo Senhor dos espíritos, e quando a luz dos justos e dos eleitos, o quais habitam na terra for manifestada; onde será a habitação dos pecadores? E qual será o lugar de descanso daqueles que rejeitaram o Senhor dos espíritos? Seria melhor para eles se nunca tivessem nascido.

(38) Quando os justos forem manifestados. Ou, “quando o Justo aparecer” (Knibb, p. 125; cp. Charles, p. 112).

3Quando os segredos dos justos também forem revelados, então os pecadores serão julgados e os ímpios serão afligidos na presença dos justos e eleitos.

4Daquele tempo, aqueles que possuírem a terra deixarão de ser poderosos e exaltados. Nem serão capazes de olhar para o semblante do santo, pois a luz dos semblantes dos santos, dos justos, e dos eleitos, terá sido visto pelo Senhor dos espíritos.(39)

(39) Pois a luz… Senhor dos espíritos. Ou, “pois a luz do Senhor dos espíritos terá aparecido na face dos santos, dos juntos, e dos escolhidos” (Knibb, p. 126).

5Então os reis poderosos daquele tempo serão destruídos, mas serão entregues nas mãos dos retos e santos.

6Desde então ninguém obterá compaixão do Senhor dos espíritos, porque suas vidas neste mundo terá sido completada.

Capítulo 39

1Naqueles dias a raça eleita e santa descerá do céu e sua semente estará com os filhos dos homens.

Enoque recebeu livros de indignação e ira, e livros de pressa e agitação.

2Nunca obterão misericórdia, diz o Senhor dos espíritos.

3Uma nuvem então me arrebatou, e o vento elevou-me acima da superfície da terra, colocando-me na extremidade dos céus.

4Lá eu vi outra visão, e vi as habitações e os lugares de descanso dos santos. Meus olhos viram suas habitações com os anjos, e seus lugares de descanso com os santos. Eles estavam entrando, suplicando e orando pelos filhos dos homens; enquanto a justiça fluía como a água diante deles, e a misericórdia se espalhava sobre a terra como o orvalho. E assim será para com eles para sempre e sempre.

5Naquele tempo os meus olhos viram a habitação do eleito, da verdade, fé e retidão.

6Sem conta será o número dos santos e eleitos na presença de Deus para sempre e sempre.

7Sua residência eu vi sob as asas do Senhor dos espíritos. Todos os santos e eleitos cantavam diante dele, com a aparência semelhante à chama de fogo; suas bocas estavam cheias de bênçãos e seus lábios glorificavam o nome do Senhor dos Espíritos. E retidão incessantemente habitava diante dele.

8Eu quis permanecer ali, e minha alma desejou aquela habitação. Ali estava minha antecedente herança, pois deste modo eu prevaleci diante do Senhor dos espíritos.

9Neste momento eu glorifiquei e exaltei o nome do Senhor dos espíritos com louvor e exaltação, pois Ele o tem estabelecido com bênção e com exaltação, de acordo com Sua própria boa vontade.

10Meus olhos contemplaram aquele espaçoso lugar. Eu o bendisse e falei: Abençoado seja, abençoado desde o princípio e para sempre. No princípio, antes que o mundo fosse criado, e sem fim é seu conhecimento.

11Qual é este mundo? De toda geração existente, eles abençoarão aquele que não dorme

espiritualmente, mas permanece diante da Tua glória, abençoando, glorificando, exaltando-te, e dizendo: Santo, santo, o Senhor dos espíritos encheu o mundo todo de espíritos.

12Ali meus olhos viram a todos que, sem dormir, permanecem diante dele e abençoam-no dizendo:

Abençoado sejas, e abençoado seja o nome de Deus para sempre e sempre. Então meu semblante ficou mudado, até que fiquei incapaz de continuar vendo.

Capítulo 40

1Depois disto eu vi milhares de milhares e miríades de miríades, e um número infinito de pessoas, em pé, diante do Senhor dos espíritos.

2Igualmente, nas quatro asas do Senhor dos espíritos, nos quatro lados, percebi outros, ao lado daqueles que estavam em pé diante dele. Seus nomes também eu sei porque o anjo que estava comigo declarou-os a mim, revelando-me toda coisa secreta.

3Então ouvi as vozes daqueles sobre os quatro lados, magnificando o Senhor da glória.

4A primeira voz abençoou o Senhor dos espíritos para sempre e sempre.

5A segunda voz ouvi abençoando ao Eleito e aos eleitos que sofrem pela causa do Senhor dos espíritos.

6A terceira voz eu ouvi pedindo e orando em favor daqueles que habitam sobre a terra, e suplicam no nome do Senhor dos espíritos.

7A quarta voz eu ouvi expulsando os anjos ímpios, (40) e proibindo-os de entrarem na presença do Senhor dos espíritos para proferirem acusações contra(41) os habitantes da terra.

(40) Anjos ímpios. Literalmente “os Satãs” (Laurence, p. 45; Knibb, p. 128). Ha-satan em Hebreu (“o adversário”) foi originalmente o título de um ofício, não o nome de um anjo.

(41) Proferir acusações contra. Ou, “para acusar” (Charles, p. 119).

8Depois disso eu pedi ao anjo da paz, que prosseguia comigo, para explicar tudo o que estava escondido. Eu disse-lhe: Quem são aqueles que eu havia visto nos quatro lados e que palavras eram aquelas que eu havia ouvido e escrito? Ele respondeu: O primeiro é o misericordioso, o paciente, o santo Miguel.

9O segundo é aquele que preside sobre todo sofrimento e toda aflição dos filhos dos homens, o santo Rafael. O terceiro, o qual preside sobre tudo o que é poderoso é Gabriel. E o quarto, o qual preside sobre o arrependimento e a esperança daqueles que herdarão a vida eterna, é Fanuel. Estes são os quatro anjos do Altíssimo Deus e suas quatro vozes, as quais naquele momento eu ouvi.

Capítulo 41

1Depois disso eu vi os segredos do céu e do paraíso, de acordo com suas divisões, e das ações humanas enquanto eles pesavam-nas em balanças. Vi as habitações dos eleitos e as habitações dos santos. E ali meus olhos viram todos os pecadores que haviam negado o Senhor da glória e como eles foram expelidos dali, e arrastados para fora, como eles estiveram ali; nenhuma punição procedeu contra eles vinda do Senhor dos espíritos.

2Ali também meus olhos viram os segredos do raio e do trovão e os segredos dos ventos, como eles são distribuídos quando eles sopram sobre a terra: os segredos dos ventos, do orvalho, e das nuvens.

Ali eu vi o lugar de onde eles saem e tornam-se saturados com o pó da terra.

3Ali eu vi os receptáculos de madeira nos quais os ventos são separados, o receptáculo do granizo, o receptáculo da neve, o receptáculo das nuvens, e a própria nuvem, a qual continuava sobre a terra antes da criação do mundo.

4Eu vi também os receptáculos da lua, de onde elas vêm, para onde elas vão, seus gloriosos retornos e como uma se torna mais esplêndida do que a outra. Eu marquei seu rico progresso, seu imutável progresso, sua divisão e não diminuído progresso; sua observância de uma fidelidade mútua por um juramento estável; seu procedimento diante do sol e sua aderência ao caminho que lhes foi distribuído, (42) em obediência ao comando do Senhor dos espíritos. Potente é seu nome para sempre e sempre.

(42) Seu procedimento… caminho distribuído . Ou, “o sol vai primeiro e completa sua jornada” (Knibb, p. 129; cp.

Charles, p. 122).

5Depois eu vi que o caminho da lua, tanto oculto quanto manifesto; e também o progresso dessa trajetória foram completados dia a dia, e à noite; enquanto cada uma, junto com a outra, olhou para o Senhor dos espíritos, magnificando-O e exaltando-O sem cessar, já que exaltá-lO, para eles, é repouso; pois no esplêndido sol há uma freqüente alteração para bênção e para maldição.

6O curso do caminho da lua para com os retos é luz, mas para os pecadores é escuridão; no nome do Senhor dos espíritos, o qual criou uma divisão entre luz e escuridão, e separando os espíritos dos homens, fortalecendo os espíritos dos justos em nome de sua própria retidão.

7O anjo não previne isto, nem é ele dotado de poder para preveni-lo, pois o Juiz vê a todos, e julgaos a todos na própria presença deles.

Capítulo 42

1A sabedoria não encontrou um lugar na terra onde pudesse habitar; sua habitação, portanto está no céu.

2A sabedoria saiu para habitar entre os filhos dos homens, mas ela não obteve habitação. A sabedoria retornou ao seu lugar e assentou-se no meio dos anjos. Mas a iniqüidade saiu depois do seu retorno, a qual de má vontade encontrou uma habitação e residiu entre eles como chuva no deserto, e como o orvalho na terra seca.

Capítulo 43

1Eu vi outro esplendor, e as estrelas do céu. Eu observei que ele chamou-as todas por seus respectivos nomes, e que elas ouviram. Vi que ele pesou-as numa justa balança por sua luz e amplitude de seus lugares, o dia de seu aparecimento, e suas conversões. Esplendor produziu esplendor; e sua conversão foi o número dos anjos, e dos fiéis.

2Então eu perguntei ao anjo, que prosseguia comigo, e ele explicou-me coisas secretas, e quais eram seus nomes. Ele respondeu: O Senhor dos espíritos mostrou a ti uma similaridade disto. Eles são nomes dos justos que habitaram na terra, os quais acreditam no nome do Senhor dos espíritos para sempre e sempre.

Capítulo 44

1Outra coisa também vi com respeito ao esplendor; que ele sobe por causa das estrelas e torna-se esplendor, sendo incapaz de abandoná-las.

Capítulo 45

1A segunda parábola, a respeito daqueles que negam o nome da habitação dos santos e do Senhor dos espíritos.

2Aos céus eles não ascenderão nem virão sobre a terra. Esta será a porção dos pecadores que negam o nome do Senhor dos espíritos e que estão assim reservados para o dia da punição e da aflição.

3Naquele dia o Eleito se assentará sobre um trono de glória e escolherá suas condições e suas incontáveis habitações, enquanto seus espíritos neles serão fortalecidos quando eles virem meu Eleito, pois esses fugiram por proteção para meu santo e glorioso nome.

4Naquele dia eu farei com que meu Eleito habite no meio deles; mudarei a face do céu; o abençoarei e o iluminarei para sempre.

5Eu também mudarei a face da terra, a abençoarei; e farei com que aqueles a quem elegi habitem sobre ela. Mas aqueles que cometeram pecado e iniqüidade não habitarão nela, pois Eu marquei seus procedimentos. Meus justos Eu satisfarei com paz, colocando-os diante de Mim; mas a condenação dos pecadores se aproximará, para que Eu possa destruí-los da face da terra.

Capítulo 46

1Ali eu vi o Ancião de dias, cuja cabeça era igual à branca lã, e com ele outro, cujo semblante

assemelhava-se àquele do homem. Seu semblante era cheio de graça, igual àquele dos santos anjos.

Então eu inquiri dos anjos que estavam comigo, e que me mostravam toda coisa secreta concernente a este Filho do homem, o qual foi; de onde Ele era e porque Ele acompanhou o Ancião de dias.

2Ele respondeu-me e disse: Este é o Filho do homem, ao qual a justiça pertence, com o qual a

retidão tem habitado e o qual revelou todos os tesouros do que é escondido: pois o Senhor dos espíritos o tem escolhido e sua porção tem excedido a tudo diante do Senhor dos espíritos em eterna ascensão.

3Este Filho do homem, que tu vês, levantará reis e poderosos de seus lugares de habitação, e os poderosos de seus tronos; soltará as rédeas do poderoso, e quebrará em pedaços os dentes dos pecadores.

4Ele lançará reis dos seus tronos e de seus domínios porque eles não O exaltarão, O louvarão, nem se humilham diante dEle, pelo Qual seus reinos lhes foram dados. Igualmente o semblante do poderoso Ele lançará abaixo, enchendo-os de confusão. Escura será sua habitação e vermes serão sua cama; deste seu leito eles não esperam levantar-se novamente porque eles não exaltam o nome do Senhor dos espíritos.

5Eles condenarão as estrelas do céu, elevarão suas mãos contra o Altíssimo, caminham e habitam sobre a terra, exibindo todos os seus atos de iniqüidade, mesmo suas obras de iniqüidade. Sua força estará em suas riquezas e sua fé nos bens que têm formado com suas próprias mãos. Eles negarão o nome do Senhor dos espíritos e o expulsarão de seus templos, nos quais eles se reúnem;

6E com Ele o fiel, (43) o qual sofre em nome do Senhor dos espíritos.

(43) O expulçarão… o fiel. Ou, “expulsarão das causas de sua congregação e do fiel” (Knibb, p. 132; cp. Charles, p. 131).

1Naquele dia a oração dos santos e dos justos e o sangue dos íntegros ascenderá da terra até a presença do Senhor dos espíritos.

2Naquele dia os santos se reunirão, os quais habitam nos céus, e com vozes unidas de petição, suplica, oração, louvor e bênção ao nome do Senhor dos espíritos, por conta do sangue dos justos que tem sido derramado, para que a oração dos justos não seja descontinuada diante do Senhor dos

espíritos, para que por eles se execute julgamento; e para que sua paciência possa perdurar para sempre.(44)

(44) Para que sua paciência… perdure para sempre. Ou, “(para que) sua paciência possa não ter que durar para sempre” (Knibb, p. 133).

3Naquele tempo eu vi o Ancião de dias enquanto ele se assentava sobre o trono da sua glória, enquanto o livro dos vivos foi aberto na sua presença e enquanto todos os poderes que estão acima dos céus permanecem ao redor e diante dele.

4Então os corações dos santos estavam cheios de alegria, por causa da consumação da justiça que havia chegado, a súplica dos santos foi ouvida e o sangue dos justos apreciado pelo Senhor dos espíritos.

Capítulo 48

1Naquele lugar eu vi uma fonte de retidão, a qual nunca falha, envolta em muitas fontes de sabedoria. Delas todos os sedentos beberam e foram cheios de sabedoria tendo sua habitação com os retos, eleitos e santos.

2Naquela hora o Filho do homem foi invocado diante do Senhor dos espíritos e seu nome na presença do Ancião de dias.

3Antes que o sol e os sinais fossem criados, antes que as estrelas do céu tivessem sido formadas, seu nome era invocado na presença do Senhor dos espírito. Ele será um apoio para os justos e santos se encostarem, sem falhar; e ele será a luz das nações.

4Ele será a esperança daqueles cujos corações estão temerosos. Todos os que habitam na terra cairão diante dEle; O abençoarão e glorificarão, e cantarão orações ao nome do Senhor dos espíritos.

5Portanto o Eleito e Escondido subsistiu em sua presença, antes que o mundo fosse formado, e para sempre.

6Na Sua presença Ele existiu, e revelou aos santos e aos justos a sabedoria do Senhor dos espíritos;

pois Ele preservou o lugar dos retos, porque eles iraram e rejeitaram este mundo de iniqüidade, e detestaram todas as suas obras e caminhos, no nome do Senhor dos espíritos.

7Pois em seu nome eles serão preservados e sua será a vida. Naqueles dias os reis da terra e os homens poderosos, os quais ganharam o mundo por suas realizações, se tornarão humildes em seus semblantes.

8Pois no dia de sua ansiedade e angústia, suas almas não serão salvas, e eles estarão em sujeição daquele a quem eu escolhi.

9Eu os lançarei como a palha ao fogo e como chumbo, na água. Assim eles queimarão na presença dos justos e afundarão na presença dos santos; nem a décima parte deles será encontrada.

10Mas no dia da tribulação o mundo ganhará tranqüilidade.

11Em sua presença eles falharão e não serão levantados novamente; nem haverá alguém para tomá-los por suas mãos e levantá-los; pois eles negaram o Senhor dos espíritos e seu Messias. O nome do Senhor será abençoado.

Capítulo 48A

(45)

(45) Dois capítulos consecutivos são enumerados “48”

1Sabedoria verteu como água e glória não falta diante dEle para sempre e sempre, pois potente é Ele em todos os segredos de retidão.

2Mas a iniqüidade passa como uma sombra e não possui uma estação fixa, pois o Eleito permanece

diante do Senhor dos espíritos e Sua glória é para sempre e sempre, e Seu poder de geração em geração.

3Com Ele habitam os espíritos da sabedoria intelectual, o espírito da instrução e do poder e o espíritos dos que dormem em retidão; Ele julgará coisas secretas.

4Ninguém será capaz de pronunciar uma única palavra diante dEle, pois o Eleito está na presença do Senhor dos espíritos de acordo com Seu próprio prazer.

Capítulo 49

1Naqueles dias os santos e os escolhidos sofrerão uma mudança. A luz do dia descansará sobre eles e o esplendor e a glória dos santos será transformada.

2Naquele dia de tribulação o mal será amontoado sobre os pecadores, mas os justos triunfarão no nome do Senhor dos espíritos.

3Outros serão levados a ver que devem arrepender-se e desistir das obras das suas mãos, e que a glória não os espera na presença do Senhor dos espíritos já que por Seu nome eles podem ser salvos. O Senhor dos espíritos terá compaixão deles, pois grande é a Sua misericórdia e a justiça está em Seu julgamento; na presença de Sua glória, em seu julgamento a iniqüidade não permanecerá. Aquele que não se arrepende em perecerá Sua presença.

4Daqui em diante Eu não terei misericórdia deles, diz o Senhor dos espíritos.

Capítulo 50

1Naqueles dias a terra entregará de seu ventre e o inferno entregará de si aqueles a quem recebeu, e a destruição restaurará àqueles a quem ela deve.

2Ele selecionará os justos e santos de entre eles, pois o dia de sua salvação se tem aproximado.

3E naqueles dias o Eleito se assentará sobre seu trono, enquanto todo segredo de sabedoria intelectual procederá da sua boca, pois o Senhor dos espíritos lhe concedeu e glorificou.

4Naqueles dias as montanhas saltarão como as rãs e os montes pularão como jovens ovelhas (46)

saciadas com leite; e todos os justos se tornarão iguais aos anjos nos céu.

(46) Cp. Salmos 114:4

5Seu semblante se iluminará de alegria, pois naqueles dias o Eleito será exaltado. A terra se regozijará; os justos habitarão nela e a possuirão.

Capítulo 51

1Depois desse tempo, no lugar onde eu havia visto toda visão secreta, fui arrebatado em um redemoinho de vento e transportado para o oeste.

2Lá meus olhos viram os segredos do céu e tudo o que existe na terra; uma montanha de fogo, uma montanha de cobre, uma montanha de prata, uma montanha de ouro, uma montanha de metal fundido, e uma montanha de chumbo.

3E eu perguntei ao anjo que foi comigo, dizendo: O que são estas coisas, que em segrego eu vi?

4Ele disse: Todas as coisas que tu viste serão para o domínio do Messias, para que ele possa comandar e ser poderoso sobre a terra.

5E aquele anjo de paz respondeu-me dizendo: Espera um pouco de tempo e entenderás, e cada coisa secreta te será revelada, o que o Senhor dos espíritos tem decretado. Aquelas montanhas que tu viste, a montanha de ferro, a montanha de cobre, a montanha de prata, a montanha de ouro, a montanha de metal fluido e a montanha de chumbo, todas estas na presença do Eleito serão como o favo de mel diante do fogo, e como a água descendo de cima sobre estas montanhas, e se tornarão debilitadas diante de seus pés.

6Naqueles dias os homens não serão salvos por ouro e por prata.

7Nem eles o terão em seu poder para assegurar-se, e voar.

8Lá não haverá nem ferro, nem casaco de malha para o peito.

9Cobre será unútil; inútil também será o que não enferruja nem se consome; e levar não será desejado.

10Todas estas coisas serão rejeitadas, e perecem na terra, quando o Eleito aparecer na presença do Senhor dos espíritos.

Capítulo 52

1Ali meus olhos viram um profundo vale, e larga era sua entrada.

2Todos os que habitam na terra, no mar, e nas ilhas, trarão para ele dons, presentes e oferendas; contudo aquele profundo vale não se encherá. Suas mãos cometerão iniqüidade. Tudo quanto eles produzirem por labor será devorado pelos pecadores por crime. Mas eles perecerão de diante da face do Senhor dos espíritos e da face de sua terra. Eles se levantarão, e não falharão para sempre.

3Eu vi anjos de punição, os quais estavam habitando ali, e preparando todos os instrumentos de Satan.

4Então perguntei ao anjo da paz que continuava comigo, para quem aqueles instrumentos eram preparados.

5Ele disse: Estes são preparados para os reis e poderosos da terra, para que assim eles pereçam.

6Depois que os justos e a casa escolhida de sua congregação aparecerão, e desde então serão imutáveis no nome do Senhor dos espíritos.

7Nem aquelas montanhas existirão na sua presença como a terra e os montes, como as fontes de água existem. E os justos serão aliviados da vexação dos pecadores.

Capítulo 53

1Então eu olhei e me virei para outra parte da terra, onde vi um profundo vale de fogo ardente.

2Para esse vale, eles levaram os monarcas e os poderosos.

3Ali meus olhos viram os instrumentos que eles fizeram, correntes de ferro sem peso.(47)

(47) Sem peso. Ou, “de imensurável peso” (Knibb, p. 138).

4Então eu perguntei ao anjo da paz que estava comigo, dizendo: Para quem essas correntes são preparadas?

5Ele respondeu: Estas são preparadas para as hostes de Azazeel, para que eles sejam entregues e julgados a uma menor condenação, e para que seus anjos sejam subjugados com pedras arremessadas, como o Senhor dos espíritos ordenou.

6Miguel e Gabriel, Rafael e Fanuel serão fortalecidos naquele dia, e então os lançarão numa fornalha de fogo ardente para que o Senhor dos espíritos possa ser vingado pelos crimes que eles cometeram; porque eles se tornaram ministro de Satan, e seduziram aqueles que habitam sobre a terra.

7Naqueles dias punição virá do Senhor dos espíritos, e os receptáculos de água que estão acima nos

céus serão abertos, e igualmente as fontes que estão sob a terra.

8Todas as águas, que estão nos céus e abaixo deles, serão reunidas e se misturarão.

9A água que está acima no céu será o agente; (48)

(48) Agente. Literalmente, “macho” (Laurence, p. 61).

10E a água que está sob a terra será o recipiente, (49) e todos os que habitam sobre a terra serão destruídos e os que habitam sob as extremidades do céu.

(49) Recipiente. Literalmente, “fêmea” (Laurence, p. 61).

11Por esses meios eles entenderão a iniqüidade que cometeram na terra, e por esses meios perecerão.

Capítulo 54

1Depois disso o Ancião de dias arrependeu-se, e disse: Em vão eu destruí todos os habitantes da terra.

2E ele jurou por seu grande nome, dizendo: De agora em diante eu não agirei mais assim para com todos aqueles que habitam sobre a terra.

3Mas eu colocarei um sinal nos céus; (50) e ele será uma fiel testemunha entre mim e eles para sempre, tantos quantos os dias do céu durarem sobre a terra.

(50) Cp. Gen. 9:13, “Eu colocarei meu arco na nuvem, e ele será um sinal do convênio entre mim e a terra”.

4Depois disso, de acordo com esse meu decreto, quando eu estiver disposto a prende-los antecipadamente, pela instrumentalidade dos anjos, no dia da aflição e da perturbação, minha ira e minha punição permanecerá sobre eles, minha punição e minha ira, diz Deus, o Senhor dos espíritos.

5Ó vós reis, ó vós poderosos, que habitam o mundo, vereis meu Eleito, assentado sobre o trono da minha glória. E Ele julgará Azazeel, todos seus associados, em nome do Senhor dos espíritos.

6Ali igualmente eu vi as hostes dos anjos que estavam se movendo em punição, confinadas numa rede de ferro e bronze. Então eu perguntei ao anjo da paz, que estava comigo: Para quem estes sob confinamento estão indo.

7Ele disse: Para todos os seus eleitos e seus amados, (51) para que eles possam ser lançados nas fontes e profundas fendas do abismo.

(51) Para cada um dos… seus amados. Ou, “Para cada um de seus escolhidos e para os seus amados” (Knibb, p. 139).

8E aquele vale será cheio com seus eleitos e amados; os dias cuja vida serão consumados, mas os dias de seus erros serão inumeráveis.

9Então príncipes (52) se combinarão e juntos conspirarão. Os chefes do leste, entre os Partos e Medos, removerão reis, nos quais um espírito de perturbação entrará. Ele os lançará de seus tronos, saltando como leões de seus esconderijos, e como lobos famintos no meio do rebanho.

(52) Príncipes. Ou, “anjos” (Charles, p. 149; Knibb, p. 140).

10Eles subirão e pisarão na terra de seus eleitos. A terra de seus eleitos estará diante deles. A eira, a senda e a cidade do meu povo justo imperará o progresso de seus cavalos. Eles se levantarão para destruir uns aos outros; sua mão direita se estenderá; o homem não conhecerá seu amigo ou seu irmão;

11Nem o filho de seu pai ou de sua mãe; até que o número dos corpos de seus mortos sejam completados, pela sua morte e punição. Nem isto acontecerá sem causa.

12Naqueles dias a boca do inferno será aberta, na qual eles serão imersos; o inferno destruirá e tragará os pegadores da face dos eleitos.

Capítulo 55

1Depois disto eu vi outro exército de carruagens com homens dirigindo-as.

2E eles vieram sobre o vento do leste, desde o oeste, e do sul.(53)

(53) Desde o sul. Literalmente “do meio do dia”. (Laurence, p. 63).

3O som do barulho de suas carruagens foi ouvido.

4E quando aquela agitação aconteceu os santos fora do céu perceberam-na; o pilar da terra abalou-se desde a sua fundação e o som foi ouvido desde as extremidades da terra até as extremidades do céu ao mesmo tempo. 5Então eles caíram e adoraram o Senhor dos espíritos.

6Este é o fim da segunda parábola.

Capítulo 56

1Então eu comecei a proferir a terceira parábola, concernente aos santos e aos eleitos.

2Abençoados sois vós, ó santos e eleitos, pois glorioso é o vosso lugar.

3Os santos existirão na luz do sol e os eleitos na luz da vida eterna, cujos dias de vida nunca terminarão nem os dias dos santos serão enumerados, os quais procuram pela luz e obtêm retidão com o Senhor dos espíritos.

4Paz seja aos santos com o Senhor do mundo.

5Daqui em diante aos santos seja dito que procurem nos céu os segredos da retidão, a porção da fé; semelhante ao sol nascido sobre a terra, enquanto a escuridão se vai. Ali haverá luz interminável; eles não entrarão em contagem de tempo, pois a escuridão será previamente destruída e a luz aumentará diante do Senhor dos espíritos; diante do Senhor dos espíritos a luz da honradez aumentará para sempre.

Capítulo 57

1Naqueles dias meus olhos viram os segredos dos relâmpagos e seu esplendor, e o julgamento a eles pertencente.

2Eles iluminam por bênção e por maldição, de acordo com a vontade do Senhor dos espíritos.

3Ali eu vi os segredos do trovão quando ele agita-se acima no céu e seu som é ouvido.

4As habitações da terra também foram mostradas a mim. O som do trovão é para paz e para bênção, tanto para o bem quanto para maldição, de acordo com a palavra do Senhor dos espíritos.

5Depois disso, todo segredo dos esplendores e dos trovões foram vistos por mim. Para bênção e para fertilidade eles iluminam.

Capítulo 58

1No qüinquagésimo ano, no sétimo mês, no décimo quarto dia da vida de Enoque, naquela parábola eu vi o céu dos céus tremer, que ele tremeu violentamente e que os poderes do Altíssimo e dos anjos, milhares de milhares, e miríades de miríades, ficaram agitados com grande agitação. E quando eu olhei o Ancião de dias estava assentado no trono de sua glória enquanto os anjos e santos estavam em pé ao redor dele. Um grande tremor veio sobre mim. Meus lombos foram curvados e soltos, meus rins foram dissolvidos; e eu cai sobre minha face. O santo Miguel, outro santo anjo, um dos santos, foi enviado, o qual levantou-me.

2E quando ele levantou-me, meu espírito retornou, pois eu fui incapaz de suportar essa visão de violência, sua agitação e o choque do céu.

3Então o santo Miguel disse-me: Por que estás perturbado com essa visão?

4Desde então tem existido o dia da misericórdia; Ele tem sido misericordioso e magnânimo com todos os que habitam sobre a terra.

5Mas quando o tempo vier, então o poder, a punição, e o julgamento tomarão lugar, o qual o Senhor dos espíritos preparou para aqueles que se prostrarem para o julgamento da retidão, para aqueles que renunciarem àquele julgamento, e para aqueles que tomam seu nome em vão.

6Aquele dia foi preparado para os eleitos como um dia de convênio e para os pecadores como um dia de inquisição.

7Naquele dia dois monstros serão distribuídos como alimento (54), um monstro fêmea, cujo nome é Leviathan, habitando nas profundezas do mar, acima das fontes de águas;

(54) Distribuídos como alimento. Ou, “separados um do outro” (Knibb, p. 143).

8E um monstro macho, cujo nome é Behemoth, o qual possui, movendo-se em seu ventre, o deserto invisível.

9Seu nome era Dendayen. A leste do jardim, onde os eleitos e os justos habitarão, onde ele recebeuo

de meu ancestral, desde Adão o primeiro dos homens, (55) cujo homem o Senhor dos espíritos fez.

(55) Ele recebeu-o… primeiro dos homens. Ou, “meu bisavô foi tomado, o sétimo desde Adão” (Charles, p. 155). Isto implica que esta seção do livro foi escrita por Noé, descendente de Enoque. Os estudiosos têm especulado que esta parte do livro pode conter fragmentos do perdido Apocalipse de Noé.

10Então eu pedi a outro anjo que me mostrasse o poder daqueles monstros, como eles se separaram naquele mesmo dia, um estando nas profundezas do mar, e o outro no seco deserto.

11E ele disse: Tu, filho do homem, estás aqui desejoso de entendimento das coisas secretas.

12E o anjo da paz, o qual estava comigo disse: Estes dois monstros estão preparados pelo poder de Deus para tornarem-se alimento, para que a punição de Deus não seja em vão.

13Então crianças serão mortas com suas mães, e os filhos com seus pais.

14E quando a punição do Senhor dos espíritos continuar, sobre eles ela continuará, para que a punição do Senhor dos espíritos não aconteça em vão. Depois do quê, o julgamento existirá com misericórdia e longanimidade.

Capítulo 59

1Então outro anjo, o qual estava comigo, me falou,

2E mostrou-me o primeiro e o último dos segredos em cima no céu, e nas profundezas da terra:

3Nas extremidades do céu e nas fundações dela, e no receptáculo dos céus.

4Ele mostrou-me como seus espíritos foram divididos; como eles foram balançados e como ambas as fontes e os ventos foram contados de acordo com a força de seu espírito.

5Ele me mostrou o poder da luz da lua, que seu poder é justo; bem como as divisões das estrelas, de acordo com seus respectivos nomes;

6Que cada divisão é separada; que os relâmpagos iluminam;

7Que suas tropas imediatamente obedecem e que uma cessação toma lugar durante o trovão em continuação de seu som. Não são separados o trovão e o raio; nem eles se movem com um espírito, já que eles não são separados.

8Pois quando os raios iluminam, o trovão soa e o espírito a um próprio período faz pausa, fazendo uma igual divisão entre eles, pois o receptáculo sobre o qual seus períodos dependem é solto como a areia. Cada um deles à sua própria estação é restringido com uma rédea e virado pelo poder do espírito, que assim impele-os de acordo com a espaçosa extensão da terra.

9O espírito do mar é igualmente potente e forte, e um poder tão forte o faz vazar; assim ele é dirigido adiante e espalha-se contra as montanhas da terra. O espírito da geada tem seu anjo; no espírito do granizo ele é um bom anjo; o espírito da neve cessa em sua força e um espírito solitário está nele, o qual ascende dele como vapor, e é chamado refrigeração.

10O espírito da névoa também habita com eles em seu receptáculo, mas ele tem um receptáculo para si mesmo, pois seu progresso está no esplendor,

11Na luz e na escuridão, no inverno e no verão. Seu receptáculo é brilho, e um anjo esta nele.

12O espírito do orvalho tem seu domicílio nas extremidades do céu, em conexão com o receptáculo da chuva e seu progresso está no inverno e no verão. A nuvem produzida por ele e a nuvem do meio se tornam unidos, um dá ao outro; e quando o espírito da chuva está em movimento de seu receptáculo, anjos vêm e, abrindo seu receptáculo, o traz adiante.

13Quando igualmente ele é borrifado sobre toda a terra ele forma uma união com todo tipo de água no chão; pois as águas ficam na terra, porque eles fornecem nutrição para a terra desde o Altíssimo, o qual está no céu.

14Sobre este informe, portanto há uma regulamentação na qualidade da chuva que os anjos recebem.

15Estas coisas eu vi, todas elas, até o paraíso.

Capítulo 60

1Naqueles dias eu vi que longos mantos foram dados àqueles anjos, os quais tomaram suas asas e fugiram em direção ao norte.

2Eu perguntei ao anjo, dizendo: Para onde eles levaram aqueles longos mantos e para onde se foram? Ele disse: Eles foram medir.

3O anjo, o qual continuava comigo, disse: Estas são as medidas dos justos e cordas serão trazidas para que eles possam confiar no nome do Senhor dos espíritos para sempre e sempre.

4O eleito começará a habitar com o eleito.

5Estas são as medidas que serão dadas pela fé, as quais fortalecerão as palavras de retidão.

6Estas medidas revelarão todos os segredos nas profundezas da terra.

7E acontecerá que aqueles que foram destruídos no deserto e os que foram devorados pelos peixes do mar e pelas bestas do campo, retornarão e confiarão no dia do Eleito, pois ninguém perecerá na presença do Senhor dos espíritos, nem ninguém será capaz de perecer.

8Então eles receberam o mandamento, todos os quais estavam nos céus acima, para quem foi dado um poder combinado, voz e esplendor, semelhante ao fogo.

9E primeiro, com suas vozes eles abençoaram-no, exaltaram-no, glorificaram-no com sabedoria e atribuíram a Ele sabedoria com a palavra e com o sopro da vida.

10Então o Senhor dos espíritos assentado sobre o trono de sua glória, o Eleito,

11O qual julgará todas as obras do Santo acima no céu, e numa balança Ele pesará suas ações. E quando Ele levantar Seu semblante para julgar seus caminhos secretos na palavra do nome do Senhor dos espíritos, e seu progresso no caminho do justo julgamento do altíssimo Deus;

12Eles falarão com vozes unidas; abençoarão, glorificarão, exaltarão, e orarão em nome do Senhor dos espíritos.

13Ele chamará a todo poder dos céus, a todo santo acima, e ao poder de Deus. O Querubim, o Serafim, o Ofanim, todos os anjos de poder e todos os anjos dos Senhores, a saber, do Eleito, e do outro Poder, o qual estava sobre a água naquele dia.

14E levarão suas vozes unidas; abençoarão, glorificarão, orarão, e exaltarão com o espírito da fé, com o espírito da sabedoria e da paciência, com o espírito da misericórdia, com o espírito do julgamento e da paz, e com o espírito da benevolência; todos dirão com vozes unidas: Abençoado é Ele; e o nome do Senhor dos espíritos será abençoado para sempre e sempre; todos, os quais não dormem, o abençoarão acima no céu.

15Todo santo no céu o abençoará; todo o eleito que habita no jardim da vida e todo espírito de luz

que é capaz de abençoar, glorificar, exaltar, e orar em seu santo nome e todo homem mortal, (56) mais do que os poderes do céu, glorificará e abençoará seu nome para sempre e sempre.

(56) Todo homem mortal Literalmente, “toda carne” (Laurence, p. 73).

16Pois grande é a misericórdia do Senhor dos espíritos; magnânimo Ele é; e todas as suas obras, todo o seu poder, grande como são as coisas que Ele tem feito, tem revelado aos santos e eleitos, em nome do Senhor dos espíritos.

Capítulo 61

1Então o Senhor ordenou os reis, os príncipes, os exaltados e aqueles que habitam na terra dizendo:

Abri vossos olhos, e elevai vossas buzinas se sois capazes de compreender o Eleito.

2O Senhor dos espíritos assentou-se sobre o trono de sua glória.

3E o espírito de retidão foi colocado sobre ele.

4A palavra de sua boca destruirá todos os pecadores e todos os mundanos, os quais perecerão na sua presença.

5Naquele dia todos os reis, os príncipes, os exaltados e todos os que possuem a terra se colocarão em pé, verão e perceberão Aquele que está assentado no trono da sua glória, que diante dEle os santos serão julgados em retidão,

6E que nada que será falado diante dEle, será falado em vão.

7Inquietação virá sobre eles, como sobre uma mulher em trabalho de parto, cujo labor é severo, quando seu filho vem à boca do ventre e ela encontra-se em dificuldade de dar a luz.

8Uma porção deles olhará para a outra. Eles ficarão atônitos e baixarão seu semblante.

9E aflição os prenderá quando eles virem o Filho da mulher assentado sobre o seu trono de glória.

10Então os reis, os príncipes e todos os que possuem a terra glorificarão Aquele que tem domínio sobre todas as coisas, Aquele que esteve em conselho; pois desde o princípio o Filho do homem existiu em segredo, o qual o Altíssimo preservou na presença do Seu poder e foi revelado aos eleitos.

11Ele semeará a congregação dos santos e dos eleitos, e todo eleito ficará diante dEle naquele dia.

12Todos os reis, príncipes, o exaltado e aqueles que governam sobre toda a terra cairão sobre suas faces diante dEle, e O adorarão.

13Eles colocarão suas esperanças neste Filho do homem orarão a Ele e implorarão por misericórdia.

14Então o Senhor dos espíritos se apressará em expeli-los da Sua presença. Suas faces ficarão cheias de confusão e suas faces se cobrirão de escuridão. Os anjos os tomarão para castigo, aquela vingança poderá ser infligida naqueles que têm oprimido Seus filhos e Seus eleitos. E eles se tornarão como um exemplo aos santos aos Seus eleitos. Através deles estes serão feitos jubilosos, pois a ira do Senhor dos espíritos descansará sobre eles.

15Então a espada do Senhor dos espíritos se embebedará com seu sangue, mas os santos e eleitos serão salvos naquele dia; a face dos pecadores e dos mundanos daquele tempo em diante eles não verão.

16O Senhor dos espíritos permanecerá sobre eles:

17E com este Filho do homem eles habitarão, comerão, deitarão e levantarão, para sempre e sempre.

18Os santos e eleitos têm se levantado da terra. Têm deixado de deprimir seus semblantes e terão sido vestidos com a vestimenta da vida. Aqueles vestidos da vida estão com o Senhor dos espíritos, em cuja presença suas vestimentas não envelhecerão nem será diminuída sua glória.

Capítulo 62

1Naqueles dias os reis que possuíram a terra serão punidos pelos anjos de Sua ira, onde quer que eles lhes sejam entregues, para que Ele possa dar descanso por um curto período de tempo; e para que eles prostem-se diante dEle e adorem o Senhor dos espíritos, confessando seus pecados diante dEle.

2Eles abençoarão e glorificarão o Senhor dos espíritos dizendo: Abençoado é o Senhor dos espíritos, o Senhor dos reis, o Senhor dos espíritos, o Senhor dos ricos, o Senhor da glória, e o Senhor da sabedoria.

3Ele iluminará toda coisa secreta.

4Seu poder é de geração a geração e Sua glória para sempre e sempre.

5Profundos são todos os Seus segredos e incontáveis; sua retidão não pode ser calculada.

6Agora nós sabemos que devemos glorificar e abençoar o Senhor dos reis o qual é Rei sobre todas as coisas.

7Eles também dirão: Quem nos tem permitido ficar para glorificar, louvar, abençoar, e confessar na presença da Sua glória?

8E agora pequeno é o repouso que nós desejamos, mas nós não o encontramos; nós rejeitamos e não o possuímos. Luz passou diante de nós e escuridão tem coberto nossos tronos para sempre.

9 Pois nós não confessamos diante dEle; não temos glorificado o nome do Senhor dos reis; não temos glorificado o Senhor em todas as Suas obras, mas temos confiado no cetro do nosso próprio domínio e da nossa glória.

10Naquele dia do nosso sofrimento e da nossa angústia Ele não nos salvará, nem encontraremos descanso. Confessamos que nosso Senhor é fiel em todas as Suas obras, em todos os Seus julgamentos e em Sua retidão.

11Em Seus julgamentos ele não paga nenhum respeito a pessoas; e nós devemos apartar-nos de sua presença por causa de nossos maus atos.

12Todos os nossos pecados são verdadeiramente sem número.

13Então eles dirão a si mesmos: Nossas almas estão saciadas com os instrumentos de crime;

14Mas que não nos impede de descer ao ventre flamejante do inferno.

15Daí em diante seus semblantes se encherão de escuridão e confusão diante do Filho do homem, de cuja presença eles serão expulsos e diante do qual a espada permanecerá expelindo-os.

16Assim diz o Senhor dos espíritos: Este decreto e o julgamento contra os príncipes, os reis, os exaltados, e aqueles que possuem a terra, na presença do Senhor dos espíritos.

Capítulo 63

1Eu vi outros semblantes naquele lugar secreto. Ouvi a voz de um anjo, dizendo: Estes são os anjos que desceram do céu à terra, revelaram segredos aos filhos dos homens e seduziram os filhos dos

homens para cometerem de pecado.

Capítulo 64

 (57) Os capítulos 64, 65, 66 e o primeiro versículo do 67 evidentemente contêm a versão de Noé e não de Enoque (Laurence, p. 78).

1Naqueles dias Noé viu que a terra inclinou-se, e que destruição aproximava-se.

2Então ele levantou seus pés e foi para os confins da terra, para a habitação do seu bisavô Enoque.

3E Noé clamou com uma amarga voz: Ouví-me, ouví-me, ouví-me, três vezes. E ele disse: Dize-me o que está ocorrendo sobre a terra, pois a terra trabalha e é violentamente abalada. Certamente eu perecerei com ela.

4Depois disso houve uma grande perturbação na terra e uma voz foi ouvida desde o céu. Eu caí sobre minha face, então meu bisavô Enoque veio e colocou-se ao meu lado.

5Ele disse-me: Por que clamas a mim com um amargo clamor e lamentação?

6Um mandamento partiu do Senhor contra aqueles que habitam na terra para que eles sejam destruídos, pois eles conhecem todo segredo dos anjos, toda obra opressiva, o poder secreto dos demônios (58) e todo poder daqueles que cometem sortilégios, tanto quanto daqueles que fazem imagens fundidas em toda a terra.

(58) Os demônios. Literalmente, “os Satans” (Laurence, p. 78).

7Eles sabem como a prata é produzida do pó da terra e como na terra a gota metálica existe, pois o chumbo e o estanho não são produzidos da terra como fonte primária de sua produção.

8Há um anjo colocado sobre ela, e o anjo luta para prevalecer.

9Depois disso meu bisavô Enoque agarrou-me com sua mão, levantando-me e disse-me: Vai, pois eu pedí ao Senhor dos espíritos a respeito desta perturbação da terra; o qual respondeu: Por conta da impiedade deles seus inumeráveis julgamentos foram consumados diante de mim. Com respeito às luas eles inquiriram, e têm conhecimento de que a terra perecerá com aqueles que habitam sobre

ela,(59) e que estes não terão lugar de refúgio para sempre.

(59) Com respeito às luas… habitam sobre ela. Ou, “Por causa dos sortilégios que eles procuraram e aprenderam a terra e aqueles que habitam sobre ela serão destruídos” (Knibb, p. 155).

10Eles descobriram segredos, e eles são aqueles que têm sido julgados; mas não você, meu filho. O Senhor dos espíritos sabe que tu és puro e bom, livre da reprovação do descobrimento de segredos.

11Ele, o Santo, estabelecerá Seu nome no meio dos santos e te preservará daqueles que habitam sobre a terra. Ele estabelecerá tua semente em retidão com domínio e grande glória, (60) e da tua semente se espalhará retidão, e homens santos sem número para sempre.

(60) Com domínio… gloria. Literalmente, “para reis, e para grande glória” (Laurence, p. 79).

Capítulo 65

1Depois disso ele mostrou-me os anjos de punição, os quais estão preparados para vir e abrir todas as águas poderosas sob a terra:

2Que elas podem ser para julgamento e para destruição de todos aqueles que permanecem e habitam sobre a terra.

3O Senhor dos espíritos ordenou os anjos que saíram, para não tomar os homens, e preservá-los,

4pois aqueles anjos presidem sobre todas as poderosas águas. Então eu saí da presença de Enoque.

Capítulo 66

1Naqueles dias a palavra de Deus veio a mim, e disse: Vê Noé, tua sorte ascendeu a Mim, uma sorte imune de crime, uma sorte amada e superior.

2Agora então os anjos trabalharão as árvores, (61), mas enquanto eles procedem nisto eu colocarei minha mão sobre elas e as preservarei.

(61) Trabalharão nas árvores. Ou, “estão fazendo uma (estrutura de) madeira” (Knibb, p. 156).

3A semente da vida se erguerá dela e uma mudança tomará lugar para que a terra seca não seja deixada vazia. Eu estabelecerei tua semente diante de mim para sempre e sempre, e a semente daqueles que habitarem contigo na superfície da terra. Ela será abençoada e multiplicada na presença da terra, em nome do Senhor.

4Eles confinarão aqueles anjos que descobriram impiedade. Naquele vale ardente é que eles serão confinados, o qual a princípio meu bisavô mostrou-me no oeste, onde há montanhas de ouro e prata, de ferro, de metal fluído, e de estanho.

5Eu vi aquele vale no qual há uma grande perturbação e onde as águas são agitadas.

6E quando tudo isto foi executado, da massa fluída de fogo e na perturbação que prevaleceu (62) naquele lugar, levantou-se um forte cheiro de enxofre que se misturou com as águas; e o vale dos anjos que haviam sido culpados de sedução, queimou-se debaixo da terra.

(62) A perturbação que prevaleceu. Literalmente, “perturbou-os” (Laurence, p. 81).

7Através daquele vale rios de fogo também estavam fluindo, para os quais aqueles anjos serão condenados, os quais seduziram os habitantes da terra.

8E naqueles dias estas águas serão para os reis, aos príncipes, aos exaltados e para os habitantes da terra, para a cura da alma e do corpo e para o julgamento do espírito. 9Seus espíritos serão cheios de festa (63) para que eles possam ser julgados em seus corpos; porque eles negaram o Senhor dos espíritos, e apesar de eles perceberem sua condenação dia após dia, não acreditaram em seu nome.

(63) Festa. Ou, “luxúria” (Knibb, p. 157).

10E como a inflamação de seus corpos será grande, assim seus espíritos sofrerão uma transformação para sempre.

11Pois nenhuma palavra que é pronunciada diante do Senhor dos espíritos será em vão.

12Julgamento veio sobre eles porque eles confiaram em sua luxúria carnal, e negaram o Senhor dos espíritos.

13Naqueles dias as águas daquele vale serão transformadas, pois enquanto os anjos forem julgados, o calor daquelas fontes de água sofrem uma alteração.

14E enquanto os anjos ascenderem, a água das fontes novamente sofrem uma alteração e congelam.

Então eu ouvi o santo Miguel respondendo e dizendo: Este julgamento, com o qual os anjos serão julgados, dará testemunho contra os reis, príncipes e aqueles que possuem a terra.

15Pois estas águas de julgamento serão para sua cura e para a morte (64) de seus corpos. Mas eles não perceberão e não acreditarão que as águas serão transformadas e tornadas como fogo, que arderá para sempre.

(64) Morte. Ou, “luxúria” (Charles, p. 176; Knibb, p. 158).

Capítulo 67

1Depois disto ele deu-me as marcas características (65) de todas as coisas secretas do livro do meu bisavô Enoque, e nas parábolas que haviam sido dadas a ele; inserindo-as para mim entre as palavras do livro das parábolas.

(65) Marcas características. Literalmente, “os sinais” (Laurence, p. 83).

2Naquele momento o santo Miguel respondeu e disse a Rafael: O poder do espírito precipita-me daqui e impele-me para fora. A severidade do julgamento, do secreto julgamento dos anjos, quem é capaz de observar a resistência daquele severo julgamento que aconteceu e se tornou permanente sem ser dissolvido no seu lugar? Novamente o santo Miguel respondeu e disse ao santo Rafael:

Quem está lá, cujo coração não se abrandou por isto, e cujos rins não se afligiram com esta coisa?

3Julgamento saiu contra eles por aqueles que assim arrastaram-nos para fora; e que se foram, quando eles estavam na presença do Senhor dos espíritos.

4De igual maneira também o santo Rakael disse a Rafael: Eles não estarão diante do olho do Senhor (66) já que o Senhor dos espíritos foi ofendido por eles, pois como Senhores (67) eles têm-se conduzido. Portanto Ele traz sobre eles um secreto julgamento para sempre e sempre.

(66) Eles não… olho do Senhor. Ou, “Eu não tomarei parte sob o olho do Senhor” (Knibb,p.159).

(67) Pois como Senhores. Ou, “pois eles agiram como se fossem o Senhor” (Knibb, p. 159).

5Pois nem o anjo, nem o homem recebe uma porção dele, mas eles só receberão seu próprio julgamento para sempre e sempre.

Capítulo 68

1Depois deste julgamento eles estarão assombrados e irritados, pois serão exibidos aos habitantes da terra.

2Eis os nomes destes anjos. Estes são seus nomes: O primeiro deles é Samyaza; o segundo é Arstikapha; o terceiro é Armen; o quarto, Kakabael; o quinto, Turel; o sexto, Rumyel; o sétimo,

Danyal; o oitavo, Kael; o nono, Barakel; o décimo, Azazel; o décimo primeiro, Armers; o décimo segundo, Bataryal; o décimo terceiro, Basasael; o décimo quarto, Ananel; o décimo quinto, Turyal; o décimo sexto, Simapiseel; o décimo sétimo, Yetarel; o décimo oitavo, Tumael; o décimo nono, Tarel; o vigésimo, Rumel; o vigésimo primeiro, Azazyel.

3Estes são os principais (chefes) dos anjos, e os nomes dos líderes de suas centenas, e seus líderes de cinqüenta, e os líderes de suas dezenas.

4O nome do primeiro é Yekun: (68) ele foi quem seduziu todos os filhos dos santos anjos e fez com que descessem à terra, conduzindo desencaminhadamente a descendência dos homens.

(68) Yekun pode simplesmente significar “o rebelde” (Knibb, p. 160).

5O nome do segundo é Kesabel, o qual apontou mau conselho aos filhos dos santos anjos e conduziu-os a corromperem seus corpos gerando humanos.

6O nome do terceiro é Gadrel: ele descobriu todo golpe de morte aos filhos dos homens.

7Ele seduziu Eva e descobriu aos filhos dos homens os instrumentos de morte, o casaco de malha, o escudo, e a espada para matança; todo instrumento de morte para os filhos dos homens.

8Estas coisas derivaram de suas mãos para os que habitam sobre a terra daquele período para sempre.

9O nome do quarto é Penemue: ele descobriu aos filhos dos homens o amargor e a doçura.

10E mostrou a eles todo segredo de sua sabedoria.

11Ele ensinou os homens a entenderem o escrito e o uso de tinta e papel.

12Portanto, numerosos tem sido aqueles que têm se extraviado em todo período do mundo, mesmo até este dia.

13Os homens não nasceram para isto, assim com pena e tinta, para confirmar sua fé;

14Desde então eles não criaram, exceto que, como os anjos, eles podem permanecer retos e puros.

15Nem poderiam morrer, o que destrói tudo, tem afetado-os;

16Mas por este seu conhecimento eles perecem, e por isto também seu poder os consome.

17 O nome do quinto é Kasyade: ele descobriu aos filhos dos homens todo iníquo golpe de espíritos e de demônios:

18O golpe do embrião no ventre, para diminuí-lo; (69) o golpe do espírito pela mordida da serpente, e o golpe que é dado ao meio-dia pelo filho da serpente, cujo nome é Tabaet. (70)

(69) O golpe…para diminuí-lo. Ou, “o soco (com ataque, agressão) ao embrião no ventre para que seja abortado”

(Knibb, p. 162).

(70) Tabaet. Literalmente, “macho” ou “forte” (Knibb, p. 162).

19Este é o número de Kasbel; a parte principal do juramento que o Altíssimo, habitando em glória, revelou aos santos.

20Seu nome é Beka. Ele falou ao santo Miguel para que revelasse a eles o nome sagrado, para que eles pudessem entender o sagrado nome e assim lembrar do juramento; e para que aqueles que apontaram toda coisa secreta aos filhos dos homens possam tremer sob aquele nome e juramento.

21Este é o poder do juramento; pois poderoso ele é, e forte.

22E estabelecido este juramento de Akae pela instrumentalidade do santo Miguel.

23Estes são os segredos deste juramento, e por ele eles foram confirmados.

24Os céus estiveram em suspenso por ele antes que o mundo fosse feito, para sempre.

25Por ele a terra foi inundada no dilúvio enquanto das partes escondidas dos montes as águas agitadas as águas saíram desde a criação até o fim do mundo.

26Por este juramento o mar foi formado e a sua fundação.

27Durante o período desta fúria ele estabeleceu a areia contra ele, a qual continua imutável para sempre, e por este juramento o abismo foi feito forte; e não é removível de sua estação para sempre e sempre.

28Por este juramento o sol e a lua completam seu progresso nunca se desviando do comando que lhes foi dado para sempre e sempre.

29Por este juramento as estrelas completam seu progresso,

30E quando seus nomes forem chamados eles retornarão em resposta, para sempre e sempre.

31Então nos céus tomam lugar os sopros dos ventos: todos eles têm respiração (71) e efetuam uma completa combinação de respirações.

(71) Respiração. Ou, “espíritos” (Laurence, p. 87).

32Ali os tesouros do trovão são mantidos e o esplendor do relâmpago.

33Ali são guardados os tesouros do granizo e da neblina, os tesouros da neve, os tesouros da chuva e do orvalho.

34Todos estes confessam e louvam diante do Senhor dos espíritos.

35Eles glorificam com todo seu poder de súplica; e Ele os sustém em todo aquele ato de agradecimento enquanto eles louvam, glorificam e exaltam o nome do Senhor dos espíritos para sempre e sempre.

36E com eles ele estabelece este juramento, pelo qual eles e seus caminhos são preservados, e seus progressos não perecem.

37Grande foi sua alegria.

38Eles abençoaram, glorificaram, e exaltaram porque o nome do Filho do homem lhes foi revelado.

39Ele assentou-se sobre o trono de Sua glória, e a parte principal do julgamento foi designada e Ele, o Filho do homem. Os pecadores perecerão e desaparecerão da face da terra, enquanto aqueles que os seduziram serão amarrados com correntes para sempre.

40De acordo com seus graus de corrupção eles serão aprisionados, e todas as suas obras desaparecerão da face da terra; desde então ali não haverá ninguém para corromper, pois o Filho do homem foi visto assentado sobre Seu trono de glória.

41Toda iniqüidade desaparecerá e se apartará de diante de Sua face; a palavra do Filho do homem se tornará poderosa na presença do Senhor dos espíritos.

42Esta é a terceira parábola de Enoque.

Capítulo 69

1Depois disto o nome do Filho do homem, vivendo com o Senhor dos espíritos, foi exaltado pelos habitantes da terra.

2Ele foi exaltado nas carruagens do Espírito e o seu nome estava no meio deles.

3Desde aquele tempo eu não fui arrancado do meio deles; mas Ele assentou-se entre dois espíritos, entre o norte e o oeste, onde os anjos receberam seus cordões, para medir o lugar para os eleitos e os justos.

4Ali eu vi os pais dos primeiros homens e os santos que habitam naquele lugar para sempre.

Capítulo 70

1Depois disso meu espírito foi ocultado, ascendendo aos céus. Eu vi os filhos dos santos anjos andando em chamas de fogo, cujas vestimentas e mantos eram brancos e cujos semblantes eram transparentes como cristal.

2Eu vi dois rios de fogo brilhando como o jacinto.

3Então caí sobre minha face diante do Senhor dos espíritos.

4E Miguel, um dos arcanjos, tomou-me pela mão direita e levantou-me, e trouxe-me para onde estava todo segredo de misericórdia e retidão.

5Ele me mostrou todas as coisas ocultas das extremidades do céu, todos os receptáculos das estrelas e o seu esplendor, desde quando elas saíram de diante da face do Santo.

6Ele escondeu o espírito de Enoque no céu dos céus.

7Ali eu vi no meio daquela luz uma construção levantada com pedras de gelo.

8E no meio destas pedras vi vibrações de (72) de fogo vivo. Meu espírito viu ao redor o círculo desta habitação flamejante em uma de suas extremidades; que ali havia rios cheios de fogo vivo, o qual cercava-a.

(72) Vibrações. Literalmente, “línguas” (Laurence, p. 90).

9Então o Serafim, o Querubim, e o Ophanin (73) rodearam-na: estes são aqueles que nunca adormecem, mas vigiam o trono de Sua glória.

(73) Ophanin. As “rodas” Ezequiel 1:15-21 (Charles, p. 162).

10Eu vi inumeráveis anjos, milhares de milhares, e miríades de miríades, as quais rodeavam aquela habitação.

11Miguel, Rafael, Gabriel, Phanuel e os santos anjos que estavam acima nos céus foram e saíram dele. Miguel, Rafael, e Gabriel saíram daquela habitação, e santos anjos inumeráveis.

12Estava com eles o Ancião de dias, cuja cabeça era branca como o algodão, e pura, e seu manto era indescritível.

13Então eu caí sobre minha face enquanto toda minha carne era dissolvida, e meu espírito tornou-se transformado.

14Eu clamei com alta voz com um poderoso espírito, abençoando, glorificando, e exaltando.

15E aquelas bênçãos que procediam da minha boca tornaram-se aceitáveis na presença do Ancião de dias.

16O Ancião de dias veio com Miguel e Gabriel, e Rafael e Phanuel, com milhares de milhares, e miríades de miríades, que não podiam ser enumerados.

17Então aquele anjo veio a mim, com sua voz saudou-me, dizendo: Tu és o Filho do homem, (74) oqual é nascido para retidão, e retidão descansou sobre ti.

(74) Filho do homem. A tradução original de Laurence muda essa frase “descendência do homem”, Knibb (p. 166) e Charles (p. 185) indicam que deve ser “Filho do homem” consistente com outras ocorrências daquele termo no livro de Enoque.

18A retidão do ancião de dias não te esquecerá.

19Ele disse: Em ti Ele conferirá paz em nome do mundo existente; por isso a paz tem existido desde que o mundo foi criado.

20E assim acontecerá a ti para sempre e sempre.

21Todos os que existirão e caminharão em seus caminhos de retidão, não te esquecerão para sempre.

22Contigo estarão suas habitações, contigo seu destino; de ti eles não serão separados para sempre e sempre.

23E assim o prolongamento dos dias estará com o Filho do homem.(75)

(75) Filho do homem. Literalmente, “descendência do homem”, ou “o Cristo que vem da descendência do homem”.

24A paz será para os justos e os retos possuirão o caminho da integridade, em nome do Senhor dos espíritos, para sempre e sempre.

Capítulo 71

1O livro das revoluções das luminárias dos céus, de acordo com suas respectivas classes, seus respectivos poderes, seus respectivos períodos, seus respectivos nomes, os lugares conde elas começam seu progresso e seus respectivos meses, que Uriel, o santo anjo que estava comigo,

explicou-me; aquele que as administra. Toda a conta delas de acordo com o exato ano do mundo para sempre, até que um novo trabalho seja efetuado, o qual será eterno.

2Esta é a primeira lei das luminárias. O sol e a luz chegam aos portões que estão ao leste, ao oeste e no oeste dele, nos portões ocidentais do céu.

3Eu vi os portões onde o sol sai e os portões onde o sol se põe,

4Em cujos portões também a lua nasce e se põe; Eu vi os condutores das estrelas, entre aqueles que precedem-nas; seis portões estão no nascente, e seis no poente do sol.

5Todos estes, respectivamente, um depois do outro, estão em nível; e numerosas janelas estão ao lado direito e ao lado esquerdo destes portões.

6Primeiro avança aquela grande luminária, a qual é chamada sól, cuja órbita é a órbita do céu, toda ela está repleta com esplêndido e flamejante fogo.

7Sua carruagem, onde ela ascende, o vento sopra.

😯 sól se põe no céu e retornando pelo norte, para seguir em direção ao leste, é conduzido assim enquanto entra por aquele portão e ilumina a face do céu.

9Da mesma maneira ele sai no primeiro mês pelo grande portão.

10Ele sai através do quarto daqueles seis portões, que estão ao nascente do sol.

11E no quarto portão, através do qual o sól com a lua prosseguem, na primeira parte dele, (76) lá existem doze janelas abertas das quais sai uma chama quando elas estão abertas em seus próprios períodos.

(76) Através do qual… parte dele. Ou, “do qual o sol se levanta no primeiro mês” (Knibb, p. 168).

12Quando o sol se levanta no céu ele sai através deste quarto portão por três dias, e pelo quarto portão ao oeste do céu no nível em que ele descende.

13Durante aquele período o dia é prolongado durante o dia, e a noite encurtado durante a noite por trinta dias. E então o dia é mais longo que a noite por duas partes.

14O dia é precisamente, dez partes, e a noite é oito.

15O sol sai através deste quarto portão, se põe nele e volta para o quinto portão durante trinta dias, depois do quê ele prossegue e se põe nele, o quinto portão.

16Então o dia se torna prolongado por uma segunda porção de modo que ele é doze partes, enquanto a noite se torna encurtada, e é apenas sete partes.

17O sol então retorna para o leste, entrando no sexto portão, e nasce e se põe no sexto portão trinta e um dias, na contagem de seus sinais.

18Naquele período o dia é mais longo que a noite, sendo duas vezes tão longo quanto a noite, e chega a ser de doze partes;

19Mas a noite é encurtada e se torna em seis partes. Então o sol nasce para que o dia possa ser encurtado e a noite prolongada.

20E o sol retorna para o leste entrando pelo sexto portão, onde ele nasce e se põe por trinta dias.

21Quando aquele período é completado o dia chega a ser encurtado precisamente uma parte, de modo que ele é de doze partes, enquanto que a noite é de sete partes.

22Então o sol vai do oeste, daquele sexto portão, e prossegue em direção ao leste nascendo no quinto portão por trinta dias e se pondo novamente ao oeste no quinto portão do oeste.

23Naquele período o dia chega a ser encurtado duas partes, e é de dez partes, enquanto que a noite é de oito partes.

24Então o sol vai do quinto portão, enquanto se põe no sexto portão do oeste e nasce no quarto portão por trinta e um dias, na conta de seus sinais, se pondo a oeste.

25Naquele período o dia é feito igual à noite e, sendo igual a ela, a noite torna-se a nove partes, e o dia nove partes.

26Então o sol vai daquele portão enquanto ele se põe no oeste, e retornando pelo leste prossegue pelo terceiro portão por trinta dias, se pondo no oeste no terceiro portão.

27Naquele período a noite é prolongado desde o dia durante trinta manhãs, e o dia é encurtado desde o dia durante trinta dias; a noite sendo precisamente de dez partes, e o dia oito partes.

28O sol então sai do terceiro portão, enquanto ele se põe no terceiro portão no oeste; mas retornando para o leste. Ele prossegue pelo segundo portão do leste por trinta dias.

29De igual maneira ele também se põe no segundo portão na direção oeste do céu.

30Naquele período a noite é onze partes, e o dia sete partes.

31Então o sol sai naquele tempo pelo segundo portão, enquanto se põe no segundo portão no oeste, mas retorna para o leste, prosseguindo pelo primeiro portão, por trinta e um dias.

32E se pões no oeste no primeiro portão.

33Naquele período a noite é novamente prolongada tanto quanto o dia.

34Ela é precisamente de doze partes, enquanto que o dia é seis partes.

35O sol tem assim completado seus começos, e uma segunda vez de volta desde estes começos.

36Naquele primeiro portão ele entra por trinta dias, e se põe no oeste, defronte do céu.

37Naquele período a noite é contraída em seu comprimento uma quarta parte, que é, uma porção, e se torna onze partes.

38O dia é de sete partes.

39Então o sol retorna, e entra no segundo portão ao leste.

40ele retorna por estes começos trinta dias, nascendo e se pondo.

41Naquele período, a noite é encurtado em seu comprimento. Ela se torna dez partes, e o dia oito partes. Então o sol sai do segundo portão, e se põe a oeste; mas retorna pelo leste, e nasce no leste, no terceiro portão, trinta e um dias, se pondo no oeste do céu.

42Naquele período a noite se torna encurtada, Ela é nove partes. E a noite é igual ao dia. O ano é precisamente trezentos e sessenta e quatro dias.

43Prolongamento do dia e da noite, e a contração do dia e da noite, são feitos diferentes um do outro pelo progresso do sol.

44Por meio deste progresso o dia é diariamente prolongado, e a noite grandemente encurtada.

45Esta é a lei e o progresso do sol, e suas voltas, quando ele retorna, voltando durante sessenta dias,

(77) e seguindo em frente. Esta é a grande perpétua luminária, aquela que ele chama o sol para sempre e sempre.

(77) O que é, ele está sessenta dias nos mesmos portões. Trinta dias duas vezes cada ano. (Laurence, p. 97).

46Este também é a grande luminária, e a qual é chamada segundo seu tipo peculiar, como Deus ordenou.

47E assim ele entra e sai, nem afrouxando nem descansando; mas correndo em sua carruagem de dia e de noite. Ele brilha com uma sétima porção da luz da lua; (78) mas as dimensões de ambos são iguais.

(78) ele brilha com…da lua. Ou, “Sua luz é sete vezes mais brilhante que a da lua” (Knibb, p.171). O texto aramaico descreve mais claramente como a luz da lua aumenta e diminui pela metade de uma sétima parte cada dia. Aqui na versão etíope, a lua é considerada como duas metades, cada metade sendo dividida em sete partes. Por isso, “quatorze porções” de 72:9-10 (Knibb, p. 171)

Capítulo 72

1Depois disso eu vi outra lei fé uma luminária inferior, o nome da qual é a lua, e a órbita da qual é como a órbita do céu.

2Sua carruagem, a qual secretamente ascende, o vento sopra; e luz é dada a ela por medida.

3Cada mês em sua saída e entrada ela torna-se transformada; e seus períodos são como os períodos do sol. E quando de igual maneira sua luz é para existir, (79) sua luz é uma sétima porção da luz do sol.

(79) E quando de… é para existir. Isto é, quando a lua está cheia (Knibb, p. 171).

4Assim ela nasce, e seu começo em direção ao leste sai por trinta dias.

5Naquele tempo ela aparece, e torna-se para você o começo do mês. Trinta dias ela está com o sol no portão do qual o sol nasce.

6Metade dela está em prolongamento sete porções, uma metade; e o total de sua órbita é sem luz, exceto uma sétima porção de quatorze porções de sua luz. E de dia ela recebe uma sétima porção, ou a metade daquela porção, de sua luz. Sua luz é por sete, por uma porção, e pela metade de uma porção. Seus crepúsculos com o sol.

7E quando o sol nasce, a lua nasce com ele; e recebe metade de uma porção de luz.

8Nesta noite, quando ela começa seu período, previamente para o dia do mês, a lua se põe com o sol.

9E naquela noite ela é escura em suas décimas quartas porções, que é, em cada metade; mas ela nasce naquele dia com uma sétima porção aproximadamente, e em seu progresso declina do nascer do sol.

10Durante o restante de seu período sua luz aumenta em quatorze porções.

Capítulo 73

1Então eu vi outro progresso e regulações que Ele efetuou na lei da lua. O progresso das luas, e tudo o que se relaciona com ela, Uriel mostrou-me, o santo anjo que administra a todos.

2Suas estações eu escrevi enquanto ele mostrava-os a mim.

3Eu escrevi teus meses, como eles ocorrem, e a aparência de sua luz, até que ela é completada em quinze dias.

4Em cada um de seus dois sétimos de porções ela completa toda sua luz ao nascer e se pôr.

5Em determinados meses ela muda seus crepúsculos; e em determinados meses ela faz seu progresso através de cada portão. Em dois portões a lua se põe com o sol. Naqueles dois portões que estão no meio, no terceiro e no quarto portão. Do terceiro portão ela sai por sete dias, e faz seu circuito.

6Novamente ela retorna para o portão do qual o sol nasce, e naquele ela completa toda a sua luz.

Então ela declina do sol, e entra por oito dias no sexto portão, e retorna em sete dias para o terceiro portão, no qual o sol nasce.

7Quando o sol prossegue para o quarto portão, a lua sai por sete dias, até ela passar do quinto portão.

8Novamente ela retorna em sete dias para o quarto portão, e completando toda a sua luz, declina, e passa pelo primeiro portão em oito dias;

9E retorna em sete dias para o quarto portão, do qual o sol nasceu.

10Assim eu vi suas estações, como de acordo com a ordem fixada dos meses o sol nasce e se põe.

11Nesses tempos há um excesso de trinta dias pertencentes ao sol em cinco anos; todos os dias pertencentes a cada ano de cinco anos, quando completados, somam trezentos e sessenta e quatro dias; e ao sol e às estrelas; deles em cada um dos cinco anos; assim trinta dias pertencem a eles;

12De modo que a lua tem trinta dias a menos que o sol e as estrelas.

13A lua traz em todos os anos exatamente, para que suas estações possam vir nem tão adiante nem tão para traz um simples dia; mas que os anos possam ser mudados com correta precisão nos trezentos e sessenta e quatro dias. Em três anos os dias são mil e noventa e dois; em cinco anos eles são mil oitocentos e vinte; e em oito anos dois mil novecentos e vinte dias.

14Para a lua só corresponde em três anos mil e sessenta e dois dias; em cinco anos ela tem cinqüenta dias menos que o sol, pois uma adição sendo feita a mil e sessenta e dois dias, em cinco anos há mil setecentos e setenta dias; e os dias da lua em oito anos são dois mil oitocentos e trinta e dois dias.

15Pois os seus dias em oito anos são menos que aqueles do sol por oitenta dias, cujos oitenta dias são sua diminuição em oito anos.

16O ano então se torna verdadeiramente completo de acordo com a estação da lua, e a estação do sol; o qual nasce em diferentes portões; o qual nasce e se pões neles por trinta dias.

Capítulo 74

1Estes são os líderes dos chefes dos milhares, os quais presidem sobre toda criação, e sobre todas as estrelas; com os quatro dias que são adicionados e nunca se separam do lugar a eles determinados, de acordo com o cálculo completo do ano.

2E estes servem quatro dias, os quais não são contados no cálculo do ano.

3Com respeito a eles, os homens erram grandemente, pois estas luminárias verdadeiramente servem, no lugar de habitação do mundo, um dia no primeiro portão, um dia no terceiro portão, um dia no quarto portão, e um dia no sexto portão.

4E a harmonia do mundo torna-se completo a cada trezentos e sessenta e quatro estados dele. Para os sinais.

5As estações,

6Os anos,

7E Uriel me mostrou os dias; o anjo que o Senhor da glória escolheu sobre todas as luminárias.

8Do céu no céu, e no mundo; para que possa governar na face do céu, e aparecendo sobre a terra, se tornam.

9Condutores dos dias e noites: o sol, a lua, as estrelas, e todas as luminárias do céu, que fazem seu circuito com todas as carruagens do céu.

10Então Uriel me mostrou doze portões abertos para o circuito das carruagens do sol no céu, no qual os raios do sol batem.

11Deles procede calor sobre a terra, quando eles são abertos em suas determinadas estações. Eles são estão para os ventos, e o espírito da neblina, quando em suas estações eles são abertos; abertos no céu nas suas extremidades.

12Doze portões eu vi no céu, nas extremidades da terra, através do qual o sol, a lua e estrelas, e todas as obras do céu, procedem no seu nascer e no seu crepúsculo.

13Muitas janelas também são abertas à direita e à esquerda.

14Uma janela numa certa estação se torna extremamente quente. Assim também estão portões dos quais as estrelas saem quando são comandadas, e nos quais se põem de acordo com seu número.

15Eu vi igualmente as carruagens do céu, correndo no mundo acima daqueles portões nos quais se movimentam as estrelas que jamais declinam. Um deles é maior de todos, que vai ao redor de todo o mundo.

Capítulo 75

1E nas extremidades da terra eu vi doze portões abertos para todos os ventos, dos quais eles saem e sopram sobre a terra.

2Três deles estão abertos em frente do céu, três no oeste, três no lado direito do céu, e três no lado esquerdo. Os três primeiros são aqueles que estão virados para o leste, três estão virados para o norte, tres atrás daqueles que estão sobre a esquerda, virados para o sul, e três para o oeste.

3De quatro deles saem ventos de bênção, e de cura; e de oito vêm ventos de punição ou castigo; quando eles são enviados para destruir a terra, e o céu acima dela, todos os seus habitantes, e e tudo o que está nas águas, ou na terra seca.

4O primeiro destes ventos procede do portão oriental, através do primeiro portão ao leste, o qual se inclina para o sul. Deste portão saem a destruição, a aridez, o calor e a perdição.

5Do segundo portão, o do meio, procede a equidade. Dele emanam a chuva, a abundância, a saúde e

o orvalho; e do terceiro portão ao norte, vêm o frio e a seca.

6Depois destes procedem os ventos do sul através de três principais portões; através do seu primeiro portão, que inclina-se para o leste, vem um vento quente.

7Mas do portão do meio vem um agradável odor, orvalho, chuva, saúde e vida.

8Do terceiro portão, que está ao oeste, vem orvalho, chuva, ruína e destruição.

9Depois desses estão os ventos do norte, que é chamado mar. Eles vêm dos três portões. O primeiro (80) portão é aquele que está ao leste, inclinando-se ao sul; deste vem orvalho, chuva, ruína e destruição. Direto do portão do meio vem chuva, orvalho, vida e saúde. E do terceiro portão, que está ao leste, inclinando-se ao sul, vem névoa, geada, neve, chuva, orvalho e destruição.

(80) Primeiro. Ou, “sétimo” (Knibb, p. 178).

10Depois destes, no quarto quadrante estão os ventos do oeste. Do primeiro portão, inclinando-se ao norte, vem orvalho, chuva, geada, neve e frio; do portão do meio vem chuva, saúde e bênção;

11E do último portão, que está ao sul, vem seca, destruição, queima e perdição.

12O informe dos doze portões dos quatro quadrantes do céu está terminada.

13Todas as suas leis, todas as suas imposições de punição, e a saúde produzida por eles, eu expliquei a ti, meu filho Matusalém. (81)

(81) Matusalém. Filho de Enoque, Cp. Gen. 5:21.

Capítulo 76

1O primeiro vento é chamado oriental, porque é o primeiro.

2O segundo é chamado do sul, porque o Altíssimo desce, e freqüentemente ali desce aquele que é abençoado para sempre.

3O vento ocidental tem o nome de diminuição, porque ali todas as luminárias do céu estão diminuídas, e descem.

4O quarto portão, cujo nome é do norte, é dividido em três partes; uma das quais é para a habitação do homem; outra parte para mares de águas, com vales, bosques, rios, lugares sombrios, e neve, e a terceira parte contém o paraíso.

5Sete altas montanhas eu vi, mais altas do que todas as montanhas da terra, de onde o congelamento procede; enquanto os dias, estações, e anos passam.

6Sete rios eu vi sobre a terra, maiores que todos os rios, um dos quais toma seu curso do oeste; para um grande mar suas águas fluem.

7Dois vêm do norte para o mar, suas águas fluem para o Mar da Eritréia, (82) no leste. E com respeito aos outros quatro, eles tomam seu curso na cavidade do norte, dois para seu mar, o mar da Eritréia, e dois são derramados num grande mar, onde também é dito que é um deserto.

(82) O Mar Vermelho.

8Sete grandes ilhas eu vi no mar da terra. Sete no grande mar.

Capítulo 77

1Os nomes do sol são estes: um é Aryares, o outro Tomas.

2A lua tem quatro nomes. O primeiro é Asonya; o segundo, Ebla; o terceiro, Benase; e o quarto, Erae.

3Estes são as duas grandes luminárias, cujas órbitas são como as órbitas do céu; e as dimensões de ambos são iguais.

4Na órbita do sol há uma sétima porção de luz, a qual é adicionada àquela que vem da lua. (83) Elas se põem, entram no portão ocidental, circulam pelo norte, e através do portão oriental passam pela face do céu.

(83) Uma sétima porção… da lua. Ou, “sete partes da luz que são adicionadas e ele mais do que à lua” (Knibb, p. 182).

5Quando a lua nasce, ela aparece no céu; e a metade da sétima porção de luz é tudo o que está nela.

6Em quarenta dias toda a sua luz é completada.

7Por três quíntuplos de luz são colocados nela, até que em quinze dias sua luz é completada, de acordo com os sinais do ano; ela tem três quíntuplos.

8A lua tem a metade de uma sétima porção.

9Durante sua diminuição no primeiro dia sua luz decresce uma décima quarta parte; no segundo dia é diminuída uma décima terceira parte; no terceiro dia uma décima segunda parte; no quarto dia uma décima primeira parte; no quinto dia uma décima parte; no sexto dia uma nona parte; no sétimo dia ela decresce uma oitava parte; no oitavo dia ela decresce uma sétima parte; no nono dia ela decresce uma sexta parte; no décimo dia ela decresce uma quinta parte; no décimo primeiro dia ela decresce uma quarta parte; no décimo segundo dia ela decresce uma terceira parte; no décimo terceiro dia ela decresce uma segunda parte; no décimo quarto dia ela decresce a metade de uma sétima parte; e no décimo quinto dia todo o restante da sua luz é consumido.

10Nos meses declarados a lua tem vinte e nove dias.

11Ela também tem um período de vinte e oito dias.

12Uriel igualmente mostrou-me outro regulamento, quando a luz é derramada nela vinda do sol.

13Todo o tempo em que a lua está em progresso com a sua luz, que é consumida na presença do sol, até que sua luz em quatorze dias seja completada no céu.

14E quando é totalmente extinta, sua luz é consumida no céu; e no primeiro dia ela é chamada lua nova, pois naquele dia luz é recebida nela.

15Ela torna-se precisamente completa no dia em que o sol desce no oeste, enquanto a lua sobe à noite do leste.

16A lua então brilha toda a noite, até que o sol se levante diante dela; quando a lua desaparece diante do sol

17De onde a luz vem para a lua, ali novamente ela decresce, até que toda sua luz sema extinguida, e os dias da lua passam.

18Então sua órbita permanece solitária sem luz.

19Durante três meses ela efetua em trinta dias, a cada mês seu período; e durante mais três meses ela efetua-o em vinte e nove dias. Estes são os tempos nos quais ela efetua seu decréscimo em seu primeiro período, e no primeiro portão, nomeadamente, e, cento e setenta e sete dias.

20E no tempo de seu andamento durante três meses ela aprece trinta dias cada, e durante mais três meses ela aparece vinte e nove dias cada.

21À noite ela aparece a cada vinte dias como a face de um homem, e no dia como o céu; pois ela não é nada além de sua luz.

Capítulo 78

1E então, meu filho Matusalém, eu te mostrei tudo; e o relato de toda ordenança das estrelas do céu está terminado.

2Ele mostrou-me todo decreto com respeito a elas, o que toma lugar em todos os tempos e em todas as estações sob cada influência, em todos os anos, na chegada e sob a regra de cada, durante cada mês e a cada semana. Ele mostrou-me e também o decréscimo da lua, que é efetuada no sexto portão; pois naquele sexto portão sua luz é consumida.

3E lá é o começo do mês; e seu decréscimo é efetuado no sexto portão em seu período, até cento e setenta e sete dias são completados; de acordo com o modo do cálculo pelas semanas, vinte e cinco semanas e dois dias.

4Seus períodos são menos que os do sol, de acordo com a regra das estrelas, por cinco dias em meio ano (84) precisamente.

(84) Em meio ano. Literalmente “em um tempo” (Laurence, p. 110).

5Quando aquela sua visível situação é completada. Assim é o aparecimento e a semelhança de toda luminária, que Uriel, o grande anjo que as conduz, mostrou-me.

Capítulo 79

1Naqueles dias Uriel respondeu-me e disse: Eu mostrei-te todas as coisas, oh Enoque;

2E todas as coisas eu te revelei. Você viu o sol, a lua, e aqueles que conduzem as estrelas do céu, que ocasionam todas as suas operações, estações, e chegadas para retorno.

3Nos dias dos pecadores os anos serão encurtados.

4Sua semente será retroagida em seu prolífico solo; e tudo o que é feito na terra será subvertido, e desaparecem em suas estações. A chuva será restringida, e o céu ainda permanecerá.

5Naqueles dias os frutos da terra serão tardios, e não florescerão na sua estação; e em sua estação os frutos das árvores serão retidos.

6A lua mudará suas leis, e não será vista em seu período. Mas naqueles dias o céu será vista; e esterilidade tomará lugar nas fronteiras das grandes carruagens no oeste. O céu brilhará mais do que quando iluminado por ordem da luz; enquanto muitos chefes entre as estrelas de autoridade errarão, pervertendo seus caminhos e obras.

7Elas não aparecerão na sua estação, que lhes foi ordenada, e todas as classes de estrelas serão fechadas contra os pecadores.

8Os pensamentos daqueles que habitam na terra transgredirão dentro deles; e eles se perverterão em todos so seus caminhos.

9Eles transgredirão, e considerarão a si mesmos (85) deuses; enquanto que o mal se multiplicará entre eles.

(85) A si mesmos. Ou, “eles” i.e., os chefes entre as estrelas (vs. 6) (Knibb, p. 186).

10E castigo virá sobre eles, para que todos eles sejam destruídos.

Capítulo 80

1ele disse: Oh, Enoque, olha no livro que o céu tem gradualmente derramado; (86) e, lendo o que está escrito nele, entenda toda parte dele.

(86) O livro que… derramado. Ou, “o livro das tábuas do céu” (Knibb, p. 186).

2Então eu olhei em tudo o que está escrito, e entendi tudo, lendo o livro e todas as coisas escritas nele, e entendi tudo, todas as obras do homem;

3E de todos os filhos da carne sobre a terra, durante as gerações do mundo.

4Imediatamente depois eu vi o Senhor, o Rei da glória, o qual tem assim para sempre o Governante de toda a criação.

5E eu glorifiquei o Senhor, por conta de sua longanimidade e bênçãos para com os filhos do mundo.

6Naquele tempo eu disse: Abençoado é o homem que morre justo e bom, contra quem nenhuma relação de crime foi escrito, e em quem iniqüidade não é encontrada.

7Então aqueles três santos fizeram com que eu me aproximasse, e colocaram-me na terra, diante da porta da minha casa.

8E eles disseram-me: Explica tudo a Matusalém, teu filho; e informa a todos os teus filhos, que nenhuma carne será justificada diante do Senhor; pois Ele é seu Criador.

9Durante um ano nós te deixaremos com teus filhos, até que tenhas novamente retomado suas forças, para que possas instruir tua família, escreve estas coisas e explica-as aos teus filhos. Mas em outro ano tu serás tomado do meio deles; e seus corações serão fortalecidos; pois os eleitos apontará a retidão para outros eleitos; os justos com os justos se regozijarão, congratulando-se uns com os outros, mas os pecadores com os pecadores morrerão,

10E os pervertidos com os pervertidos serão afogados.

11Aqueles que também agiram retamente morrerão por conta das obras dos homens, e serão reunidos por causa das obras dos iníquos.

12Naqueles dias eles terminaram de conversar comigo.

13E eu retornei para meus companheiros, abençoando o Senhor dos mundos.

Capítulo 81

1Agora, meu filho Matusalém, todas estas coisas eu te falei, e te escrevi. A você eu revelei tudo, e te dei os livros de tudo.

2Preserve, meu filho Matusalém, os livros escritos por teu pai; para que possas revelá-los às futuras gerações.

3Eu tenho dado a ti sabedoria, aos teus filhos e à tua posteridade, para que eles possam revelar aos seus filhos, por gerações para sempre, esta sabedoria em suas palavras; e para que aqueles que compreendem não duraram, mas ouçam com seus ouvidos; para que eles possam aprender sabedoria, e sejam considerados dignos de comer esta saudável comida.

4Abençoados são todos os justos, abençoados são todos os que andam em retidão, nos quais crime não é encontrado, como nos pecadores, quando todos os seus dias são contados.

5Com respeito ao progresso do sol no céu, ele entra e sai de cada portão por trinta dias, com os líderes de milhares de estrelas; com quatro que são adicionadas, e aparecem nos quatro quartos do ano, os quais conduzem-nos, e acompanham-nos em seus quatro períodos.

6Com respeito a eles, os homens erram grandemente, e não calculam-nos nos cálculos de cada era;

pois eles grandemente erram com respeito a eles; os homens conhecem acuradamente o que eles são no cálculo do ano. Mas certamente eles são marcados a menos para sempre; um no primeiro portão, um no terceiro, um no quarto, e um no sexto:

7Para que o ano esteja completo em trezentos e sessenta e quatro dias.

8Verdadeiramente tem sido declarado, e acuradamente tem sido calculado o que está marcado; pois as luminárias, os meses, os períodos fixados, os anos, e os dias, Uriel explicou a mim, e comunicou a mim; a quem o Senhor de toda criação, por consideração de mim, ordenou, (de acordo com o poder do céu, e o poder que ele possui tanto de dia quanto de noite) pra explicar as leis da luz ao homem, do sol, da lua, e das estrelas, e de todo o poder do céu, que está voltado em suas respectivas órbitas.

9Esta é a ordenança das estrelas, que se põem em seus lugares, em suas estações, em seus períodos, em seus dias, e em seus meses.

10Estes são os nomes daqueles que as conduzem, que vigiam e entram em suas estações de acordo com suas ordenanças e seus períodos, em seus meses, nos tempos de sua influência, e em suas estações.

11Quatro condutores deles entram primeiro, os quais separam os quatro quartos do ano. Depois destes, doze condutores de suas classes, que separam os meses e o ano em trezentos e sessenta e quatro dias, com os líderes de mil, os quais distinguem entre os dias, tanto quanto entre os quatro adicionais; os quais, como condutores, dividem os quatro quartos do ano.

12Estes líderes de mil estão no meio dos condutores, e aos condutores são adicionados atrás de sua estação, e seus condutores fazem a separação. Estes são os nomes dos condutores, os quais separam os quatro quartos do ano, os quais são escolhidos sobre eles: Melkel, Helammelak,

13Meliyal, and Narel.

14E os nomes dos que conduzem-nos são Adnarel, Jyasusal, e Jyelumeal.

15Estes são os três que seguem os condutores das classes de estrelas; cada um seguindo os três condutores de classes, os quais seguem aqueles condutores das estações, que dividem os quatro quartos do ano.

16Na primeira parte do ano levanta-se e governa Melkyas, que é chamado Tamani, e Zahay. (87)

(87) Tamani, e Zahay. Ou, “o sol do sul” (Knibb, p. 190).

17Todos os dias de sua influência, durante os quais ele governa, são noventa e um dias.

18E estes são os sinais dos dias que são vistos sobre a terra. Nos dias de sua influência há transpiração, calor e dificuldade. Todas as árvores se tornam frutíferas; as folhas de cada árvore aparecem; o milho é colhido; a rosa e todas as espécies de flores florescem no campo; e as árvores do inverno são secadas.

19Estes são os nomes dos condutores que estão sob eles: Barkel, Zelsabel; e outro condutor adicional de mil é chamado Heloyalef, os dias de cuja influência tem sido completados. O outro condutor depois deles é Helemmelek, cujo nome eles chamam o esplêndido Zahay. (88)

(88) Zahay. Ou, “sol” (Knibb, p. 191).

20Todos os dias de sua luz são noventa e um dias.

21Estes são os sinais dos dias sobre a terra, calor e seca; enquanto as árvores dão seus frutos, aquecidas e preparadas, e dão seus frutos para seca.

22Os rebanhos seguem e criam (89) Todos os frutos da terra são colhidos, com tudo nos campos, e as vinhas são pisadas. Isto acontece durante o tempo de sua influência.

(89) Seguem e criam. Acasalam e dão filhos.

23Estes são seus nomes e ordens, e os nomes dos condutores que estão sob eles, dos que são chefes de mil: Gedaeyal, Keel, Heel.

24E o nome do líder adicional de mil é Asphael.

25Os dias de sua influência foi completado.

Capítulo 82

1E agora e te mostrei, meu filho Matusalém, toda visão que eu vi antes de você nascer. Eu relatarei outra visão, que eu vi antes que eu fosse casado; elas assemelham-se uma à outra.

2A primeira foi quando eu estava aprendendo de um livro; e a outra eu estava casado com tua mãe. Eu vi uma potente visão;

3E por conta destas coisas eu supliquei ao Senhor.

4 Eu estava deitado na casa de meu avô Malalel, quando eu vi numa visão o céu se purificando, e sendo arrebatado. (90)

(90) Purificando, e sendo arrebatado. Ou, “estava sendo arremessado e removido” (Knibb, p. 192).

5E caindo na terra, (91) eu vi igualmente a terra sendo absorvida por um grande abismo; e montanhas suspendidas sobre montanhas.

(91) e caindo na terra. Ou, “e quando ele caiu sobre a terra” (Knibb, p. 192).

6Montanhas foram afundadas sobre colinas,árvores imponentes planaram sobre seus troncos, e estavam no ato de serem projetadas, e de serem arremessadas para o abismo.

7Estando alarmado por estas coisas, minha voz hesitou. (92) Eu clamei e disse: A terra é destruída.

Então meu avô Malalel levantou e disse-me: Por que clamas, meu filho? E por que lamentas?

(92) Minha voz hesitou. Literalmente “a palavra caiu de minha boca” (Laurence, p. 118).

8Eu relatei a ele toda a visão que eu havia visto. Ele disse-me: Confirmado está o que tu tem visto, meu filho;

9E potente a visão do teu sonho com respeito a todo pecado secreto da terra. Sua substância será submersa no abismo, e grande destruição acontecerá.

10Agora, meu filho, levanta; e suplica ao Senhor da glória (pois tu és fiel), para que um remanescente possa ser deixado sobre a terra, e que ele possa não destruí-lo totalmente. Meu filho, toda esta calamidade sobre a terra descerá do céu; sobre a terra haverá grande destruição.

11Então eu levantei, orei, e implorei; e escrevi minha oração para as gerações do mundo, explicando tudo ao meu filho Matusalém.

12Quando eu desci abaixo, e olhando para o céu, vi o sol vindo do leste, a lua descendo do oeste, e algumas estrelas espalhadas, e tudo o que Deus tem conhecido desde o princípio, eu abençoei o Senhor do julgamento, e magnifiquei-o: porque ele tem enviado o sol dos aposentos (93) do leste; para que, ascendendo e levantando na face do céu, possa crescer e seguir o caminho que foi apontado para ele.

(93) Aposentos.. Literalmente, “janelas” (Laurence, p. 119).

Capítulo 83

1Eu elevei minhas mãos em retidão, e abençoei o santo, e o Grande. Eu falei com o sopro da minha boca, e com a língua da carne, que Deus havia formado para todos os filhos dos homens mortais, para que eles possam falar; dando-lhes fôlego, boca, e língua para conversar.

2Abençoado és tu, Ó Senhor, o Rei, grande e poderoso em sua grandeza, Senhor de toda criatura do céu, Rei dos reis, Deus de todo o mundo, cujo reinado, e cujo reino e majestade duram para sempre e sempre.

3 De geração a geração teu domínio existirá. Todos os céus são teu trono para sempre, e toda a terra o escabelo de teus pés para sempre e sempre.

4Pois tu os fez, e sobre todos reinas. Nenhum ato excede teu poder. Com tua sabedoria és imutável,

nem do teu trono, nem de tua presença ela nunca se desvia. Tu sabes todas as coisas, vês e ouve-as; nada se esconde de ti; pois tu percebes todas as coisas.

5Os anjos de teus céus transgrediram, e em carne mortal tua ira permanece, até o dia do grande julgamento,

6Então, Ó Deus, Senhor e poderoso Rei, eu imploro-te, e suplico-te que respondas minha oração, para que uma posteridade me possa ser deixada na terra, e que toda a raça humana não pereça;

7Para que a terra não seja deixada destituída, e destruição tome lugar para sempre.

8Ó meu Senhor, que pereça da terra a raça que tem te ofendido, mas que uma justa e reta raça estabeleças por uma posteridade (94) para sempre. Não escondas tua face, ó Senhor, da oração do teu servo.

(94) Por uma posteridade. Literalmente “para a planta de uma semente” (Laurence, p. 121).

Capítulo 84

1Depois disto eu vi outro sonho, e expliquei-o todo a ti, meu filho. Enoque levantou e disse a seu filho Matusalém: A ti, meu filho, eu falarei. Ouvi minha palavra, e inclina teu ouvido ao sonho

visionário de teu pai. Antes que eu tivesse casado com Edna, tua mãe, eu vi uma visão em minha cama; (95)

(95) Esta segunda visão de enoque parece representar em linguagem simbólica a história completa do mundo desde o tempo de Adão até o julgamento final e o estabelecimento do Reinado Messiânico. (Charles, p. 227).

2E vi, uma vaca crescer da terra;

3E esta vaca era branca.

4Depois disso uma novilha fêmea cresceu; e com ela outro bezerro: (96) Um deles era negro, e outro

era vermelho. (97)

(96) Outro bezerro. O senso parece requerer que a passagem deve ser lida: “dois outros bezerros” (Laurence, p. 121).

(97) Caim e Abel.

5O bezerro negro então golpeou o vermelho, e o perseguiu sobre a terra.

6Daquele tempo em diante eu não pude ver nada mais a respeito do bezerro vermelho; mas o negro aumentou de tamanho, e uma novilha fêmea veio com ele.

7Depois disto eu vi muitas vacas procederam, reunindo-se a ele, e seguindo após ele.

8A primeira jovem fêmea também saiu da presença da primeira vaca; e procurou o bezerro vermelho, mas não o encontrou.

9E ela lamentou com grande lamentação, enquanto ela procurava por ele.

10Então eu olhei até que aquela primeira vaca veio até ela, e desse tempo em diante, ela se tornou silente, e cessou de lamentar.

11Depois disso ela pariu outra vaca branca.

12E novamente pariu muitas vacas e bezerros negros.

13Em meu sonho eu também percebi um touro branco, o qual de igual maneira cresceu, e se tornou um enorme animal.

14Depois dele muitas vacas brancas vieram, se juntando a ele.

15E eles começaram a parir muitas outras vacas brancas, que se assemelharam a eles e seguiram umas às outras.

Capítulo 85

1Novamente eu olhei atentamente, enquanto dormindo, e examinei o céu acima.

2E vi uma estrela cair do céu.

3A qual estando levantada, comeu e fugiu de entre aquelas vacas.

4Depois disso eu vi outras grandes e vacas negras; e vi todas elas mudarem suas baias e pastagens, e

vi seus jovens começam a lamentar um com o outro. Novamente eu vi em minha visão, e examinei o céu; então vi muitas estrelas descendo, e projetando-se do céu para onde a primeira estrela estava,

5No meio destes jovens; enquanto as vacas estavam com eles, alimentando-se no meio deles.

6Eu olhei e observei-os; quando olhei, eles todos agiram segundo a maneira dos cavalos, e começaram a se aproximar das vacas novas, e todas elas ficaram prenhes, e geraram elefantes, camelos e asnos

7Nisto todas as vacas ficaram alarmadas e apavoradas; quando elas começaram morder com seis dentes, tragando e golpeando com seus chifres.

8Elas começaram também a devorar as vacas; e vi todos os filhos da terra tremerem, chocados com o terror deles, e de repente fugiram.

Capítulo 86

1Novamente eu percebi-os, quando eles começaram a morder e devorar um ao outro; e a terra clamou. Então eu levantei meus olhos uma segunda vez em direção ao céu, e vi numa visão que, eis que vieram do céu como se fosse a semelhança de homens brancos. Um veio, e três com ele.

2Aqueles três, que vieram por último, pegaram-me pela minha mão; e ergueram-me das gerações da terra, elevaram-me a uma alta estação.

3Então eles mostraram-me uma elevada torre na terra, enquanto todo monte tornou-se diminuído. E eles disseram: Permanece aqui, até que perceba o que virá sobre esses elefantes, camelos, e asnos, sobre as estrelas, e sobre as vacas.

Capítulo 87

1Então eu olhei para um dos quatro homens brancos, que veio primeiro.

2Ele segurou a primeira estrela que caiu do céu.

3E amarrando-a, mãos e pés, lançou-a a um vale; um vale estreito, profundo, estupendo, e escuro.

4Então um deles puxou sua espada, e deu-a aos elefantes, camelos, e asnos, que começaram a morder um ao outro. E toda a terra tremeu por causa deles.

5E enquanto eu via a visão, eis, um daqueles quatro anjos que vieram, lançado do céu, reuniu e tocou todas as grandes estrelas, cuja forma assemelha-se parcialmente à dos cavalos; e amarrando os todos, mãos e pés, lançou-as nas cavidades da terra.

Capítulo 88

1Então um daqueles quatro foi para as vacas brancas, e ensinou a elas um mistério. Enquanto as vacas estavam tremendo, ele nasceu e tornou-se um homem, (98) e fabricou para si um grande barco.

Nele ele habitou, e três vacas (99) habitaram com ele naquele barco, que cobriu-os.

(98) Noé.

(99) Sem, Cam, e Jafé.

2Novamente eu elevei meus olhos para o céu, e vi um oponente telhado. Acima dele havia sete cataratas, que derramavam numa certa vila muita água.

3Novamente eu olhei, e vi que haviam fontes abertas na terra naquela grande vila.

4A água começou a ferver, e elevar-se sobre a terra; de modo que a vila não foi vista, enquanto todo o solo foi coberto com água.

5Muita água saiu dela, escuridão, e nuvens. Então eu examine a altura desta água, e ela estava elevada acima da vila.

6Ela fluiu sobre a vila, e ficou mais alta do que a terra.

7Então todas as vacas que estavam juntas lá, enquanto eu olhava para elas, foram submersas, tragadas, e destruídas na água.

8Mas o barco flutuou sobre ela. Todas as vacas, os elefantes, os camelos, e os anos foram afogados na terra, e todo gado. Eu não pude vê-los. Nem eles foram capazes de fugir, mas pereceram, e afundaram no abismo.

9Novamente eu vi numa missão até aquelas cataratas foram removidas daquele elevado telhado, e as fontes da terra se tornaram equalizadas, enquanto outros abismos foram abertos;

10Para os quais as águas começaram a descer, até a terra seca aparecer.

11O barco permaneceu na terra; a escuridão retrocedeu; e se tornou em luz.

12Então a vaca branca, que se tornou num homem, saiu do barco, e três vacas com ele.

13Uma das três vacas era branca, assemelhando-se àquela vaca, uma delas era vermelha como sangue; e uma delas era negra. E a vaca branca deixou-as.

14Então feras selvagens e pássaros começaram a surgir.

15De todos esses tipos diferentes reuniram-se, leões, tigres, lobos, cães, javalis selvagens, raposas, coelhos e porcos.

16Corujas, corvos e milhafres.

17Então a vaca branca (100) nasceu no meio deles.

(100) Abraão.

18E eles começaram a morder um ao outro, enquanto a vaca branca, que havia nascido no meio deles, trouxe um asno selvagem e uma vaca branca ao mesmo tempo e depois daquele muitos asnos selvagens. Então a vaca branca, (101) a qual nasceu, deu uma porca negra selvagem e um cordeiro branco. (102)

(101) Isaque.

(102) Esau e Jacó.

19Aquela porca selvagem também deu muitos suínos.

20E aquele cordeiro deu doze cordeiros. (103)

(103) Os doze patriarcas.

21Quando aqueles doze cordeiros cresceram, eles entregaram um deles (104) aos asnos. (105)

(104) José.

(105) Os Midianitas.

22Novamente aqueles asnos entregaram aquele cordeiro aos lobos, (106)

(106) Os egípcios.

23E ele cresceu no meio deles.

24Então o Senhor trouxe as outras doze ovelhas, para que pudessem habitar e alimentar-se com ele no meio dos lobos.

25Eles multiplicaram-se, e houve abundância de pastos para eles.

26Mas os lobos começaram a ficar amedrontados e oprimiram-nos enquanto eles destruíam seus jovens.

27E eles deixaram seu jovem em torrentes de água profunda.

28Então as ovelhas começara, a clamar por causa de seus filhos, e fugiram para refugiar o seu Senhor. Um, (107), entretanto, que foi salvo, escapou e foi para os asnos selvagens.

(107) Moisés.

29Eu vi a ovelha gemendo, chorando, e implorando ao seu Senhor.

30Com todo o seu poder, até que o Senhor das ovelhas desceu à sua voz da sua elevada habitação; foi a eles; e examinou-as.

31Ele chamou aquela ovelha que foi secretamente furtado dos lobos, e disse-lhe para fazer os lobos entenderem que eles não deviam tocar as ovelhas.

32Então aquela ovelha foi aos lobos com a palavra do Senhor, quando outro o encontrou, (108) e continuou com ele.

(108) Aarão.

33Ambos entraram junto na habitação dos lobos; e conversando com eles fizeram-nos entender, que daí em diante eles não deviam tocar nas ovelhas.

34Depois disso eu percebi os lobos prevalecendo grandemente sobre as ovelhas com toda a sua força. O rebanho clamou; e seu Senhor veio até eles.

35Ele começou a ferir os lobos, que começaram uma grave lamentação; mas as ovelhas ficaram silentes, nem daquele tempo elas clamaram.

36Então eu olhei para elas, até elas apartarem-se dos lobos. Os olhos dos lobos estavam cegos, os quais saíram e seguiram-nas com todo o seu poder. Mas o Senhor das ovelhas continuou com elas, e as conduziu.

37Todo o seu rebanho o seguiu.

38Seu semblante ficou terrível e esplêndido, e glorioso era seu aspecto. Então os lobos começaram a seguir as ovelhas, até que eles alcançaram-nas num certo lago de água. (109)

(109) O Mar Vermelho.

39Então aquele lago ficou dividido; a água erguendo-se em ambos os lados diante de sua face.

40E enquanto seu Senhor estava conduzindo-as, ele colocou-se entre elas e os lobos.

41Os lobos, entretanto não perceberam as ovelhas, mas foram no meio do lago, seguindo-as, e correndo atrás delas no lago de água.

42Mas quando eles viram o Senhor das ovelhas, eles voltaram para fugir de diante de sua face.

43Então a água do lago retornou, e repentinamente, de acordo com sua natureza. Ela se tornou cheia, e levantou-se, até que cobriu os lobos. E eu vi que todos eles que haviam seguido as ovelhas pereceram e foram afogados.

44Mas as ovelhas passaram sobre esta água, continuando para o deserto, que estava sem água e grama. E eles começaram a abrir seus olhos e a ver.

45Então eu vi o Senhor das ovelhas examinando-as, e dando-lhes água e grama.

46As ovelhas já mencionadas continuavam com elas, e conduzindo-as.

47E quando ele tinha subido ao topo de uma alta rocha, o Senhor das ovelhas enviou-o a elas.

48Depois disso eu vi seu Senhor colocado diante delas, com um aspecto terrível e severo.

49E quando elas viram-no, elas ficaram amedrontadas com seu semblante.

50Todas elas ficaram alarmadas, e tremeram. Elas clamaram para aquela ovelha; e para aquela outra ovelha que estava com ele, e o qual estava no meio delas, dizendo: Nós somos capazes de permanecer diante do nosso Senhor, ou de olhar para ele.

51Então aquela ovelha que os conduziu saiu, e subiu ao topo da rocha;

52Enquanto as ovelhas que restaram começaram a ficar cegas, e a vagar pelo caminho que ele lhes havia mostrado; mas ele não o soube.

53Seu Senhor, entretanto, estava movido de grande indignação contra eles; e quando aquela ovelha soube o qua havia acontecido.

54Ele desceu do topo da rocha, e veio a eles, descobriu que havia muitos,

55Que se tornaram cegos;

56E tinham desviado de seu caminho. Tão logo elas viram-no, temeram, e tremeram na sua presença;

57E ficaram desejosos de retornar ao seu rebanho,

58Então aquela ovelha, tomando consigo outra ovelha, foi àqueles que tinham se perdido.

59E depois disso começou a matá-los. Eles ficaram aflitos ao seu semblante. Então ele fez com que aqueles que tinham se desviado retornassem; os quais voltaram para seu rebanho.

60Eu igualmente vi naquela visão, que esta ovelha se tornou num homem, construiu uma casa (110) para o Senhor do rebanho, e fez todos eles ficarem na casa.

(110) Uma casa. Um tabernáculo (Milik, p. 205).

61Eu vi também que aquela ovelha que procedeu a encontrar esta ovelha, seu condutor, morreu. Eu vi também que toda grande ovelha pereceu, enquanto que as menores subiram eu seu lugar, entraram num pasto, e aproximaram-se de um rio de água. (111)

(111) O rio Jordão.

62Então aquela ovelha, seu condutor, que se tornou num homem, foi separado delas, e morreu.

63Todo o rebanho procurou por ele, e clamou por ele com amarga lamentação.

64Eu vi também que eles cessaram de clamar por aquela ovelha e passaram sobre o rio de água.

65E que lá se levantou outra ovelha, todas de quem as conduziu, (112) em vez daqueles que foram

mortos, os quais tinham previamente conduzido-as.

(112) Os juízes de Israel.

66Então eu vi que aquela ovelha entrou a um agradável lugar, e um deleitável e glorioso território.

67Eu vi também que eles ficaram satisfeitos; que sua casa estava no meio daquele deleitável território; e que algumas vezes seus olhos estavam abertos, e que algumas vezes eles ficavam cegos; até que outra ovelha (113) levantou-se e conduziu-as. Ele trouxe-os todos de volta; e seus olhos foram abertos.

(113) Samuel.

68Então cães, lobos, e javalis selvagens devoraram-nos, até, até novamente outra ovelha (114)

levantar, o mestre do rebanho; um deles mesmos, um carneiro, para conduzi-los. Este carneiro começou a chifrar em todo lado aqueles cães, lobos, javalis selvagens, até que todos eles pereceram.

(114) Saul.

Seus olhos, e vi o carneiro no meio deles, os quais tinham deixaram de lado sua glória.

70E ele começou a ferir o rebanho, pisando sobre eles, e comportando-se sem dignidade.

71Então seu Senhor enviou a antiga ovelha novamente para uma still diferente ovelha, (115) e levantou-o para ser um carneiro, e para conduzi-las no lugar daquela ovelha que tinha deixado de

lado sua glória.

(115) David.

72Indo então a ele, e conversando com ele só, ele levantou o carneiro, e fez dele um príncipe e líder do rebanho. Todo o tempo aqueles cães (116) aborreceram a ovelha,

(116) Os Filisteus.

73O primeiro carneiro pagou respeito a este último carneiro.

74Então o último carneiro levantou e fugiu de diante de sua face. E eu vi que aqueles cães fizeram o primeiro carneiro cair.

75Mas o último carneiro levantou, e conduziu o carneiro menor.

76Aquele carneiro também gerou muitas ovelhas, e morreu.

77Então houve uma ovelha menor, (117) um carneiro, no lugar dele, que tornou-se um príncipe e líder, conduzindo o rebanho.

(117) Salomão.

78E a ovelha aumentou de tamanho, e multiplicou.

79E todos os cães, lobos, e javalis selvagens temeram, e fugiram dele.

80Aquele carneiro também golpeou e matou todas as bestas feras, de modo que eles não pudessem novamente prevalecer no meio das ovelhas, nem em nenhum tempo arrebate-as.

81E aquela casa foi feita grande e larga; uma imponente torre sendo construída sobre ela pelas ovelhas, para o Senhor das ovelhas.

82A casa era baixa, mas a torre era elevada e muito alta.

83Então o Senhor das ovelhas colocou-se sobre a torre, e causou uma mesa cheia aproximar-se diante dele.

84Novamente eu vi que aquela ovelha perdeu-se, e foi para vários caminhos, esquecendo-se daquela sua casa;

85E que seu Senhor chamou alguns entre eles, os quais ele enviou-as (118) a eles.

(118) Os profetas.

86Mas a estes as ovelhas começaram a matar. E quando um deles foi salvo da matança (119) ele saltou, e clamou contra aqueles que estavam desejosos de matá-los.

(119) Elias.

87Mas o Senhor das ovelhas livrou-o das suas mãos, e o fez subir a ele, e permanecer com ele.

88Ele enviou muitos outros a elas, para testificar, e com lamentações para clamar contra eles.

89Novamente eu vi, quando alguns deles esqueceram a casa do seu Senhor, e sua torre, vagando em todos os lugares, e crescendo cegos,

90Eu vi que o Senhor das ovelhas fez uma grande matança entre eles em suas pastagens, até que eles clamaram a ele em conseqüência da matança. Então ele apartou-as do lugar de sua habitação, e os deixou no poder dos leões, tigres, lobos, e das zeebt, (120) e ao poder das raposas, e de todo animal.

(120) Zeebt. Hiena. (Knibb, p. 209).

91E os animais selvagens começaram a despedaçá-los.

92Eu vi, também, que eles esqueceram a casa de seus pais, e sua torre, dando-os todos ao poder dos leões para despedaçá-los e devorá-los; até ao poder de todo animal.

93Então eu comecei a clamar com todo meu poder, implorando ao Senhor das ovelhas, e mostrando-lhe como as ovelhas eram devoradas por todos os animais de rapina.

94Mas ele olhou em silêncio, regozijando-se de que elas fossem devoradas, engolidas, e carregadas; e deixando-as ao poder de todo animal por comida. Ele chamou também setenta pastores, e designou-os ao cuidado das ovelhas, para que eles possam cuidar delas;

95Dizendo a eles e aos seus associados: Todos vós, de agora em diante todos vós cuideis das ovelhas, e a todos eu ordeno; fazei; e eu os entrego para as enumerarem.

96Eu vos direi qual delas serão mortas; a estas destruís. E ele entregou as ovelhas a eles.

97Então ele chamou a outro, e disse: Entende, e cuida de tudo o que os pastores farão a estas ovelhas; pois muitas delas perecerão depois que eu ordenei.

98De todo excesso e matança, que os pastores cometerão, haverá uma conta; como, quantas pereceram pelo meu comando, e quantos eles destruíram por sua própria cabeça.

99De toda destruição trazida por cada um dos pastores haverá uma contagem; e de acordo com o número eu farei com que um recital seja feito diante de mim, quantas eles destruíram por suas próprias cabeças, e quantas eles entregaram à destruição, para que eu possa ter esse testemunho contra eles; para que eu possa saber todos os seus procedimentos; e que, entregando as ovelhas a eles, eu possa ver o que eles farão; se eles agirão como eu lhes ordenei, ou não.

100Disto, portanto, eles serão ignorantes; nem farás qualquer explanação a eles, nem os reprovarás; mas haverá uma contagem de toda destruição feita por eles em suas respectivas estações. Então eles começarão a matar, e a destruir mais do que lhes for ordenado.

101E eles deixaram as ovelhas sob o poder dos leões, assim que muitos deles foram devorados e engolidos pelos leões e tigres; e javalis selvagens caíram sobre eles para depredá-los. Aquela torre eles queimaram, e derrubaram aquela casa.

102Então eu me afligi extremamente por causa da torre, e porque a casa das ovelhas foi derrubada.

103Nem fui, depois disso, capaz de perceber se eles entraram novamente naquela casa.

104Os pastores igualmente, e seus associados, entregaram-nos a todos os animais selvagens, para que os devorassem. Cada um deles em sua estação, de acordo com seu número, foi entregue; cada um deles, um com o outro, foram descritos num livro, como muitos deles, um com o outro, foram destruídos, num livro.

105Mais, porém, do que foi ordenado, cada pastor matou e destruiu.

106Então eu comecei a chorar, e fiquei grandemente indignado, por causa dos pastores.

107De igual maneira, também vi na visão aquele que escreveu, como ele escreveu um, destruído pelos pastores, todo dia. Ele subiu, permaneceu, e exibiu cada um de seus livros para o Senhor das ovelhas, contendo tudo o que eles haviam feito, e tudo o que cada um deles tinha feito;

108E todos os que eles haviam entregue à destruição.

109Ele tomou o livro em suas mãos, rei-o, selou-o, e depositou-o.

110Depois disso, por doze horas, os pastores negligenciaram as ordens do senhor.

111E eis que três das ovelhas (121) separadas, chegaram, entraram; e começaram construindo tudo o que estava caído daquela casa.

(121) Zorobabel, Josué e Neemias.

112Mas os javalis selvagens (122) estorvaram-nos, apesar de que eles não prevaleceram.

(122) Os Samaritanos.

113Novamente eles começaram a construir como antes, e levantaram aquela torre que foi chamada “a torre elevada”.

114E novamente eles começaram a colocar diante da torre uma mesa, com todo tipo de pães impuros e sujos sobre ela.

115Além disso também todas as ovelhas eram cegas, e não podiam ver, como também eram os pastores.

116Assim elas foram entregues aos pastores para uma grande destruição, que as pisaram sob seus pés, e devoraram-nas.

117Contudo o seu Senhor estava ciente, até que toda ovelha no campo foi destruída. Os pastores e as ovelhas foram todos mesclados, juntos, mas eles não salvaram-nos do poder dos animais.

118Então aquele que escreveu o livro subiu, exibiu-o e leu-o na residência do Senhor das ovelhas.

Ele pediu-lhe por eles, e orou, apontando cada ato dos pastores, e testificando diante dele contra todos eles. Então, tomando o livro, ele guardou-o consigo, e apartou-se.

Capítulo 89

1E eu observei durante o tempo, que assim trinta e sete (123) pastores estiveram inspecionando, todos dos quais terminaram em seus respectivos períodos como o primeiro. Outros então receberam-nos em suas mãos, para que pudessem cuidar delas em seus respectivos períodos, cada pastor em seu próprio período.

(123) Trinta e sete. Um aparente erro para trinta e cinco (veja verso 7). Os reis de Judá e Israel (Laurence, p. 139).

2Depois disso eu vi na visão, que todos os pássaros do céu chegaram; águias, o viveiro, o papagaio e corvos. A água instruiu a todas.

3Elas começaram a devorar as ovelhas, a picar seus olhos, e a comer seus corpos.

4A ovelha então clamou; pois seus corpos foram devorados pelos pássaros.

5Eu também clamei, e gemi em meu sono contra os pastores que cuidavam do rebanho.

6E olhei, enquanto as ovelhas eram comidas pelos cães, pelas águias e pelos corvos. Eles não deixaram seus corpos, nem sua pele, nem seus músculos, e somente seus ossos restaram; até seus ossos caíram sobre o chão. E a ovelha ficou diminuída.

7Eu também observei durante o tempo, que vinte e três pastores (124) estavam cuidando, os quais completaram seus respectivos períodos, cinqüenta e oito períodos.

(124) Os reis da Babilônia, etc., durante e depois do cativeiro. O número de trinta e cincoe vinte e três somam cinqüenta e oito; e não trinta e sete, como erroneamente é colocado no primeiro verso (Laurence, p. 139).

8Então pequenos cordeiros nasceram daquela ovelha branca; que começaram a abrir seus olhos e a ver, chorando pela ovelha.

9A ovelha, porém, não clamou a eles, nem ouviu o que eles lhe diziam, mas ficou muda, cega e obstinada em maior intensidade.

10Eu vi na visão que corvos voaram sobre aqueles cordeiros;

11Que eles agarraram-nos; e que seguraram um deles, e rasgaram a ovelha em pedaços, e os devoraram.

12Eu vi também, que chifres cresceram nos cordeiros; e que os corvos pousavam sobre seus chifres.

13Eu vi, também, que um grande chifre brotou num animal entre as ovelhas, e que seus olhos estavam abertos.

14Ele olhou para elas. Seus olhos estavam bem abertos; e ele clamava para elas.

15Então o íbex (125) viu-o; todos eles correram para ele.

(125) O íbex. Provavelmente simbolizando Alexandre o Grande (Laurence, p. 140).

16E enquanto isso, todas as águias, os corvos e os papagaios estavam ainda levando a ovelha, voando sobre ela, e devorando-a. A ovelha ficou em silêncio, mas o íbex lamentou e chorou.

17Então os corvos contenderam, e lutaram com ela.

18Eles desejaram entre eles quebrar seu chifre; mas eles não prevaleceram contra ele.

19Eu olhei para eles, até os pastores, as águias, o abutres, e os papagaios vieram.

20Os quais clamaram aos corvos para quebrar o chifre do íbex; para contender com ele; e para matá-lo.

Mas ele lutou com eles, e clamou, para que ajuda pudesse vir a ele.

21Então eu percebi que o homem veio, o que escreveu os nomes dos pastores, o qual subiu diante do Senhor das ovelhas.

22Ele trouxe assistentes, e fez com que cada um o visse descendo para ajudar o íbex.

23Eu percebi também que o Senhor das ovelhas veio a elas com ira, enquanto todos aqueles que viram-no fugiram; todos caíram em seu tabernáculo diante de sua face; enquanto todas as águias, os corvos, e papagaios se reuniram e trouxeram com eles todas as ovelhas do campo.

24Todos vieram juntos, e impediram de quebrar o chifre do íbex.

25Então eu vi aquele homem que escreveu o livro à palavra do Senhor, abriu o livro da destruição, daquela destruição com os últimos doze pastores (126); e o mostrou diante do Senhor das ovelhas, para que eles destruíssem mais do que aqueles que os precederam.

(126) Os príncipes nativos de Judá depois de sua libertação do cativeiro sírio.

26Eu vi também que o Senhor das ovelhas veio a elas, e tomando em sua mão o cetro de sua ira preso na terra, que se dividiu ao meio; enquanto todos os animais e pássaros do céu caíram sobre as ovelhas, e afundaram na terra, que fechou-se sobre eles.

27Eu vi, também, que uma grande espada foi dada às ovelhas, que saíram contra todos os animais do campo para matá-los.

28Mas todos os animais e pássaros do céu fugiram de diante da sua face.

29E eu vi um trono erguido numa terra deleitável;

30Sobre ele assentava-se o Senhor das ovelhas, o qual recebeu todos os livros selados;

31Os quais foram abertos diante dele.

32Então o Senhor chamou os primeiros sete brancos, e ordenou-os trazerem diante dele a primeira de todas as estrelas, a qual precedeu as estrelas que se assemelhavam parcialmente à forma de cavalos; a primeira estrela, que caiu primeiro; e eles trouxeram-na diante dele.

33E ele falou ao homem que escreveu em sua presença, o qual era um dos sete brancos, dizendo:

Toma aqueles setenta pastores, aos quais eu entreguei as ovelhas, e os quais recebendo-as mataram mais delas do que eu ordenei. Eis que, eu vi-os todos amarrados, e m pé diante dele. Primeiro veio no julgamento das estrelas, que sendo julgadas, e consideradas culpadas, foram para o lugar da punição. Elas confiaram-nas a um lugar, profundo, e cheio de chamas de pilares de fogo. Então os setenta pastores foram julgados, e considerados culpados, foram confiados às chamas do abismo.

34Neste tempo igualmente eu vi, que o abismo estava assim aberto no meio da terra, que estava cheia de fogo.

3E a ela foram trazidas as ovelhas cegas; as quais sendo julgadas, e consideradas culpadas, foram todas confiadas àquele abismo de fogo na terra, e queimaram.

36O abismo ficava à direita daquela casa.

37E eu vi as ovelhas queimando, e seus ossos sendo consumidos.

38Eu fiquei olhando-o imergir aquela antiga casa, enquanto eles trouxeram seus pilares, cada planta nela, e o marfim ali contido. Eles trouxeram-no para fora, e depositaram-no no lugar ao lado direito da terra.

39Eu também vi, que o Senhor das ovelhas produziu uma nova casa, grande e mais elevada do que a anterior, a qual ele ligou com o antigo lugar circular. Todos os seus pilares eram novos, e seu mármore novo, também mais abundante do que o antigo mármore, que ele havia trazido.

40E enquanto todas as ovelhas que foram deixadas no meio dela, todos os animais da terra, e todas as aves do céu, prostraram-se e adoraram-no, implorando a ele, e obedecendo-o em tudo.

41Então aqueles três, que estavam vestidos de brando, e os quais, segurando-me pela minha mão, tinham antes me feito subir, enquanto a mão daquele que falava comigo me segurava; e colocava-me no meio das ovelhas, antes que o julgamento acontecesse.

42A ovelha era toda branca, com lã longa e pura. Então todas as que tinham perecido, e tinham sido destruídos, todo animal do campo, e toda ave do céu, reuniram-se naquela casa: enquanto o Senhor das ovelhas regozijou-se com grande alegria, porque todas estavam bem, e tinham voltado novamente para sua habitação.

43E eu vi que elas abaixaram a espada que havia sido dada às ovelhas, e retornou à sua casa, selando-a na presença do Senhor.

44Todas as ovelhas haviam sido fechadas naquela casa, tinha sido capaz de contê-las; e os olhos de todas foram abertos, contemplando o Bondoso; não houve entre elas quem não o viu.

45Eu igualmente percebi que a casa era grande, larga e extremamente cheia. Eu vi também, que a vaca branca havia nascido, cujos chifres eram grandes; e que todos os animais do campo, e todas as aves do céu, estavam alarmadas com ele, e imploraram a ele todas as vezes.

46Então eu vi que a natureza deles foi mudada, e que eles se tornaram vacas brancas;

47E que o primeiro, o qual estava no meio deles, falou, quando aquela palavra tornou-se (127) um grande animal, sobre cuja cabeça havia grandes chifres negros;

(127) Falou, quando aquela palavra. Ou “era um touro selvagem, e aquele touro selvagem era…” (Knibb, p. 216).

48Enquanto o Senhor das ovelhas regozijou-se por causa delas, e de todas as vacas.

49Eu caí no meio deles: Eu acordei; e vi o todo. Esta é a visão que eu vi, descendo e despertando.

Então eu abençoei o Senhor da justiça, e dei glória a Ele.

50Depois disso eu chorei abundantemente, não cessaram minhas lágrimas, de modo que eu tornei-me incapaz de suportá-lo. Enquanto eu estava olhando, eles fluíram por causa do que eu vi; pois tudo estava vindo e indo; cada circunstância individual com respeito à conduta da humanidade que estava sendo vista por mim.

51Naquela noite eu relembrei meus sonhos anteriores; e então chorei e me afligi, por causa do que eu tinha visto na visão.

Capítulo 90

1E agora, meu filho Matusalém, chama para mim todos os teus irmãos, e reúne para mim todos os filhos de tua mãe; pois uma voz me chama, e o espírito está colocado sobre mim para que eu possa mostrar-te tudo o que te acontecerá para sempre.

2Então Matusalém foi, chamou-lhes todos de os seus irmãos, e reuniu seus filhos.

3E conversando com todos seus filhos na verdade.

4Enoque disse: Ouve, meu filho, toda palavra de teu pai, e escuta com honradez a voz da minha boca; pois eu gostaria de obter tua atenção, enquanto me dirijo a ti. Meu amado, estejas ligado à integridade, e anda nela.

5Não te aproximes da integridade com um coração duplo; nem te associes a homens com mente dupla: mas anda, meu filho, em retidão, a qual te conduzirá em bons caminhos; e seja a verdade a tua companhia.

6Pois eu sei , que opressão existirá e prevalecerá na terra; que no fim grande punição na terra acontecerá; e que haverá uma consumação de toda iniqüidade, que será cortada com suas raízes, e toda estrutura que levantou-se passará. Iniqüidade, entretanto, será renovada novamente, e consumida na terra. Todo ato de crime, e todo ato de opressão e impiedade serão abraçados uma segunda vez.

7Quando então a iniqüidade, pecado, blasfêmia, tirania, e toda má obra, aumentar, e quando transgressão, impiedade, impureza também aumentar, então sobre eles toda grande punição será infligida desde o céu.

😯 santo Senhor irá em ira, e sobre eles toda grande punição do céu será infligida.

9O santo Senhor sairá em ira, e com punição, para que possa executar julgamento sobre a terra.

10Naqueles dias opressão será cortada em suas raízes, e iniqüidade com fraude será erradicada, perecendo de sob o céu.

11Todo lugar de força (128) será rodeado com seus habitantes; com fogo ele será queimado. Eles serão trazidos de toda parte da terra, e serão lançados num julgamento de fogo. Eles perecerão em ira, e por um julgamento dominando-os para sempre.

(128) Todo lugar de força. Ou, “todos os ídolos das nações” (Knibb, p. 218).

12Retidão se levantará do descanso; e sabedoria se levantará, e conferida sobre eles.

13Então as raízes da iniqüidade serão cortadas; pecadores perecerão pela espada; e blasfemadores serão aniquilados em todos os lugares.

14Aqueles que meditam opressão, e aqueles que blasfemam, pela espada perecerão.

15E agora, meu filho, eu descreverei e mostrarei a ti o caminho da retidão e o caminho da opressão.

16Eu novamente os apontarei para ti, para que possas saber o que está por vir.

17Ouvi agora, meu filho, e anda no caminho da retidão, mas evita aquele da opressão; pois todo o que anda no caminho da iniqüidade perecerá para sempre.

Capítulo 91

1Aquilo que foi escrito por Enoque. Ele escreveu toda esta instrução de sabedoria para todo homem de dignidade, e todo juiz da terra; para todos os meus filhos que habitarão sobre a terra, e para subsequentes gerações, conduzindo-se elevada e pacificamente.

2Não deixes que teu espírito seja afligido por causa dos tempos; pois o santo, o Grande, prescreveu um período para tudo.

3Deixe que os homens justos se levantem do sonho, deixe-os levantar, e prossiga no caminho da retidão, em todos os seus caminhos; e deixa-os avançar em bondade e eterna clemência.

Misericórdia será mostrada aos homens justos; sobre eles serão conferidos integridade e poder para sempre. Em bondade e retidão eles existirão, andarão em eterna luz; mas pecado perecerá em eterna escuridão, nem será vista daquele tempo em diante eternamente.

Capítulo 92

1Depois disto, Enoque começou a falar sobre um livro.

2E Enoque disse: Concernente aos filhos da retidão, concernente aos eleitos do mundo, e concernente à semente da retidão e integridade.

3Concernente a estas coisas eu falei, e estas coisas e explicarei a ti, meu filho: e que sou Enoque.

Em conseqüência daquilo que me foi mostrado, de minha visão eterna e da voz dos santos anjos (129) eu tenho adquirido conhecimento; e da mesa do céu eu adquiri entendimento.

(129) Santos anjos. Num texto de Qumran, lê-se “Guardiões e Santos”, denotando claramente Guardiões celestiais que não caíram com os iníquos (Milik, p. 264). Veja também Dan. 4:13, “um guardião e um santo desceu do céu”; 4:17, “guardiões, e… santos.”

4Enoque então começou a falar de um livro, e disse: Eu nasci o sétimo na primeira semana, enquanto julgamento e retidão esperavam com paciência.

5Mas depois de mim, na segunda semana, grande iniqüidade se levantou, e fraude espalhou-se.

6Naquela semana o fim do primeiro acontecerá, na qual a humanidade será salva. (130)

(130) Humanidade será salva. Ou, “o homem será salvo” (Knibb, p. 224).

7Mas quando o primeiro é completado, iniqüidade crescerá; e durante a segunda semana ele executará o decreto (131) sobre os pecadores.

(131) O Dilúvio depois do primeiro (no meio do segundo) Milênio (2500 B.C.).

8Depois disso, na terceira semana, durante sua conclusão, o homem (132) da planta dos justos julgamentos será selecionada; e depois dele a Planta (133) da retidão virá para sempre.

(132) O Rei Davi no fim do terceiro Milênio (1000 B.C.),

(133) O Messias no fim do quarto Milênio (4 B.C. to 30 A.D.).

9Subsequentemente, na quarta semana, durante sua conclusão, a visão dos santos e dos justos será vista, a ordem de geração após geração tomará lugar, uma habitação será feita para eles. Então na quinta semana, durante sua conclusão, a casa da glória e da dominação (134) será erigida para sempre.

(134) O estabelecimento (30 A.D.) e construção da Igreja através do quinto (e do sexto) Milênio.

10Depois disso, na sexta semana, todos aqueles que existirem nele serão escurecidos, os corações de todos eles estarão esquecidos da sabedoria, e nele um Homem (135) se levantará e virá.

(135) O Messias no fim do sexto Milênio.

11E durante sua conclusão Ele queimará a casa do domínio com fogo, e toda a raça da raiz eleita será dispersa. (136)

(136) A destruição de Jerusalém e o desembolso daqueles que habitam naquela terra no fim do sexto (e no começo do sétimo) Milênio.

12Depois disso, na sétima semana, uma geração perversa se levantará; abundantes serão seus feitos,

e todos os seus feitos perversos. Durante sua conclusão, os justos serão selecionados dentre a eternam semente da justiça eterna; e a eles será dado a doutrina de sua criação.

13Depois haverá outra semana, a oitava, (137) da retidão, para a qual será dada uma espada para executar julgamento e justiça sobre todos os opressores.

(137) O começo do oitavo Milênio.

14Os pecadores serão entregues nas mãos dos justos, os quais durante sua conclusão adquirirão habitações para sua retidão; e a casa do grande Rei será estabelecida para celebrações para sempre.

Depois disso, na nona semana, o julgamento da retidão será revelado para todo o mundo.

15Toda obra de maldade desaparecerá de toda terra; o mundo será marcado para a destruição; e todos os homens estarão atentos ao caminho da integridade.

16E depois disso, no sétimo dia da décima semana, haverá um eterno julgamento, que será executado sobre os Sentinelas; e um eterno céu espaçoso brotará no meio dos anjos.

17O antigo céu se apartará e passará; um novo céu aparecerá; e os poderes celestiais brilharão com esplendor para sempre. Depois, igualmente haverá muitas semanas, que existirão em extrema bondade e retidão.

18O pecado nem será nomeado lá para sempre e sempre.

19Quem haverá lá, de todos os filhos dos homens, capaz de ouvir a voz do Santo sem emoção?

20Quem haverá, capaz de pensar seus próprios pensamentos? Quem será capaz de contemplar toda a obra do céu? Quem, de compreender os feitos do céu?

21Ele poderá ver sua animação, mas não seu espírito. Ele pode ser capaz de conversar la respeito

dele, mas não de souber a ele. Ele poderá ver todas as fronteiras destas coisas, e meditar sobre elas; mas ele não pode fazer nada iguais a elas.

22Qual, de todos os homens, é capaz de entender a largura e o comprimento da terra?

23Por quem tem sido visto as dimensões de todas estas coisas? Todo homem que é capaz de compreender a extensão do céu; qual é a sua elevação, e pelo que ele é apoiado?

24Quais são os números das estrelas; e onde todas as luminárias ficam no descanso?

Capítulo 93

1E agora me deixe exortar-te, meu filho, a amar a retidão e a andar nela; pois os caminhos da retidão são dignos de aceitação; mas os caminhos da iniqüidade repentinamente falharão, e serão diminuídos.

2Aos homens de note em sua geração os caminhos da opressão e morte são revelados; mas eles se mantêm longe dele.

3Agora, também, deixe-me exortar aqueles que são justos, para que não andem nos caminhos do mal e da opressão, nem nos caminhos da morte. Não se aproximem deles, para que não pereças, mas; mas deseja.

4E escolhei para vós mesmos a retidão, e boa vida.

5Andai nos caminhos da paz, para que sejais encontrados dignos. Retenhais minhas palavras em vossos pensamentos secretos, e não obliterate-os de vossos corações; pois eu sei que os pecadores aconselham os homens a cometer crime astuciosamente. Eles não se encontram em todo lugar, nem todo conselho possui um pouco deles.

6Ai daqueles que constroem iniqüidade e opressão, e lançam o fundamento da fraude; pois repentinamente eles são subvertidos, e nunca obtêm paz.

7Ai daqueles que constroem suas casas de crime; pois de suas próprias fundações suas casas serão demolidas, e pela espada eles mesmos cairão. Aqueles, também, que adquirem ouro e prata, justamente e repentinamente perecerão. Ai de ti, que és rico, pois em tua riqueza confiaste; mas sereis removidos de tuas riquezas, porque não te lembraste do Altíssimo nos dias de tua prosperidade.

8Tu tens cometido blasfêmia e iniqüidade, e estás destinado ao dia da efusão de sangue, ao dia da escuridão, e ao dia do grande julgamento.

9Isto eu declaro a aponto a ti, que aquele que te criou te destruirá.

10Quando tu caíres, ele não te mostrará misericórdia; mas teu Criador se regozijará em tua destruição.

11Deixem aqueles, então, que serão retos entre vós naqueles dias, detestem os pecadores, e os mundanos.

Capítulo 94

1Oh que meus olhos estejam nublados de água, que eu, para que eu possa chorar sobre ti, e derramar minhas lágrimas como um rio, e descansar da tristeza do meu coração!

2Quem te permitiu irar e transgredir? Julgamento te surpreenderá, ó pecadores.

3Os justos não temerão os iníquos; porque Deus os trará novamente com seu poder, para que possa vingar-se deles de acordo com seu prazer.

4Ai de vós que estarão tão presos por execrações, para que não possais ser soltos delas; o remédio estando longe de ser removido de ti por causa dos teus pecados. Ai de vós que recompensam vossos vizinhos com o mal; pois sereis recompensados de acordo com vossas obras.

5Ai de vós, falsas testemunhas, vós que provocais e agravais a iniqüidade; pois perecereis repentinamente.

6Ai de vós, pecadores, pois rejeitais os justos; pois recebeis ou rejeitareis por prazer aqueles que cometem iniqüidade; e seu jugo prevalecerá sobre vós.

Capítulo 95

1Aguardai em esperança, vós justos; pois os pecadores perecerão diante de vós, e exercereis domínio sobre eles, de acordo com vosso prazer.

2No dia dos sofrimentos dos pecadores vossa descendência será alçada, e elevada como águias.

Vossos ninhos serão mais exaltados do que os da águia; tu subirás, e entrarás nas cavidades da terra, e fendas das rochas para sempre, como os coelhos, da vista dos mundanos;

3Os quais gemerão sobre vós, e chorarão como as sirenes.

4Tu não temerás aqueles que te aborrecem; pois a restauração será tua; a esplêndida luz brilhará ao redor de ti, e a voz da tranqüilidade será ouvida do céu. Ai de vós, pecadores; pois vossa riqueza vos faz assemelhar aos santos, mas vossos corações vos reprovam, sabendo que sois pecadores.

Vossas palavras testificarão contra vós, como lembrança do crime.

5Ai de vós que se alimentam sobre a glória do milho, e bebem da força da mais profunda fonte, e no orgulho do seu poder pisam nos humildes.

6Ai de vós que tomam água por deleite; pois repentinamente sereis recompensados, consumidos, e murchareis, porque esquecestes da fundação da vida.

7Ai de vós que agem iniquamente, fraudulosamente, e em blasfêmia; lá haverá uma lembrança contra vós por mal.

8Ai de vós, poderosos, que com poder ferem a justiça, pois o dia de vossa destruição virá; enquanto aquele mesmo tempo muitos e bons dias será a porção dos justos, mesmo no tempo do vosso julgamento.

Capítulo 96

1Os justos estão confiantes que os pecadores serão desgraçados, e perecem no dia da iniqüidade.

2/vós estareis cônscios dele; pois o Altíssimo vos lembrará de vossa destruição, e os anjos regozijarão sobre ela. O que farão os pecadores? E para onde fugireis no dia do julgamento, quando ouvireis as palavras da oração dos justos?

3Vós não sereis iguais àqueles que a esse respeito testemunham contra vós; vós sois associados a pecadores.

4Naqueles dias as orações dos justos virá diante do Senhor. Quando o dia do vosso julgamento chegará; e toda circunstância de vossa iniqüidade será relatada diante do Grande e do Santo.

5Vossas faces se cobrirão de vergonha; enquanto todo feito, fortalecido pelo crime, será rejeitado.

6Ai de vós, pecadores, que no meio do mar, e na terra seca, são aqueles contra quem um mau testemunho existe. Ai de vós que desperdiçam prata e ouro, não obtidos em retidão, e dizem: Somos ricos, possuímos abundância, e temos adquirido tudo o que desejamos.

7Então faremos tudo o que estivermos dispostos a fazer, pois amontoaremos prata; nossos celeiros estarão repletos, e os chefes de nossas famílias serão como água transbordante.

8Como água a falsidade passará; pois tua riqueza não será permanente, mas repentinamente ascenderá de ti, porque toda ela tua a obtiveste iniquamente, e serás entregue à extrema maldição.

9E agora eu te juro, astutos e insensatos; para que tu, freqüentemente contemplando a terra, vós que sois homens vos vestis mais elegantemente que as mulheres casadas, e ambos, juntos, muito mais do que as solteiras, (138) em todos os lugares adornando-vos em majestade, em magnificência, em autoridade, e em prata: mas ouro, púrpura, honra, e saúde, riqueza, como a água, fluirá.

(138) Mais elegantemente que as mulheres casadas… as solteiras. Ou, “mais do que uma mulher e mais colorido (as vestimentas) que uma moça…” (Knibb, p. 230).

10Erudição, portanto, e sabedoria, não serão vossas. Assim eles perecerão, junto com suas riquezas, com toda a sua glória, e com suas honras;

11Enquanto com desgraça, com matança, e em extrema penúria, seus espíritos serão confiados à fornalha de fogo.

12Eu jurei a vós, pecadores, que nem montanha, nem colina foram ou serão serviçais (139) da mulher.

(139) Serviçal. Literalmente, “um servo”. Talvez os abastecendo com tesouros para ornamentos (Laurence, p. 159).

13Nem dessa maneira o crime foi enviado a vós sobre a terra, mas os homens de sua própria cabeça o inventaram; e aqueles que a ele deram eficiência, serão grandemente execrados.

14Gravidez não será previamente infligida à mulher; mas por causa das obras de suas mãos, elas morrerão sem filhos.

15Eu jurei a vós, pecadores, pelo Santo e pelo Grande, que todas as vossas más obras serão divulgados nos céus; e que nenhum de vossos atos opressivos serão escondidos e secretos.

16Não penseis em vossas mentes, nem digais em vossos corações, que todo crime não é manifestado e visto. No céu ele é diariamente escrito diante do Altíssimo. De agora em diante ele será manifestado; pois todo ato de opressão que vós cometerdes será será diariamente registrado, até o momento da vossa condenação.

17Ai de vós, ingênuos, pois perecereis na vossa simplicidade. Ao sábio não ouvireis, e aquilo que é bom, não obtereis.

18Agora, portanto, saibais que estais destinados ao dia da destruição; nem a esperança daqueles pecadores, viverá; mas com o passar do tempo morrereis; pois não sereis marcados para a redenção;

19Mas são destinados para o dia do grande julgamento, para o dia de aflição, e a extrema ignomínia de vossas almas.

20Ai de vós, obstinados de coração, que cometeis crimes, e vos alimentais de sangue. De onde é que vos alimenteis de coisas boas, bebeis e estais satisfeitos? Não é porque nosso Senhor, o Altíssimo, tem suprido abundantemente toda boa coisa sobre a terra? A vós lá não haverá paz.

21Ai de vós que amam os atos de iniqüidade. Por que esperais por aquilo que é bom? Sabei que sereis entregues nas mãos dos justos; os quais cortarão vossos pescoços, vos matarão, e não vos mostrarão compaixão.

22Ai de vós que vos regozijais no sofrimento dos íntegros; pois uma sepultura não será cavada para vós.

23Ai de vós que frustrais a palavra dos justos; pois para vós não haverá esperança de vida.

24Ai de vós que escreveis palavra de falsidade, e palavra de iniqüidade; pois vossas falsidades eles lembrarão, para que eles possam ouvir e não esquecer.

25A eles não haverá paz; mas eles por certo morrerão repentinamente.

Capítulo 97

1Ai daqueles que agem impiamente, que louvam e honram a palavra de falsidade. Vós tendes sucumbido na perdição; e nunca tendes levado uma vida virtuosa.

2Ai de vós que mudado as palavras de integridade. Eles transgridem contra o eterno decreto; (140)

(140) Eles transgridem… o eterno decreto. Ou, “eles distorcem a lei eterna” (Knibb, p. 232).

3E fazem com que as cabeças daqueles que não são pecadores sejam pisadas sobre a terra.

4Naqueles dias vós, justos, terão sido julgados dignos de ter vossas orações elevadas em lembrança; e as depositarão em testemunho diante dos anjos, para que eles possam registrar os pecados dos pecadores na presença do Altíssimo.

5Naqueles dias as nações estarão subvertidas; mas as famílias das nações se levantarão novamente no dia da perdição.

6Naqueles dias aquelas que estiverem grávidas sairão, levarão seus filhos, e os abandonarão. Seus filhos fugirão delas, e enquanto amamentam-nos eles as esquecerão; eles nunca retornarão a elas, e elas nunca instruirão seus bem amados.

7Novamente eu juro a vós, pecadores, que crimes têm sido preparados para o dia de sangue, que nunca cessam.

8Eles adorarão às pedras, e ao ouro gravado, à prata, e às imagens de madeira. Eles adorarão espíritos impuros, demônios, e todo ídolo, nos templos; mas nenhuma ajuda será obtida por eles.

Seus corações se tornarão ímpios por causa de sua loucura, e seus olhos estarão cegos com superstição mental. (141) Em seus sonhos visionários eles serão ímpios e supersticiosos, mentindo em todas as suas ações, e adorando uma pedra. Eles perecerão completamente.

(141) Superstição mental. Literalmente, “com o temor de seus corações” (Laurence, p. 162).

9Mas naqueles dias eles serão abençoados, a quem a palavra de sabedoria é entregue; o qual aponta e procura o caminho do Altíssimo; o qual anda no caminho da retidão, e não age impiamente com os ímpios.

10Eles serão salvos.

11Ai de vós que expandem o crime de vossos vizinhos; pois no inferno sereis mortos.

12Ai de vós que lançam a fundação do pecado e enganam, e sois amargos na terra; pois nela sereis consumidos.

13Ai de vós que constroem casas pelo labor dos outros, cada parte da qual é construída com tijolos e com a pedra do crime; Eu digo-vos que não obtereis paz.

14Ai de vós que desprezais a prorrogação da eterna herança de vossos pais, enquanto vossas alvas seguem atrás dos ídolos; pois para vós não haverá tranqüilidade.

15Ai daqueles que cometem iniqüidade, e dá ajuda à blasfêmia; que matam seus vizinhos até o dia do grande julgamento; pois vossa glória cairá; malevolência Ele colocará em vossos corações, e o espírito de ira vos incitará; para que cada um de vós pereça pela espada.

16Então os justos e os santos relembrarão vossos crimes.

Capítulo 98

1Naqueles dias os pais serão derrubados com seus filhos na presença uns dos outros; e os irmãos com seus irmãos cairão mortos: até que um rio fluirá de seu sangue.

2 Pois um homem não conterá sua mão de seu filho, nem dos filhos dos seus filhos; sua misericórdia estará em matá-los.

3O pecador não conterá sua mão de seu irmão honrado. Desde o nascer do dia até o por do sol a matança continuará. O cavalo caminhará com dificuldade até à altura do seu peito, e a carruagem afundará até seu eixo no sangue dos pecadores.

Capítulo 99

1Naqueles dias os anjos descerão aos lugares de esconderijo, e reunirão em um lugar todos os que tem ajudado no crime.

2Naquele dia o Altíssimo se levantará para executar o grande julgamento sobre todos os pecadores, e para confiar a guarda de todos os justos e santos aos santos anjos, para que eles protejam-nos como à menina do olho, até que todo mal e todo crime seja aniquilado.

3Se os justos dormirem em segurança, ou não, homens sábios então verdadeiramente perceberão.

4E os filhos da terra entenderão toda palavra daquele livro, sabendo que suas riquezas não posem salvá-los da ruína de seus crimes.

5Ai de vós, pecadores, quando sereis afligidos por causa dos justos naquele dia da grande tribulação; sereis queimados no fogo; e recompensados de acordo com vossas obras.

6Ai de vós, perversos de coração, que estais cuidando para obter um acurado conhecimento do mal, e para descobrir terrores. Ninguém vos ajudará.

7Ai de vós, pecadores; pois com as palavras de vossas bocas, e com a obra de vossas mãos, tendes agido impiamente; na chama de um fogo ardente sereis queimados.

8E agora sabei, que os anjos no céu inquirirão pela vossa conduta; do céu, da lua, e das estrelas, e eles inquirirão a respeito dos vossos pecados; pois sobre a terra vós exercitareis jurisdição sobre os justos.

9Cada nuvem prestará testemunho contra vós, a neve, o orvalho, e a chuva; pois todos eles vos serão negados, para que não desçam sobre vós, nem se tornem subservientes aos vossos crimes.

10Agora então trazei presentes de saudação à chuva; para que, não sendo retida, ela possa descer sobre vós; e ao orvalho, se ele tiver recebido de vós ouro e prata. Mas quando a geada, a neve, o frio, todo vento nevado, e cada sofrimento que pertence a eles, cair sobre vós, naqueles dias sereis totalmente incapazes de permanecer diante deles.

Capítulo 100

1Considerai atentamente o céu, todos vós progênie do céu, e todas as obras do Altíssimo; temei-o, e não vos conduzais pecaminosamente diante dele.

2Se Ele fechar as janelas do céu, retendo a chuva e o orvalho, para que não desçam sobre a terra por causa de vós, o que fareis?

3E se Ele enviar ira sobre vós, e sobre todas as vossas obras, não sereis vós que podeis suplicar-lhe; vós que pronunciastes contra sua retidão, linguagem orgulhosa e potente. Para vós não haverá paz.

4Vós não vedes os comandantes dos navios, como seus barcos são arremessados contra as ondas, tornados em pedaços pelos ventos, e expostos aos maiores perigos?

5Que eles, portanto tremam, porque toda sua propriedade está embarcada com eles no oceano; e que eles reprimam o mal em seus corações, porque ele pode engoli-los, e eles podem perecer nele?

6Não é todo o mar, todas as suas águas e todo a sua comoção, obra dele, o Altíssimo; dele que selou todas as suas extensões, e cingiu-o em todo lado com areia?

7À sua reprovação, não é ele secado, e alarmado; enquanto todos os seus peixes com tudo o que está contido nele morre? E vós, pecadores, que estão sobre a terra, não O temerão? Não é Ele o criador do céu e da terra, e de todas as coisas que neles estão?

8E quem deu erudição e sabedoria a tudo o que se move e progride sobre a terra, e e sob o mar?

9Não ficam os comandantes do navio aterrorizados no oceano? E não ficarão aterrorizados os pecadores diante do Altíssimo?

Capítulo 101 (não tem)

Capítulo 102

1Naqueles dias, quando Ele lançar a calamidade do fogo sobre vós, para onde fugireis, e onde estareis a salvo?

2E quando Ele enviar sua palavra contra vós, não sereis poupados, e aterrorizados?

3Todas as luminárias estão agitadas com grande temor; e toda a terra é poupada, enquanto elas tremem, e sofrem ansiedade.

4Todos os anjos cumprem os mandamentos que receberam dele, e estão desejosos de se esconder da presença da Sua grande glória; enquanto as crianças da terra estão alarmadas e angustiadas.

5Mas vós, pecadores, sereis amaldiçoados para sempre; para vós não haverá paz.

6Não temai, alma dos justos; mas esperai com paciência pelo dia vossa morte em retidão. Não vos aflijais porque vossas almas descem em grande sofrimento, com gemido, lamentação, tristeza, para o receptáculo dos mortos. No tempo da vossa vida vossos corpos não receberam a recompensa na proporção da vossa bondade, mas no período da vossa existência os pecadores existiram; no período da execração e da punição.

7E quando tu morreres, os pecadores dirão com respeito a ti: Como nós morremos, os justos morrem. Que proveito têm em suas obras? Eis que, igual a nós, eles expiram em tristeza e em escuridão. Que vantagem eles têm sobre nós? De hoje em diante nós somos iguais. O que haverá dentro do seu alcance, e diante de seus olhos para sempre? Pois eis que eles estão mortos; e nunca verão a luz novamente. Eu vos digo, pecadores: Vós tendes estado satisfeitos com carne e bebida, com pilhagem humana e rapina, com pecado, com aquisição de riqueza e com a visão de bons dias.

Não tendes observado os justos, como o seu fim é em paz? Pois nenhuma opressão é encontrada neles, mesmo no dia da sua morte. Eles perecem, como se não existissem, enquanto suas almas descem em tristeza ao receptáculo dos mortos.

Capítulo 103

1Mas agora Eu juro vós, justos, pela grandeza de seu esplendor e de sua glória; por seu ilustre reino e por sua majestade, a vós Eu juro, que eu compreendo este mistério; que Eu leio a tábua do céu, tenho visto o registro dos santos, e tenho descoberto o que está escrito e impresso concernente a vós.

2Eu tenho visto que toda bondade, alegria e glória têm sido preparada para vós, e tem sido escrito pelos espíritos daqueles que morrem eminentemente justos e bons. A vós será dado em retorno pelas vossas aflições; e vossa porção de alegria excederá em muito a porção dos vivos.

3Os espíritos dos que morreram em retidão existirão e se regozijarão. Vossos espíritos exultarão; e vossa lembrança estará diante da face do Poderoso de geração em geração. Eles então não temerão adesgraça.

4Ai de vós, pecadores, quando morrerdes em vossos pecados; e aqueles, que são iguais a vós, dirão com respeito a vós: Abençoados são estes pecadores. Eles viveram todo o seu período; e agora morrem em alegria e em abundância. Angústia e matança eles não conheceram enquanto viviam; em honra eles morrem; nunca em sua vida o julgamento os surpreendeu.

5Mas, não tem sido mostrado a eles que, quando suas almas descerem ao receptáculo dos mortos, suas más obras se tornarão seu grande tormento? Em escuridão, em armadilha, e em chama, que queimará até o grande julgamento, seus espíritos entrarão; e o grande julgamento tomará efeito para sempre e sempre.

6Ai de vós; pois para vós não haverá paz. Nem podereis dizer aos justos e aos bons que vivem: Nos dias da nossa aflição nós fomos afligidos; todo tipo de tristeza nós vimos, e muitas coisas más nós temos sofrido.

7Nossos espíritos têm sido consumidos e diminuídos.

8Nós temos perecido; nem tem havido uma possibilidade de ajuda para nós em palavra ou em obra; nós: não temos encontrado, mas temos sido atormentados e destruídos.

9Nós não temos esperado viver dia após dia.

10Nós esperamos certamente, ter sido a cabeça;

11Mas temos nos tornado a cauda. Nós temos sido afligidos, quando temos nos esforçados; mas temos sido devorados pelos pecadores e mundanos; seu jugo tem sido pesado sobre nós.

12Eles tem exercido domínio sobre nós, a quem eles detestam, e nos aferroam; e aqueles que nos odeiam tem humilhado nosso pescoço; e eles não têm mostrado compaixão para conosco.

13Nós temos desejado escapar deles, para que possamos fugir e descansar; mas não temos encontrado lugar para onde possamos fugir, e estar seguros deles. Nós temos procurado um abrigo com os príncipes em nossa angústia, e temos clamado àqueles que estão nos devorando; mas nosso clamor não tem sido considerado, nem estão eles dispostos a ouvir nossa voz;

14Mas antes, eles ajudam aqueles que saqueiam e nos devoram; aqueles que nos diminuem, e escondem sua opressão; os quais removem seu jugo de sobre nós, mas devoram, nos enfraquecem e nos matam; os quais escondem a matança, e não lembram que tem levantado suas mãos contra nós.

Capítulo 104

1Eu juro a vós, justos, que no céu os anjos registram vossa bondade diante da glória do Poderoso.

2Esperai com paciente esperança; pois antigamente fostes desgraçados com o mal e com aflição;

mas agora brilhareis como as luminárias do céu. Vós sereis vistos, e os portões do céu estarão abertos para vós. Vossos clamores têm clamado por julgamento; e ele tem aparecido a vós; pois um registro de vossos sofrimentos será requerido dos príncipes, e de todos os que tem ajudado vossos saqueadores.

3Esperai com paciente esperança; não renuncieis de vossa confiança; pois grande alegria será a vossa; como aquela dos anjos no céu. Conduze-vos como podeis, still não estareis escondidos no dia do grande julgamento. Não sereis como os pecadores; e a eterna condenação estará longe de vós, enquanto o mundo existir.

4Então não temais, justos, quando virdes os pecadores florescendo e prósperos em seus caminhos.

5Não vos associeis a eles; mas mantende-vos distante de sua opressão; estejais associados às hostes do céu. Vós, pecadores, dizeis: Todas as nossas transgressões não serão tomadas em conta, e recordadas. Mas todas as vossas transgressões serão recordadas diariamente.

6E está assegurado por mim, que luz e escuridão, dia e noite, verão todas as vossas transgressões.

Não sejais ímpios em nossos pensamentos; não mintais; não rendei a palavra de honestidade; não mintais contra a palavra do Santo e Poderoso; não glorificai vossos ídolos; pois todas as vossas mentiras e toda vossa impiedade não é para retidão, mas para crime.

7Agora eu aponto um mistério: Muitos pecadores se voltarão e transgredirão contra a palavra de honestidade.

8Eles falarão coisas más; eles pronunciarão falsidade; executarão grandes empreendimentos; (142) e comporão livros em suas próprias palavras. Mas quando eles escreverem todas as minhas palavras corretamente em suas próprias linguagens,

(142) Executarão grandes empreendimentos. Literalmente, “criarão uma grande criação” (Laurence, p. 173).

9Eles não os mudarão ou os diminuirão; mas os escreverão todos corretamente; tudo o que desde o princípio eu tenho pronunciado concernente a eles. (143)

(143) A despeito do mandamento de Enoque, seu livro foi muito certamente mudado e diminuído pelos últimos editores,

embora estes fragmentos dele tenham sobrevivido.

10Outro mistério também eu aponto. Aos justos e aos sábios haverá livros de alegria de integridade e  de grande sabedoria. A eles livros serão dados, nos quais eles acreditarão;

11E nos quais eles se regozijarão. E todos os justos serão recompensados, os quais deles adquirirão conhecimento de todo caminho elevado.

Capítulo 104A

1Naqueles dias, diz o Senhor, eles chamarão aos filhos da terra, e os farão ouvir a sua sabedoria,lhes mostrarão que eles são seus líderes;

2E que remuneração tomará lugar sobre toda a terra; pois Eu e meu Filho para sempre manteremos comunhão com eles nos caminhos da retidão, enquanto eles estiverem em vida. A paz será deles. Regozijai, filhos da integridade, em verdade.

Capítulo 105

1Depois de um tempo, meu filho Matusalém tomou uma esposa para seu filho Lameque.

2Ela ficou grávida dele, e deu um filho, a carne do qual era tão branca quanto a neve, e vermelho como uma rosa; o cabelo de sua cabeça era branco como o algodão,e longo; e cujos olhos eram belos. Quando ele os abriu, ele iluminou toda a casa, como o sol; toda a casa abundou de luz.

3E quando ele foi tirado da mão da parteira, Lameque seu pai ficou com medo dele; e correndo veio ao seu próprio pai Matusalém e disse: Eu gerei um filho, diferente dos outros filhos. Ele não é humano; mas, assemelhando-se à geração dos anjos do céu, é de uma natureza diferente dos nossos, sendo completamente diferente de nós.

4Seus olhos são brilhantes como os raios do sol; seu semblante é glorioso, e ele parece como se não pertencesse a mim, mas aos anjos.

5Eu estou temeroso de que algo miraculoso deva acontecer na terra nestes dias.

6E agora meu pai, deixa-me pedir e requerer de ti ir ao nosso progenitor Enoque, e aprender dele a verdade; pois sua residência é com os anjos.

7Quando Matusalém ouviu as palavras de seu filho, e veio a mim nas extremidades da terra; pois ele estava informado de que eu estava lá: e ele chorou.

8Eu ouvi sua voz, e fui a ele dizendo: Vede, eu estou aqui, meu filho; já que tu vieste a mim.

9Ele respondeu e disse: Por causa de um grande evento eu venho a ti; e por causa de uma visão difícil de ser compreendida eu me aproximei de ti.

10E agora, meu pai, ouví-me; pois ao meu filho Lameque um filho nasceu, o qual não se parece com ele; e cuja natureza não é igual à natureza do homem. Sua cor é mais branca que a neve; ele é mais vermelho que a rosa; o cabelo de sua cabeça é mais branco que a lã; seus olhos são iguais aos raios do sól; e quando ele abriu-os ele iluminou toda a casa.

11Quando ele foi tomado ma mão da parteira,

12Seu pai Lameque temeu, e fugiu para mim, não acreditando que a criança pertencesse a ele, mas que ele assemelha-se aos anjos do céu. E eis que eu vim a ti para que possas me apontar a verdade.

13Então eu, Enoque, respondi e disse: O Senhor efetuará uma nova coisa sobre a terra. Isto eu tenho explicado, e visto numa visão. Eu tenho mostrado a ti que nas gerações de Jared meu pai, aqueles que estavam no céu desconsideraram a palavra do Senhor. Eis que eles cometeram crimes; deixaram de lado sua classe, e misturaram-se com mulheres. Com elas também eles transgrediram; casaram-se com elas e geraram filhos. (144)

(144) Depois deste versículo, um papiro grego acrescenta: “os quais não são iguais aos seres espirituais, mas criaturas de carne” (Milik, p. 210).

14Uma grande destruição, portanto virá sobre toda a terra; um dilúvio, uma grande destruição, tomará lugar em um ano.

15Esta criança que nasceu ao teu filho sobreviverá na terra, e seus três filhos serão salvos com ele.

Enquanto toda a humanidade que está na terra morrerá, ele estará a salvo.

16E sua posteridade procriará na terra os gigantes, não espirituais, mas carnais. Sobre a terra uma grande punição será infligida, e ela será lavada de toda corrupção. Agora, portanto, informa ao teu filho Lameque que aquele que é nascido é seu filho na verdade; e seu nome será chamado Noé, pois ele será um sobrevivente. Ele e seus filhos serão salvos da corrupção que tomará lugar no mundo; de todo o pecado e de toda a iniqüidade que consumirá a terra em seus dias. Depois disso haverá uma impiedade maior do que aquela que antes havia se consumado na terra; pois eu estou familiarizado com santos mistérios, que o próprio Senhor descobriu e explicou a mim; e os quais eu li nas tábuas do céu.

17Nelas eu vi escrito, que geração após geração transgredirá, até que, até que uma raça de justo se levantará; até que transgressão e crime desapareçam da face da terra; até que toda bondade venha sobre ela.

18E agora, meu filho, vai dizer ao teu filho Lameque;

19Que a criança que é nascida é na verdade seu filho; e que não há decepção.

20Quando Matusalém ouviu as palavras de seu pai Enoque, o que lhe havia mostrado toda coisa secreta, ele retornou com entendimento, e chamou o nome da criança Noé; porque ele consolou a terra por causa de toda sua destruição.

21Outro livro, que Enoque escreveu para seu filho Matusalém, e para aqueles que deviam vir depois dele, e preservar sua pureza de conduta nos últimos dias. Tu, que tens trabalhado, esperará naqueles dias, até que os que praticam o mal sejam consumidos, e o poder do culpado seja aniquilado. Espera, até que passe o pecado; pois seus nomes serão apagados dos livros santos; sua semente seja destruída, e seus espíritos mortos. Eles clamarão e lamentarão na vastidão invisível, e no fogo sem fundo eles queimarão. (145) Ali eu percebi, como se fosse uma nuvem através da qual não se podia ver; pois das profundezas dela eu fui incapaz de olhar para cima. Eu vi também uma chama de fogo ardente brilhante, e como se fossem montanhas brilhantes passando ao redor, e agitadas de lado a lado.

(145) No fogo sem fundo eles queimarão. Literalmente “no fogo eles queimarão, onde ali não é terra” (Laurence, p. 178).

22Então eu inquiri de um santo anjo que estava comigo e disse: o que é esse esplêndido objeto? Pois não é céu, mas só uma chama de fogo que queima; e nela há o clamor de exclamação, de ai, e de grande sofrimento.

23Ele disse: Ali, àquele lugar que tu viste, serão confiados os espíritos dos pecadores e blasfemadores; daqueles que praticam o mal, e perverterão tudo o que Deus disse pela boca dos profetas; tudo o que eles deviam fazer. Pois com respeito a estas coisas ali haverá registros e serão impressos no céu, pára que os anjos possam lê-las e saber o que acontecerá aos pecadores e aos espíritos dos humildes; àqueles que sofreram em seus corpos, mas têm sido recompensados por Deus; os quais têm sido injuriosamente tratados pelos homens iníquos; os quais têm amado a Deus, que não tem acumulado nem ouro nem prata, nem qualquer coisa no mundo, mas deram seus corpos ao tormento;

24A estes que no período de seu nascimento não tem estado cobiçosos de riquezas terrenas; mas tem se resguardado como um alento que passa.

25Tal tem sido sua conduta; em muito o Senhor os tem provado; e seus espíritos têm sido encontrados puros, para que eles possam abençoar Seu nome. Todas as suas bênçãos eu tenho relatado num livro; e Ele os tem recompensado; pois eles têm sido encontrados a amar o céu com uma eterna aspiração. Deus tem dito: Enquanto eles têm sido pisados por homens iníquos, eles têm ouvido deles insultos e blasfêmias; e tem sido ignominiosamente tratados, enquanto eles me abençoam. E agora eu chamarei os espíritos do bem da geração da luz, e mudarei aqueles que nasceram em escuridão; os quais não tem tido seus corpos recompensados em glória, como sua fé possa ter merecido.

26Eu os trarei para a esplêndida luz daqueles que amam meu santo nome: e Eu colocarei cada um deles em um trono de glória, da glória peculiarmente sua, e eles descansarão durante períodos inumeráveis. Retos são os julgamentos de Deus;

27Pois ao fiel ele dará fé nas habitações dos justos. Eles verão aqueles que tem nascido na escuridão, para a escuridão serão lançados; enquanto que os justos descansarão. Os pecadores clamarão, vendo-os, enquanto eles existem em esplendor e prosseguem em direção dos dias e períodos a eles prescritos. Fim

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Evangelhos apócrifos – Livro de Melquisedeque – Pseudo Epigrafo da Gênesis

Textos apócrifos, Evangelhos apócrifosEvangelhos apócrifos – Livro de Melquisedeque – Pseudo Epigrafo da Gênesis

Evangelhos Apócrifos

Livro de Melquisedeque

Pseudo Epigrafo da Gênesis

A Criação do Universo I

 Antes que existisse uma estrela a brilhar, antes que houvesse anjos a cantar, já havia um céu, o lar do Eterno, o único Deus.

Perfeito em sabedoria, amor e glória, viveu o Eterno uma eternidade, antes de concretizar o Seu lindo sonho, na criação do Universo.

Os incontáveis seres que compõem a criação foram, todos, idealizados com muito carinho. Desde o íntimo átomo às gigantescas galáxias, tudo mereceu Sua suprema atenção.

Movendo-Se com majestade, iniciou Sua obra de criação. Suas mãos moldaram primeiramente um mundo de luz, e sobre ele uma montanha fulgurante sobre a qual estaria para sempre firmado o trono do Universo. Ao monte sagrado Deus denominou: Sião.

Da base do trono, o Eterno fez jorrar um rio cristalino, para representar a vida que d’Ele fluiria para todas as criaturas.

Como sala do trono, criou um lindo paraíso que se estendia por centenas de quilômetros ao redor do monte Sião. Ao paraíso denominou: Éden.

Ao sul do paraíso, em ambas as margens do rio da vida, foram edificadas numerosas mansões adornadas de pedras preciosas, que se destinavam aos anjos, os ministros do reino da luz.

Circundando o Éden e as mansões angelicais, construiu Deus uma muralha de jaspe luzente, ao longo da qual podiam ser vistos grandes portais de pérolas.

Com alegria, o Eterno contemplou a Capital sonhada.

Carinhosamente, o grande Arquiteto a denominou: Jerusalém, a Cidade da Paz.

Deus estava para trazer à existência a primeira criatura racional. Seria um anjo glorioso, de todos o mais honrado. Adornado pelo brilho das pedras preciosas, esse anjo viveria sobre o monte Sião, como representante do Rei dos reis diante do Universo.

Com muito amor, o Criador passou a modelar o primogênito dos anjos. Toda sabedoria aplicou ao formá-lo, fazendo-o perfeito. Com ternura concedeu-lhe a vida; o formoso anjo, como que despertando de um profundo sono, abriu os olhos e contemplou a face de seu Autor.

Com alegria, o Eterno mostrou-lhe as belezas do paraíso, falando-lhe de Seus planos, que começavam a se concretizar. Ao ser conduzido ao lugar de sua morada, junto ao trono, o príncipe dos anjos ficou agradecido e, com voz melodiosa, entoou seu primeiro cântico de louvor.

Das alturas de Sião, descortinava-se, aos olhos do formoso anjo, Jerusalém em sua vastidão e esplendor. O rio da vida, ao deslizar sereno em meio à Cidade, assemelhava-se a uma larga avenida, espelhando as belezas do jardim do Éden e das mansões angelicais.

Envolvendo o primogênito dos anjos com Seu manto de luz, o Eterno passou a falar-lhe dos princípios que haveriam de reger o reino universal. Leis físicas e morais deveriam ser respeitadas em toda a extensão do governo divino.

As leis morais resumiam-se em dois princípios básicos: amar a Deus sobre todas as coisas e viver na fraternidade com todas as criaturas. Cada criatura racional deveria ser um canal por meio do qual o Eterno pudesse jorrar aos outros vida e luz. Dessa forma, o Universo cresceria em harmonia, felicidade e paz.

Depois de revelar ao formoso anjo as leis de Seu governo, o Eterno confiou-lhe uma missão de grande responsabilidade: seria o protetor daquelas leis, devendo honrá-las e revelá-las ao Universo prestes a ser criado. Com o coração transbordante de amor a Deus e aos semelhantes, caber-lhe-ia ser um modelo de perfeição: seria Lúcifer, o portador da luz.

O príncipe dos anjos; agradecido por tudo, prostrou-se ante o amoroso Rei, prometendo-Lhe eterna fidelidade.

O Eterno continuou Sua obra de criação, trazendo à existência inumeráveis hostes de anjos, os ministros do reino da luz. A Cidade Santa ficou povoada por essas criaturas radiantes que, felizes e gratas, uniam as vozes em belíssimos cânticos de louvor ao Criador.

Deus traria agora à existência o Universo que, repleto de vida, giraria em torno de Seu trono firmado em Sião. Acompanhado por Seus ministros, partiu para a grandiosa realização.

Depois de contemplar o vazio imenso, o Eterno ergueu as poderosas mãos, ordenando a materialização das multiformes maravilhas que haveriam de compor o Cosmo. Sua ordem, qual trovão, ecoou por todas as partes, fazendo surgir, como que por encanto, galáxias sem conta, repletas de mundos e sóis – paraísos de vida e alegria -, tudo girando harmoniosamente em torno do monte Sião.

Ao presenciarem tão grande feito do supremo Rei, as hostes angelicais prostraram-se, fazendo ecoar pelo espaço iluminado um cântico de triunfo, em saudação à vida. Todo o Universo uniu-se nesse cântico de gratidão, em promessa de eterna fidelidade ao Criador.

Guiados pelo Eterno, os anjos passaram a conhecer as riquezas do Universo. Nessa excursão sideral, ficaram admirados ante a vastidão do reino da luz. Por todas as partes encontravam mundos habitados por criaturas felizes que os recebiam em festa. Os anjos saudavam-nos com cânticos que falavam das boas novas daquele reino de paz.

Tão preciosa como a vida, a liberdade de escolha, através da qual as criaturas poderiam demonstrar seu amor ao Criador, exigia um teste de fidelidade. Com o propósito de revelá-lo, o Eterno conduziu as hostes por entre o espaço iluminado, até se aproximarem de um abismo de trevas que contrastava com o imenso brilho das galáxias. Ao longe, esse abismo revelara-se insignificante aos olhos dos anjos, como um pontinho sem luz; mas à medida de sua aproximação, mostrou-se em sua enormidade. O Criador, que a cada passo revelava aos anjos os mistérios de Seu reino, ficou ali silencioso, como que guardando para Si um segredo. As trevas daquele abismo consistiam no teste da fidelidade. Voltando-Se para as hostes, o Eterno solenemente afirmou:

-“Todos os tesouros da luz estarão abertos ao vosso conhecimento, menos os segredos ocultos pelas trevas. Sois livres para me servirem ou não. Amando a luz estareis ligados à Fonte da Vida”.

Com estas palavras, fez Deus separação entre a luz e as trevas, o bem e o mal. O Universo era livre para escolher seu destino.

A Criação do Universo 2

O tão acalentado sonho do Criador se concretizara. Agora, como Pai carinhoso, conduzia as criaturas através de uma eternidade de harmonia e paz. Em virtude do cumprimento das leis divinas, o Universo expandia-se em felicidade e glória.

Havia um forte elo de amor, que a todos unia fortemente. Os seres racionais, dotados da capacidade de um desenvolvimento infinito, encontravam indizível prazer em aprender os inesgotáveis tesouros da Sabedoria divina, transmitindo-os aos semelhantes. Eram como canais por meio dos quais a Fonte da Eterna Vida nutria a todos de amor e luz.

Em Jerusalém, os ministros do reino reuniam-se ante o soberano Rei, sempre prontos a cumprir os Seus propósitos. Era através de Lúcifer que o Eterno tornava manifesto os Seus desígnios. Depois de receber uma nova revelação, ele prontamente a transmitia às hostes angelicais. Estas, por sua vez, a compartilhavam com a criação. Em célere vôo os anjos rumavam para as terras planetas capitais, onde, em grandes assembléias, reuniam-se os representantes dos demais mundos.

Em muitas dessas assembléias, Lúcifer fazia-se presente, enchendo os participantes de alegria e admiração. Perfeito em todas as virtudes, ele os cativava com sua simpatia. Nenhum outro anjo conseguia revelar como ele os mistérios do amor do Eterno.

O Universo, alimentando-se da Fonte da Vida, expandia-se numa eternidade de perfeita paz. A obediência às leis divinas era o fundamento de todo progresso e felicidade. Ainda que conscientes do livre-arbítrio, jamais subira ao coração de qualquer criatura o desejo de se afastar do Criador. Assim foi por muito tempo, até que tal problema irrompeu na vida daquele que era o mais íntimo do Eterno.

Lúcifer, que dedicara sua vida ao conhecimento dos mistérios da luz, sentiu-se aos poucos atraído pelas trevas. O Rei do Universo, aos olhos de quem nada pode ser encoberto, acompanhou com tristeza os seus passos no caminho descendente que leva à morte. A princípio, uma pequena curiosidade levou Lúcifer a se aproximar daquele abismo profundo. Contemplando-o, ele começou a indagar o porquê de não poder compreender o seu enigma.

Retornando a seu lugar de honra, junto ao trono, prostrou-se ante o divino Rei, suplicando-Lhe:

– Pai, dá-me a conhecer os segredos das trevas, assim como me revelas a luz.

Ante o pedido do formoso anjo, o Eterno, com voz expressiva de tristeza, disse-lhe:

– Meu filho, você foi criado para a luz, que é vida.

Convencendo-se de que o Criador não lhe revelaria os tesouros das trevas, Lúcifer decidiu compreender por si mesmo o enigma. Julgava-se capacitado para tanto.

Deus sabia o que se passava no coração de Lúcifer. O anjo, que fora criado para ser o portador da luz, estava divorciando-se em pensamentos do bondoso Criador que, num esforço de impedir o desastre, rogava-lhe permanecer a Seu lado.

Uma tremenda luta passou a travar-se em seu íntimo. O desejo de conhecer o sentido das trevas era imenso, contudo, os rogos daquele amoroso Pai, a quem não queria também perder, o torturavam. Vendo o sofrimento que sua atitude causava ao Criador, às vezes demonstrava arrependimento, mas voltava a cair.

Antes de criar o Universo, Deus já previra a possibilidade de uma rebelião. O risco de conceder liberdade às criaturas era imenso, mas, sem este dom, a vida não teria sentido.

 Ele queria que a obediência fosse fruto de reconhecimento e amor, por isso decidiu correr o grande risco.

Ainda que prosseguisse na busca do sentido das trevas, Lúcifer não pretendia abandonar a luz. Esforçava-se para chegar a uma combinação entre essas partes que, no reino do Eterno, coexistiam separadas. Finalmente, com um sentimento de exaltação, concebeu uma teoria enganosa, que pretendia apresentar ao Universo como um novo sistema de governo, superior ao governar do Eterno. Denominou sua Lei “a ciência do bem e do mal”.

Estruturada na lógica, a ciência do bem e do mal revelou-se atraente aos olhos de Lúcifer, parecendo descerrar um sentido de vida superior àquele oferecido pelo Criador, cujo reino possibilitava unicamente o conhecimento experimental do bem. No novo sistema, haveria equilíbrio entre o bem e o mal, entre o amor e o egoísmo, entre a luz e as trevas.

Ao  longo do tempo em que amadurecera em sua mente a ciência do bem e do mal, Lúcifer soube guardar segredo diante do Universo. Continuava em seu posto de honra, cumprindo a função de Portador da Luz. Contudo, por mais que procurasse fingir, seu semblante já não revelava alegria em servir ao Eterno.

O divino Rei, que sofria em silêncio, procurava, por meio de Suas revelações de amor, preparar as criaturas racionais para a grande prova que se aproximava. Sabia que muitos dariam ouvido à tentação, voltando-Lhe as costas. A noite da provação faria sobressair, contudo, os verdadeiros fiéis – aqueles que serviam ao Criador não por interesse, mas por amor.

Ao ver que a hora da prova chegara, e que Lúcifer estava pronto para traí-Lo diante do Universo, o Eterno, que jamais cessara de revelar os tesouros de Sua sabedoria, tornou-se silencioso e contemplativo. O silêncio fez reviver no coração das hostes a lembrança daquela primeira excursão sideral, quando, depois de lhes mostrar as riquezas do reino da luz, Deus tornou-se silencioso ante aquele abismo. Lembram-se de Suas palavras: “Todos os tesouros da luz estarão abertos ao vosso conhecimento, menos os segredos ocultos pelas trevas. Sois livres para me servirem ou não. Amando a luz estareis ligados à Fonte da Vida”.

Lúcifer, que passara a cobiçar o trono de Deus, indagou-Lhe o motivo de Seu silêncio. O Criador, contemplando-o com infinita tristeza, disse-lhe: “É chegada a hora das trevas. Você é livre para realizar seus propósitos”.

Vendo que o momento propício para a propagação de sua teoria havia chegado, Lúcifer convocou os anjos para uma reunião especial. As hostes, desejosas de conhecer o significado do silêncio do Pai, tomaram seus lugares junto ao magnífico anjo, que sempre lhes revelara os tesouros do reino da luz.

Lúcifer começou seu discurso exaltando, como de costume, o governo do Eterno. Num amplo retrospecto, lembrou-lhes as grandiosas revelações que os enriquecera em toda aquela eternidade.

O silêncio divino, apresentou-o como sendo a indicação de que o Universo alcançara a plenitude do conhecimento oriundo da luz. Silenciando, o Eterno abria-lhes caminho para o entendimento de mistérios ainda não sondados, mantidos até então além dos limites de Seu governo.

Surpresas, as hostes tomaram conhecimento da experiência de Lúcifer sobre as trevas. Com eloqüência, ele falou-lhes da ciência do bem e do mal, indicando-a como o caminho das maiores realizações.

O efeito de suas palavras logo se fez sentir em todo o Universo. A questão era decisiva e explosiva, gerando pela primeira vê discórdia. Os seres racionais, em sua prova, tinham de optar por permanecer somente com o conhecimento da luz, o qual

Lúcifer afirmava haver chegado ao seu limite, ou se aventurar no conhecimento da ciência do bem e do mal. No começo, os anjos debateram-se diante da questão, sendo logo depois todo o Universo posto à prova. Dir-se-ia que a ciência do bem e do mal haveria de arrebanhar a maior parte das criaturas, mas, aos poucos, muitos que a princípio se empolgaram com a teoria, despertaram para a ilusão da mesma, reafirmando sua fidelidade ao reino da luz. Ao fim desse conflito, que se arrastou por

longo tempo, revelou-se um terço das estrelas do céu ao lado de Lúcifer, e as restantes, ainda que abaladas pela prova ao lado do Eterno.

A ciência do bem e do mal fora apregoada por Lúcifer como um novo sistema de governo. Mas como exercê-lo, se o Eterno continuava reinando em Sião?   O conselho, formado pelos anjos rebeldes, passou a tratar disso. Decidiram, finalmente, solicitar-Lhe o trono por um tempo determinado, no qual poderiam demonstrar a excelência do novo sistema de governo. Caso fosse aprovado pelo Universo, o novo sistema se estabeleceria para sempre; caso contrário, o domínio retornaria ao Criador.

Foi assim que Lúcifer, acompanhado por suas hostes, aproximou-se d’Aquele Pai sofredor, fazendo-Lhe tal pedido.

O Eterno não era ambicioso, apenas queria bem às Suas criaturas. Se a ciência do bem e do mal consistisse realmente num bem maior, não Se oporia à sua implantação, cedendo o trono a seus defensores. Mas Ele sabia que aquele caminho conduziria à infelicidade e à morte.

Movido por Seu amor protetor, o Criador desatendeu o pedido das hostes rebeldes, que se afastaram enfurecidas.

Lúcifer e suas hostes passaram a acusar o divino Rei, proclamando ser o seu governo de tirania.

Afirmavam ser sua permanência no trono a mais patente demonstração de Sua arbitrariedade. Não lhes concedera liberdade de escolha? Por que neutralizá-la agora, impedindo-os de pôr em prática um sistema de governo superior?

As acusações das hostes rebeldes repercutiram por todo o Universo, fazendo parecer que o governo do Eterno era injusto.

Isto trouxe profunda angústia àqueles que permaneciam fiéis ao reino da luz. Não sabendo como refutar tais acusações, essas criaturas, emudecidas pela dor moral, ansiavam pelo momento em que novas revelações procedentes do Criador pudessem aclarar-lhes os mistérios desse grande conflito.

As acusações e blasfêmias das hostes rebeldes alcançavam o ponto culminante quando o Eterno, num gesto surpreendente, ergueu-se de Seu trono, como que pronto a deixá-lo. Os infiéis, na expectativa de uma conquista, aquietaram-se, enquanto um sentimento de temor penetrava no coração dos súditos da luz. Entregaria Ele o domínio de toda a criação, para livrar-Se das vis acusações? De acordo com a lógica a partir da qual Lúcifer fundamentava seus ensinamentos, não restava outra alternativa ao Criador. Nesta tremenda expectativa, o Universo acompanhava os passos de Deus.

Num gesto de humildade, o Criador despojou-Se de Sua coroa e de Seu manto real, depondo-os sobre o alvo trono. Em Seu semblante não havia expressão de ressentimento ou ira, mas de infinito amor e tristeza.

Com solenidade, o Eterno proclamou que o momento decisivo chegara, quando cada criatura deveria selar sua decisão ao lado da luz ou das trevas. Numa ampla revelação, alertou para as conseqüências de um rompimento com a Fonte da Vida.

Lúcifer e seus seguidores estavam conscientes da seriedade daquele momento.

 Vendo que o Trono permanecia vazio, Lúcifer e suas hostes, dominados pela cobiça, romperam definitivamente com o Criador

Ao ver um terço dos súditos transpor as divisas da eterna separação, Deus deixou extravasar a dor angustiante que por tanto tempo martirizava Seu coração, curvando-Se em inconsolável pranto. Contemplando Seus filhos rebeldes, ergueu a voz numa lamentação dolorosa: “Meus filhos, meus filhos! Já não posso chamá-los assim! Queria tanto tê-los nos braços meus!

Lembro-Me quando os formei com carinho! Vocês surgiram felizes e perfeitos, em acordes de esperança em eterna harmonia!

Vivi para vocês, cobrindo-os de glória e poder! Vocês foram a minha alegria! Por que seus corações mudaram tanto? O que mais poderia eu ter feito para fazê-los permanecer comigo? Hoje minh’alma sangra em dor pela separação eterna! Como olharei para os lugares vazios onde tantas vezes rejubilantes ergueram as vozes em hosanas festivas, sem me vir à mente um misto da felicidade e dor?! Saudade infinita já invade o meu ser, e sei que será eterna!

Hoje o meu coração rompeu e quebrou-se; as cicatrizes carregarei para sempre!

Depois de proclamar em pranto tão dolorosa lamentação, o Eterno, dirigindo-Se a Lúcifer, o causador de todo o mal, disse:

“Você recebeu um nome de honra ao ser criado. Agora não mais o chamarão Lúcifer, mas Satã, O Senhor das Trevas”.

Depois de lamentar a perdição das hostes rebeldes, o Eterno, em lentos passos, ausentou-se do jardim do Éden, lugar do trono Universal.. Onde seria agora a Sua morada….

As hostes fiéis acompanharam reverentes os Seus misteriosos passos de abandono, que pareciam descerrar um futuro difícil, de sofrimentos e humilhações. Ocupariam os rebeldes o divino trono, profanando-o como domínio do pecado? Esta indagação torturava o coração dos súditos do Eterno.

Deixando Sua amada Cidade, o Senhor da luz conduziu-Se, em meio às glórias do Universo, em direção do abismo imenso, a respeito do qual silenciara até então. Ali deteve-Se mais uma vez, emudecido, enquanto parecia ler nas trevas um futuro de grandes lutas. Ante o sofrimento do Eterno, expresso na tristeza de Seu semblante, os fiéis puderam finalmente compreender o significado daquele misterioso abismo: consistia numa representação simbólica do reino da rebeldia.

Na face entristecida de Deus manifestou-se, por fim, um brilho que aos fiéis animou. Erguendo os poderosos braços ante as trevas, ordenou em alta voz: “Haja luz.”

Imediatamente, a luz de Sua presença inundou o profundo abismo e, triunfando sobre as trevas, revelou um mundo inacabado, coberto por cristalinas águas. Com esse gesto, iniciava o Eterno uma grande batalha pela reivindicação de Seu governo de luz; batalha do amor contra o egoísmo; da justiça contra a injustiça; da humildade contra o orgulho; da liberdade contra a escravidão; da vida contra a morte. Batalha que, sem trégua, se estenderia até que, no alvorecer almejado, pudesse o divino

Rei retornar vitorioso ao santo monte Sião, onde, entronizado em meio aos louvores dos remidos, reinaria para sempre em perfeita paz. As trevas, em sua fuga, apontavam para o aniquilamento final da rebeldia.

As águas abundantes que cobriam aquele mundo, até então oculto, simbolizavam a vida eterna que para os fiéis seria conquistada pelo amor que tudo sacrifica.

O mundo revelado era a Terra. Visitada pelas trevas e pela luz, ela seria o palco da grande luta.

Rejubilavam-se os fiéis ante o triunfo da luz naquele primeiro dia, quando as trevas em sua fúria rolaram sobre o planeta, sucumbindo-o em densa escuridão. A luz, que parecia vencida, renasceu vitoriosa num lindo alvorecer.

Ao raiar a luz do segundo dia, o Eterno ordenou: “Haja uma expansão no meio das águas, e haja separação entre água e águas.”

Imediatamente, o calor de Sua luz fez com que imensa quantidade de vapor se elevasse das águas, envolvendo o planeta num manto de transparência anil. Surgiu assim a atmosfera, com sua mistura perfeita de gases que seriam essenciais à vida que em breve coroaria o planeta. O Criador, contemplando a expansão, denominou-a “céus”.

A atmosfera, que cheia de brilho envolvia a Terra, sombreou-se ao sobrevir o crepúsculo de um outro entardecer.

A Criação do Universo 3

 Ao serem vencidas as trevas no terceiro dia, o Criador prosseguiu Sua obra, fazendo surgir os imensos continentes que ainda estavam sob a superfície das águas. Com as mãos erguidas ordenou: “Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar e apareça a porção seca.”

Em pronta obediência, as cristalinas águas cederam sua posição superior à porção seca que se ergueu, sobrepondo-se a elas.

Nas regiões baixas da Terra, as águas continuariam refletindo o brilho celeste, sendo um refrigério para as criaturas sedentas.

Nesse gesto de humildade, as águas prefiguravam o Criador, que na grande luta desceria ao mais profundo abismo para fazer renascer nas almas sedentas a vida eterna.

Contemplando a face daquele novo mundo, o Eterno denominou a parte seca “terra”, e ao ajuntamento das águas chamou “mares”.

Com Sua poderosa voz prosseguiu, ordenando: “Produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nela sobre a terra.”

Em obediência ao mando divino, a superfície sólida do planeta revestiu-se de toda sorte de vegetação: lindos prados a florir, campos verdejantes entrecortados por rios cristalinos, florestas sem fim.

Enquanto com admiração as hostes contemplavam as belezas daquela criação, surpreenderam-se ao reconhecer sobre o novo planeta o jardim do Éden, lugar do trono divino. O Eterno, pelo poder de Sua palavra, o havia transferido para o seio daquele mundo especial, onde em justiça seria confirmado o governo do Universo.

Contemplando Sua obra, o Criador com felicidade exclamou: “Eis que tudo é muito bom.”

As hostes fiéis agora podiam compreender melhor a importância da luz divinal. Sua ausência havia ofuscado, naquela noite, as belezas de Sião.

Nesse novo dia, o Criador expressaria o Seu grande poder, dando à Terra luminares que a encheriam de luz e calor. Esses luminares permaneceriam para sempre como símbolos da presença espiritual do Eterno, que é a fonte de toda a luz.

Contemplando o espaço escuro e vazio que se estendia ao redor da Terra, com potente voz ordenou: “Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; sejam eles para sinais e para tempos determinados, para dias e anos. E sejam para luminares na expansão dos céus para alumiarem a Terra.”

Imediatamente, o espaço tornou-se radiante pelo brilho do sol e pelo reflexo de planetas e estrelas. Ante esta demonstração de poder, as hostes fiéis curvaram-se em reverente adoração.

No quarto dia, o Eterno criou os mundos de nosso sistema solar não para serem habitados como a Terra, mas para o equilíbrio do sistema. Encheriam também o céu de fulgor, abrandando as trevas das noites terrenas.

Volvendo os olhos para a Terra, as hostes alegraram-se por vê-la radiante em cores. Bem próximo dela podia-se ver a Lua que, com seu reflexo prateado, afugentaria as profundas sombras noturnas.

Envolvidos por esse cenário encantador, os filhos da luz, rejubilantes, saudaram o alvorecer do quinto dia, que seria de muitas surpresas. O Eterno tornaria a Terra festiva pela presença de infindáveis espécies de animais irracionais que habitariam toda a superfície do planeta. Essa criação teria continuidade no sexto dia. Erguendo as poderosas mãos, o Criador, olhando primeiramente para as cristalinas águas, ordenou: “Produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente.”

De imediato, as águas tornaram-se ondulantes pela presença de incontáveis espécies de répteis . Desde os seres microscópicos até as grandes baleias, todos surgiram em completa harmonia, refletindo em sua natureza o amor do Criador.

Pousando os olhos sobre a atmosfera anil que repousava sobre as verdejantes florestas, o Eterno continuou: “Voem as aves sobre a face da expansão dos céus”.

Mediante Sua ordem, os Céus encheram-se de pássaros coloridos que, voando em todas as direções, tinham no coração um cântico de gratidão pela vida. Esse cântico encheu o ar, misturando-se com o perfume das matas floridas.

Contemplando com prazer Suas criaturas terrenais, o Eterno abençoou-as dizendo: “Frutificai e multiplicai-vos e enchei as águas nos mares, e as aves se multipliquem na Terra.”

Alvorecer do sexto dia. Erguendo os potentes braços, o Eterno ordenou: “Produza a Terra alma vivente conforme a sua espécie: gado, répteis e bestas-feras da terra, conforme a sua espécie.”

Sua voz poderosa foi prontamente ouvida e, nas florestas e campos, pôde-se ver o resultado de Seu poder criador. Animais de todas as espécies despertaram numa existência feliz, em meio a um paraíso de perfeita paz.

Movendo-Se com majestade, o Eterno baixou às glórias do novo mundo, dirigindo-Se ao jardim do Éden, lugar do divino trono. Os anjos da luz acompanharam-nO reverentes, detendo-se qual nuvem sobre os céus do paraíso. Todo Universo observava com profundo interesse o desdobramento dos atos do Criador, em resposta às acusações de seus inimigos.

O momento era decisivo. Tudo indicava que o Eterno demonstraria não ser tirano nem egoísta, coroando alguém sobre o monte Sião. Satã e seus seguidores não duvidavam de que o reino lhes seria entregue e reinariam vitoriosos no seio daquele antigo abismo, onde as trevas e a luz agora se entrelaçavam. Os súditos da luz estremeceram ante essa perspectiva.

Junto à fonte do rio da vida, o Eterno curvou-Se solenemente e, com os elementos naturais da Terra, começou a moldar, com muito carinho, uma criatura especial. Depois de alguns instantes, estava estendido diante do Criador o corpo, ainda sem vida, do primeiro homem. O Eterno contemplou-o e, após acariciar-lhe a face fria e descorada, soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida e o homem começou a viver.

Como que despertando de um sono, o homem abriu os olhos e contemplou a face meiga de Seu Criador que, sorrindo, beijou-lhe a face agora corada e cheia de vida. Emocionou-se ao ouvir o Eterno dizer-lhe com voz suave e cheia de afeição:

“Meu filho, meu querido filho!” Por ter nascido do solo, o primeiro homem recebeu o nome de Adão.

As hostes fiéis que admiradas testemunhavam a grandiosa realização divina, emocionadas ante o gesto humano, prostraram-se também em reverente adoração. Uniram então as vozes num cântico de júbilo em saudação àquela criatura especial, que despertava para a vida num momento tão decisivo para o Universo.

Com o coração cheio de felicidade, Adão uniu-se aos anjos em seu cântico de louvor. Sua voz, ao ecoar pelos arredores floridos, misturou-se ao canto das aves e ao mugir de animais que se aproximavam em festa.

Num passeio de surpresas inesquecíveis, Adão foi conscientizado das belezas de seu lar. Com admiração, contemplou o monte Sião, donde jorrava o rio da vida, numa cascata de luz.

Com intensa alegria, Adão tomava conhecimento das infindáveis espécies de animais que povoavam o jardim. Todos eram mansos e submissos e viviam em perfeita harmonia e felicidade.

Observando os animais, Adão percebeu que eles desfrutavam de um companheirismo especial. Via por toda parte casais felizes que viviam um para o outro. Seus pensamentos voltaram-se para o Seu Companheiro. Olhou ao derredor e ficou surpreso por não vê-Lo. O Eterno havia Se ocultado propositalmente, tornando-Se invisível.

Adão sentia-se solitário em meio àquele paraíso. Com quem partilharia sua felicidade e seu amor? Havia ali os animais, mas eles eram irracionais, não podendo compartilhar de seus ideais. Nascia em seu coração, ao caminhar solitário naquele entardecer, um desejo ardente de encontrar alguém que pudesse estar sempre a seu lado.

Enquanto Adão olhava para as distantes colinas na esperança de ver alguém, o Eterno apresentou-Se ao seu lado e disse-lhe:

“Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma companheira.”

Adão ficou feliz ao ouvir do Criador essa promessa, justamente no momento em que tanto ansiava ter alguém para estar sempre visível a seu lado.

Tomado por um profundo sono, Adão reclinou-se no peito de seu amoroso Criador que, com carícias, o fez adormecer. Em seu subconsciente surgiram os primeiros sonhos :

Contempla o olhar meigo do Eterno; ouve o som harmonioso da música angelical; descobre as maravilhas ao derredor: o monte Sião com seu arco-íris; o rio da vida; os prados em flor; os animais que o saúdam em festa. Repetem-se em seus sonhos as cenas que o envolveram em seu anseio; olha ao derredor na esperança de encontrar seu companheiro, mas não o vê. Sente-se solitário em seu sonho, e isso o faz procurar alguém com quem possa compartilhar sua existência. Seu olhar estende-se por campinas verdejantes, divisando ao longe colinas floridas. Enquanto caminha esperançoso, sente a brisa mansa a afagar-lhe os cabelos macios. Conversa com a brisa: “Brisa, você parece ser quem tanto procuro; você me afaga os cabelos; beija minha face; você tem o perfume das verdes matas. Se eu pudesse ver sua face, beija-la-ia; se eu pudesse tocar os seus cabelos, faria longas tranças e as enfeitaria com as flores do nosso jardim!”

Após caminhar em sonho pelos prados do paraíso, Adão deteve-se enquanto contemplava a paisagem ao redor. Admirou-se por não ver o efeito da brisa nos ramos floridos. Mas como, se a sentia calidamente no rosto? Começou então a despertar de seu sonho. Ainda com os olhos fechados lembrou-se do momento em que, sonolento, recostara-se no peito do Eterno. Seria a brisa o afago de Suas mãos? Com esta indagação abriu os olhos e emocionou-se ao contemplar uma linda mulher que, com as mãos perfumadas, acariciava-lhe a face com amor. Era a brisa de seu sonho; a promessa de um Criador que só queria fazê-lo feliz.

Agora Adão era completo, pois tinha Eva, que era carne de sua carne e ossos de seus ossos.

Tomando-a pela mão, Adão convidou-a para um passeio de surpresas inesquecíveis. Mostraria à sua companheira as belezas de seu lar.

Sensibilizada Eva detinha-se a cada passo, atraída pelas flores que exalavam suaves perfumes; pelos pássaros que gorjeavam alegres cantos; pelos animais que os seguiam submissos; pela vegetação de ricos matizes; pelas águas cristalinas do rio da vida que jorravam em cascata do monte Sião. Tudo no paraíso era perfeito e belo, mas nada se igualava ao ser humano, criado à imagem de Deus. Voltaram-se um para o outro em admiração e carícias. Embalados por esse amor, permaneceram até o entardecer.

Com deleite, o jovem casal passou a contemplar o sol poente que, através de rosados raios, coloria o céu em lindo arrebol.

Era o sexto dia que chegava ao seu final, dando lugar às horas de um dia especial: o sábado. Esse dia, em seu significado, seria solene para todos os súditos do Eterno, pois seu alvorecer traria a vitória para o reino da luz.

Indagavam o sentido das trevas quando, por entre as ramagens, viram um lindo luar, cujos raios prateados banhavam a natureza em suave luminosidade. Todo o céu estava iluminado pelo fulgor das estrelas. Admirados, descobriram que a noite somente era trevas quando se olhava para baixo.

Adão e Eva em sua inocência não sabiam que aquela noite simbolizava o futuro sombrio da humanidade. Quando o compreendessem, ficariam confortados ao contemplar o fulgor dos céus: o luar falaria de esperança e as estrelas cintilantes testemunhariam o interesse das hostes da luz em aclarar-lhes as trevas morais, dando alento aos pecadores. Mas seriam iluminados apenas aqueles que, desviando os olhos da Terra, contemplassem os altos céus.

Após contemplar por algum tempo o céu em sua luminosidade, o casal, lembrando-se das belezas do paraíso, volveu os olhos, buscando divisá-las. Estavam, porém, ocultas em meio às sombras. Quanto almejavam o alvorecer, pois somente ele traria consigo o paraíso!

Ante o anseio do coração humano, o Eterno surgiu em meio às trevas, devolvendo ao casal a alegria de se encontrar novamente num jardim colorido.

Banhados em suave luz, caminhavam agora por prados verdejantes e floridos. o brilho do Criador despertava a natureza por onde passavam, colorindo e alegrando tudo em derredor. O casal, admirado, aprendeu que ao lado do Eterno poderiam ter um paraíso em plena noite.

Sentindo-se sonolentos, Adão e Eva recostaram-se no colo do amoroso Pai, que os faz adormecer docemente, esperançosos de um despertar feliz. Deitando-os sobre a relva macia, o Eterno elevou-Se indo para junto das hostes contemplativas. Voltaria a manifestar-Se ao alvorecer, fazendo o casal despertar para o mais solene acontecimento, que reduziria a pó as vis acusações dos inimigos.

A noite escura e fria, através de suas longas horas, parecia zombar da luz. Ofuscaria para sempre as belezas da criação? Oh, jamais! O sol não recuaria ante a imponência das trevas; surgiria em breve como um libertador, arrebatando com seus cálidos raios a natureza das frias garras, dando-lhe vida e cor.

Num último desafio, as trevas tornaram-se densas nas horas que antecederam o alvorecer. A noite arregimentava suas forças para lutar pelo domínio usurpado.

Finalmente, surgiu no leste um lampejo que parecia falar de esperança em um novo dia. O céu aos poucos tornou-se colorido de um vermelho vivo. As trevas impotentes recuaram ante a força crescente da luz e foram consumidas em sua fuga. A natureza começou a despertar da longa noite, refletindo em seu seio os saudosos raios. Flores abriram-se, exalando perfumes de alegria; animais e aves, silenciados pela noite, uniram as vozes num cântico triunfal em saudação ao alvorecer daquele dia grandioso.

A negra noite chegara ao fim, dando lugar à luz do dia sonhado – dia que para Deus tinha um sentido especial, pois prefigurava a final vitória de Seu reino sobre o domínio da rebeldia.

O Eterno agora despertaria Seus filhos humanos que, banhados pela luz de Sua presença, haviam adormecido na esperança de um alvorecer feliz. Numa marcha festiva, todas as hostes santas, com cânticos de vitória, acompanharam-nO rumo ao paraíso banhado em luz. Quando já estavam próximos, o Criador deteve-Se contemplando o casal adormecido, e exclamou suavemente: “Acordem meus filhos.” Sua voz penetrou nos ouvidos de Adão e Eva, despertando-os para a mais feliz comunhão. Quão depressa raiara a acalentada manhã, trazendo em sua luz o doce paraíso, perdido naquela noite! Com alegria o casal saudou o divino Criador, unindo-se aos anjos em antífonas triunfais.

O Universo vivia um momento deveras solene. Naquela manhã festiva, o Eterno haveria de revelar a grandeza de Seu caráter, que é justiça e amor. As acusações de que Seu governo era de egoísmo e tirania seriam refutadas.

Aos olhos de todas as criaturas racionais do vasto Universo, Deus conduziu o jovem casal ao monte Sião, lugar do divino trono. Ali, ante o estremecimento das hostes emudecidas, o Criador, num gesto surpreendente, cobriu o homem com o manto real, colocando sobre sua cabeça a coroa que fora cobiçada por Lúcifer.

Movidos por profunda gratidão pela suprema honra conferida, Adão e Eva prostraram-se reverentes, depondo aos pés do

Criador sua coroa preciosa, em sinal de submissão. Seguiu-se a esse gesto humano um brado de vitória que sacudiu toda a Criação. Os filhos da luz, que por tanto tempo haviam sofrido afrontas e humilhações ante as constantes acusações das hostes rebeldes, exaltaram em retumbante louvor o Deus bendito, que em Sua obra de justiça desmentira os inimigos, revelando Seu caráter de humildade, desprendimento e amor.

Tendo constituído o homem como o senhor de toda a criação, o Eterno, com voz solene, passou a conscientizá-lo da grandiosidade de sua missão. Como um guardião, deveria cuidar do paraíso, mantendo límpida a fonte do rio da vida. As leis da justiça e do amor, fundamentos do reino da luz, deveriam ser honradas. Como um cetro racional, caberia ao homem, em gesto de reconhecimento e gratidão, aceitar livremente o governo d’Aquele que o criou.

As hostes, que maravilhadas testemunhavam a revelação do desprendimento divino, compreenderam que o Senhor da Luz não governaria mais o Universo, a não ser com o consentimento humano. O homem, pela vontade do Eterno, fora feito o árbitro da criação; em seu glorioso ser, feito à imagem do Criador, resplandecia o selo do eterno domínio.

Após revelar ao casal a infinita honra e responsabilidade de sua missão, o Criador conscientizou-o do conflito espiritual que se travava pela conquista do domínio universal: Lúcifer, que por incontáveis eras servira ao divino Rei em Sião, havia sido corrompido pelo orgulho e pelo egoísmo, sendo seguido por um terço das hostes racionais; buscavam agora destronar o Eterno, desonrando-O com vis acusações.

Tendo revelado ao ser humano a dolorosa situação em que o Universo se encontrava, o Eterno, num gesto solene, mostrou-lhe

duas altaneiras árvores que, carregadas de grandes frutos, se erguiam em ambas as margens do rio que nascia do trono. A que se elevava à direita revelou o Senhor ser a árvore da vida monumento do reino da luz. A que se erguia à outra margem revelou ser a árvore da ciência do bem e do mal – símbolo da rebeldia.

Comendo do fruto da árvore da vida, o homem manifestaria sua submissão ao Criador, que é Fonte de vida e luz. Comer da outra árvore seria entregar ao inimigo o domínio de Sião. O inevitável resultado desse passo seria a morte eterna, não somente para o ser humano, mas para toda a criação, que se reduziria ao caos sob a fúria da rebeldia.

Após contemplar demoradamente as duas altaneiras árvores, que externavam em seus frutos tão infinita responsabilidade,

Adão prostrou-se ante o Criador, dizendo: “Digno és Senhor de reinar sobre o Universo, pois pela Tua sabedoria, amor e poder todas as coisas foram criadas e subsistem.”

O sábado, emblema do triunfo divino, encheu-se de louvor. Todos os filhos da luz uniram-se ao ser humano no mais harmonioso cântico de exaltação Àquele cuja grandeza é sem par.

Foi com espanto que Satã e seus seguidores testemunharam a grandiosa realização do Eterno. Presenciaram com amargura a alegria dos fiéis ante a coroação do homem- acontecimento que lançara por terra as fortes acusações que eles havia levantado contra o governo divino. Cheios de frustração e ira, consideravam agora sua triste condição. Quão terrível e humilhante era-lhes o pensamento de verem seus planos de rebeldia desfazerem-se diante do Criador, semelhantes às sombras daquela noite. Se pudessem, pensavam, encheriam o sábado de trevas, banindo da mente dos súditos do Eterno qualquer esperança de vitória.

Finalmente, em suas considerações, Satã e seus liderados compreenderam que lhes restava uma oportunidade: no meio do jardim do Éden, nas alturas de Sião, elevava-se, junto ao rio da vida, a árvore da ciência do bem e do mal. Bastaria um gesto humano, nada mais, e teriam sob seu poder, para sempre, o domínio cobiçado. Mas como seduzi-lo?

Animado ante a perspectiva de uma conquista, Satã procurou, com engenhosidade, arquitetar um plano de abordagem. Sabia que, se falhasse em sua tentativa, todas as esperanças de triunfo ter-se-iam diluído, desfazendo-se todos os seus sonhos de aventura. Concluiu que o engano haveria de ser sua poderosa arma. Não fora através dele que conseguira dominar um terço das hostes celestes?! Aguardaria, portanto, um momento propício para armar sua cilada.

A Criação do Universo 4

        O Éden pairava uma perfeita paz. Por todos os lados os  passarinhos faziam ouvir seus alegres trinos em louvor constante ao Criador. Toda a natureza a florir parecia proclamar um reino de eterna alegria. Os animais

 sempre submissos ao homem, o senhor daquele paraíso encantador.

Tudo era felicidade para o casal; mas esta tornava-se mais intensa na viração daqueles dias primaveris. O arrebol, que com sua beleza coloria o céu prenunciando as escuras noites, anunciava-lhes também o momento da visita diária do Eterno. Juntos, sob a luz de Sua presença, passavam longo tempo em  conversação. Com ânimo, o casal contava ao Senhor as surpreendentes maravilhas que iam descobrindo a cada dia na natureza. Deus, com carinho, descerrava-lhes o significado de cada ser.

Como Ele fora bom, trazendo-os à existência e concedendo-lhes um lar tão cheio de delícias! Ao despertarem para as alegrias de cada dia, vinham-lhes à lembrança as carícias e o doce canto do Eterno, que os fazia adormecer todas as noites.

A vida de Adão e Eva no Éden não era de ociosidade. A eles foi recomendado o cuidado do jardim. Sua ocupação não era cansativa, ao contrário, era agradável e revigorante. O Criador indicara o trabalho como uma fonte de benefícios para o homem, a fim de ocupar-lhe a mente e fortalecer-lhe o corpo, desenvolvendo-lhe todas as faculdades. Na atividade mental e física, o homem encontrava um elevado prazer.

Era comum ao jovem casal receber visitas de seres celestes. Aos visitantes sempre tinham novidades a relatar e perguntas a fazer. Passavam longo tempo ouvindo deles sobre as maravilhas do reino de luz. Através desses visitantes, Adão e Eva passaram a ter amplo conhecimento da rebelião de Lúcifer e de suas eternas conseqüências. Aos visitantes, Adão e Eva sempre pediam que lhes ensinassem os harmoniosos cânticos celestiais. Como se deleitavam ao unirem as vozes ao coro angelical!

Em Sua onisciência, Deus tinha conhecimento do terrível intento do inimigo. Convocando as Suas hostes principais, revelou-lhes com pesar o iminente perigo que pairava sobre o Universo. Satã haveria de armar uma cilada, a fim de levar o homem a comer da árvore da ciência do bem e do mal. Ante essa revelação, os filhos da luz ficaram temerosos, pois conheciam a tremenda facilidade de Satã em enlaçar criaturas inocentes e atirá-las em suas malhas de morte.

No solene concílio, sem a autorização de Deus, decidiram enviar, com urgência, mensageiros para advertirem o homem do grande perigo. Dois poderosos anjos foram encarregados dessa decisiva missão.

Imediatamente, os mensageiros comissionados irromperam pelos portais de Jerusalém, alcançando o seio do espaço infinito.

Em instantes, transpuseram imensidões, cruzando todo o  universo.

 Podiam agora divisar a pouca distância o Jardim do Éden, onde o destino do Universo estava para ser decidido.

Adão e Eva viram então no límpido céu o sinal da aproximação dos visitantes celestes e a eles ergueram os braços numa alegre saudação. Adão e Eva admiraram-se, porém, por não verem no semblante deles a mesma alegria. Os visitantes traziam na face uma expressão de anseio que eles não podiam entender. Tentaram mudar-lhes a triste feição, contando-lhes as novas descobertas feitas no paraíso. Os mensageiros, todavia, não tendo tempo disponível como outrora, interromperam-nos com palavras de advertência. Satã haveria de armar-lhes uma cilada, a fim de levá-los a comer do fruto da árvore da ciência do bem e do mal. Se dessem ouvi dos à tentação, fariam sucumbir toda a criação no abismo de um eterno caos.

Os anjos lembraram-lhes que o reino lhes fora confiado como um sagrado depósito, devendo, em uma vida de fidelidade, honrar Aquele que por amor esvaziou-Se, colocando-Se numa posição de hóspede do ser humano. Adão e Eva deveriam ser firmes ante as insinuações do inimigo, pois assim selariam a eterna vitória do reino da luz.

Falando-lhes da feliz recompensa que se seguiria ao seu triunfo, os anjos revelaram que era plano de Deus a transferência de

Jerusalém Celeste para a Terra. Ali, novamente acoplada ao paraíso, permaneceria para sempre. E o homem, submisso ao

Criador, reinaria pelos séculos sem fim sobre o monte Sião, em meio aos louvores das hostes universais.

Mas tudo isso dependia inteiramente do posicionamento humano frente às tentações do inimigo, que faria de tudo para arrebatar-lhe o reino.

Adão e Eva ficaram temerosos ao conhecerem os planos de Satã, mas foram consolados ao saber e que ele não poderia fazer-lhes nenhum mal, forçando-os a comer do fruto proibido. Se, porventura, procurasse intimidá-los com seu poder, todas as hostes do Eterno viriam em seu socorro.

Os mensageiros da luz concluíram sua missão recomendando ao casal permanecerem vigilantes, tendo sempre em mente a responsabilidade que sobre eles repousava.

Adão e Eva, agradecidos pelas advertências dos anjos, uniram as vozes num cântico de promessa em uma eterna vitória.

Estavam certos de que jamais abandonariam o bendito Criador, ouvindo a voz do tentador.

Animados ante a promessa humana, os dois mensageiros retornaram ao seio da Jerusalém Celeste onde, junto às hostes santas,  aguardariam com anseio o anelado triunfo.

Satã viu aproximarem-se do paraíso os mensageiros e ouviu o canto do homem prometendo uma eterna vitória. Esse cântico fez com que sua inveja e ódio aumentassem de tal maneira que não os pôde conter. Disse então a seus seguidores que em breve faria silenciar aquela voz.

As hostes rebeldes ficaram curiosas para conhecer os planos de seu chefe, mas foram por ele advertidas de que deveriam aguardar até que tudo ficasse para sempre decidido. Se o homem ouvisse sua voz, comendo do fruto da árvore da ciência do bem e do mal, seria vitorioso, possuindo para sempre o domínio do Universo. Caso o homem resistisse, permanecendo fiel ao

Criador, já não haveria qualquer esperança para eles.

O paraíso parecia estar envolvido por uma eterna segurança, mas no semblante do homem podia ser vista uma expressão de temor. Desde a partida dos anjos, Adão e Eva permaneciam silenciosos, meditando com reverência sobre a tremenda responsabilidade de sua missão. Pensavam na seriedade daquela iminente prova que haveria de selar o seu futuro e o de toda a Criação. Animados, contudo, ante o pensamento da vitória, uniram mais uma vez as vozes num cântico que expressava a certeza do triunfo anelado.

Satã, que observava atentamente o casal, percebeu estar chegando a sua oportunidade. Aproximou-se de forma invisível do paraíso, e ficou esperando o melhor momento.

Inconsciente da presença do inimigo, o casal continuava em sua desprendida alegria.  No semblante transtornado de Satã estampou-se um maldoso sorriso, ao presenciar um descuido do casal: em sua exaltação, haviam  afastando-se um do outro. O astuto inimigo, não perdendo tempo, apossou-se de uma serpente, a mais bela do paraíso, fazendo-a aproximar-se graciosamente de Eva.

Eva, que assentada no gramado brincava com os animais, percebeu a presença da atraente serpente, cujo corpo refletia as cores do arco-íris. Ficou admirada ao vê-la colher flores e frutos do jardim, depositando-os a seus pés. Agradecida, tomou-a nos braços, dedicando-lhe afeto.

Tendo conquistado a afeição da mulher, Satã, em sua astúcia, começou a atraí-la para junto da árvore da ciência do bem e do mal. Sem se dar conta do perigo, Eva acompanhou a serpente até a árvore da prova. Ali, tendo nos braços o inimigo velado, acariciou-o e disse-lhe palavras de carinho. Tendo nos olhos o brilho da sedução, a serpente pôs-se a falar. Suas palavras eram cheias de sabedoria e ternura e sua voz como a de um anjo. Eva mal pôde crer no que via. Sua alegria tornou-se imensa por ter nos braços uma criatura tão fantástica. Passaram a conversar sobre muitas coisas: o amor; as belezas do jardim; o poder do Criador. Eva ficou admirada ante o conhecimento tão vasto da serpente, que discorria com maestria sobre qualquer assunto. Envolvida por essa experiência, Eva esqueceu-se completamente de seu companheiro. Nem sequer passavam pela sua mente as advertências dos anjos.

Subitamente o coração de Adão pulsou forte por não ver Eva a seu lado. Ergueu então a voz num grito ansioso. Sua voz, ecoou pelo  paraíso, contudo, não trouxe consigo uma resposta. O silêncio quase o sufocou. Em sua aflição pôs-se a correr de um lado para outro, procurando-a, em vão. Nessa ansiosa busca, sentiu a brisa afagar-lhe os cabelos e recordou seu primeiro sonho. Essa lembrança, no entanto, desfez-se ante o pensamento do perigo que os ameaçava.

Com a mente tomada por um grande senso de culpa, Adão apressou o passo na aflitiva procura. Onde estaria a sua amada?  Mais uma vez ergueu a voz num grito ansioso que repercutiu por todo jardim: “Eva, onde você está?” Aguardou uma resposta, mas ouviu somente um eco vazio que o desesperou.

Lembrou-se da árvore da ciência do bem e do mal; ali era o único lugar que não fora procurado.

Com a serpente em seus braços, Eva interrogou-a a respeito de muita coisa. Maravilhou-se ao perceber que a serpente a sobrepujava grandemente em conhecimento. Cheia de curiosidade, perguntou à serpente:

– Onde está a fonte de seu tão grande saber? Responda-me, pois quero também possuí-la.

Sem perder tempo, Satã, apontando para a árvore da ciência do bem e do mal, respondeu:

– Ali está a fonte de todo meu saber.

Ele conta então uma mentirosa história: disse que era uma serpente como as demais, comendo dos frutos do paraíso. Provando certo dia daquele fruto especial, recebeu, como que por encanto, todas as virtudes.

Olhando para a árvore da ciência do bem e do mal, Eva ficou surpresa e confusa. Privaria o Criador em seu amor algo tão bom às suas criaturas?! Vendo-a surpresa, Satã perguntou:

– É assim que Deus disse: Não comereis de todas as árvores do jardim?

Eva, inquieta, respondeu:

– Dos frutos das árvores do jardim comemos, mas do fruto dessa árvore que você diz ser fonte de sabedoria, disse Deus: “Não comereis dele, para que não morrais.”

A serpente em tom de desdém disse:

– Isso é falso. Se fosse assim, eu teria morrido. Certamente o Eterno os proibiu de comer dessa árvore para impedir que o homem venha a se tomar como Ele, conhecendo todas as coisas.

As palavras sedutoras da serpente causaram confusão na mente de Eva. Em quem confiaria? Tinha em mente a lembrança da ordem do Criador e de sua sentença, mas ao mesmo tempo tinha diante de si uma prova palpável que O contradizia.

Num desafio, a serpente colheu frutos da árvore proibida e passou a saboreá-los. Colocando um fruto nas mãos da mulher, incentivou-a a comer, dizendo:

– Não disse o Eterno que se alguém tocasse nesse fruto morreria?

Em Jerusalém havia grande comoção. Poderosos anjos apresentaram-se diante do Criador, solicitando permissão para esmagarem o covarde inimigo, oculto naquela serpente. O Eterno, contudo, impediu-lhes tal ação.  Deviam respeitar o livre-arbítrio concedido ao homem, podendo ele manifestar sua escolha sob a tentação do inimigo.

Os filhos da luz sofriam imensamente ao verem a mulher duvidando dAquele que tão bondosamente lhes dera a vida e a oportunidade de reinarem naquele paraíso. Como poderia duvidar de quem lhes dedicava tanto amor?!

Eva vacilava em sua convicção ao contemplar o fruto em suas mãos. Seu brilho, seu encanto, uma forte magia atraia aquele fruto a sua boca. Por alguns momentos o futuro pareceu-lhe sombrio e aterrador, mas venceu esse sentimento, pensando nas glórias que haveria de conquistar ao comer aquele fruto. Ainda um tanto indecisa, ergueu vagarosamente as mãos até tocar o fruto com os lábios.

Os súditos do reino da luz, estremecidos, inclinaram-se tomados por grande espanto. Parecia quase impossível, àquela altura, a mulher voltar atrás.

Enquanto pálidos os fiéis indagavam sobre uma possível esperança, presenciaram com horror a terrível decisão de Eva: resolvera romper para sempre com o Criador, tornando-se cativa da morte.

O Eterno, que em silêncio e dor contemplava aquela cena de rebelião, curvou a fronte.

Os fiéis, que em pânico julgavam-se vencidos, foram conscientizados de que nem tudo estava perdido. Se Adão resistisse à tentação, permanecendo fiel ao Eterno, ele selaria a grande vitória. Eva, que fora vítima de um engano, poderia ser conscientizada de seu erro, sendo favorecida com o perdão divino.

Quando Adão em sua angustiosa corrida alcançou o lugar da árvore, já era tarde demais. Assentada junto ao rio, Eva saboreava despreocupadamente o fruto proibido. Adão estremeceu. Seria mesmo o fruto da prova? Num gesto de esperança olhou para a árvore da ciência do bem e do mal, mas em pranto reconheceu a triste condenação. Cheio de tristeza contemplou sua esposa, mas não encontrou palavras para despertá-la para tão amarga realidade. Em completo desespero, ergueu a voz numa dolorosa exclamação:

“Eva, Eva, o que você está fazendo!”

Ao comer do fruto proibido, a mulher foi tomada por emoções que a fizeram imaginar haver alcançado uma esfera superior de vida. Ao ouvir a voz de seu esposo, ainda tomada pelas ilusórias emoções, ergueu a fronte estampando um sorriso, mas surpreendeu-se ao vê-lo chorando.

Com profunda amargura, Adão procurou saber a razão que a levara a rebelar-se contra o Eterno. Eva, prontamente, passou a contar-lhe a fantástica história da sábia serpente.

Satã sabia que essa história de serpente jamais convenceria o homem a comer do fruto da árvore proibida. Precisava encontrar uma maneira sutil de levá-lo a selar sua sorte seguindo os passos de sua esposa. Tendo Eva sob seu poder, resolveu fazer dela o objeto tentador. Aguardaria o momento oportuno para enlaçá-lo.

No dia em que dela comerdes, certamente morrereis. A lembrança desta sentença deixava Adão muito aflito. A expectativa de ver sua amada perecendo em seus braços, era demais para suportar. Esta aflição, contudo, foi diminuindo, ao ver que ela continuava feliz e carinhosa ao seu lado, como se nenhum mal lhe houvesse acontecido. Aliviado, Adão voltou a sorrir, correspondendo aos afetos de sua companheira. Rendia-se às mais doces emoções, longe de saber que era o inimigo quem o envolvia naqueles abraços.

Nesse momento de enlevo, Eva começou a falar-lhe de sua experiência com a ciência do bem e do mal. Falou-lhe dos tesouros da sabedoria que lhe haviam sido abertos. Em seu novo reino, viveria muito feliz. Entretanto, essa felicidade seria incompleta sem a participação de seu esposo. Falou-lhe da impossibilidade de retroceder em seus passos, e insistiu para que ele a seguisse.

Depois de falar-lhe de sua decisão, Eva, com um doce sorriso, estendeu-lhe as mãos contendo um fruto, pedindo-lhe que o comesse numa demonstração de seu amor por ela.

Com a voz tentadora em seus ouvidos, Adão assentou-se no gramado em profunda reflexão. Sua face tornou-se novamente pálida e suas mãos trêmulas. Temia rebelar-se contra o Criador, mas ao mesmo tempo compreendia que não conseguiria viver separado de sua companheira, a quem amava com infinito amor. Eva era carne de sua carne, a extensão de seu ser.

Sentia-se angustiado ao ter de tomar uma decisão tão séria.

A palidez do rosto de Adão refletiu-se no semblante de todos os fiéis ao Eterno. Ouviram a insinuação do inimigo e perceberam com horror a vacilação do homem. A indecisão de Adão deixava-os desesperados. Obedecesse ele àquela proposta de Satã, toda felicidade seria eternamente banida. Nas decisões do ser humano estava o destino de todo o Universo.

Depois de intensa luta íntima, Adão olhou para sua companheira; a ela unira-se em promessas de uma eterna entrega. Não a deixaria só agora. Partilharia com ela os resultados da rebelião. Tomou então das mãos de Eva um fruto e, num gesto apressado, levou-o à boca.

Procurando abafar a voz de sua consciência, que lhe falava de uma eterna perdição, Adão lançou-se nos braços de sua esposa, desfrutando o alto preço de sua rebelião.

Satã, com brados de triunfo, deixou o paraíso, voando rapidamente para junto de suas inumeráveis hostes, que aguardavam ansiosas o resultado de tão arriscada tentativa. Ao saberem da desgraça humana, uniram-se numa estrondosa festa. Sentiam-se seguros. Sião agora lhes pertencia por direito, podendo lá estabelecer um reino eterno, jamais sendo molestados pelas leis do Eterno.

Em todo o Universo os filhos da luz sofriam e pranteavam a derrota. Nunca houvera tanta tristeza e horror ante o futuro. As vozes que viviam a entoar louvores ao Criador proferiam agora lamentações.

O Eterno, antes mesmo de criar o Universo já havia previsto esse triunfo da rebeldia e, em Sua sabedoria e amor, idealizara um plano de resgate. Ordenou que Seus mais poderosos anjos circundassem imediatamente o jardim do Éden, impedindo que Satã tomasse posse do monte Sião. Consoladas ante a manifestação divina, as potentes criaturas, em pronta obediência, romperam o espaço infinito, circundando em instantes o paraíso, no seio do qual o ser humano, já transtornado pelo pecado, vivia o negror de uma noite que seria longa e cruel.

Sendo a autoridade do Eterno fundamentada na justiça, de que maneira poderia justificar Suas ações diante dos inimigos? Não entregara por Sua vontade o reino ao homem, e esse por livre escolha não o submetera a Satã? Enquanto surpresas as criaturas racionais consideravam as ações decisivas de Deus, ouviram Sua potente voz que, repercutindo por toda a criação, trazia a revelação do grande mistério – revelação tão maravilhosa que a partir daquele momento, por toda a eternidade, ocuparia a mente dos fiéis, sendo tema para as mais doces meditações.

O Eterno falou primeiramente sobre a terrível condenação que pendia sobre o homem e toda a criação. Disse que, ao se desligar da Fonte da Vida, o homem havia se precipitado em tão profundo abismo que não poderia ser alcançado pelo Seu braço de justiça e poder. Humilhado e torturado pelas garras do inimigo, não restava ao homem outra sorte além da morte – fruto doloroso de sua espontânea rebelião.

Considerando a situação humana, as hostes da luz não viam possibilidades de triunfo. Sabiam que só o homem poderia retomar o domínio do inimigo, devolvendo-o ao Criador. Mas o ser humano, eternamente escravizado em sua natureza, seria incapaz de tal vitória.

Com voz melodiosa e cheia de ternura, Deus revelou o plano da redenção, dizendo: “Na verdade, o homem colherá o fruto de sua rebelião numa terrível morte. Não posso, com o meu poder, mudar-lhe a sorte. Se assim agisse, seria injusto diante de meu decreto. Mas farei cair toda a condenação sobre um Substituto que surgirá na descendência humana. Esse Homem não trará em suas mãos as algemas da morte, sendo inocente e incontaminado em Sua natureza. Como representante da raça humana, enfrentará Satã e o vencerá. Após triunfar nessa batalha, provando que o amor é mais forte que o egoísmo, que a verdade é mais forte que a mentira, que a humildade é mais poderosa que o orgulho, o fiel Substituto erguerá as mãos vitoriosas não para saudar a grande conquista, mas para tomar das mãos da humanidade escravizada a taça de sua condenação. Sorverá assim, submisso, o cálice da eterna morte. Esse imenso sacrifício abrirá aos seres humanos uma oportunidade de serem redimidos, voltando aos braços do Criador, juntamente com o domínio perdido.”

As hostes, surpresas ante a revelação do Eterno, indagaram a identidade d’Esse Substituto. O Criador, com um sorriso amoroso, disse-lhes:

“Parte de Mim será esse Homem. O Meu Espírito repousará sobre uma virgem, e nela será gerado um Filho Santo. Esse menino será divino e humano. Em sua humanidade, ele será submisso à divindade que n’Ele habitará. Os remidos verão n’Ele o Pai da Eternidade, o Criador e Redentor, o Rei dos reis. O Seu nome será Yoshua (nome hebraico que traduzido significa o Eterno salva).”

Assumindo a natureza humana, Deus poderia pagar o resgate, morrendo em lugar dos pecadores.

As hostes da luz ficaram emudecidas ao conhecer o plano do Criador. O pensamento de verem-nO submeter-Se a tão penoso sacrifício, a fim de redimir o domínio perdido, era demais para suportarem. Não havia, contudo, outra esperança de vitória, a não ser através dessa amorosa entrega.

Após desfrutar o  pecado, o jovem casal sentiu-se mal. Inicialmente sentiram um grande vazio no coração, que logo foi preenchido pelo remorso e pela tristeza. Perceberam que, inspirados pela cobiça, haviam selado sua triste sorte e a de toda a criação. Parecia-lhes ouvir ao longe o gemido de um Universo vencido.

O sol, que os enchera de vida e calor naquele dia, ocultava-se no horizonte, anunciando-lhes uma negra noite. O arrebol, que até ali anunciara-lhes o feliz encontro com o Criador, parecia envolvê-los numa sentença de que jamais despertariam para um novo dia. Com o olhar voltado para o frio solo, vinha-lhes à lembrança a sentença: “No dia em que dela comerdes, certamente morrereis.” Desesperadas lágrimas rolavam em seus rostos ao aguardarem o trágico fim.

Ao considerar o motivo de sua rebelião, Adão começou a recriminar sua esposa por ter dado ouvidos à serpente. Eva, por sua vez, procurando desculpar-se, lançou a culpa sobre o Criador, dizendo: “Por que o Eterno permitiu que a serpente me enganasse?!”

O amor que reinava no coração humano desaparecia, dando lugar ao orgulho e ao egoísmo, que se fundiam em ressentimentos e ódio. Sua natureza já não era pura e santa, mas corrompida e cheia de rebeldia. Tudo estava mudado. Mesmo a brisa mansa que até ali os havia banhado em carícias refrescantes, enregelava agora o culposo par. As árvores e os canteiros floridos, que eram seu deleite, consistiam agora em empecilhos ao caminharem sem rumo naquela noite.

O propósito de Satã em encher o sábado de trevas parecia haver se cumprido. Naquela noite, não existia sequer o reflexo prateado do luar para falar-lhes de esperança. As estrelas cintilantes, suspensas no escuro céu, estavam ofuscadas pela dor.

Baixavam sobre o mundo as trevas de uma longa noite de pecado – sombras sob as quais tantos se arrastariam sem esperança de um alvorecer.

A noite já ia alta e as trevas pareciam envolver o triste casal em eternas sombras quando surgiu repentinamente um brilho no céu, que ia aumentando à medida que se aproximava da Terra. O casal estremeceu, pois sabia que era o Criador que vinha dar-lhes o castigo. Vencidos pelo pânico, puseram-se a correr, distanciando-se do monte Sião, o lugar da vergonhosa queda. Justamente para ali viram o Criador dirigir-Se. Eles, que sempre corriam ao encontro do amoroso Pai, atraídos por Sua luz, fugiam agora desesperados em busca de lugares escuros, de densa floresta.

O Eterno, movido por infinito amor, passou a seguir os passos do casal fugitivo.  Como tudo se transformara! Seus filhos não conseguiam mais ver n’Ele um Pai de amor, mas alguém que, irado, buscava castigá-los.

Movido por forte anseio de abraçar Seus filhos humanos, Deus fez ecoar a voz numa indagação: “Adão, onde vocês se encontram?” Sua voz, ao soar em meio às trevas, trazia consigo somente um eco vazio

Quantos, enganados por Satã, fugiriam de Sua presença no decorrer da longa noite de pecado, julgando-No um Senhor tirano, que vive buscando falhas e fraquezas nos pecadores, a fim de castigá-los! O Criador, todavia, não desistiria de procurá-los pelos vales sombrios do reino da morte, até conquistar um povo arrependido.

Adão e Eva, exaustos pela pressurosa fuga, esconderam-se por entre a folhagem de um pé de figueira. Reconhecendo sua nudez, procuraram fazer aventais cosendo aquelas folhas. Vestidos assim, julgaram poder livrar-se do sentimento de vergonha ante o Criador.

O Eterno, aproximando-Se do local onde o casal se escondia, perguntou:

– Adão, onde estão vocês?

Não podendo mais se ocultar de Deus, Adão ergueu-se juntamente com sua companheira e, cabisbaixos, apresentaram-se ao Criador, prostrando-se trêmulos a Seus pés. Não conseguiram encará-Lo mais, devido ao senso de culpa.

O Criador, carinhosamente, tomou-os pelas mãos, erguendo-os do chão, e, com expressão de tristeza no semblante,

perguntou-lhes:

– Por que vocês fugiram de Mim? Acaso comeram do fruto da árvore da ciência do bem e do mal?

Adão, todo trêmulo, com voz entrecortada  de temor, respondeu:

– A mulher que me deste por companheira, ela deu-me o fruto e eu comi.

Com esta resposta, Adão procurava desculpar-se, lançando a culpa sobre sua companheira.

Voltando-Se para Eva, o Eterno indagou-lhe:

– Por que você fez isso?

Eva prontamente respondeu-Lhe:

– Aquela serpente me enganou e eu comi.

Ambos não queriam reconhecer a culpa, lançando-a sobre outrem. Em suma, atribuíam ao Criador a responsabilidade por todo o mal praticado: “Por que concedera-lhes o livre-arbítrio? Por que criara a mulher? Por que criara a serpente?”

Deus observava Seus filhos que, tímidos e desconcertados, permaneciam diante de Si. Com profunda tristeza, Ele previu que essa seria a experiência de incontáveis seres humanos no decorrer da história. Quantos haveriam de se perder por não reconhecerem a própria culpa! Quantos procurariam justificar-se, lançando seus erros sobre os outros e até mesmo sobre o Criador!

Com palavras brandas, o Eterno procurou fazê-los reconhecer sua culpa. Somente reconhecendo sua necessidade, poderiam ser ajudados.

Olhando para as frágeis vestes tecidas por mãos pecadoras, disse ao casal:

– Filhos, essas vestes são insuficientes, logo secando se desfarão. Vocês precisam de vestes duradouras, que possam cobrir vossa nudez, livrando-vos da condenação. Se vocês quiserem, Eu posso dar-lhes essa veste.

Ante as palavras bondosas do Criador, que traziam esperança, o casal prostrou-se arrependido, despindo-se de suas ilusórias vestes, símbolos de seu fracasso. Almejavam agora as vestes da salvação, prometidas pelo divino Pai.

A Criação do Universo 5

 Depois de contemplar Seus filhos que, arrependidos, jaziam a Seus pés, o Eterno tomou-os carinhosamente pelas mãos e os levantou. Alegrava-Se em poder revelar ao homem caído o plano da redenção.

Deus passou a descerrar-lhes primeiramente os amargos resultados de sua queda, dizendo: “Filhos, vocês selaram o destino de toda a criação nas garras da morte. A desarmonia já permeia a natureza, procurando destruir nela todas as virtudes. O abismo no qual vocês imergiram pela desobediência é por demais profundo para que possam ser alcançados pelo meu poderoso braço. Assim, desligado da Fonte da Vida, não resta mais ao ser humano outra sorte além da morte.”

Depois de proferir estas palavras que revelavam uma triste sorte, o Eterno convidou o casal a segui-Lo. Cabisbaixos, Adão e Eva, em pranto, seguiram o Criador em Seus passos de justiça, que encaminhavam-nos ao lugar da vergonhosa queda, onde supunham encontrar o doloroso fim.

Enquanto caminhavam, contemplavam através das lágrimas as belezas adormecidas banhadas pela luz de Deus. Viam os inocentes animais, que não tinham consciência da grande dor Subitamente, o casal se deteve, vencido por intenso pranto; seus vacilantes passos os haviam levado para junto de um cordeiro, o animalzinho mais querido. Seus olhinhos de meiguice haveriam também de se apagar!

Enxugando-lhes as lágrimas, o Eterno ordenou-lhes tomar nos braços o inocente cordeiro.

Envolvendo-o junto ao peito, acompanharam silenciosamente os passos do Criador, até alcançarem o topo do monte Sião, lugar da vergonhosa queda. Contemplando ali os restos dos rubros frutos, com ímpeto lhes veio à mente a lembrança da sentença divina: “No dia em que dela comerdes, certamente morrereis.”

O terrível momento chegara. O homem culpado deveria sorver o amargo cálice da morte, sucumbindo sem esperança.

Consciente de sua perdição, o casal percebeu, com horror, que as mãos que os trouxeram para a vida empunhavam agora um cutelo pontiagudo de pedra. Trêmulos, prostraram-se e esperaram pelo cumprimento da justa sentença.

Enquanto emudecidos pelo medo, Adão e Eva aguardavam o golpe que os reduziria a pó, sentiram o toque macio das mãos divinas que os erguiam para uma nova vida. A condenação, contudo, haveria de recair sobre um substituto.

Colocando nas mãos de Adão o cutelo, o Criador lhe disse:

– O cordeiro morrerá em lugar de vocês.

Adão deveria sacrificá-lo.

Assustado ante a ordem de Deus, o casal, em pranto, pôs-se a clamar:

– Senhor, o cordeirinho não, ele é inocente! Com expressão de justiça, o Eterno acrescentou:

– Se ele não morrer, vocês não poderão ter as vestes das quais falei.

Ante a insistência do Criador, Adão, todo tremulo, num esforço doloroso, cravou no peito do cordeirinho aquela aguda pedra.

O golpe foi fatal, e o animalzinho, vertendo seu precioso sangue, mergulhou nas trevas de uma noite sem fim.

Contemplando o cordeirinho inerte sobre a relva ensangüentada, o casal ergueu a voz e chorou. Começavam a compreender a enormidade de sua tragédia. Quão terrível era a morte! Ela, em seu poder, apagara toda a luz dos olhos do inocente animal.

Inclinando-Se silenciosamente sobre o corpo inerte do cordeiro, o Eterno tirou-lhe a pele revestida de branca lã e com ela fez túnicas para cobrir a nudez do casal. Após vesti-los perguntou-lhes com carinho:

– Vocês entenderam o sentido de tudo isto?

Em profunda reflexão, por entre soluços de reconhecimento e gratidão, o casal exclamou:

– Ele morreu em nosso lugar, para dar-nos suas vestes!

Adão e Eva, embora compreendessem aquela realidade física, estavam longe de entender o significado daquele acontecimento.

A eles o Criador revelaria o mistério do divino amor.

Com expressão de infinita misericórdia, Deus passou a revelar ao ser humano o sentido daquele doloroso sacrifício, dizendo:

O inocente cordeirinho, que hoje padeceu, simboliza um homem que haverá de nascer. Em seus olhos haverá a mesma meiguice, o mesmo amor. Revestido por uma vida justa, como a branca lã que cobria o cordeiro, esse homem crescerá como um renovo sobre a Terra, não tendo nas mãos as algemas do pecado. Em sua aparência, esse homem não trará a pompa de um rei, por isso será desprezado por muitos. Será um homem de dores, pois cairá sobre si o peso de todas as provações. Em sua fidelidade ao reino da luz, esse homem lutará contra o inimigo usurpador, vencendo-o finalmente. Após triunfar em suas lutas, tomará sobre si o fardo de vossa condenação que lhe causará uma terrível morte. Ele será traspassado por causa da vossa rebelião e moído pelas vossas iniqüidades. Será oprimido e humilhado, mas não abrirá a sua boca, como o cordeirinho que hoje entregou-se pacificamente. Sucumbindo na morte, ele vos concederá os méritos de sua vitória. Envolvidos por suas vestes de justiça, estareis livres da condenação. A vida eterna alcançareis assim, mediante o sacrifício desse homem justo que haverá de nascer.

Adão e Eva, que num misto de gratidão e dor ouviram a revelação de tão grande salvação, indagaram reverentes a respeito desse homem especial que em sua descendência haveria de surgir, a fim de cumprir tão imenso sacrifício.

O Criador, olhando-os ternamente, movido por um amor que supera mesmo a morte, os envolveu num carinhoso abraço e revelou:

– De Meu sofrimento surgirá este Homem!

– Nós somos merecedores da morte Senhor, mas Tu és inocente e não deves sofrer em nosso lugar!

Enxugando-lhes as lágrimas, o Eterno com ternura lhes falou:

– Meus filhos, Eu os amo com um eterno amor.

– Após sorver o cálice da eterna morte, Este Homem  retomará a vida e subirá ao céu. Intercederei ali pelo homem perdido, concedendo a todos aqueles que, arrependidos, aceitarem meu sacrifício, as vestes de minha vitória. Juntos, triunfaremos finalmente sobre o reino do pecado que se desfará em cinzas sob nossos pés. Criarei então um novo Céu e uma nova Terra, onde unicamente a justiça e o amor reinarão. Viveremos assim para sempre, num reino de perfeita harmonia e paz.

O Criador, que acompanhado pelo casal permanecia ainda sobre o monte Sião, concluiu Suas revelações dizendo: “O jardim do Éden ficará agora vazio. O ser humano, durante a longa noite de pecado, vagueará em seu exílio. Não andará, contudo, sozinho: o Eterno, também peregrino, trilhará com o homem toda a estrada espinhosa, até poderem juntos galgar o monte perdido, triunfando gloriosamente sobre o reino da morte. A árvore da ciência do bem e do mal monumento da rebeldia será então desfeita, dando lugar a uma árvore gloriosa que, unindo sua copa à árvore da vida, se tornará no arco comemorativo da grande vitória. Sobre o santo monte redimido, repousará então para sempre o torno universal, que pelos fiéis triunfantes será nomeado: o trono de Deus e do Cordeiro.”

Adão e sua companheira, após ouvirem palavras tão confortadoras e cheias de esperança, ergueram a voz num cântico de gratidão e louvor. Conheciam agora o infinito amor de seu Criador e estavam dispostos a servi-Lo.

Depois de consolar o casal, Deus levou-os para fora do Éden. Não lhes foi fácil se despedir daquele precioso lar; ali haviam despertado para a vida nos braços do Eterno; ali desfrutaram momentos de pura felicidade, em companhia do Criador, dos anjos e dos dóceis animais. Uma saudade infinita parecia envolver o casal em seus passos de abandono.

Foi com espanto que Satã e seus súditos presenciaram a intervenção do Eterno. Ficaram abalados ante a surpreendente revelação do plano de resgate. Com raivosa frustração, compreenderam que, se de fato a promessa divina se concretizasse, não restaria nenhuma esperança.

Depois de refletir sobre tudo o que acontecera, uma grande ira apossou-se de seu coração. Não estava disposto a reconhecer a redenção do ser humano. Faria todos os esforços para retê-lo, juntamente com o reino que lhe fora entregue.

Quando o casal, acompanhado pelo Criador, alcançou o vale ferido pela morte, amanhecia. Ali Satã os enfrentou com fúria, numa tentativa de se apossar novamente do ser humano. O casal ficou trêmulo em face do inimigo, mas as mãos protetoras de Deus os acalmaram.

Expressando no semblante a firmeza de uma justiça que é eterna, o Eterno silenciou as ameaças do inimigo com as seguintes palavras: “O ser humano Me pertence, pois Eu o comprei com o meu sangue”.

Ao caminharem  junto ao Criador, Adão e Eva observavam com tristeza os sinais da morte estampados naquela natureza antes tão cheia de vida. As belas flores, que haviam desabrochado para exalar aromas eternos, pendiam agora murchas; os passarinhos, que com alegria os saudavam em cada alvorecer com os seus trinos, voavam agora distantes, fazendo soar tão tristes cantos! Tudo estava mudado na natureza. A ciência do bem e do mal não trouxera nenhum bem ao Universo, mas um intenso conflito espiritual e físico.

Ante as conseqüências devastadoras de sua queda, o casal, vencido por uma indizível tristeza, prostrou-se arrependido e chorou amargamente. Deus, que também compungido pela dor contemplava o cenário desolador, procurou, com palavras de esperança, confortá-los. Falou-lhes sobre o novo Céu e a nova Terra que um dia criaria, onde a paz e o amor voltariam a reinar em cada coração. Ali viveriam sempre juntos, não trazendo na fronte as marcas da tristeza, mas coroas de eterna vitória.

Ali enxugaria as lágrimas de suas faces e essas jamais voltariam a umedecer os seus olhos.

Amparando Adão e Eva em seus passos, o Criador conduziu-os através de um vale ferido, até alcançarem o sopé de uma colina. Galgaram-na em lentos passos, enquanto trocavam palavras de ânimo e esperança. Seus pés alcançaram finalmente a relva macia que cobria o topo espaçoso daquela colina. Era sobre aquele lugar que o casal via a cada dia o sol declinar, banhando o céu e os vales de um vermelho vivo, como o sangue que jorrara do peito do cordeiro.

O sol declinava em sua jornada, anunciando a chegada de mais uma triste noite – a primeira fora do paraíso. Num calmo gesto, o Eterno, mostrando-lhes o vale sobranceiro à colina, falou-lhes com carinho: “Aqui será vossa provisória morada. Daqui podereis contemplar o paraíso que por algum tempo permanecerá na Terra, até ser recolhido ao seu lugar de origem, no seio da Jerusalém Celeste. Ali, protegido pela justiça, aguardará o alvorecer da vitória. Quando esse grande dia chegar, retornaremos juntos a Sião, onde seremos coroados em glória, num reino de eterna felicidade e paz”.

Depois de dizer estas palavras, Deus ordenou ao casal que construísse naquele lugar um altar de pedras, sobre o qual a cada semana, na noite que antecede o sábado, deveriam imolar um cordeiro, pela memória de Seu sacrifício. Como sinal de Sua presença, e para a certeza de que seus pecados seriam perdoados, Ele acenderia um fogo sobre o altar, o qual duraria toda a noite, até consumir por completo a oferta do sacrifício.

Para que o ser humano pudesse firmar sua fé sobre as verdades reveladas, e não na manifestação visível da pessoa do Criador,

Ele haveria de permanecer invisível daquele momento em diante. Somente em ocasiões especiais, quando se fizesse necessário

Sua aparição ou a de anjos para novas revelações e advertências, isto ocorreria.

O Eterno disse-lhes com amor: “Filhos, embora vocês tenham de permanecer neste ambiente hostil, não precisam temer, pois Eu permanecerei ao lado de vocês. Serei um companheiro amigo nesta jornada; levarei sobre os meus ombros suas dores, seus anseios, suas lutas. Quando, tentados pelo inimigo, estiverem a ponto de ceder, poderão encontrar abrigo em meus braços, que sempre estarão estendidos para salvá-los e, se algum dia vocês não resistirem, e pela fúria do inimigo forem arrastados para as profundezas do abismo, não se desesperem julgando não haver esperança, pois Eu estarei ali para acudi-los com o meu perdão e força. Tenham sempre em mente o significado das vestes recebidas das minhas mãos, pois elas falam da redenção que ao homem pertence. Descansem filhos meus, nos meus braços de amor.”

O Criador deixou o casal adormecido sobre a relva, depois de beijar-lhes as faces já marcadas pelo sofrimento. Sua luz dissipou-se ao tornar-Se invisível, dando lugar às trevas daquela primeira noite fora do paraíso.

Deus, ainda que invisível, permanecia ao lado de Adão e Eva ali na colina. O sofrimento deles era o Seu sofrimento, como também a esperança de um dia retornarem vitoriosos a Sião.

Longa seria a noite do pecado, e renhida a batalha pela reconquista do reino perdido. O triunfo da luz requereria da parte de Deus um sacrifício imenso. Na pessoa do Messias, a seu tempo, ele nasceria entre os homens, com a missão de pagar o preço do resgate. Por meio dEle muitos seriam libertos das garras do inimigo: todos aqueles que O aceitassem como Salvador e Rei.

Contra esses escolhidos, o inimigo arregimentaria todas as forças procurando fazê-los cair.

Em sua visão do futuro, o Criador contemplou com alegria o triunfo final dos redimidos. Haviam sido extremamente provados, mas em tudo foram mais do que vencedores por meio dAquele que os redimiu das trevas para o reino da luz.

Depois de antever os sofrimentos que adviriam da grande luta, o Eterno estendeu o olhar pelas planícies cativas, contemplando ali as hostes rebeldes dispostas para a luta. O objetivo desses exércitos, era apossar-se novamente do ser humano, no qual estava selado o direito de domínio sobre o Universo.

Contrária à natureza do Criador é a guerra, mas para defesa de Seus filhos, estava disposto a empregar o Seu poder. Sua força, contudo, somente seria empregada com justiça. Se o ser humano recusasse essa proteção oferecida mediante o sacrifício do Messias, Deus nada poderia fazer para impedir que o mesmo perecesse nas garras do inimigo. Adão e Eva, contudo, haviam se arrependido de seu grande pecado, recebendo pela misericórdia de Deus vestes de salvação, simbolizadas pelas peles do cordeiro sacrificado.

Justificado pela entrega do casal, o Eterno convocou Seus poderosos exércitos para a peleja. Em pronta obediência as hostes da luz irromperam pelo espaço sideral em direção à Terra, circundando qual forte muralha a colina, portadora daquele tesouro redimido pelo sangue do divino Rei.

Ao ser humano fora conferido no Éden o dever de cuidar da natureza : preparavam canteiros para as flores; colhiam frutos para mantimento; dirigiam os animais em seu inocente viver, adestrando-os para que lhes fossem úteis. Essas ocupações tinham sido para eles fontes de desenvolvimento e prazer. Agora, apesar das adversidades, deveriam continuar realizando esse dever. O trabalho em si, realizado segundo as ordens do Criador, já anularia muitos ataques do inimigo.

As primeiras ocupações do casal naquela manhã, trouxeram-lhes revelações do grande amor de Deus, até então desconhecidas. Ao reunirem as pedras para construção do altar, experimentaram a dor de feridas que jorram sangue, como também a fadiga que faz minar suor. Sentindo e contemplando tudo na própria carne, amaram mais o Salvador, para quem o altar construído prefigurava feridas maiores, que verteriam todo o Seu sangue, como também fadigas que minariam toda a seiva de Sua vida.

O olhar de saudade e de esperança do casal de agora em diante, jamais pousaria no Éden distante, sem discernir primeiro o altar dos sacrifícios. Esse altar, com suas manchas de suor e sangue, permaneceria como uma lembrança da dor e do sofrimento que, depois de umedecer os lábios dos seres humanos, transbordaria na taça do Criador.

Após contemplar por longo tempo o paraíso da eterna vida que estendia-se muito além daquele altar escuro de morte, o casal experimentou o doce alívio do descanso.

Desejosos de conhecer as paisagens de seu novo lar, Adão e Eva, animados pela esperança, saíram a passear. Seus passos conduziram-nos por caminhos de sorrisos e de lágrimas; de encantos e desilusões; de flores que desabrochavam delicadas, banhadas em perfume, e de flores despetaladas, tombadas murchas e sem cheiro; de animais ainda dóceis e submissos e de animais inimigos, ferozes e ameaçadores. O casal discernia em seu passeio as divisas de dois mundos: o da luz e o das trevas; do amor e do egoísmo; da esperança e do desespero; da harmonia e da desarmonia; da vida e da morte. Essa visão encheu-lhes de tristeza e choraram longamente. Essa tristeza aumentaria ainda mais no futuro, quando descobrissem o aprofundamento dessas divisas no seio de sua descendência.

Seis arrebóis já haviam colorido os céus anunciando ao casal as noites escuras e frias que com seu manto de trevas desfazia todas as imagens vivas, menos a esperança de revê-las coloridas no alvorecer de luz.

Aproximava-se agora a hora do sacrifício, quando o rude altar, abrasado em sua justiça clamaria pôr sangue. Se não lhe oferecessem a oferta, explodiria com certeza, envolvendo todo o mundo com suas chamas; Já não haveria então alvorecer, nem esperança de Éden a florir.

Quão precioso é o sangue! Sangue é vida; vida é luz! Para um ser aquela noite tornar-se-ia eterna, sem alvorecer! Esse ser deveria assumir a culpa de todo o mundo, dando o seu sangue ao rude altar.

Adão e Eva depois de refletirem por longo tempo, contemplando o berço da morte construído pôr suas mãos, entreolharam-se inquietos com essa questão decisiva: Quem se oferecerá? Essa indagação nascida de sua culpa, fez vibrar no profundo de suas lembranças a voz do bendito Criador em Sua revelação de infinita bondade: – Eu os amo com um eterno amor; Eu morrerei em vosso lugar”.

Agradecido, o casal prostrou-se reverentemente ante o sedento altar, vendo-o pela fé, saciado pelo dom do eterno amor.

Naquela tarde de sexta-feira, Deus submetia o ser humano a uma tremenda prova de fé. Eles tinham diante de si o altar de pedras, construído conforme a ordem divina, mas não havia nenhuma ovelha para o sacrifício. Em seu anseio, lembravam-se do Éden, onde havia muitos rebanhos.

Ao verem o sol tombar no horizonte, Adão e Eva passaram a clamar a Deus por socorro, pois sabiam que somente um milagre poderia providenciar-lhes, naquele derradeiro momento, um cordeiro para o sacrifício.

Quando as sombras do anoitecer começaram a envolver a colina, o casal que vivia tão dura prova de fé, discerniu um pontinho branco que saltitava no gramado vindo em direção deles. À medida em que se aproximava, aquele vulto parecia falar de esperança, de vida e calor. Ao verem que o grande milagre acontecera, correram ao encontro do cordeiro, envolvendo-o nos braços. Ele estava fatigado, mas não descansaria: daria descanso. Estava sedento, mas não beberia: daria de beber ao altar que clamava por sangue. Aquele cordeiro tinha vontade de viver nos braços do homem, mas morreria, para que esse pudesse viver nos braços de Deus. Era um perfeito simbolismo do Redentor que deixaria Sua glória, vindo em busca do pecador.

As trevas de mais uma noite baixaram lentamente envolvendo toda a natureza em sua prisão. Sua força, porém, seria quebrada diante do ser humano, pelo brilho de um fogo especial, aceso pelas mãos do divino perdão sobre o corpo sem vida do inocente cordeiro.

Em meio à  noite o altar clama; o homem triste exclama, enquanto o cordeiro, mudo, não reclama ao ser estendido para a morte.

As mãos que construíram o altar erguem-se agora, não para acariciar como outrora, mas para ferir, sangrando o preço do perdão. Só um gesto, nada mais, e a estrela se apagará para sempre dos olhos inocentes, fazendo brilhar na face culpada a luz da salvação.

Adão, trêmulo hesita em compaixão. No cordeirinho manso e submisso, pronto a morrer em seu lugar, vê o Salvador prometido. Com o coração arrependido, num esforço doloroso, crava o cutelo de pedra no peito do animalzinho que perece em suas mãos sem sequer dar um gemido.

O poder da noite imediatamente é quebrado pelo brilho do fogo da aceitação. Sua luz revela ao ser humano sua trágica condição: Vendo as mãos manchadas pelo sangue inocente, o casal sente-se culpado por aquela morte. Em pranto ajoelham-se ante o altar que já não lhes reclama sangue, mas oferece luz, aceitando o imerecido perdão.

Erguendo-se, o casal contempla demoradamente o corpo ferido do pobre cordeirinho, sem poder agradecer-lhe pela riqueza concedida em troca de seu tão rude golpe.

Banhados pela suave luz do sacrifício, Adão e sua companheira permanecem  a meditar, até serem vencidos por um profundo sono. Recostando-se ao solo coberto de relva macia, adormecem docemente sob os cálidos raios do perdão, certos de que seu brilho e calor perdurariam até serem as trevas daquele sábado desvanecidas completamente pelo fulgurante sol.

A luz do cordeiro, desde que fora acesa sobre o altar naquela noite, permanecia em constante guerra com as trevas. Por várias vezes crescia em brilho, afugentando para distante a fria escuridão, banhando a natureza com os seus raios de vida. Por vezes, as trevas trazendo o seu vento frio, quase bania por completo a chama. Essa, todavia, num grande esforço alimentava-se do sangue do cordeiro, lançando ao alto sua ardente chama, inundando de luz e calor tudo aquilo que havia ao redor.

O conflito entre a luz nascida do sacrifício e as trevas naquela noite, descerravam aos fiéis do Universo muitas lições importantes – verdades que ocupariam suas mentes por toda a eternidade. Naquela chama, ora ardente em seu brilho, ora fustigada pelos ventos da noite, os fiéis viam uma representação do conflito milenar entre o bem e o mal; conflito que sem trégua se estenderia até o alvorecer . O Eterno, no penhor de Seu futuro sacrifício, acendera em meio das trevas, a luz da verdade, e essa seria mantida acesa no coração do ser humano, em virtude de Seu sangue que seria derramado para remissão da culpa. Contra essa luz, o inimigo arremessaria todos os ventos frios da maldade, banindo do coração de muitos o seu doce brilho. Quantos jazeriam perdidos por recusarem a luz do perdão divino, ficando envoltos pelas trevas da escura noite!

Depois de longas horas de combate, surge no céu os sinais do amanhecer. A escuridão que com ira havia lançado seus ventos sobre a imorredoura chama procurando bani-la, torna-se confusa ante os sinais do amanhecer. O céu tingido de um vermelho vivo, faz lembrar o sangue que jorrara do peito do cordeiro para que a chama do perdão pudesse iluminar a noite humana. Em meio ao colorido de sangue, surge no horizonte o fulgurante sol, trazendo em seus aquecidos raios o sabor da vitória, envolvendo tudo com sua vida. O alvorecer em seu saudoso afeto, acaricia o distante paraíso, levando de seu amado seio em sua brisa matinal o aroma da saudade, numa mensagem de consolo e esperança às criaturas sofredoras do vale da morte.

Banhados pelos cálidos raios e pela brisa da esperança, o casal desperta em mais um sábado, cujo simbolismo aponta para o descanso no reino de Deus, ao culminar o grande conflito entre a luz e as trevas.

Para além daquele altar coberto de cinzas, Adão e Eva contemplam demoradamente o saudoso paraíso. Ainda que distantes em seu exílio, alegram-se com a certeza de que o sacrifício do Messias fará raiar para eles o sábado dos sábados: aquele de lágrimas para sempre banidas; de sol sempre a brilhar num límpido céu; de cordeiros sempre vivos a brincar pelo gramado; dia sem anoitecer, quando não haverá mais altar coberto de sangue e cinzas. Suspiram por esse dia de glória, quando Dês Se fará eternamente visível, levando nas mãos as marcas de Seu infinito amor pelos Seus filhos.

Adão e Eva que estavam acostumados às flores eternas no paraíso, aquelas que não as viram desabrochar, viam-nas agora surgirem em tenros botões, em meio às ameaças de espinhos prontos a ferirem. Essas tenras flores, sem importarem-se com os espinhos, exalavam perfumes suaves de louvor e gratidão, jamais se cansando de agradar o ambiente. Quando fustigada pelos ventos frios da noite, essas flores não se ressentiam, mas ofereciam seu aroma, que transformava a fúria dos ventos em brisas perfumadas de um alvorecer.

Movidos por profunda gratidão, o casal acompanhava atentamente o ministério de amor daquelas flores que, jamais se cansavam de abençoar, oferecendo sua beleza e perfume como alívio para aqueles que eram feridos pelos rudes espinhos.

Aquelas flores singelas e puras, depois de mostrar em sua curta vida que o perdão e o amor são mais fortes que todos os ventos e espinhos, num último esforço de comunicar alegria, exalavam seu perfume, tombando murchas e sem vida sobre o solo frio. Ali, esquecidas, transformavam-se em insignificante pó que era espalhado pelo vento.

A morte das flores, ainda que parecesse fracasso, revelou ao casal o mistério do renascimento da vida: Morrendo, as flores davam vida aos frutos que, por sua vez, depois de servirem de alimento, doavam suas sementes cheias de vida. Na morte dessas sementes, renascia o milagre da vida, multiplicando as árvores com suas flores prontas a repetir o ensinamento do amor e do sacrifício.

A natureza, portanto, embora maculada pelo pecado, revelava o mistério oculto do plano da redenção. Cada flor a desabrochar em meio aos espinhos, em sua curta vida de amor, era um símbolo do Salvador que nasceria entre os espinhos da maldade, para com o seu perfume consolar o coração dos aflitos. Semelhante à flor, o Messias depois de provar que o amor e o perdão são mais fortes que todos os ventos do ódio; que a verdade e a justiça do reino de Deus são maiores que todos os enganos e injustiças do reino do inimigo, verteria a seiva de sua vida, morrendo para redimir os culpados.

A Criação do Universo 6

 Consolados pelas revelações da natureza, Adão e sua companheira,  aprendiam a cada dia a amar mais o Salvador. Cresciam em sabedoria, humildade e santidade. Todas as virtudes destruídas pelo pecado, renasciam no coração.

A colina, sob a proteção dos anjos da luz, tornou-se numa  miniatura do Éden distante. Entre os animais reunidos e domados com amor, haviam muitas ovelhas.  Na noite que antecedia cada sábado, Adão tinha, por ordem do Criador, de repetir o doloroso ato. Quanta amargura e arrependimento sobrevinham ao casal ao baixarem as trevas da noite do sacrifício! Quanto consolo lhes trazia a chama do perdão que jamais deixara de brilhar sobre o altar.

O decisivo valor do sacrifício, para que a vida pudesse florescer sob a proteção divina, levou o casal a valorizar imensamente o seu pequeno rebanho. Cada sexta-feira, contudo, passou a trazer consigo, além da dor, uma inquietação: – Quem doará seu sangue ao altar quando a última ovelha perecer?

Aos olhos do casal maravilhado, aconteceu enfim o milagre do amor, renovando-lhes a esperança de viverem outras semanas sob o brilho da chama do perdão: uma ovelha, a mais gorda delas, passou a sangrar como em sacrifício; De sua dor, nasceram-lhes quatro cordeirinhos.

Cheios de alegria e gratidão, Adão e Eva prostraram-se ante o Salvador invisível, tendo nas mãos aquelas novas criaturinhas que traziam em seus olhos a mesma meiguice e disposição para o sacrifício.

Seguros de que novos milagres multiplicariam seus dias, o casal uniu sua voz como outrora, num cântico de gratidão e adoração ao Criador que, como os cordeirinhos nasceria também da dor para cumprir em sua vida o maior de todos os sacrifícios, para salvação da humanidade.

O Eterno, embora invisível aos olhos de Seus filhos humanos, permanecia bem próximo, acompanhado por um exército de anjos, em incansável ministério de cuidado e proteção. O casal estava inconsciente de que a doce calma e paz reinantes naquela colina, bem como toda a sua prosperidade, eram frutos de tão intensa luta. Se os seus olhos fossem abertos para as cenas que ocorriam invisíveis, ficariam tomados de espanto; Quão terrível era o inimigo e suas hostes em suas constantes investidas com o propósito de arruinar o ser humano, arrebatando-o das mãos do Criador.

Depois de contemplar os de cordeiro, Deus fitou o casal com ternura, revelando-lhes algo que os surpreendeu e alegrou:

– Quando desses cordeiros trinta e seis houverem subido ao altar, os vossos braços envolverão o primeiro filho que, como eles surgirá também da dor. Esse filho em sua infância lhes trará alegria saltando como os cordeirinhos em vosso lar. Devereis instruí-lo com dedicação nas leis da harmonia, mostrando-lhes o caminho da redenção. Como vocês, ele será livre para escolher o rumo a seguir. Aceitando o ensinamento, sua vida será vitoriosa; rejeitando-o, caminhará para a derrota.

Adão e Eva ouviram com alegria a promessa divina, mas ao mesmo tempo experimentaram no profundo do ser um temor ao conscientizar-se da responsabilidade que teriam. Sabiam que Satã faria todos os esforços para levar a criança prometida à perdição.

Era noite alta quando o Criador, depois de acariciar seus filhos, os deixou adormecidos sobre o gramado macio.

Depois da promessa, cada cordeirinho levado ao altar fazia pulsar mais forte no ventre materno a esperança da alegria que em breve alcançariam. Trinta e seis finalmente baixaram às trevas cumprindo o tempo determinado pelo Criador em que a primeira criança receberia a luz.

Com as mãos ainda manchadas pelo sangue do sacrifício, Adão amparou sua esposa que, aos pés do altar prostrou-se vencida pela dor que lhe trouxe o primeiro filho. A pequena criança não trazia na face a alegria da liberdade, mas o choro de sua prisão; Esse pranto duraria a noite inteira, não fosse o brilho daquela chama aquecida de esperança que, logo atraiu a atenção de seus olhinhos atentos. Envolvendo-o com alegria, Eva consolada de seu sofrimento, disse: “Alcancei do Senhor a promessa”. Deu-lhe então o nome de Caim.

Depois de envolver o filhinho com as peles macias de um cordeiro, o casal permaneceu acordado a meditar. Muitos eram os pensamentos que ocupavam suas mentes: pensamentos de alegria, de gratidão, de esperança e de anseio pelo senso da responsabilidade que agora pesava sobre seus ombros.

Acariciando com ternura a pequena criança, o casal amadureceu em sua experiência, compreendendo melhor o misterioso amor de Deus que, para salvar Seus filhos, dispôs-Se a morrer em lugar deles.

Adão e Eva não estavam sozinhos em suas reflexões: todos os seres inteligentes do Universo consideravam com interesse sobre o futuro daquele indefeso bebê que no íntimo trazia um reino de dimensões infinitas, a ser disputado pelos dois poderes em luta.

Vendo a criança esboçar o seu primeiro sorriso, o casal subitamente lembrou-se da promessa do Criador que era confirmada em cada sacrifício : Ele nasceria da mulher como criança, com a missão de redimir a humanidade. Não seria Caim já o cumprimento da promessa? O infante com seus olhinhos brilhantes de alegria se parecia tanto com os cordeirinhos que nasciam e cresciam com a missão de serem sacrificados! Considerando assim, o casal apertando o filhinho junto ao peito começou a chorar sem consolo. Quão terrível, seria oferecer seu filhinho inocente ao rude altar!

Para o casal compungido pela dor, surgiu em fim o brilhante sol fazendo reviver com seus cálidos raios as promessas que apontavam para um Salvador que, ainda no futuro, nasceria também da dor para cumprir o eterno plano de redenção.

Abençoada pelo Criador e envolvida pelo amor e cuidado dos pais, a criança se desenvolvia em sua natureza física e mental, tornando-se a cada dia alvo maior de uma incansável batalha entre as hostes espirituais.

Adão e Eva, ansiosos por fazê-lo compreender as verdades da salvação, tomavam-no nos braços a cada alvorecer e, à beira do altar lhe apontavam o Éden distante, contando aquelas histórias de emoção as quais o pequeno Caim ainda não conseguia compreender. Qual foi a alegria daqueles pais, ao vê-lo numa manhã de sol, apontar com a mãozinha para o lar da saudade, pronunciando o nome sagrado do Criador. Emocionados tomaram-no nos braços, pedindo-o para repetir esse sublime nome que, qual chave de felicidade, sempre descerrava-lhes um paraíso de eterno amor.

Todas as hostes da luz inclinaram-se com alegria ao ouvir a pequena criança pronunciar o nome do divino Rei.

As semanas iam se passando trazendo consigo novas vítimas para o altar, e o pequeno Caim, alvo da atenção e cuidado de Deus, das hostes da luz e daqueles amantes pais incansáveis na missão de instruí-lo, agrupando suas poucas palavras, sempre curiosos com tudo passou a interrogar.

O dia declinava quando o menino, que jazia ao colo de sua mãe, perguntou-lhe:

– Mamãe, por que o sol sempre vai-se embora, deixando a gente no frio da escuridão?”

Eva, surpresa contemplou seu filho, sem encontrar palavras para responder-lhe a indagação que trouxe-lhe à lembrança o passado de felicidade destruído por sua culpa. Após um momento de silêncio, beijando a face do pequeno Caim, disse-lhe:

– Filhinho, um dia o sol virá para ficar, trazendo em seus raios um mundo só de harmonia; já não haverá animaizinhos a brigar, nem cordeirinhos a morrerem sobre o altar”

Caim, insatisfeito com as palavras da mãe, demonstrou não ter paciência para aguardar esse dia que jazia em distante futuro. Repetia em pranto: – “Eu quero o sol hoje , amanhã não!”

Eva, pacientemente, procurou acalmar seu filho, falando sobre a luz de Deus, que pode tornar a noite em dia. Ele o amava e poderia encher seu coraçãozinho de brilho, de alegria e paciência. Poderia assim, aguardar feliz o dia de seus sonhos.

Balançando a cabecinha em rejeição ao consolo da mãe, Caim proferiu entre soluços: -“Eu quero o sol porque eu posso vê-lo, ao Eterno não”.

Como uma seta dolorosa as palavras de rebeldia de Caim penetraram no coração de Eva, fazendo-a chorar amargamente.  Uma tristeza infinita pairava sobre o coração do Criador rejeitado. Esboçavam-se nos gestos de Caim os primeiros passos pelo caminho descendente da rebeldia. Quantos o seguiriam rumo à morte!

Inconsciente da tristeza que abatera-se sobre o reino da luz, Adão, ao ver o sol declinar no horizonte, deixou seu trabalho no campo rumando-se para casa. Tinha um cântico no coração ao caminhar para mais um encontro com os seus.

Ao aproximar-se do altar, viu junto dele sua companheira prostrada em pranto. O pequeno Caim jazia também ali a chorar. Tomando-o nos braços, Adão perguntou-lhe com anseio: -“O que aconteceu meu filho?” Caim tristemente respondeu: -“Mamãe deixou o sol ir embora”

Amparando o filho com seu braço esquerdo, Adão pousou sua mão direita sobre o ombro de Eva, mas não encontrou palavras para consolá-la. A frase dita por seu filhinho, pareceu rasgar-lhe o coração, fazendo-o reviver a queda.

Depois de refletir, Adão sentindo-se culpado respondeu para Caim: -“Foi o papai quem deixou o sol ir embora meu filho!”.

Com soluços de grande tristeza, Adão uniu-se a eles no pranto. A lembrança do Salvador, contudo, o consolou. Enxugando suas lágrimas e as de seu filhinho, disse-lhe com ternura: -“Podemos nos alegrar filhinho ,pois Deus prometeu fazer o sol para sempre brilhar no céu; ele será como o fogo que surge no altar, banindo as trevas da noite”.

Com os olhinhos voltados para o último clarão do arrebol, Caim permaneceu sem consolo.

Naquele entardecer, não houve como de costume um alegre jantar. A pequena família, entristecida, permaneceu  a meditar por longas horas, até sonolentos adormecerem sob a luz das estrelas.

O inimigo e suas hostes, em sarcasmo de maldade zombaram naquela noite do sofrimento de Deus e Seus fiéis. Repetindo as palavras de rebeldia do pequeno Caim, ufanava-se como vencedor. Num desafio ao Criador pronunciou : – Veja como esse meu pequeno escravo te rejeita! O mesmo se dará com todos aqueles que hão de nascer. Estou certo de que o direito de domínio jamais sairá de minhas mãos.

Todas as hostes rebeldes repetiram em eco as afrontas do enganador, humilhando os súditos da luz que sofriam do lado do Eterno.

Com suas afrontas, o inimigo procurava fazer Deus desistir de Seu plano de redenção. Se isso acontecesse, seu reino de trevas se estenderia por toda a eternidade, suplantando o domínio da luz.

Em resposta ao desafio do inimigo, o Eterno afirmou solenemente : – Ainda que todos me rejeitem , Eu cumprirei a promessa.

 O Criador não suportava o pensamento de ver o pequeno Caim caminhar para a perdição. Por ele intercedia a cada dia, oferecendo ante a justiça o Seu sangue que verteria. Anjos poderosos guardavam-no a cada momento, espancando as trevas espirituais que o acercavam procurando torná-lo insensível aos benefícios da salvação , que eram ilustrados pelos símbolos.

Adão e Eva em seu incansável ministério de amor, todos os dias ensinavam a Caim as lições espirituais ilustradas na natureza. Em cada sábado procuravam firmar em sua mente juvenil a esperança de uma vida eterna, que seria fruto do sacrifício do Salvador. Ele depois de viver uma vida sem pecado, morreria como um cordeiro , para poder expulsar para sempre as trevas.

A contemplação do Éden distante banhado em sol fez nascer no coração juvenil de Caim pensamentos de aventura. Ele começou a pensar : “Este paraíso não está tão longe como afirmam papai e mamãe. Por que esperar e sofrer tanto tempo?! Ele é tão belo! É dele que surge todos os dias o sol! Se o conquistarmos, será fácil deter a luz em sua nascente; Assim viveremos num paraíso de eterno sol.

As idéias de aventura de Caim, enchiam o coração de Adão e Eva de tristeza. Viam que seu interesse era somente pelo tempo presente; ele sonhava com um paraíso de felicidade e luz conquistado por sua força. Em seus planos, não sentia necessidade de um Salvador; – Para que, se era tão jovem, inteligente , cheio de vida e ideais?- dizia.

Os dias de lutas, intercessões e sacrifícios pelo destino de Caim foram se passando. Oportunidades preciosas surgiam em cada dia diante dele para se apegar ao Salvador, mas a todas rejeitava, uma por uma. Em sua incredulidade chegou a duvidar da existência desse Deus, o qual jamais vira.

Aos pais que, aflitos mas sempre com paciência, procuravam livrá-lo da perdição para a qual estava caminhando, prometeu um dia , após sorrir com ar de incredulidade, crer no Criador e em Seu plano de salvação, caso Ele se tornasse visível na hora do sacrifício.

Com ardente fé, aqueles pais passaram a clamar ao Eterno. Sua presença visível poderia, quem sabe, salvar aquele filho querido que a cada dia tornava-se mais rebelde.

O Criador ouviu o clamor dos pais aflitos. Embora soubesse que Sua aparição dificilmente quebraria no coração do jovem Caim seu espírito rebelde, estava disposto a cumprir o pedido. Estenderia os braços amigos a Caim, procurando com amor conquistar-lhe o coração. Como conhecia os seus anseios e sonhos de aventura, facilmente poderia identificar-Se com ele, cativando-o, pois era também Alguém que sempre carregara no peito sonhos de aventura; Não fora a criação do Universo uma grande aventura?! Não fora o Seu sonho vê-lo cravejado de sóis fulgurantes, iluminando bilhões de mundos com o seu brilho?! Não era também o Seu maior atravessar o vale da morte, em busca da conquista do Éden distante, prendendo para sempre o Sol em seu céu?! Tinham muita coisa em comum!

Caim estava curioso naquela sexta-feira. Na face dos pais, via ânimo e alegria, frutos de uma fé grandiosa. Incentivado por essa expressão de confiança, o jovem passou a ajudá-los nos preparativos para o santo sábado.

O Sol finalmente esquivou-se rolando para o poente, deixando como de costume seu rastro de saudade que anunciava medo. Em meio às trevas, Caim discerniu o vulto branco do cordeiro sendo erguido para o altar pelas mãos do pai – esse incansável sacerdote que sempre estava implorando ao Criador pela salvação de seu amado filho.

Com a mão erguida, Adão preparava-se para o golpe que poderia, quem sabe, quebrar no coração de Caim sua incredulidade, fazendo nascer num só momento a crença na salvação. De seus lábios escapa-se então a prece da fé: – Pai Eterno, ouve o meu pedido; Meu filho precisa de Ti! Somente um olhar Teu poderá conquistá-lo. Venha Senhor!!

Esta oração sincera caiu nos ouvidos daquele filho comovendo-o. Somente a prece já seria suficiente para convencê-lo da existência real de um Salvador.

Um forte brilho envolveu logo toda a colina banhando também o vale oriental .Os olhos arregalados de Caim pousaram então nos olhos amáveis do Criador, que trazia na face um brilho superior ao do sol, mas não ofuscante. Contemplando-O com admiração, Caim exclamou: – Ele é jovem como eu, e se parece com o Sol!

Adão e Eva, comovidos pela grande saudade tinham vontade de saltar ao peito do Salvador e beijá-Lo, mas deixaram que Ele Se encontrasse primeiro com Caim. Com alegria , viram o precioso filho envolvido nos braços do grande amigo, que era parecido com o seu astro.

Depois de longo abraço, Deus abraçou e beijou também o querido casal, companheiros no sofrimento

Caim, conquistado pela afeição do Pai Eterno, mostrou-Lhe seus animais de estimação e seu pequeno jardim carregado de lindas flores. Como estava encantado por vê-los coloridos naquela noite desfeita pelo brilho do Criador, como sob a luz do dia! Parecia até mesmo que o Sol baixara a eles.

Ao pensar no Sol, Caim como o amava muito, passou a falar sobre ele dizendo:

– Como ele é belo e bom! Quando ele vai-se embora, deixa em suas lágrimas de sangue um sentimento de tristeza e temor. Tudo desaparece em sua ausência : os animais, o jardim; até os passarinhos silenciam os seus cantos! …Mas basta ele dizer que vai aparecer, tudo se enche de encanto; A natureza se desperta de mansinho, parecendo ainda temer as trevas, mas quando as vê fugir , fica alerta e canta; Os animais, os passarinhos, o jardim,… tudo volta a viver feliz! Mas, esta felicidade sempre acaba!!!

Após falar estas palavras, Caim fitando o Criador indagou curioso:

– Papai sempre diz que foi você quem criou o Sol. É verdade?

Com um sorriso de sinceridade Deus respondeu-lhe que sim.

– Quando Você o fez no princípio, continuou Caim, ele já fugia para o poente?

– Ele nunca foge, respondeu o Eterno, é o mundo quem foge dele. Ele fica triste com essa ingratidão!

-Mas como? Perguntou Caim, contemplando curioso Sua face de luz .

Com palavras carinhosas, Deus passou a contar-lhe a história de Lúcifer que, em sua ingratidão baniu de seus olhos e dos olhos de uma multidão de criaturas, o brilho de Sua face – o Verdadeiro Sol. Depois de assim agir, iludiu a muitos dizendo que foi o Sol quem fugiu deles. Com sua astúcia, continuou o Criador, o anjo rebelde procurou arrastar o ser humano para as trevas, e conseguiu. O Sol naquele dia, chorou tantas lágrimas de sangue, que banhou todo o céu. Em seu último suspiro de luz, porém, ele prometeu ao mundo já tomado pelas trevas, voltar um dia a brilhar para sempre, enchendo todo o seu seio de vida.

Após falar-lhe estas palavras, o Eterno fitando aquele jovem, com expressão de tristeza nos olhos concluiu dizendo: – Hoje, o anjo rebelde promete a seus seguidores que irá com sua força deter o sol, mas ele jamais conseguirá realizar esse plano, pois não possui o laço que poderá detê-lo : o amor.

Cabisbaixo, Caim ouviu dos lábios do Criador essa história de promessas, a qual já se cansara de ouvir de seus pais. Essa história não lhe dava prazer, pois mostrava uma noite longa de sacrifícios sobre o altar, e de um Salvador a perecer em dor. Em realidade, Caim não via razões para tudo isso. Por que não banir logo o sofrimento colorindo as trevas de luz?!

Num esforço para conquistá-lo, o Eterno com muito amor fitou aquele jovem insatisfeito, e disse-lhe que, somente o sangue de Seu sacrifício poderia fazer o Sol para sempre brilhar, num reino de eterna felicidade e paz. Não havia outro caminho para essa conquista. Por isso, deveria ser paciente, descansando-se sob o Seu cuidado.

Após conversar por longo tempo com Caim, na tentativa de fazê-lo reconhecer sua necessidade de salvação, Jeová voltando-Se para o casal, passou a consolá-los com a promessa do nascimento de outro filho. Mais trinta e seis sacrifícios seriam contados, e seus braços envolveriam o segundo filho. Nasceria também da dor, mas traria nos olhos o brilho e o consolo da salvação. O seu testemunho de fidelidade ficaria perpetuado por todas as gerações, no símbolo de um altar coberto de sangue.

As semanas iam se passando, trazendo ao casal novas de alegrias e tristezas : de um coração cheio de vida a pulsar no ventre de Eva, e de um vazio com cheiro de morte a crescer no coração do jovem Caim. Ainda que ele tenha ficado deslumbrado ante a manifestação de Deus, em nada essa aparição mudou-lhe sua maneira arrogante de pensar sobre o sentido da vida. Ele não via sentido nos sacrifícios oferecidos no altar. Nos dias que seguiram o seu encontro com o Criador, ele argumentava com os seus pais dizendo: – Se eu fosse poderoso como o Eterno, eu jamais me submeteria ao sacrifício para reconquistar o reino perdido. Ele é forte, e brilha como o sol. Ele poderia com uma só palavra expulsar todas as trevas, devolvendo-nos o paraíso. Para que tanto sofrimento?! Com essa argumentação, Caim supunha-se mais sábio que o Criador. Quem sabe, num próximo encontro teria oportunidade de aconselhá-Lo.

Dessa forma, o jovem Caim aprofundava-se cada vez mais no abismo do orgulho e do egoísmo – lugar de ilusões para onde se ia, pensando estar caminhando para a vitória. Não fora Lúcifer juntamente com um terço das hostes celestes atraídos por essa mesma ilusão?! O bondoso Deus , todavia, não selaria o destino de Caim sem antes procurar de todas as formas salvá-lo da ruína eterna. Essa graça imerecida, fruto do divino amor, seria concedida a todo o ser humano que viesse a nascer neste mundo. Fim

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Evangelhos apócrifos – O Livro de Melquisedeque

Textos apócrifos, Evangelhos apócrifosEvangelhos Apócrifos – O Livro de Melquisedeque

Primeira parte

A História de um Vaso

Capítulo I

Eu estava descansando sob a sombra do Carvalho de Mambré, junto à tenda, quando vi chegar  apressadamente um dos servos de meu sobrinho Ló. Quase sem fôlego, ele passou a relatar-me sobre a tragédia: houvera no dia anterior uma batalha entre as cidades da planície, envolvendo quatro reis contra cinco. Como resultado, Sodoma fora derrotada e muitos de seus habitantes levados cativos, entre eles o meu sobrinho Ló. A notícia deixou-me muito aflito, pois ao mesmo tempo em que sentia que precisaria sair em seu socorro, via-me frágil, sem nenhuma possibilidade de me sair vitorioso.

Sempre fui um homem pacífico e detesto aqueles que derramam sangue. Tenho muitos servos, mas poucos sabem manejar espadas e lanças, pois desde a infância são treinados como pastores. Em lugar de espadas, eles manejam bordões com os quais conduzem os rebanhos. Em lugar de escudos, carregam vasos em suas cinturas, sempre cheios de água fresca para matarem sua sede e refrigerarem as ovelhas cansadas. Em lugar de vinho para se embebedarem, carregam presos em seus cintos pequenas botijas com o azeite das oliveiras, com os quais untam as feridas do rebanho. Em lugar de ressonantes trombetas eles sopram pequenos chifres, com os quais convocam o rebanho para o curral.

Imaginando como seria um combate entre os meus servos e os exércitos daqueles cinco reis vitoriosos, comecei a rir. Enquanto gargalhava, a voz d’Aquele que sempre me guia, soou aos meus ouvidos, dizendo:

–           Abraão, Abraão! Não menosprezes os instrumentos dos pastores, pois santificados pelo fogo do sacrifício, haverão de conquistar o grande livramento.

O Eterno passou a dar-me ordens, fazendo-me avançar pela fé, sem saber como tal livramento haveria de se realizar. O primeiro passo foi a convocação de todos os pastores que, deixando seus rebanhos, dirigiram-se ao Carvalho de Mambré, trazendo seus instrumentos pastoris. Eram ao todo 600 pastores. Ordenei que eles esvaziassem os jarros, colocando neles o azeite da botija.  Depois de cumprirem esta ordem, pedi que tomassem cada um a lã de uma ovelha, misturando-a com o azeite dos jarros.

Depois de transmitir todas as ordens aos pastores, o Eterno falou-me:

–           Toma agora o teu vaso, o teu único vaso, e traga-mo a mim para que eu te mostre o que deves fazer”.

Tínhamos na tenda três jarros adquiridos na cidade de Harã; Nos dois menores, guardávamos o azeite para as lâmpadas, e no terceiro que era o maior e mais bonito, guardávamos pérolas e pedras preciosas, jóias reunidas por Sara ao longo de nossas peregrinações. Julgando ser o terceiro jarro o escolhido, estendi as mãos para tomá-lo, mas o Senhor impediu-me de fazê-lo, afirmando que, ainda que ele fosse portado de riquezas que seriam essenciais para o livramento, Ele escolhera um jarro especial – aquele que fora rejeitado e esquecido. Lembrei-me do grande jarro de barro que nos fora presenteado por um humilde oleiro, quando estávamos próximos de Canaã. Nós o pusemos inicialmente ao lado dos três, e nele colocamos os primeiros frutos colhidos na terra prometida. Não havendo, contudo, nenhuma beleza nele, Sara o rejeitou, lançando-o para fora da tenda. Sete anos depois, o oleiro visitou-nos e, ao encontrá-lo abandonado junto à tenda, mostrou-nos uma maneira em que ele poderia ser útil. Amarrando-o firmemente com uma corda de linho, lançou-o ao fundo do poço; por meio dele, os pastores passaram a tirar água para os rebanhos.

Seguindo as orientações do Eterno, dirigi-me ao poço, fazendo emergir de suas profundezas o jarro esquecido; Ao vê-lo repleto de água, lembrei-me do momento em que ele fora lançado ali, vazio e seco. Depois de esvaziá-lo, o Eterno ordenou-me transferir para ele o azeite dos dois jarros menores bem como as jóias do terceiro. Como sobrara muito espaço vazio no jarro, o Eterno ordenou completá-lo com azeite novo de oliva. Ao concluir essa tarefa, o Senhor mandou-me fazer um longo pavio de lã, devendo ficar uma de suas pontas mergulhada no azeite e a outra suspensa sobre o vaso.

Depois destas coisas, o Eterno ordenou-me a acender o pavio com o fogo do altar. Ao aproximar-me do fogo sagrado que ainda ardia sobre o sacrifício da manhã, uma pequena fagulha saltou para o pavio, e pouco a pouco foi-se alimentando do azeite, até tornar-se numa labareda que podia ser vista de longe.

Capítulo II

Com o vaso nos ombros, comecei uma longa caminhada rumo às cidades da planície, sendo acompanhado pelos pastores. Logo começaram a surgir escarnecedores que, ao verem-me com aquele vaso incandescente em pleno dia, passaram a dizer que eu ficara louco. Ao espalhar esta notícia, muitos vieram ao meu encontro, aconselhando-me a retornar para a tenda, abandonando aquele jarro que seria capaz de destruir a boa reputação que eu havia conquistado entre eles. Quando eu lhes falei sobre os exércitos e sobre minha missão juntamente com os pastores, eles concluíram que de fato eu ficara louco. Tentaram tirar-me o vaso pela força, mas, agarrando-me a ele, impedi que o tirassem de mim.

Envergonhados diante de tudo aquilo, muitos pastores começaram a afastar-se: alguns retornaram para suas tendas, enquanto outros, uniram-se àqueles que riam de meu comportamento estranho. Sentindo-me sozinho com aquele pesado vaso sobre os ombros, comecei a angustiar-me. Ansiava encontrar alguém com quem pudesse compartilhar minha experiência, mas todos lançavam-me olhares de reprovação. Lembrei-me de Sara, minha amada esposa. Em obediência à voz do Eterno, havíamos trilhado por muitos caminhos, estando ela sempre ao meu lado, animando-me a prosseguir mesmo nos momentos mais difíceis. Com certeza Sara me traria consolo e forças para continuar firme, conduzindo o jarro da salvação. Enquanto avançava pelo caminho pensando em Sara, ela surgiu no meio da multidão. Ao dirigir-me a ela, fiquei surpreso e desalentado ao notar em seus olhos o mesmo menosprezo daqueles que zombavam de mim.

Lembrando-me da ordem do Criador de que teria de libertar meu sobrinho Ló, fui andando sozinho pelo caminho. Ao colocar-me no lugar daqueles que me achavam louco, eu dava-lhes razão, pois, em condições normais, nenhuma pessoa sai de casa, sem rumo definido, levando em pleno dia um vaso com uma labareda, afirmando estar marchando contra o exércitos de cinco reis. Realmente parecia se tratar de uma grande loucura. Mesmo assim, a despeito de todas as humilhações e palavras contra mim, eu avançava rumo ao vale. Toda aquela zombaria foi finalmente diminuindo à medida em que me distanciava do Carvalho de Mambré.

Começaram a sobrevir ao meu coração muitas dúvidas quanto ao meu futuro. Ficava às vezes aflito com o pensamento de que toda a minha experiência, desde a convocação dos pastores até aquele momento, poderia ser, de fato, demonstração de insanidade. Cheio de dúvidas, comecei a pensar na possibilidade de abandonar à beira do caminho o jarro, retornando para a tenda. Esses eram os conselhos de alguns pastores e amigos que, condoídos de minha solidão, ainda vinham ao meu encontro, aconselhando-me a retornar. Ali, diziam, eu poderia conquistar novamente a confiança dos pastores, voltando a ser, quem sabe, até mesmo um sacerdote honrado como antes. Sobre o altar, diziam, havia um fogo muito maior do que aquele que eu carregava sobre os ombros. Estava a ponto de retornar, quando Sara veio ao meu encontro, contando-me sobre o desprezo que muitos pastores lançavam contra mim. Ela estava consternada, pois toda aquela desonra recaía também sobre ela, ao ponto de não sentir mais desejo de permanecer junto ao altar.

Depois de alertar-me, Sara passou a falar-me de um plano: poderíamos, quem sabe, nos mudar para uma cidade distante, onde esqueceríamos todo aquele vexame. Esquecendo-me da voz que me mandara seguir rumo à planície, respondi que eu estaria disposto a acompanhá-la para qualquer lugar, se ela permitisse que eu levasse aquele jarro; Ele seria o nosso altar, aquecendo e iluminando nossas noites com sua chama. Ao ouvir sobre o vaso, Sara ficou novamente irada, afirmando não entender minha teimosia em continuar levando sobre os ombros aquele símbolo de vergonha e desprezo. Depois de dizer-me tais palavras, voltou-me as costas, retornando para a tenda.

Capítulo III

Angustiado por não poder agradar Sara, prossegui rumo ao futuro incerto, sendo orientado unicamente pela chama, cujo brilho aumentava à medida em que as trevas adensavam-se. Comecei a meditar sobre aquele fogo que me acompanhava com seu brilho e calor. Eu estava acostumado a ver o Fogo Sagrado entronizado sobre o altar de pedras, em meio aos louvores de muitos pastores, entre os quais me destacava como mestre e sacerdote. Naqueles momentos de adoração, eu me vestia com os melhores mantos, e fazia questão de realizar o sacrifício somente quando todos os meus servos estivessem reunidos ao meu redor, para que ouvissem meus conselhos e advertências. Na hora do sacrifício, eu erguia minha espada desembainhada e, com palavras amedrontadoras, proclamava a grandeza do Senhor dos Exércitos, o Deus Todo Poderoso que domina sobre os Céus e a Terra. Vibrando a espada num movimento ameaçador, eu representava diante de meus pastores a imagem de um Deus severo, que está sempre pronto a revidar qualquer afronta. Depois dessa demonstração de soberania e poder, eu tomava uma ovelha das mãos de um pastor, e a amarrava sobre o altar. Para que ficasse patente a ira divina, eu pisava sobre o seu pescoço, golpeando-a severamente, até vê-la perecer. Depois eu descia do altar e ficava esperando pelo Fogo Sagrado que jamais deixou de manifestar-se sobre o sacrifício.

Eu aprendera desde a infância a reverenciar o Fogo Sagrado, crendo ser ele uma revelação visível do Eterno, o Grande Deus Invisível. Até então, eu o vira como um Fogo Único e Indivisível. Agora, ao transportar em humilde jarro a chama que se desprendera do Altar, meus pensamentos agitavam-se com o surgimento de um novo conceito sobre o Criador: o conceito de um Deus Sofredor que é capaz de desprender-se do grande Ser representado pelo Fogo, para acompanhar o pecador em sua jornada.

Arrependido, prostrei-me diante do jarro e chorei amargamente. Estava consciente de que todo o zelo demonstrado junto ao Altar, tinha por finalidade a exaltação de meu orgulho, e não do amor daquele que me acompanhava pelo caminho. Subitamente, gravou-se-me na mente a convicção de que aquela pequena chama que se desprendera do Fogo Sagrado, era uma representação do Messias prometido, que Se desprenderia do Eterno para ser Deus Conosco, companheiro em todas as nossas jornadas. Ao sobrevir-me esta convicção, a chama alegrou-se, tornando-se mais brilhante e calorosa. Com o coração transformado, prossegui pelo caminho rumo ao vale, levando sobre os ombros o jarro que me trouxera depois de tanto desprezo, a alegria de uma nova compreensão sobre o caráter do Criador.

Momentos difíceis começaram a surgir em minha caminhada, quando ventos frios vindos do Mar Morto começaram a arremeter-se contra a pequena chama, procurando apagá-la. Eu a amparava com o meu corpo, andando muitas vezes de lado e mesmo de costas, mas sempre avançando rumo ao vale. Ao romper a luz do dia, achei-me a um passo da planície. Comecei então a encontrar pelo caminho muitos rebanhos que eram conduzidos por rudes pastores. À medida em que avançava entre eles, ocorriam tumultos e confusões, pois muitas ovelhas e cabras assustavam-se com a chama de meu jarro, debandando-se por todas as partes. Isto fez com que a maioria dos pastores ficassem irritados com a minha presença em seu meio. Sabendo que não poderia ficar retido naquele vale, prossegui rumo a Sodoma.

Enquanto avançava, começou a acontecer algo interessante: muitas ovelhas, meigas e submissas, começaram a acompanhar-me. Eram poucas a princípio, mas pouco a pouco seu número foi aumentando, até que passei a andar com dificuldade, devido ao grande número de ovelhas que me seguiam. Ao longe eu podia ver os pastores, enfurecidos, pela perda de suas ovelhas mais bonitas. Ao chegar à cidade de Sodoma, encontrei-a vazia e devastada. Seguindo os rastros deixados pelos exércitos e pela multidão de cativos, fui me aproximando cada vez mais do alvo de minha missão. Ao chegar à campina de Dã, pude avistar ao longe o grande acampamento dos soldados, ao pé de um outeiro. Sem pressa, encaminhei-me para lá, conduzindo o meu novo rebanho. Do alto do monte, pude observar o acampamento em toda a sua extensão. Havia ali milhares de soldados comemorando a vitória. Enquanto isso, centenas de cativos jaziam amontoados no meio do arraial, humilhados e sem esperança. Diante desse quadro, fiquei imaginando como poderia se dar o livramento.

Minha presença despertou curiosidade em alguns soldados que, ao ver-me com o vaso fumegante, aproximaram-se. Quando me perguntaram sobre o motivo de minha presença naquele lugar, eu disse-lhes que viera libertar meu sobrinho Ló. Minhas palavras tornaram-se motivo de muitos gracejos em todo o acampamento. Depois disso, passaram a escarnecer de Ló. Em pouco tempo, toda aquela zombaria transformou-se em gritos de vingança, e proclamaram que, na manhã seguinte, todos os cativos seriam exterminados, começando pelo meu sobrinho.

Capítulo IV

Enquanto eu tentava imaginar o que o Eterno poderia fazer para alcançar o livramento, vi surgir ao longe o vulto de pastores que se encaminhavam em minha direção, vindos de Sodoma. Pensei a princípio que fossem os pastores inimigos que vinham arrancar-me o rebanho conquistado com amor. Tal receio logo desapareceu dando lugar a um sentimento de muita alegria, quando descobri que eram os meus pastores fiéis. Ele foram aproximando-se em pequenos grupos de doze, até alcançarem o total de 300 pastores. Ao olhar para eles, pude notar em seus semblantes os sinais de uma grande luta espiritual que tiveram de enfrentar, para estarem do meu lado. Contaram-me da experiência de muitos companheiros que, desanimados, haviam lançado fora o azeite e a lã de seus vasos, retornando para as suas tendas. Falaram-me de como, na noite anterior, haviam aprendido a amar a luz de meu jarro, que para eles tornara-se como uma estrela que os guiava na escuridão.

Alegrava-me com a presença de meus humildes pastores, quando vieram em nossa direção Aner, Escol e Manre, acompanhados por 15 homens armados; Eram eles fiéis amigos que, conhecendo os perigos que enfrentaríamos naquele vale, vieram socorrer-nos. Para que não atrapalhassem o plano divino, pedi-lhes que permanecessem escondidos até o alvorecer, quando receberiam orientações sobre como participar da missão. Comecei a orientar os pastores, seguindo as instruções da voz divina que soava de dentro da chama: A primeira tarefa dos pastores seria cuidar do rebanho até o anoitecer. Ao retornarem, ordenei que amarrassem os novelos de lã embebidos em azeite na ponta de seus bordões, colocando-os dentro dos jarros que deveriam ser mantidos suspensos de boca para baixo. Passei a incendiá-los com o fogo de minha labareda, até que as trezentas tochas ficaram ardendo, mas, ocultas no interior daqueles vasos.

Ordenei a quarenta de meus corajosos pastores que, no momento indicado por um sinal, deveriam avançar silentes para o meio do acampamento, circundando todos os cativos que jaziam amontoados no meio do arraial. Ao mesmo tempo, os 260 pastores restantes deveriam circundar todo o acampamento, aguardando pelo sinal de quebrarem os vasos com os chifres. Orientado pela voz da chama, indiquei-lhes os sinais: quando a última tocha se apagasse no acampamento, deveriam ficar atentos, pois uma pequena lamparina seria acesa por um dos cativos. Assim que a lamparina começasse a arder, deveriam correr cada um para o seu lugar, evitando qualquer ruído para que não fossem notados. O sinal para quebrarem os vasos com os chifres, erguendo bem alto a tocha, era o apagar da lamparina.

Depois dessas orientações, os 260 pastores, ocultos pelas sombras da noite, espalharam-se pelo vale, e ficaram esperando pelo momento de se posicionarem ao redor do acampamento. Enquanto isso, os 40 se posicionaram próximos a uma passagem vulnerável, através da qual haveriam de alcançar os cativos. Já era alta noite quando a tocha do último soldado apagou-se, sobrevindo completa escuridão e silêncio sobre o arraial. Entre os cativos, havia um homem que naquela noite vivia a maior angústia de sua vida. Era o meu sobrinho que, depois de tornar-se alvo de tantos abusos e humilhações, tomara conhecimento do castigo que os aguardava pelo alvorecer. Naquela noite, Ló tinha seus pensamentos voltados para o seu tio. Lembrava-se com arrependimento do momento em que me deixara, mudando-se para as campinas de Sodoma. Em seu desespero, sentiu desejo de rever minha face e pedir-me perdão por ter-se afastado de mim. Justamente naquele momento, Ló foi atraído pelo brilho de uma tocha que ardia sobre o outeiro. Ao fitar o brilho, imaginou estar tendo uma visão, pois o mesmo revelava-lhe a face de seu querido tio. Querendo mostrar-me o seu rosto, Ló apalpou em meio às trevas, até encontrar uma pequena lamparina que trouxera em seu alforje. Frustrado, percebeu que não havia nela nenhum azeite. Concluiu que a lâmpada apagada e seca era um símbolo de sua vida vazia e sem fé. Sem desviar os olhos de meu rosto iluminado pela chama do jarro, num desesperado gesto de fé, Ló apalpou o pavio de sua lamparina, descobrindo nele um resto de azeite. Curvando-se, passou a ferir as pedras do fogo, até que uma faísca saltou para o pavio. Sem que soubesse, Ló estava comandando, com seus gestos, os passos para um grande livramento.

Os trezentos pastores ao verem o tênue brilho da lamparina, encaminharam-se rapidamente para os seus postos e ficaram aguardando o apagar da pequena chama. Desde o momento em que Ló erguera-se com sua diminuta chama, fiquei olhando para os seus olhos que fitavam os meus. Vi que sua face trazia sinais de indizível angústia e maus tratos. Mesmo assim pude ler em seus olhos que a esperança e a fé ainda não o haviam abandonado.O foguinho de sua lamparina, contudo, não resistiria por muito tempo. Era necessário que se apagasse, para sinalizar a grande vitória. Quando a escuridão voltou a cobrir a face de Ló, meus trezentos pastores arremeteram os chifres contra os vasos que mantinham ocultas as tochas ardentes. Um forte ruído, como de cavalaria em combate, ecoou por todas as partes, enquanto as tochas eram suspensas pelos bordões. Os trezentos chifres, usados até então para conduzir o rebanho, soavam agora como trombetas de conquistadores.

Todo o acampamento despertou num único salto e, sem saberem como escapar de tão terrível investida que partia de fora e de dentro, os soldados começaram a lutar entre si, enquanto meus pastores permaneciam em seus lugares, fazendo soar os chifres. Os cativos ficaram muito espantados a princípio, mas pouco a pouco foram tomando consciência do grande livramento que estava se operando em seu favor. Quando amanheceu, revelou-se aos nossos olhos um cenário de completa destruição. Todo o arraial estava coberto por milhares de corpos rasgados pelas próprias espadas e lanças. Somente uns poucos conseguiram fugir daquele acampamento de morte, mas foram perseguidos pelos meus 18 aliados que estavam armados, sendo alcançados em Hobá, situada à esquerda de Damasco. Enquanto isso, os cativos, agora libertos, recuperavam todas as riquezas que haviam sido saqueadas pelos inimigos.

Capítulo V

Do cimo do outeiro, enquanto eu vibrava com a alegria dos cativos naquela manhã de liberdade, ouvi a voz do Eterno falando-me do meio da chama:

–           Este livramento que hoje se concretiza, representa o livramento que hei de operar nos últimos dias, salvando os remanescentes de teus filhos, do cerco de numerosas nações que se aliarão a Gog com o propósito de destruí-los. Naquele dia em que triunfarem sobre o meu povo, a minha indignação será mui grande, e contenderei com ele por meio da peste, do fogo e do sangue; chuva inundante, grandes pedras de saraiva, fogo e enxofre farei cair sobre ele, sobre as suas tropas e sobre os muitos povos que estiverem com ele. Assim, eu me engrandecerei, vindicarei a minha santidade e me darei a conhecer aos olhos de muitas nações; e saberão que eu sou o Senhor. E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o Espírito de Graça e de Súplicas; olharão para Mim a quem traspassaram, prantear-me-ão como quem pranteia por um unigênito e chorarão por mim como se chora amargamente pelo primogênito. Naquele dia, haverá uma fonte aberta para a casa de Davi e para os habitantes de Jerusalém, para remover o pecado e a impureza.(1).

A chama que para mim tornara-se uma representação do Messias prometido, apagou-se no momento em que desci ao encontro dos pastores e dos muitos cativos agora libertos. Cheios de alegria e de admiração, todos queriam saber como tornara possível tão grande livramento, somente com a utilização daquelas tochas e chifres. Falei-lhes da importância daquele fogo que se desprendera do Altar, para libertá-los naquele vale, identificando-o com o Messias Salvador. Ao ver que todos carregavam em seus corpos e mantos a sujeira da escravidão, convidei-os a seguirem-me até o rio Jordão, onde poderiam banhar-se para purificação de seus pecados, pois aquele era o Yom Kipur, o dia do perdão. Somente três pessoas atenderam ao convite: Ló e suas duas filhas mais novas. Os demais retornaram contaminados para suas casas.

Antes de partir, o rei de Sodoma veio ao meu encontro, prometendo dar-me todas as riquezas recuperadas naquela manhã. Eu recusei sua oferta, para que jamais alguém possa dizer que eu me enriqueci com aquele saque. Permanecemos acampados às margens do rio Jordão, nas proximidades de Jerico por quatro dias. Naqueles dias de descanso, todos ficaram livres das impurezas, deixando-as nas águas do Jordão. Esse era um preparo especial para nossa subida a Salém, onde comemoraríamos a vitória nos dias de Sukot.

Cheios de alegria, iniciamos uma caminhada ascendente rumo à cidade de Salém, inconscientes da feliz surpresa que nos aguardava. Eu seguia à frente tendo ao meu lado Ló e suas duas filhas, e atrás vinham os 300 pastores, conduzindo o grande rebanho. À medida em que avançávamos, comecei a notar que o meu jarro tornara-se muito pesado. Ao baixá-lo, fiquei surpreso ao descobrir que estava repleto de pérolas e pedras preciosas de variados tamanhos e brilhos. Ao avistarmos ao longe a alva cidade, começamos a ouvir sons de uma grande festa. Acordes harmoniosos repercutiam pelos montes, enquanto avançávamos pelo caminho. Minha curiosidade em conhecer aquela cidade e o seu jovem rei era imensa, pois muito já ouvira sobre sua grandeza e fama. Tratava-se de um reino diferente, onde os súditos eram treinados não no manejo de arcos e flechas, mas no domínio de instrumentos musicais. Melquisedeque, o seu jovem rei, regia a todos com um cetro muito especial: um alaúde, pelo qual pagara um preço elevado.

Enquanto crescia em mim a alegria por estar nos aproximando da cidade do grande Rei, vimos uma multidão vestida de linho fino, puro e resplandecente, saindo ao nosso encontro. Todos tangiam instrumentos musicais e cantavam um hino de vitória. À frente da multidão vinha um jovem tocando um alaúde, trazendo na fronte uma coroa repleta de pedras preciosas, que brilhavam sob a claridade do sol poente. Eu tive a certeza de que aquele era o tão aclamado rei de Salém.

Ao nos encontrarmos, ficamos surpresos com a saudação que nos fizeram. Inclinando-se diante de mim, Melquisedeque afirmou:

–           Bendito és tu Abraão, servo do Deus Altíssimo, que possui os Céus e a Terra; e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus adversários nas tuas mãos (2).

Capítulo VI

Surpresos pela festiva recepção, fomos introduzidos na cidade, onde a beleza das mansões e jardins nos causou muita admiração. Tudo ali era puro e cheio de paz. Salém estava em festa, pois teria início naquele entardecer a festa de Sukot. Fomos recebidos no palácio real, edificado sobre o monte Sião. Ali, uma nova surpresa nos aguardava: a grande sala do trono estava toda adornada com representações de nossa vitória sobre os inimigos. Havia no centro uma mesa muito comprida, coberta por toalhas de linho fino adornadas com fios de ouro e pedras preciosas. Sobre a mesa estavam 304 coroas, cada uma trazendo a inscrição do nome de um vencedor. Num gesto que novamente nos surpreendeu, Melquisedeque, tomando as coroas, começou a colocá-las na cabeça de cada um de nós, começando por Ló e suas filhas. Estávamos todos admirados pelo fato do rei de Salém conhecer-nos individualmente, e por Ter preparado aquelas coroas muito antes de sermos vencedores. Eu observava a alegria de meus companheiros coroados quando, tomando uma coroa semelhante à sua, o rei de Salém dirigiu-se a mim com um sorriso. Ao levantá-la sobre minha cabeça, notei algo que até então não havia percebido: suas mãos traziam cicatrizes de profundos ferimentos. Vencido por um sentimento de gratidão, prostrei-me aos seus pés e, comovido, beijei suas bondosas mãos, banhando-as com minhas lágrimas.

Ao levantar-me, perguntei-lhe o significado daquelas cicatrizes. Com um meigo sorriso, ele prometeu contar-me a história daquele próspero reino, e do quanto lhe custara a sua paz.

Depois de coroar-nos, Melquisedeque nos fez assentar ao redor da grande mesa, e passou a servir-nos pão e vinho. A partir daquele momento, passamos a honrá-lo como sacerdote do Deus Altíssimo. Num gesto de gratidão, tomei o jarro que se enchera de pérolas e o coloquei aos pés do rei. Tomando-o nos braços, ele passou a acariciá-lo sem atentar para o brilho das jóias. Expressando gratidão por aquela oferta, ele disse-me que aceitaria o jarro; Quanto às pérolas e pedras preciosas, ele aceitaria somente o dízimo delas. Imediatamente passei a contar as jóias, separando as mais belas para o rei. Havia um total de 1440, das quais lhe entreguei 144. Ele as guardou cuidadosamente em uma caixinha de ouro puro, em cuja tampa havia lindos adornos marchetados de pedras preciosas. Depois de receber o dízimo que simbolizava o grande livramento operado por Deus na planície, Melquisedeque chamou para junto de si um de seus súditos que era mestre em adornos e pinturas, ordenando-lhe embelezar o jarro com uma linda gravura que retratasse o momento em que eu o ofertei. Enquanto o jarro era pintado, Melquisedeque passou a contar-me a história de seu reino, desde sua fundação até aquele momento em que estávamos comemorando a grande vitória sobre os inimigos.

Ao devolver-me o jarro, agora honrado pela mais bela gravura e inscrições que exaltavam a justiça e o amor, o rei de Salém ordenou-me levá-lo com aquelas jóias. Durante seis anos eu e meus pastores deveríamos contar para todos a história daquele jarro que transportara a chama vitoriosa do altar. A todos aqueles que, com arrependimento, aceitassem a salvação representada por sua história, deveríamos oferecer uma pedra preciosa ou pérola. Ao fim dos seis anos, as jóias acabariam. Já não haveria oportunidade de salvação. Sobreviria então o sétimo ano, no qual haveria um tempo de grande angústia e destruição, quando somente existiria proteção para aqueles que possuíssem as jóias. Por essa ocasião, as cidades da planície seriam totalmente destruídas pelo fogo do juízo, e os demais povos impenitentes, seriam dizimados por terríveis pragas.

Capítulo VII

Depois de revelar-nos sobre os sete anos que ainda restavam, dentro dos quais teríamos uma missão importante a cumprir, Melquisedeque nos afirmou que nossa experiência consistia numa parábola que representa a história universal, com ênfase no livramento dos filhos de Israel nos últimos dias. Ele o previu com as seguintes palavras:

–           Ao chegar a plenitude dos tempos, todos os esforços humanos em busca da paz se frustrarão. Naquele tempo, numerosas nações se aliarão contra o reino de Jerusalém, e sobrevirá um tempo de angústia qual nunca houve para os filhos de Israel. Depois de um terrível conflito, verão numerosos exércitos invadindo sua terra, numa aparente vitória. No momento mais difícil, quando as suas forças estiverem esgotadas, o Eterno intervirá em Seu favor, lançando por terra os numerosos inimigos.(3)

–           Toda a humanidade testemunhará, com espanto as cenas de livramento. Naquele dia, muitos povos e poderosas nações se posicionarão ao lado do Senhor dos Exércitos. Naquele dia acabará a cegueira dos filhos de Jacó, e olharão para Aquele a quem traspassaram, e chorarão amargamente por ele como se chora por um filho unigênito. Naquele dia os eleitos de Deus compreenderão as palavras do Livro:

–           Ouvi-me, vós, que estais à procura da justiça, vós que buscais o Eterno. Olhai para a rocha da qual fostes cavados, para a caverna da qual fostes tirados. Olhai para Abraão, vosso pai, e para Sara, aquela que vos deu a luz. Ele estava só quando o chamei, mas eu o abençoei e o multipliquei. O Senhor consolou a Sião, consolou todas as suas ruínas; ele transformará o seu deserto em um Éden e as suas estepes em um jardim. Nela encontrarão gozo e alegria, cânticos de ações de graças e som de música.(4)

–           Naquele dia os habitantes de Jerusalém trocarão suas armas por instrumentos musicais e os remidos, consolados pela grandiosa revelação de Deus, com alegria cantarão:

–           “Como são belos, sobre os montes, os pés do mensageiro que anuncia a paz, do que proclama boas novas e anuncia a salvação, do que diz a Sião: O teu Deus reina! Porque o Eterno consolou o seu povo, ele redimiu Jerusalém. O Senhor descobriu o seu braço santo aos olhos de todas as nações, e todas as extremidades da terra viram a salvação do nosso Deus.(5)

–           O grande livramento se cumprirá no início de uma nova semana de anos, ao fim de um ciclo determinado envolvendo dez jubileus. Durante seis anos, toda a humanidade, iluminada pela maior revelação do amor e da justiça de Deus, terá oportunidade de romper com o império do pecado, unindo-se aos filhos de Israel em sua marcha de purificação e restauração do reino da luz. Então acontecerá que todos os sobreviventes das nações que marcharam contra Jerusalém, subirão, ano após ano, para prostrar-se diante do Rei e Senhor dos Exércitos, e para celebrar a festa de Sukot. E acontecerá que aquele das famílias da Terra que não subir e não vier, haverá contra ele a praga com que o Eterno ferirá as nações que não subirem para celebrar a festa de Sukot.(6).

–           Naqueles anos de oportunidade, soará por todas as partes do mundo o último convite de misericórdia, num apelo para que todos os pecadores se arrependam e se unam ao Criador numa eterna aliança .Por todas as partes se ouvirá o brado divino:

–           Observai o direito e praticai a justiça, porque a minha salvação está prestes a chegar e a minha justiça a manifestar-se. Bem-aventurado o homem que assim procede, o filho do homem que nisto se firma, que guarda o sábado e não o profana e que guarda sua mão de praticar o mal. Não diga o estrangeiro que se entregou ao Senhor: – Naturalmente Deus vai excluir-me do seu povo, nem diga o eunuco: – Não há dúvida, eu não passo de uma árvore seca. Pois assim diz o Senhor aos eunucos que guardam os meus sábados e optam por aquilo que é a minha vontade, permanecendo fiéis à minha aliança: Hei de dar-lhes, na minha casa e dentro dos meus muros, um monumento e um nome mais precioso do que teriam com filhos e filhas; hei de dar-lhes um eterno nome, que não será extirpado. E, quanto aos estrangeiros que se entregarem ao Senhor para servi-lo, sim, para amar o nome do Eterno e tornarem-se servos seus, a saber, todos os que se abstêm de profanar o sábado e que se mantêm fiéis à minha aliança, trá-los-ei ao meu santo monte e os cobrirei de alegria na minha casa de oração. Os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão bem aceitos no meu altar. Com efeito, a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos.(7)

–           Na última semana de anos, os filhos de Belial se aliarão contra os filhos da Luz, e os acusarão como causadores de toda a desarmonia no mundo. Em oposição à santificação do sábado que é o sinal da aliança entre Deus e seus escolhidos, muitas nações imporão outro dia para o culto, não podendo comprar nem vender todos aqueles que se mantiverem fiéis à aliança do Eterno.(8)

–           Ao fim dos seis anos, o rolo se fechará e não haverá mais oportunidade de salvação. Desprotegidos, os ímpios sofrerão os juízos divinos que se manifestarão nas sete últimas pragas. Desesperados, muitos correrão de um lado para o outro em busca da mensagem do rolo, mas não a encontrarão. Durante o sétimo ano, os escolhidos de Deus passarão por grandes provas, pois serão condenados pelas nações como os causadores de todo o caos que sobrevirá ao mundo em conseqüência dos juízos.(9)

–           Ao consumarem-se os sete anos, o Messias se manifestará nas nuvens do céu, acompanhado por todas as hostes celestes, para salvação de seu povo. Ao tocar Sua trombeta, os fiéis falecidos ressuscitarão revestidos de glória; os vivos vitoriosos serão transformados num abrir e fechar de olhos, recebendo corpos perfeitos. Juntos, todos os remidos serão arrebatados para a Nova e Eterna Jerusalém, numa viagem inesquecível que começará no primeiro dia da festa de Sukot. Depois de sete dias de feliz ascensão, chegarão à Cidade Santa para comemorarem, diante do trono ,no oitavo dia da festa, a grande vitória. Como que a sonhar, os resgatados do Senhor entrarão na Cidade Santa, encontrando ali o jardim do Éden, no meio do qual eleva-se o monte Sião, o lugar do trono de Deus. Coroados pelo Messias, os remidos entoarão o cântico da vitória, fazendo vibrar por todo o espaço os acordes de incontáveis instrumentos musicais. (10)

Capítulo VIII

Depois de proferir todas essas predições, Melquisedeque disse-nos novamente que toda a experiência que estávamos vivendo era prefigurativa, e teríamos de cumprir ainda importantes tarefas nos próximos sete anos: Durante seis anos a história do jarro deveria ser contada aos pecadores, dando-lhes a oportunidade de arrependerem-se, apossando-se das jóias que simbolizam salvação; ao fim dos seis anos, na véspera de Rosh Hashanah as pérolas acabariam, ficando fora do abrigo todos aqueles que não a receberam.

Ao ouvir tais palavras do rei de Salém, sobreveio-me grande angústia, por lembrar-me dos últimos passos de Sara. Eu temia que ela, em sua incredulidade, não aceitasse uma pérola. Se isto acontecesse, os meus lindos sonhos cairiam por terra, pois não conseguiria ser feliz em sua ausência. Lendo nos meus olhos a angústia, Melquisedeque consolou-me com uma promessa:

–           Abraão, daqui a seis anos o Eterno visitará sua tenda, e sua esposa será curada de sua aridez. Ela se converterá e lhe dará um filho que se chamará Isaque.

Ao findar a festa de Sukot, retornamos às nossas tendas junto ao Carvalho de Mambré. À medida que íamos avançando pelo caminho, muitas pessoas nos cercavam, admirados pela beleza do vaso repleto de pérolas. A todos contávamos a história de sua chama redentora, e dávamos as jóias àqueles que aceitavam a salvação. Quando chegamos ao Carvalho de Mambré, uma multidão de pessoas nos esperava. Muitos tinham ouvido falar do miraculoso livramento operado através daquele jarro que fora alvo de tanto menosprezo. Agora, estavam todos emudecidos ao vê-lo glorificado.

Juntamente com os meus pastores, continuamos a proclamar o infinito amor de Deus revelado pela chama. O número daqueles que procuravam pelas pérolas ia aumentando, dia após dia, e todos éramos felizes. Melquisedeque enviou-nos muitos de seus súditos que eram mestres em música, para realizarem uma missão importante. Eles apresentavam a história de seu reino de paz por meio de lindos cânticos que exaltavam o poder da humildade e do amor. Sua música tinha o poder de transformar corações infelizes, dando-lhes esperança e alegria em viver. Para que se propagasse a influência restauradora da música de Salém, eles ensinavam a muitos a cantarem tocarem flautas e alaúdes, enviando-os depois de certo tempo como mensageiros de sua missão de paz.

Os dias, os meses e anos foram-se passando, e as pérolas e pedras preciosas foram diminuindo dentro do jarro. Estávamos vivendo agora os últimos meses do sexto ano, que era o último da oportunidade. À medida em que os dias se passavam, aumentava em meu coração uma preocupação e uma angústia, pois Sara até então não tomara interesse em apossar-se de sua pérola, apesar de meus constantes rogos.

Naqueles momentos de aflição em que clamava a Deus pela salvação de Sara, meu único consolo eram as últimas palavras do rei de Salém, de que ao fim dos seis anos ela seria transformada. Vivíamos agora os últimos dias do sexto ano. A consciência de que o tempo estava se esgotando, fazia com que muitas pessoas nos procurassem de manhã até à noite, para apossarem-se das jóias da salvação. Com o coração ferido por uma indizível aflição, eu insistia com Sara, procurando convencê-la de sua necessidade em tomar, o quanto antes, uma pérola, pois as mesmas estavam ficando escassas. Sem atentar para a minha angústia, Sara desdenhava de meus apelos, afirmando que aquelas pérolas não tinham nenhum valor para ela.

Capítulo IX

Depois de uma noite de vigília em que, desesperadamente, procurei em vão convencer minha amada a apossar-se uma pérola, aceitando a salvação representada por aquele jarro, vi o sol surgir trazendo a luz do último dia, véspera de Rosh Hashaná. Ao olhar para dentro do vaso naquela manhã, vi que restavam apenas três pérolas. Ao admirar-lhes o brilho, comecei a imaginar que a maior seria para o meu filho prometido, a de tamanho intermediário seria a de Sara, e a menor seria a minha. Esse pensamento trouxe-me alívio e esperança. Mas, ao mesmo tempo, comecei a preocupar-me com a possibilidade de chegarem pessoas procurando por elas. Se viessem, eu não poderia negá-las.

Tomado por essa preocupação, permaneci sentado sob o Carvalho de Mambré. Na viração do dia, sobreveio-me um grande estremecimento quando vi ao longe três peregrinos que caminhavam rumo à nossa tenda. Comecei a clamar ao Eterno para que eles mudassem de rumo, mas meus clamores não foram atendidos. Dominado por uma indizível amargura, corri até eles e, depois de prostrar-me, convidei-os para a sombra. Tomando uma bacia com água, passei a lavar-lhes os pés, limpando-os da poeira do caminho. Ao ver os pés feridos e calejados daqueles homens, senti compaixão por eles. Compreendi que haviam vindo de muito longe, enfrentado perigos e desafios, com o propósito de pegarem em tempo as pérolas. Vi que eles eram mais merecedores que eu, Sara e nosso filho prometido.

Ao lavar os pés do terceiro, meu coração que, até então estava aflito, encheu-se de paz e alegria. Imaginava naquele momento, quão terrível seria se aquele terceiro peregrino não houvesse se unido aos dois primeiros naquela caminhada. Nesse caso eu seria obrigado a tomar da última pérola, subindo sem minha amada para Salém. Se eu tivesse de passar por essa experiência, a pérola que simboliza a alegria da salvação, se tornaria num símbolo de minha solidão e tristeza, pois a vida longe do carinho de Sara, seria para mim o maior castigo, como a própria morte.

Depois de lavar-lhes os pés, comecei a servir-lhes o alimento que foi especialmente preparado para eles. Enquanto os servia em silêncio, fiquei esperando pelo momento em que eles perguntariam pelas pérolas. Mas, sem revelar nenhuma pressa, eles falavam sobre a longa caminhada que fizeram, e sobre as cidades por onde haviam passado. Eu perguntei-lhes se conheciam Salém. Eles responderam-me afirmativamente, acrescentando que naqueles seis anos, muitas obras haviam sido realizadas naquela cidade, em preparação para uma grande festa que estava para realizar-se dentro de mais um ano, por ocasião da festa de Sukot.

As palavras daquele terceiro peregrino, o mais falante deles, começaram a trazer-me, misteriosamente, um sentimento de esperança. Ao olhar para os seus olhos, vi que ele se parecia com Melquisedeque. Lembrava-me da última promessa feita pelo rei de Salém, quando o terceiro peregrino perguntou-me com um sorriso:

–           Abraão, onde está Sara, sua mulher?!

Atônito, perguntei-lhe:

–           Como você sabe o meu nome e o nome de minha esposa?

O peregrino respondeu-me:

–           Não somente sei o nome de vocês, como também sei que daqui a um ano vocês terão um filho que será chamado Isaque.

Ao ouvir as palavras do visitante, corri para dentro da tenda a fim de chamar minha esposa, para que ouvisse as palavras daquele peregrino. Ao vê-la, o peregrino perguntou-lhe:

–           Sara, por que você riu de minhas palavras?

Assustada, Sara, respondeu:

–           Eu não ri, meu Senhor!

–           Não diga que não riu, pois eu a vi rindo dentro da tenda. Afirmou o peregrino.

Consciente de estar diante de alguém que conhecia o seu íntimo, Sara perguntou-lhe:

–           Quem és tu Senhor?!

– Eu sou a Chama que se desprendeu do fogo do Altar para estar no jarro que você rejeitou! Eu sou o Messias, o Deus que sofre humilhações e desprezo por amor ao seu povo!

Tendo feito esta revelação, o peregrino estendeu suas mãos sobre a cabeça de Sara para abençoá-la. Somente então vi que elas estavam marcadas por cicatrizes semelhantes às do rei de Salém. O peregrino, com muita ternura, começou a falar ao coração de minha amada, resgatando-a de sua incredulidade:

–           Sara, você é preciosa aos meus olhos! Todo o seu passado de descrença e infertilidade está perdoado! Tenho para você um futuro glorioso, pois você se tornará mãe de muitos povos e nações!

Depois de dizer estas palavras, o nobre visitante encaminhou-se para o jarro e, inclinando-se, tomou dele as três pérolas restantes. Dirigindo-se a Sara, entregou-lhe duas pérolas, e disse-lhe:

– Uma é para você e a outra é para o seu filho Isaque.

Com a vida transformada pelo amor do Eterno, Sara prostrou-se agradecida aos pés daquele peregrino que a salvara no último momento. Quando a vi prostrar-se submissa, meu coração por tantos anos aflito, rompeu-se em lágrimas de alegria e gratidão, e caí aos pés de meu Redentor e Rei. Depois de consolar-nos com a certeza de nossa eterna salvação, o peregrino entregou-me a última pérola. Quando apertei-a em minhas mãos, senti grande luz e paz inundar-me todo o ser, e passei a louvar ao Eterno pela certeza de que teria para sempre ao meu lado minha querida Sara e o filho que, segundo a promessa, dentro de um ano nasceria.

Capítulo X

Depois destas coisas, o Eterno despediu-se de Sara e dos pastores que ali se encontravam, e convidou-me a acompanhá-los até o outeiro que fica defronte do vale. Ao chegarmos àquele lugar, o Eterno despediu-se de seus dois companheiros, enviando-os para uma missão especial em Sodoma.

Do cimo do monte contemplávamos os férteis vales e florestas que, como um paraíso, estendiam-se em ambas as margens do rio Jordão, circundando as prósperas cidades, dentre as quais destacavam-se Sodoma e Gomorra.

Fora sobre aquela colina que, depois da contenda entre os meus pastores e os pastores de Ló, dei-lhe a oportunidade de escolher o rumo a seguir, pois não poderíamos permanecer juntos. Atraído pelas riquezas da campina, ele decidiu mudar-se para lá. Ao olhar para o meu companheiro que ficara silente desde o momento em que avistamos a campina, fiquei surpreso ao vê-lo chorando. Perguntei-lhe o motivo de sua tristeza, e Ele, soluçando, respondeu:

–           Este é para mim um dia de muita tristeza, pois pela última vez meus olhos podem pousar sobre este vale fértil. Choro pelos habitantes dessas cidades que não sabem que os seus dias acabaram!

A declaração do Messias trouxe-me à lembrança todos aqueles cativos que haviam sido libertos seis anos antes. Infelizmente, quase todos rejeitaram o banho da purificação, retornando imundos para suas casas. Unicamente Ló e suas filhas aceitaram a salvação, tomando posse de suas pérolas. Pensando numa possibilidade de livramento para aquele povo, perguntei ao Eterno:

–           E se por acaso existir, naquelas cidades, cinqüenta pessoas justas; mesmo assim elas serão destruídas?

O Senhor disse-me que se houvesse cinqüenta justos, toda a planície seria poupada.

–           E se houver 45 justos?

–           Se houvesse ali 45 justos, todas aquelas cidades seriam poupadas.(11)

Continuei com minhas indagações até chegar ao número dez. O Eterno disse-me que, se houvesse dez justos naquelas cidades, toda a planície seria poupada. Torturado por uma indizível agonia de espírito, o Senhor voltou a chorar amargamente, enquanto com voz embargada, pronunciava um triste lamento:

–           Sodoma e Gomorra, quantas vezes quis Eu ajuntar os seus filhos, como a galinha ajunta os seus pintainhos debaixo das asas, mas você não aceitou minha proteção. Por que você trocou a luz da minha salvação pelas trevas deste reino de morte?! Meus ouvidos estão atentos em busca de pelo menos uma prece, mas tudo é silêncio! Minhas mãos estão estendidas, prontas a impedir o fogo do juízo, mas vocês recusam o meu socorro!

Curvando-me ao lado de meu companheiro sofredor, uni-me a Ele na lamentação. Naquele momento de dor, tive a certeza de que Melquisedeque também sofria por todos aqueles que haviam trocado o amor e a paz de Salém pelas ilusões daquele vale de destruição. Depois de um longo pranto, o Messias consolou-me com a revelação de que os seus dois companheiros encontravam-se naquele momento em Sodoma, com a missão de salvar Ló e suas filhas, livrando-os da morte. Suas palavras trouxeram-me alívio, e prostrei-me agradecido aos seus pés.

Capítulo XI

Antes de partir, o Eterno encarregou-me de uma missão, dizendo:

–           Tome um rolo vazio e registre nele a história do vaso e a história de Salém, conforme ouviu dos lábios de Melquisedeque. Dentro de um ano, você e todos aqueles que aceitaram a salvação, deverão subir à Salém para a festa de Sukot. Naquele dia, entregará ao rei de Salém o jarro, oferecendo dentro dele, como presente, o rolo.

Naquela mesma tarde, em obediência às ordens do Senhor, comecei a registrar a história vivida por mim e por meus pastores, desde o momento em que parti rumo ao vale, levando sobre as costas o vaso com sua labareda. No dia seguinte, o sol já ia alto, quando, ao mencionar a cidade de Sodoma no manuscrito, lembrei-me que aquele era o dia de sua destruição. Com o coração acelerado, corri para lá e fiquei espantado com o cenário que se estendeu diante de meus olhos: em lugar daquele vale fértil, semelhante a um paraíso, havia um deserto fumegante, sem nenhuma vida. No lugar das cidades de Sodoma e Gomorra, havia uma cratera, para onde as águas do mar salgado escorriam.

Abalado ante essa visão de destruição, retornei à tenda com o coração entristecido. A lembrança de tantas pessoas que, por rejeitarem o perdão divino, haviam sido consumidas pelo fogo, deixou-me profundamente abalado. Nos dias seguintes, não encontrei forças para escrever. Retornei outras vezes ao outeiro, com a esperança de que tudo aquilo fosse um pesadelo, mas em lugar do vale fértil eu somente conseguia enxergar aquele caos.

Demorou vários dias para que eu voltasse a ter ânimo para prosseguir com os escritos do rolo.

Fim da primeira parte

Referências: (1)(Ezequiel 38; Zacarias 12: 10; (2) Genesis 14:18-24; (3)Jeremias 30:7-8; (4)

Isaias 51:1-3;(5)Isaias 52:7; (6)Zacarias 14:16-19; (7)Isaias 56:1-8;(8) Apocalipse 13: 15-18;

(9)Apocalipse 15; Sonfonias 1:13-18; (10)S.Mateus 24:30,31; Apocalipse 14:1-5; 21:1-5; (11)

Gênesis

Livro de Melquisedeque

Segunda parte

A História de Salém

Capítulo I

Esta é a história de Salém, segundo ouvi dos lábios de Melquisedeque por ocasião da festa de Sukot, cinco dias depois do livramento de Ló e suas filhas. Tudo começou com um sonho no coração de um homem chamado Adonias. Ele possuía muitas riquezas, mas a nada prezava mais que a justiça e a paz que nascem da sabedoria e do amor. Cansado com as injustiças que predominavam por toda a terra de Canaã, Adonias resolveu edificar um reino que fosse regido por leis de amor e de justiça. O nome da capital desse reino seria Salém, a Cidade da Paz. Os súditos de Salém não empunhariam arcos nem flechas, mas seriam treinados na arte musical. Cada habitante de Salém teria sempre ao alcance de suas mãos um instrumento musical, para expressar por meio dele a paz e a alegria daquele novo reino. Juntos formariam uma poderosa orquestra na luta contra a desarmonia que nasce do orgulho e do egoísmo.

O primeiro passo de Adonias para a concretização de seu plano, foi elaborar as leis do novo reino, as quais ele escreveu em um pergaminho. Os súditos de Salém não poderiam mentir, furtar, odiar, nem matar seus semelhantes. O orgulho e o egoísmo eram apontados como causa de todo o mal, portanto, não poderiam existir naquele lugar de paz. As leis do pergaminho requeriam a prática da humildade, da sinceridade, da amizade, e, acima de tudo, do amor, que é a maior de todas as virtudes.

Depois de registrar no pergaminho as leis que regeriam aquele reino, Adonias passou a arquitetar Salém. Seria uma cidade a princípio pequena, com habitações para mil e duzentas pessoas. Como lugar de sua edificação, foi escolhida uma região alta de Canaã, ao ocidente do Monte das Oliveiras. Em pouco tempo, a realização de Adonias começou a atrair pessoas de todas as partes que, de perto e de longe, vinham para conhecer os palácios e as mansões que estavam sendo edificados. Admirados ante a beleza daquela cidade tão alva, os visitantes perguntavam sobre quem seriam os seus moradores. Adonias mostrava-lhes o pergaminho, dizendo que Salém destinava-se aos limpos de coração – aqueles que estivessem dispostos a obedecerem suas leis.

Capítulo II

A edificação da cidade foi finalmente concluída, e Salém revelou-se formosa como uma noiva adornada, à espera de seu esposo. Assentado em seu trono, Adonias examinava os numerosos pretendentes que chegavam de todas as partes, desejosos em ser súditos daquele reino. Aqueles que, prometendo fidelidade às leis eram aprovados, recebiam três dotes do rei: o direito a uma mansão, vestes de linho fino e um instrumento musical no qual deveriam praticar.

A cidade ficou finalmente repleta de moradores. Cheio de alegria, Adonias convocou a todos para a festa de inauguração de Salém, no decorrer da qual proclamou um decreto que determinaria o futuro daquele reino, dizendo:

–           A partir deste dia, que é o décimo do sétimo mês, seis anos serão contados, nos quais todos os moradores serão provados. Somente aqueles que permanecerem leais, progredindo na prática das leis do pergaminho, serão confirmados como herdeiros deste reino de paz. Aqueles que forem enlaçados por culpas e transgressões serão banidos pelo juízo.

As palavras do rei levaram todos a um profundo exame de coração, e alegraram-se com a certeza de que alcançariam vitória sobre todo o orgulho e egoísmo, que são as raízes de todos os males.

Adonias tinha um único filho a quem dera o nome de Melquisedeque. A beleza, ternura e sabedoria desse filho amado haviam sido sua inspiração para a edificação de seu reino. Melquisedeque tinha doze anos de idade, quando Salém foi inaugurada. Era plano de Adonias coroá-lo rei sobre os súditos aprovados, ao fim dos seis anos. Este plano, ele o manteria em segredo até o momento devido.

O príncipe, com suas virtudes e simpatia, tornou-se logo muito querido de todos em Salém. Ele tinha sempre nos lábios um sorriso e uma palavra de carinho. Apreciava estar junto aos súditos em seus lares, recitando-lhes as leis do pergaminho em forma de lindas canções que vivia a compor. Sua presença trazia ao ambiente uma atmosfera de felicidade e paz. Esse amado príncipe possuía, de fato, todas as virtudes necessárias para ser rei de uma Salém vitoriosa.

Adonias edificara uma mansão especial junto ao palácio, com o propósito de ofertá-la ao súdito cuja vida expressasse mais perfeitamente as leis do pergaminho. Diariamente ele observava os moradores, procurando entre eles essa pessoa a quem desejava honrar. Passeava pelas alamedas de Salém, quando, por entre o trinar de pássaros, Adonias ouviu uma voz semelhante a de seu filho. Ao voltar-se para ver quem era, encontrou um belo jovem que cantarolava uma canção. Ao contemplar em sua face o brilho da sabedoria e da pureza, Adonias alegrou-se por haver encontrado aquele a quem poderia honrar. Aquele jovem, que era uma cópia fiel do príncipe, chamava-se Samael. Colocando-lhe um anel no dedo, o rei conduziu-o ao palácio, onde foi recebido por Melquisedeque que ofereceu-lhe muitos presentes, entre os quais o direito de estar sempre ao seu lado.

Adonias preparou um grande banquete em honra a Samael, para o qual todos foram convidados. Ao contemplá-lo ao lado do rei, os súditos o aclamaram com alegria, acreditando ser ele o próprio príncipe.

Exaltavam com júbilo as virtudes daquele formoso jovem, quando revelou-se Melquisedeque, posicionando-se com um sorriso à direita de seu pai. No banquete, Samael foi honrado por todos. Realmente ele era digno de residir na mansão do monte, pois havia nele um perfeito reflexo das virtudes que coroavam o amado príncipe.

Capítulo III

Salém crescia em felicidade e paz. Com alegria, os súditos reuniam-se a cada dia ao amanhecer para ouvirem, cantarem e tocarem as sublimes composições de Melquisedeque, que inspiravam atos de bondade e paz. Entre as amizades nascidas e fortalecidas em virtude da música harmoniosa, sobressaía aquela que unia o príncipe a Samael. Desde que passara a residir na mansão do monte, Samael tornara-se seu companheiro constante. Passavam longas horas juntos, meditando sobre as leis do pergaminho. Com admiração, o súdito honrado via o filho de Adonias transformar aquelas leis em lindas canções. As doces melodias nasciam dos seus lábios como o perfume de uma flor. Consciente da importância da música na preservação da harmonia e paz em Salém, o príncipe, além do canto, passou a dedicar-se à música instrumental, sendo o seu instrumento preferido o alaúde. Era por meio desse instrumento que conseguia expressar com maior perfeição a riqueza de seu íntimo.

Dos seis anos de prova, cinco, finalmente, passaram. Adonias, feliz por ver que até ali todos os habitantes de Salém haviam permanecido leais aos princípios contidos no pergaminho, convocou-os para um banquete, no qual faria importantes revelações. Tendo tomado seus lugares diante do trono, os súditos, com alegria uniram as vozes entoando os cânticos da paz, sendo regidos por Samael. Depois de ouvi-los, o rei, emocionado, dirigiu-se a seu filho, abraçando-o em meio aos aplausos da multidão agradecida. Todos reconheciam que a paz e a alegria em Salém eram em grande medida devidas ao amor e dedicação do querido príncipe, que era o autor daquelas doces canções. Naquele momento de reconhecimento e gratidão, Adonias revelou os seus planos mantidos até então em segredo. Com voz pausada, disse-lhes:

–           Súditos deste reino de paz, minh’alma está repleta de alegria por contemplar nesse dia vossas faces mais radiantes que outrora. Vossas vestes continuam alvas e puras, como quando as recebestes de minhas mãos. A harmonia de vossas vozes e instrumentos hoje são maiores.

Tendo dito estas palavras, o rei acrescentou com solenidade:

–           Um ano de prova ainda resta, ao fim do qual sereis examinados. Permanecendo fiéis como até aqui, sereis honrados, confirmados como súditos deste reino de paz. Contudo, se alguém for achado em falta, será banido, ainda que este julgamento nos traga muita tristeza e sofrimento.

As palavras do rei levaram os súditos a uma profunda reflexão. Todos, examinando-se, indagavam reverentes:

–           Estaremos aprovados?!

Certos de que seriam vitoriosos, pois amavam Salém e suas leis, uniram as vozes num cântico expressivo de fidelidade. Ao terminarem o cântico, Adonias revelou-lhes seu grande segredo:

–           Aqueles que forem aprovados, herdando este reino de paz, receberão como rei o meu filho, a quem darei o trono glorificado dessa Salém vitoriosa.

A revelação do rei foi aclamada por todos com muito júbilo. Adonias, contudo, ainda não lhes revelara todo o seu plano, por isso, pedindo-lhes silêncio, prosseguiu:

–           O meu filho empunhará um cetro especial, no qual selarei todo o direito de domínio. Seu cetro, simbolizando toda a harmonia, será um alaúde.

Diante desta revelação que a todos sensibilizou, o príncipe, prostrando-se aos pés de seu pai, chorou motivado por muita alegria. Enquanto isto, todos o aplaudiam com euforia, ansiando ver o raiar desse dia em que a paz seria vitoriosa. Adonias, chamando para junto de seu filho a Samael, concluiu dizendo:

–           No governo dessa Salém vitoriosa, tenho proposto fazer de Samael o primeiro depois de Melquisedeque. A ele será confiado o pergaminho das leis, devendo ser o guardião da honra desse reino triunfante.

Capítulo IV

Samael, ao conhecer os planos de Adonias quanto ao futuro de Salém, encheu-se de euforia. Contemplava agora risonho aquela cidade sem igual, imaginando seu futuro de glória. Considerando as palavras do rei, de que ele seria o segundo no reino, deixou ser dominado por um sentimento de exaltação. Ele, que até ali, em obediência às leis do pergaminho, vivera uma vida de humildade, começava a orgulhar-se de sua posição. Em seu devaneio sentia-se junto ao trono, tendo os súditos de Salém a seus pés, aclamando com louvores sua grandeza. Samael, totalmente dominado por esse sentimento, não dava por conta de que estava sendo conduzido para um caminho perigoso. O orgulho que o seduzira estava gerando o egoísmo que logo se manifestaria em cobiça.

Uma semana após a revelação de Adonias, os súditos promoveram uma festa em homenagem a Melquisedeque, o futuro rei de Salém. Vendo-o aclamado por tantos louvores, Samael teve o coração tomado por um estranho sentimento de inveja, fruto do orgulho e do egoísmo. Não podia suportar o pensamento de ser deixado em segundo plano. Não era ele tão formoso e sábio quanto o príncipe?! Era quase impossível disfarçar tal sentimento de infelicidade. Outrora, Samael encontrara indizível prazer nos momentos em que, ao lado do príncipe, recitava as leis contidas no pergaminho, que eram transformadas em lindas canções. Agora, tais momentos tornaram-se desagradáveis, pois aqueles princípios contrariavam os seus ideais. Decidiu, contudo, não revelar seus sentimentos de revolta. Suportaria o antiquado pergaminho até que, com sua autoridade, pudesse bani-lo do novo reino que seria estabelecido.  Não seria ele o guardião daquelas leis? Essa “vitória” procuraria alcançar mediante sua influência e sabedoria.

Julgando poder influenciar o filho de Adonias com seus sonhos de grandeza, Samael aproximou-se dele com euforia, e passou a falar-lhe das glórias do reino vindouro, onde os dois, cobertos de honras, desfrutariam os louvores de uma Salém vitoriosa. Seriam eles os heróis do mais perfeito reino estabelecido entre os homens. As delirantes palavras do súdito honrado trouxeram preocupação e tristeza ao coração do jovem príncipe, pois não refletiam os ensinamentos de amor e humildade do pergaminho. Vendo o seu íntimo amigo em perigo, Melquisedeque, com uma ternura jamais revelada, conduziu-o para junto do trono, onde, tomando o pergaminho, passou a ler compassadamente os seguintes parágrafos:

–           O reino de Salém será firmado sobre a humildade, pois esta virtude é a base de toda verdadeira grandeza. A humildade é fruto do amor, sendo contrária ao orgulho, que pode manter uma criatura presa ao pó, fazendo-a contentar-se com suas limitações, iludindo-a como se as mesmas fossem de infinito valor. A humildade consiste no esquecimento de si, e este, numa vida de abnegado serviço aos semelhantes.

Samael, esforçando-se para encobrir sua indignação ante a leitura do pergaminho que para ele era ultrapassado, disse ao príncipe, em tom de conselho amigo:

–           Meu bom companheiro, reinaremos numa Salém vitoriosa, que fulgurará muito acima deste pergaminho, cujos princípios foram cumpridos fielmente nesses anos de prova. A plena liberdade não será a glória de Salém? Pois saiba que, completa liberdade não coexistirá com estas leis, cujo objetivo encerra-se ao fim dos cinco anos. Caberá a nós dois coroarmos Salém com a honra de uma total liberdade, que gerará uma felicidade sem fim. Tal liberdade é impossível existir sob as limitações do pergaminho.

O filho do rei ficou muito abalado ante as palavras de seu amigo, que evidenciavam loucura. Como libertá-lo desse caminho de morte?!

Ninguém em Salém, além de Melquisedeque, conhecia a triste condição de Samael. Com paciência, o príncipe procurava conscientizá-lo do real valor do pergaminho, cujas leis não podiam jamais ser alteradas, pois isto seria o fim de toda a paz. Os conselhos do príncipe despertaram finalmente o seu coração. Meditando sobre suas palavras, conscientizou-se de estar seguindo por um caminho enganoso. Ao ver nos olhos daquele a quem tanto amava as lágrimas do arrependimento, o filho de Adonias alegrou-se com sua vitória sobre o orgulho e o egoísmo. Os dias que seguiram-se à libertação foram cheios de realizações. O príncipe revelava-se ainda mais amigo, disposto a dar tudo de si para que seu companheiro pudesse prosseguir triunfante no caminho da humildade. Naqueles dias de júbilo, foi dada a ele a honra de conhecer o cetro que estava sendo moldado.

Num momento de descuido, Samael, que voltara a desfrutar paz de espírito, permitiu que seu coração novamente ficasse possuído por um sentimento de grandeza, que fez desencadear nova tormenta em sua alma. Esse sentimento misto de orgulho e cobiça lhe sobreveio no momento em que o príncipe mostrava-lhe o dourado alaúde, no qual estava sendo impresso o selo de todo o domínio.

Capítulo V

De sua mansão Samael contemplava Salém em seu resplendor matinal. Vendo-a, qual noiva adornada à espera de seu rei, cobiçou-a. Em seu delírio passou a formular planos de conquista. Já podia sentir-se exaltado sobre o seu trono, tendo nas mãos o cetro precioso. Todos o aclamariam como o libertador da opressão daquelas leis. Salém seria um reino de completa liberdade e prazer. Dominado por esta cobiça, passou a maquinar planos de conquista. Samael decidiu agir subtilmente entre os súditos, levando-os a ver no pergaminho um empecilho à real liberdade. Em sua missão de engano, agiria com aparente bondade, revelando interesse pelo crescimento da felicidade de todos.

Pondo em prática seus planos, passou a visitar os súditos em suas mansões, falando-lhes das glórias do reino vindouro, onde desfrutariam completa liberdade. Grande era a sua influência em Salém. Todos admiravam sua beleza e sabedoria, tendo-o como um perfeito apóstolo da justiça e do amor. Ninguém podia imaginar que, em meio àquela atmosfera de júbilo e gratidão, uma armadilha sutil estava sendo colocada, nas garras da qual muitos poderiam cair por descuido. Em sua sedutora missão, Samael não falava contra o pergaminho, aliás, louvava-o por haver exercido naqueles seis anos, prestes a findarem, uma missão de prova. Em sua lógica, contudo, procurava mostrar que, no reino vindouro, quando todos estivessem aprovados, estariam acima daquelas leis. Seus argumentos, aparentemente corretos, preparavam-lhe o caminho para afirmar abertamente que, no novo reino, a existência do pergaminho seria um entrave à concretização da verdadeira liberdade.

As sementes da rebelião lançadas por Samael não tardaram a germinar no coração de muitos em Salém. Isto acontecia a seis meses do Yom Kipur, quando o destino de todos seria selado. Um terço dos habitantes, seduzido pelo terrível engano, exaltava-o agora, em completo desprezo às leis e ao príncipe, a quem julgavam ultrapassados. Adonias, que sofria ao ver o surgimento de toda essa rebeldia, convocou os súditos para uma reunião de emergência. Na face de todos podia-se ver as contrastantes disposições. Com voz compassiva, o rei passou a revelar-lhes, como jamais fizera antes, a grande importância das leis registradas no pergaminho, mostrando que elas eram a base de toda a prosperidade e paz. Se tais leis fossem banidas, toda felicidade e glória se extinguiriam, dando lugar ao caos.

Depois de mostrar a necessidade das leis, Melquisedeque, movido por um forte desejo de salvar aqueles a quem tanto amava, ergueu diante de todos o pergaminho e, com voz cheia de bondade, ofereceu-lhes o perdão e a oportunidade de recomeçarem no caminho da paz. Suas palavras a todos emocionou. Até mesmo Samael ficou a princípio motivado, contudo, o orgulho impediu-lhe novo arrependimento. Desta maneira, o súdito honrado, quando ainda podia olhar arrependido para o pergaminho, endureceu-se em sua rebeldia, decidindo prosseguir até o fim. Esta decisão, todavia, não a manifestaria prontamente, pois idealizara um traiçoeiro plano.

Ao findar o encontro da oportunidade, Samael convocou seus seguidores para uma reunião secreta, que foi realizada sob o manto da noite, junto ao riacho de Cedrom, que fica fora dos muros de Salém. Após maldizer o pergaminho e a todos aqueles que o defendiam, começou a falar-lhes de seus planos de vingança e traição:

–           Como vocês sabem, os seis anos da prova estão se esgotando, restando, a partir de hoje, vinte e quatro semanas para o dia da coroação. Se vocês quiserem ter-me como rei em lugar de Melquisedeque, poderei roubar-lhe o cetro, apoderando-me do reino.

Samael passou a explicar-lhes os lances da traição, dando-lhes as devidas orientações sobre a maneira de agirem a partir daquela data:

–           Precisamos manter uma aparência de fidelidade ao pergaminho e ao príncipe até que chegue o momento de agirmos. O golpe será dado na noite que antecede o dia da coroação. À meia-noite, furtivamente nos ausentaremos de Salém. Roubarei nessa noite o cetro e, juntos, fugiremos para o profundo vale onde estão as cidades de Sodoma e Gomorra. Ali nos armaremos, e marcharemos contra Salém, subjugando nossos inimigos. Acabaremos então com o pergaminho e com todos aqueles que se recusarem prestar obediência ao nosso governo.

Capítulo VI

Sobrevieram dias de aparente tranqüilidade e paz. Samael, fingindo fidelidade, estava sempre ao lado do príncipe, demonstrando admiração pelas suas novas composições que exaltavam as leis do pergaminho. Os seguidores de Samael, da mesma maneira, uniam as vozes em louvores que expressavam a grandeza dos princípios aos quais repugnavam. Melquisedeque, cheio de alegria por ver aproximar-se o dia de sua coroação, ensaiava com os súditos os cânticos da vitória, os quais compusera especialmente para aquela ocasião. Com felicidade falava a todos sobre seus sonhos em tornar Salém cada vez mais honrada por sua beleza e harmonia. Samael, em sua maldade velada, zombava do príncipe. Já previa a dor que lhe traria o golpe da traição.

Naqueles dias de aparente paz, o súdito rebelde procurou conhecer o lugar em que o cetro ficaria oculto até o dia da coroação. O príncipe, sem nada desconfiar, revelou-lhe todo o segredo: a sala, o cofre com seu enigma, o rico estojo e, finalmente o tesouro. Contemplando-o, o astuto Samael animou-se ao ver estampado em seu bojo o selo do domínio. Compreendeu que aquele que o possuísse teria nas mãos o reino de Salém. Somente alguns dias, pensou, e teria sob seu poder aquele instrumento precioso.

O sol declinou trazendo para Salém o dia que significaria vitória ou derrota. Pouco antes do anoitecer, Samael deixara o palácio onde passara todo o dia ao lado do príncipe, ajudando-o nos preparativos para a cerimônia da coroação. Dirigindo-se para sua mansão, saudou as trevas com um sorriso maldoso. Como ansiara por aquela noite! Enquanto os fiéis, embalados pela emoção da feliz vitória, revisavam sob a luz de candeias os adornos de seus instrumentos, de vestes e mansões, certificando-se que seriam aprovados na manhã seguinte, Samael e seus seguidores faziam seus últimos preparativos para desferirem o golpe.

À meia-noite, seguindo as instruções de Samael, todos os seus seguidores abandonaram silentemente suas mansões, rumando-se ao profundo vale de Cedrom, onde esperariam pelo seu novo rei. Samael, por sua vez, dirigiu-se aos fundos do palácio, por onde esperava entrar sem ser notado, indo ao encontro do cetro. Evitando qualquer ruído, transpôs o portal, dirigindo-se silentemente à sala que guardava o precioso cetro.

Naquele momento, o príncipe que, insone rolava em seu leito, pressentindo algum perigo, dirigiu-se ao quarto de seu pai e o despertou dizendo:

–           Meu pai, ouvi ruídos de passos no interior do palácio.

Afagando a cabeça de seu filho, Adonias, sonolento respondeu-lhe:

–           Filho, não se preocupe. Deite-se comigo e durma tranqüilamente. Daqui a pouco raiará o alvorecer e você terá nas mãos o alaúde dourado.

O príncipe, tranqüilizado pelas palavras confiantes de seu pai, entregou-se a um sono de lindos sonhos em que vivia ao lado de Samael e de todos os súditos de Salém, os momentos festivos da coroação. Enquanto isso, o rebelde, com as mãos trêmulas, apossava-se do cetro. Naquele momento, teve a idéia de levar somente o alaúde, deixando o estojo em seu devido lugar. Com um sorriso cheio de maldade, imaginou o momento em que o rei entregaria ao seu filho aquele estojo vazio. Levando consigo o cetro, Samael dirigiu-se apressadamente ao lugar em que seus seguidores o aguardavam. Ao encontrá-los, deu vazão a todo o seu orgulho proclamando:

–           Agora eu sou o rei de Salém. Quem possui um cetro como o meu? Com ele domino a terra e o mar. A minha força está nas trevas, pois através delas o conquistei.

Festejando a vitória, a turba ruidosa afastou-se para distante de Salém, seguindo rumo às cidades corrompidas da planície, onde pretendiam armarem-se para a conquista de seu reino.

O sol surgiu no horizonte, trazendo a luz do dia da expiação (Yom Kipur). Despertando de seu sono de lindos sonhos, o príncipe apronta-se para a cerimônia do juízo e da coroação. Vestes especiais de linho fino, adornadas com fios de ouro e pedras preciosas, foram-lhe preparadas. Depois de vestir-se, Melquisedeque encaminhou-se para o encontro de seus súditos, na extremidade sul de Salém. Dali os conduziria numa marcha festiva rumo ao palácio situado ao norte, sobre o monte Sião.

Adonias, fazendo soar um longo chifre, convocou a todos para a reunião do julgamento. Deixando suas mansões, todos os remanescentes dirigiram-se para a praça do portão sul, levando consigo seus instrumentos musicais. Ao encontrar-se com aqueles fiéis, Melquisedeque ficou surpreso pela ausência de muitos. Esse mistério doía-lhe na alma, pois lhe ocultava a face mais querida de seu amigo Samael. Deixando seus seguidores reunidos, o príncipe saiu à procura dos ausentes. Em sua busca infrutífera, dirigiu-se finalmente à mansão do monte, onde chamou por Samael. Sua voz, contudo, não trouxe nenhuma resposta além de um eco vazio, que traduzia ingratidão.

Lendo no triste vazio a traição, sentiu vontade de chorar. Num só momento veio-lhe à mente todo o passado daquele a quem buscara com tanta dedicação conservá-lo em sua glória, através de conselhos sábios. Recordou aqueles dias que seguiram à sua recuperação. Como se alegrara com a certeza de que seu amigo não mais voltaria a cair! Levando-o a pressentir a tragédia, vieram-lhe à lembrança as indagações de Samael sobre o alaúde, o qual mostrou-lhe num gesto de amizade. A memória deste fato, somada aos passos ouvidos no interior do palácio naquela noite, deu-lhe a certeza de que Salém corria perigo. Não suportando essa possibilidade de traição, prostrou-se em pranto, ferido pela terrível ingratidão daquele a quem dedicara tanto amor. Curvado pela dor, permaneceu por algum tempo procurando encontrar algum consolo. Enxugou finalmente as lágrimas, decidido a fazer qualquer sacrifício a fim de devolver a Salém sua glória e poder, redimindo-lhe o cetro das mãos do rebelde.

Consolado pela certeza da vitória, Melquisedeque retornou para junto dos súditos fiéis. Ocultando-lhes seu sofrimento, bem como o motivo da ausência de tantos, o príncipe guiou-os em marcha triunfal rumo ao palácio.

Capítulo VII

Ao aproximarem-se do monte Sião, galgaram os alvíssimos degraus da escadaria, sendo seguidos pela multidão exultante. Doía-lhe na alma a expectativa de ver morrer nos lábios dos fiéis, naquela manhã, o seu alegre canto, devido ao golpe da traição. Encontravam-se agora no interior do palácio, diante do magnífico trono que esperava pelo jovem rei. Na base do trono, jazia aberto, em meio a um arranjo de flores, o pergaminho das leis. Junto dele podia-se ver a linda coroa, feita de ouro e pedras preciosas, bem como o estojo daquele cetro que simbolizava toda a harmonia de Salém.

Os súditos estavam felizes, pois sabiam que seriam considerados dignos de herdar aquele reino de paz. Aguardavam agora o momento da coroação, quando o seu novo rei os regeria de seu trono com seu cetro precioso, num cântico triunfal. Em meio aos aplausos das hostes vitoriosas, Melquisedeque dirigiu-se a seu pai, que o recebeu com um carinhoso abraço. O momento era deveras solene. As hostes silenciaram-se na expectativa da coroação. O estojo seria aberto e todos testemunhariam a exaltação do querido príncipe. Com o coração pulsando forte pela alegria, Adonias curvou-se sobre o estojo, abrindo-o cuidadosamente. Ao encontrá-lo vazio, a alegria de seu semblante deu lugar a uma expressão de indizível preocupação e tristeza, pois naquele cetro selara o destino daquele reino de paz.

Ao ver seu pai e todos os súditos aflitos pela ausência do cetro e de tantos amigos que deveriam estar com eles naquele momento, Melquisedeque consolou-os com a promessa de que buscaria o cetro. Inconscientes dos riscos e perigos que aguardavam o príncipe em seu caminho, os súditos despediram-se dele, vendo-o partir apressadamente.

O alvorecer daquele dia que seria o da coroação alcançou os rebeldes distantes de Salém, a caminho das cidades da planície. Naquele manhã, Samael encheu-se de fúria ao ver que o precioso alaúde estava adornado com inscrições das leis contidas no pergaminho. Tomando uma pedra pontuda, passou a danificar o cetro, raspando-lhe todas as palavras de amor e justiça. Suas harmoniosas cordas estavam agora desafinadas sobre o seu bojo ferido, mas continuava sendo precioso, pois sobre ele jazia selado o domínio de Salém. Possuí-lo, significava ser dono de todo o poder.

Ao chegarem à altura em que o caminho bifurcava-se, Samael ordenou a seus seguidores que prosseguissem rumo a Gomorra, enquanto ele iria até Sodoma, onde permaneceria por dois dias, juntando-se depois a eles. Esperou pela noite para entrar em Sodoma. Quando ali entrou, caminhou pelas ruas estreitas sem ser notado, até encontrar uma casa isolada sobre uma elevação. Fazendo do cetro sua arma, invadiu a casa matando seus moradores, enquanto dormiam. Apossou-se dessa maneira daquela residência onde, solitário, maquinaria seus planos para a tomada de Salém.

O entardecer daquele dia que seria o da coroação alcançou o filho de Adonias a caminhar pelo pedregoso caminho rumo ao vale. Seus olhos carregados de tristeza e anseio voltam-se para o solo, em busca dos rastros dos rebeldes. A lembrança da ingratidão daqueles a quem tanto amava o fez chorar. Suas lágrimas, refletindo os últimos lampejos daquele sol poente, assemelham-se a gotas de sangue jorrando de um coração ferido. Ele chorava não por causa dos perigos que lhe sobreviriam naquela fria noite, mas pela infeliz sorte daqueles que haviam trocado a paz de Salém pela violência daquelas cidades da planície. O seu único consolo era a lembrança daqueles que, apesar de todas as tentações, haviam permanecido fiéis. A eles prometera devolver o cetro, e isto o faria apesar de qualquer sacrifício.

Depois de uma longa noite de insônia em que o príncipe ficou recostado ao lado do caminho, raiou a luz de um dia que seria decisivo. Ao aproximar-se de Sodoma naquela manhã, o pensamento de estar tão próximo do cetro de sua amada Salém fez com que se esquecesse de toda a fadiga, abreviando seus passos rumo ao desafio. Ao abeirar-se do grande portão da cidade, ficou tomado por um temor, ao ouvir ruídos espantosos de desarmonia, que traduziam o orgulho, o egoísmo e a cobiça que ali dominavam todos os corações, fazendo-os explodir na orgia de uma maldade sem fim.

Seria um grande risco expor-se à violência gratuita daquela cidade. Esse pensamento o fez deter-se a um passo do portal, onde estremecido curvou a fronte em indizível luta íntima. Era tentado a recuar, mas lutava com todas as forças de sua alma contra esse pensamento de fracasso. Pensando na triste sorte de Salém, cujo domínio estava sendo pisado no interior daquela cruel Sodoma, Melquisedeque tomou uma firme decisão: como um destemido guerreiro haveria de avançar, e, mesmo que tivesse de enfrentar o acúmulo de todos os perigos, prosseguiria, até erguer em suas mãos vitoriosas o cetro amado.

Resoluto e esperançoso, transpôs o portão de Sodoma, mergulhando naquele mundo estranho. Tudo ali era o oposto de Salém, começando pelas pedras ásperas e sujas de suas construções. Sodoma era um reino de trevas. A presença contrastante do príncipe foi logo notada por muitos que, em tumulto, o cercaram. A pureza de caráter expressa em sua meiga face e o esplendor de suas vestes encheram-nos de espanto, e recuaram como que vencidos por uma força invisível. Dominados pela fúria, passaram a persegui-lo à distância, decididos a fazê-lo recuar. Jogavam-lhe pedras e lama tentando macular-lhe as vestes, mas não o atingiam, enquanto ele avançava em sua ansiosa busca. Desistiram finalmente de persegui-lo, ao entardecer.

Capítulo VIII

O filho de Adonias percorrera todas as ruas e becos à procura do precioso cetro, mas em vão. Ao ver tombar no horizonte o sol, anunciando a chegada de mais uma escura e fria noite, seu coração ficou opresso por uma grande agonia. Ali, naquele último beco, quase vencido pela exaustão e pelo desespero, inclinou a fronte, desfazendo-se em pranto. Seus lábios pronunciaram em meio aos soluços as seguintes palavras:

–           Salém, Salém, você não pode perecer! O seu cetro precisa ser redimido das garras da rebeldia! Mas quando e onde vou encontrá-lo?! Já não restam forças em mim e a esperança de redimi-lo antes da noite me abandona!

O príncipe, em sua suprema angústia, não percebia que outro gemido de dor, procedente de cordas arrebentadas de um alaúde humilhado, fazia-se ouvir naquele entardecer. Subitamente, o fraco gemido penetrou seus ouvidos, reanimando-o com a certeza de que o grande momento da redenção havia chegado. Enxugando as lágrimas, reuniu as últimas forças correndo em direção a uma pequena casa situada sobre um monte, de onde parecia vir o som. Ao dirigir-se à porta entreaberta, deteve-se ao contemplar uma cena chocante, de humilhante escravidão: Samael, envolvido por um manto sujo, castigava o cetro de Salém. Tanto o rapaz quanto o cetro achavam-se tão desfigurados, que não restavam neles quase nenhum traço da glória perdida. Aquele cetro, contudo, mesmo arrasado como estava, era muito precioso, pois nele jazia o selo do domínio de Salém.

A contemplação daquele que fora seu maior amigo e daquele cetro idealizado como símbolo de toda a harmonia, em tão trágica condição, comoveu profundamente o príncipe, fazendo-o chorar em alta voz. Somente então o súdito rebelde percebeu sua presença indesejada. Estremecido, levantou-se, e, cheio de ira perguntou-lhe:

–           O que o trouxe a Sodoma?

Apontando para o cetro danificado, Melquisedeque exclamou:

–           A glória de Salém está destruída!!!

Com uma gargalhada, Samael zombou de sua tristeza, dizendo:

–           Agora eu sou o rei de Salém. Vocês que são fiéis ao pergaminho, tornar-se-ão meus escravos.

Sem se importar com as palavras de afronta de Samael, o príncipe, movido por uma infinita angústia, disse-lhe:

–           Samael, Salém está ferida por sua traição. Por que você trocou o seu lar de justiça e amor por esse vale de injustiça, ódio e morte?! Agora, se não deseja retornar à Salém arrependido, devolva-lhe o cetro. Foi para redimi-lo que, a despeito de todos os perigos, desci a esse vale hostil.

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Conhecendo o propósito do príncipe, o rebelde encheu-se de raiva e, cerrando os punhos, disse-lhe:

–      Eu o odeio Melquisedeque!

Tendo dito isto, arremessou o cetro ao chão, e pisando-o acrescentou:

–           Tenho vontade de fazer o mesmo com você.

Diante dessa afronta, o príncipe não sentiu nenhum temor, mas compaixão. Transportando-se ao feliz passado, lembrava-se dos momentos felizes em que tinha sempre ao seu lado a Samael. Ele era um jovem puro e humilde de coração. Por que permitira ser escravizado pela ilusão do orgulho e do egoísmo?! Quão doloroso era ver aquele jovem que, por sua beleza e simpatia, havia sido honrado acima de todos os súditos, agora arruinado pela cobiça! Não fora o sonho do príncipe ter junto ao seu trono glorificado, aquele que lhe era o mais precioso amigo?! Essa tragédia feria-lhe a alma.

Contudo, a triste condição do cetro o atingia ainda mais, pois ele fora feito como o símbolo de toda a harmonia, e estava sendo desfeito sob os pés da ingratidão. Surpreso por não ver nos olhos de Melquisedeque nenhuma expressão de temor, porém de piedade, Samael sentiu-se frustrado em suas afrontas que visavam amedrontá-lo, levando-o desistir de sua missão. Diante da postura digna do príncipe, que em silente dor o contemplava, sentiu-se envergonhado. Essa fraqueza, contudo, foi banida pelo orgulho que dominava o seu coração. Começou então a planejar algo terrível, para humilhar e ferir o príncipe, fazendo-o sofrer ainda mais.

Com escárnio disse-lhe:

–           O cetro de Salém poderá ser seu, se você conseguir pagar-me o preço de seu resgate.

Com um brilho nos olhos, o príncipe perguntou-lhe:

–           Qual é o preço?

Samael, com um sorriso maldoso, respondeu-lhe pausadamente:

–           O preço não é ouro nem prata, mas dor e sangue. Você deverá despir-se completamente de suas vestes, deitando-se ao chão. Deverá suportar nessa condição, espancamentos, até que o sol se ponha. Se você estiver disposto a submeter-me, sem reagir, o cetro será inteiramente seu

Estremecido ante tão cruel proposta, o filho de Adonias olhou para o sol que pairava distante sobre uma nuvem. Passou a travar em seu coração uma luta intensa. A princípio, o horror do sacrifício quase o dominou, levando-o recuar, mas o pensamento de ver Salém escravizada pela rebeldia, levou-o finalmente à decisão de pagar o preço do resgate, entregando-se ao humilhante sofrimento.

Tendo tomado a firme decisão de resgatar o cetro, o príncipe tirou as vestes, colocando-as sobre uma pedra. Deitou-se em seguida naquele solo frio, com a fronte voltada para o poente. Impiedosamente, Samael começou a espancá-lo, fazendo uso do próprio cetro como instrumento de tortura. Gemendo pela dor dos golpes que o faziam sangrar, o príncipe mantinha o olhar fixo no sol que parecia deter-se sobre a nuvem. Atordoado pela dor, contemplou finalmente o sol prestes a se pôr. Alentado pela vitória que se aproximava, murmurou baixinho:

–           Salém, Salém, daqui a pouco terei em meus braços o teu cetro precioso que, em minhas mãos, tornar-se-á num instrumento de justiça e paz.

Ouvindo a promessa do príncipe feita por entre gemidos, Samael bradou-lhe com fúria:

–           O seu sofrimento não trará nenhum alvorecer para Salém, pois suas mãos jamais serão capazes de tocar no cetro.

Depois de fazer essa afronta, Samael apossou-se de uma pedra pontuda, preparando-se para desferir os últimos golpes. Enquanto pensava sobre a feliz vitória de Salém, Melquisedeque sentiu seu braço direito ser comprimido pelos pés de Samael. Seguiu a esse rude gesto um golpe que o fez contorcer-se em agonia. Sua mão fora vazada cruelmente, passando a jorrar abundante sangue da ferida aberta. Essa mesma violência foi descarregada logo depois sobre sua mão esquerda. Não suportando a agonia causada por esses derradeiros golpes, o filho de Adonias, ensangüentado, mergulhou nas trevas de um profundo desmaio.

Capítulo IX

Ao cessar de golpear o príncipe, o súdito rebelde ficou possuído por um estranho horror, ao contemplar na face daquele que somente lhe fizera o bem, o torpor da morte. Procurava não recordar o passado, mas, irresistente, sentia ser arrastado aos dias de sua feliz inocência em Salém. Revestido de ricas vestes estava sempre ao lado do príncipe que, com dedicação, ensinava-lhe a cada dia suas canções falando de paz. Nas indesejadas lembranças pelas quais era arrastado, reviveu seus primeiros passos no caminho do orgulho e do egoísmo. Lembrou-se dos incessantes conselhos e rogos daquele que fora seu melhor amigo, para que desistisse daquele caminho que poderia conduzi-lo à infelicidade.

Depois de ser arrastado em lembranças por todo aquele passado de felicidade destruída por sua culpa, Samael teve consciência de sua ingratidão. Horrorizado pelo que fizera, curvou-se sobre o corpo ensangüentado de Melquisedeque, e desesperou-se ao vê-lo sem vida. Não suportando o peso da grande culpa, deixou às pressas aquele lugar, desejando ocultar-se distante, sob as trevas da fria noite.

Depois de um profundo desmaio, o príncipe começou a voltar à consciência. Em delírios que o transportavam ao seio de sua amada Salém, ele revivia momentos vividos e sonhados. Com alegria contemplava a face de seu maior amigo, para quem estendeu a mão com um sorriso. Mas seu gesto foi frustrado por uma profunda dor. Em meio aos aplausos dos súditos vitoriosos, recebe de seu pai o cetro, mas, ao tocá-lo, sente uma irresistível dor em suas mãos. Com esses sonhos frustrados pela dor, Melquisedeque despertou para a realidade. Estava nu, ferido e solitário, em um lugar perigoso, longe do abrigo e carinho de Salém. Mais doloroso era pensar que tudo aquilo era a retribuição de alguém que fora o alvo principal de todas as dádivas de seu amor.

O príncipe, sem poder mover-se, considerando a grande traição, passou a chorar sem consolo. Lamentava não por sua dor, mas pela perdição daqueles que haviam trocado o carinho e a justiça de Salém pelo desprezo e ódio que os reduziriam finalmente a cinzas sobre aquele vale condenado. Através das lágrimas, o príncipe contemplava o céu que, semelhante a um manto tinto de sangue, estendia-se banhado na luz do sol poente. Lembrou-se então do alaúde pelo qual pagara tão alto preço. Onde estaria ele? Em sua desesperada fuga, Samael deixara o cetro abandonado junto ao corpo ferido de Melquisedeque. Quando ele o viu, esqueceu-se de toda a dor, e alcançou-o com suas mãos feridas. Acariciando-lhe o bojo arruinado, disse-lhe com um sorriso:

–           Você é meu novamente. Eu o comprei com o meu sangue.

Samael que, dominado pelo estranho horror, fugira após cometer o horrível crime, deteve-se a um passo do portão de Sodoma. Ali impulsionado pelo orgulho, arrependeu-se com indignação de sua fraqueza. Por que fugira depois de conquistar tão grande vitória? Não era seu plano destruir o reino de Salém, para estabelecer seu próprio reino? Lembrando-se do cetro, decidiu retornar para tomá-lo. Por que o deixara abandonado junto ao cadáver daquele odiado príncipe?

Reunindo suas poucas forças, Melquisedeque dirigiu-se tropegamente ao lugar em que deixara suas vestes. Depois de vestir-se, tendo junto ao peito o cetro amado, o filho de Adonias, com profunda emoção, fez um juramento antes de deixar aquele lugar de seu sofrimento. Acariciando o cetro, disse-lhe:

–           Meu querido cetro, você foi criado como um emblema da harmonia que procede da justiça e do amor. Toda a glória de Salém repousava sobre você quando a rebeldia em sua ingratidão escravizou-o, arrastando-o para este vale hostil. Aqui você foi ferido e humilhado, vindo a tornar-se um instrumento de impiedade nas mãos do tirano. Eu, porém, o redimi com o meu sangue. Agora nossas feridas serão restauradas, e em breve seremos entronizados em meio aos louvores de uma Salém vitoriosa. Quando esse sonho se concretizar, testemunharemos juntos o fim daqueles que se levantaram contra nós para nos ferir. Samael e seus seguidores serão devorados pelo fogo que reduzirá a cinzas Sodoma e Gomorra.

Concluindo seu solene juramento, o jovem príncipe, já oculto pelas trevas da noite, deixou aquela colina, e sobre ela as marcas de seu sofrimento.

Desde que o filho do rei partira, prometendo retornar com o cetro, Salém vivia momentos de indizível anseio. Em pranto, o rei e os súditos remanescentes lembravam-se de todo aquele feliz passado desfeito pela ingratidão dos rebeldes. O que mais lhes torturava era a ausência do príncipe e do cetro, sem os quais todo o brilho daquele reino de paz se ofuscaria. Desejando consolar o coração de seus súditos, Melquisedeque avançava em meio à noite rumo aos montes que cercavam Salém. Ainda que enfraquecido e ferido, prosseguia em sua marcha ascendente, esperando alcançar sua pátria pela manhã.

Aquela longa e escura noite foi finalmente vencida pelos raios do alvorecer. Em Salém a esperança em rever Melquisedeque com o seu cetro estava quase banida quando, ao olharem para o Monte das Oliveiras, viram-no descendo pelo caminho do Getsêmani. Quando o encontraram no profundo vale de Cedrom, ficaram assustados com sua aparência: sua face estava pálida e seu manto encharcado de sangue. Mesmo assim, ele sorria expressando grande alegria. Ao perguntarem-no sobre o porquê daquelas marcas de sangue, Melquisedeque retirou de sob o manto suas mãos feridas, revelando-lhes entre elas o cetro redimido. Depois de contar-lhes os passos que o levaram ao resgate do cetro, os súditos, emudecidos, prostraram-se reverentes aos seus pés, aclamando-o como seu redentor e rei. Em meio aos louvores das hostes redimidas, o príncipe foi introduzido no palácio real, onde, sob os cuidados de seu amoroso pai, deveria restabelecer-se de seu sofrimento. O cetro desfigurado, agora mais precioso, seria também restaurado, devendo tornar-se mais belo que antes. O dia da coroação foi fixado para o próximo Yom Kipur. Naquele dia, Melquisedeque selaria com o cetro restaurado o triunfo de todos os fiéis, bem como a condenação dos rebeldes.

Capítulo X

Poucos instantes após a saída de Melquisedeque, Samael chegara ao local onde o deixara aparentemente sem vida, ao lado do alaúde. Sem entender aquele misterioso desaparecimento, ele prosseguiu para Gomorra, onde seus seguidores o esperavam. Ao vê-los, proclamou sua “vitória” sobre o odiado príncipe e sobre o cetro, os quais massacrara em Sodoma, não restando aos seguidores do pergaminho nenhuma esperança. Suas palavras agradaram a turba rebelde, que passou a comemorar a “conquista”, entregando-se à orgia. Zombavam agora da justiça e do amor, exaltando a Samael como rei vitorioso.

Obteriam agora armas, com o propósito de avançarem sobre Salém, desferindo-lhe o último golpe. Juntaram-se a eles, em seu maléfico propósito, muitos criminosos que foram recebidos como mestres no manejo de arcos e flechas. Em sua loucura, Samael ordenou o banimento de todo calendário, pois em seu reino de “liberdade” não estariam sujeitos a nenhum cômputo de tempo. As leis da moralidade foram também banidas, surgindo com isso um completo caos. Essa desordem revelou-se de maneira mais patente no barulho estridente e cacofônico, ao qual proclamaram como a nova música. Dominados pelo egoísmo, Samael e seus seguidores alimentavam-se de ilusões, inconscientes de que seus dias estavam contados. Os frutos da rebelião não tardariam a atrair sobre eles o fogo da destruição.

Dividindo seus seguidores em pequenos grupos, Samael passou a comandá-los em atos violentos que aterrorizavam os moradores das planícies. Por esse tempo, eles escondiam-se nas cavernas situadas próximas ao mar salgado.

O respeito e o medo dos guerrilheiros de Samael levaram finalmente os reis de quatro cidades a procurarem-no, propondo alianças de paz. Eram eles: Bara, rei de Sodoma; Bersa, rei de Gomorra; Senaab, rei de Adama; Semeber, rei de Seboim, e Segor, o rei de Bela. Por essa época, esses reis pagavam tributos a Cordolaomor, rei de Elam, que, acompanhado pelos exércitos de quatro outras cidades, os haviam subjugado no vale de Sidim junto ao mar salgado.

Fortalecido pelas alianças, Samael tornou-se mais ousado em suas investidas, levando o terror e a destruição aos territórios de cidades distantes. Os exércitos de Cordolaomor e seus aliados que retornavam nesses dias de outras conquistas, enfurecidos pelas provocações de Samael, marcharam contra os quatro reis, vencendo-os novamente no vale de Sidim. Foi nessa ocasião que levaram cativos os habitantes de Sodoma, entre os quais encontrava-se o meu sobrinho Ló. Acovardados diante do furor dos cinco reis, Samael e seus seguidores esconderam-se em suas cavernas, ao norte do mar salgado.

Capítulo XI

Os doze meses contados a partir do grande sacrifício estavam prestes a terminar. O cetro, totalmente restaurado, resplandecia em seu estojo, enquanto o príncipe, igualmente restabelecido das feridas causadas pela rebeldia, alegrava-se ao ver chegar o Yom Kipur de sua coroação. Enquanto isso, ele compunha lindas canções que expressavam o seu amor por Salém. Naqueles doze meses, a cidade da paz tornara-se mais bela, sendo adornada qual noiva para o grandioso dia da coroação.

A uma semana para o Yom Kipur, Samael, totalmente inconsciente de que o dia de seu julgamento se aproximava, reuniu os seus seguidores, anunciando-lhes que a próxima missão seria a conquista de Salém. Antes de avançarem, contudo, ele subiria sozinho para verificar os pontos vulneráveis da cidade. Depois de ser aplaudido pela turba, Samael partiu em sua missão de reconhecimento. Enquanto avançava sozinho, procurava não se lembrar daqueles momentos que lhe trouxeram terror pela culpa, mas, dominado por uma força superior, foi arrastado em suas lembranças para aquele monte da cruel tortura.

Todo o seu passado começou a vir-lhe à lembrança, como um peso esmagador. Quando despertou de suas lembranças, das quais não conseguiu fugir, já era noite. A escuridão que o envolvia pareceu-lhe o prenúncio de um triste fim. Esse desânimo, contudo, procurou bani-lo com a lembrança do exército que o esperava, pronto para cumprir suas ordens, na conquista de Salém, onde não haveria lembranças daquele pergaminho.

O alvorecer o alcançou próximo de Salém. Ao avistar o monte das Oliveiras, veio-lhe à lembrança a última vez que o transpôs, deixando para trás a cidade vencida. Quantas noites haviam passado desde então? Ele perdera a noção de tempo, não sabendo que justamente doze meses haviam se passado. Não podia imaginar que raiava naquela manhã o Yom Kipur, o dia de seu julgamento. Ao chegar ao topo do monte das Oliveiras naquela manhã, Samael surpreendeu-se ao ver que a cidade tornara-se mais bonita que outrora. Toda ela estava adornada de ramos e flores, como uma donzela à espera de seu noivo. Contudo, Salém estava abandonada, não havendo nenhum sinal de vida em todas as suas mansões. Isto o fez concluir que os golpes, que haviam aniquilado o príncipe e o cetro, trouxeram como conseqüência todo aquele abandono. Ele não sabia, contudo, que naquele momento todos os remanescentes daquele reino, encontravam-se ocultos no grande salão do palácio, aguardando pelo momento mais glorioso da coroação de Melquisedeque.

Imaginando-se exaltado sobre o trono abandonado, tendo a seus pés os exércitos vitoriosos, o rebelde penetrou na cidade, dirigindo-se apressadamente ao palácio. Ao transpor o portal principal que dava entrada ao salão principal, ficou surpreso ao ver ali reunida uma multidão de fiéis. Sobre um áureo tablado, enfeitado de flores talhadas em pedras preciosas, encontra-se o trono vazio. Na base do trono estava o pergaminho das leis, uma coroa de ouro cheia de pedras preciosas e o estojo que deixara vazio naquela noite de traição. Sem entender o enigma, Samael escondeu-se por trás de uma coluna, temendo ser reconhecido, e ficou observando. Os súditos, com expressão de feliz expectativa, olhavam para o trono vazio. Onde encontravam eles motivos para toda essa alegria, se haviam perdido o seu rei juntamente com o cetro? Samael questionava sobre esse mistério, quando Adonias, aplaudido pelos súditos, encaminhou-se para junto do trono. Com voz cheia de emoção pela vitória, o fundador de Salém anunciou que havia chegado o momento tão sonhado da coroação. Um brado de triunfo ecoou pelos ares quando, anunciado pelo seu pai, entrou o amado príncipe encaminhando-se em direção ao trono. Ao vê-lo coberto por um manto de glória, Samael ficou possuído por um terrível pavor, e procurou fugir. Descobriu, contudo, que todos os portais do grande salão estavam fechados por fora.

Teve início a cerimônia da coroação. Era um momento deveras solene. Adonias, num gesto reverente, tomou a rica coroa, colocando-a na fronte de seu filho. Prostrando-se depois sobre o estojo, abriu-o cuidadosamente, tirando dele o alaúde restaurado, cuja beleza e brilho eram muito superiores à sua primeira condição, ao sair das mãos de Adonias o seu luthier. Assentando-se no trono em meio às aclamações dos súditos, Melquisedeque passou a dedilhar o cetro, tirando dele acordes de muita harmonia e paz. Todos se aquietaram para ouvirem suas novas composições que expressavam o seu profundo amor pelo cetro e por todo aquele reino de paz.

Grande emoção invadia o coração de todos naquele momento, levando-os às lágrimas. Samael, sem forças para reagir, sentia-se torturado por aqueles acordes que faziam reviver em sua mente suas oportunidades perdidas, numa terrível dor para sua consciência. Melquisedeque compusera para aquele momento especial, canções que retratavam os momentos marcantes da história de Salém; Quando passou a cantar sobre a amizade que tinha por Samael, sua voz embargou-se pelas lágrimas que não conseguia conter. Triste para ele era cantar sobre a queda daquele que foi-lhe o maior amigo! Cantou então sobre o alto preço que teve de pagar pela reconquista do cetro, que representa a honra de Salém.

Ao contemplarem aquelas mãos marcadas pelas cicatrizes, tocando com tanta maestria e carinho o cetro restaurado, os súditos tomados por forte emoção, prostraram-se em pranto. Ao ver nas nãos de Melquisedeque aquele alaúde que, em suas mãos fora instrumento de tortura, Samael compreendeu, tarde demais o quanto errara, desviando-se dos conselhos do príncipe; Quantas vezes aquelas mãos sobre as quais descarregara toda aquela violência haviam sido estendidas num esforço de salvá-lo, e ele as havia negligenciado. Agora, era tarde demais! Tarde demais!!!

Capítulo XII

Os súditos triunfantes que, reverentes, haviam sido conduzidos a todo aquele passado de felicidade, traição, dor e triunfo, uniram finalmente as vozes numa jubilosa proclamação:

–           Verdadeiros e justos são os teus princípios, ó rei de Salém. Digno és de reinar em glória e majestade entre os louvores de teus fiéis, porque em teu sacrifício nos livraste das ameaças das trevas, fazendo renascer em nosso coração a alegria do alvorecer.

Esse cântico de exaltação foi seguido pela cerimônia de confirmação de todos os fiéis em sua vitória. O filho de Adonias, com o seu cetro redimido, passou a selar com um toque especial do cetro, a vitória de cada um. Formou-se para tanto uma longa fila de fiéis exultantes Os súditos confirmados, à medida em que iam recebendo o toque de aprovação do rei, posicionavam-se ao lado direito do trono, onde permaneciam aguardando pela confirmação dos outros.

Os olhares que, iluminados de alegria, haviam acompanhado o selamento dos últimos justos, pousaram sobre a figura estranha de Samael que, dominado por uma força irresistível, encaminhava-se cabisbaixo em direção do trono. Seu aspecto era horrível: seu semblante havia sido deformado pelo mal; suas vestes estavam sujas e mal cheirosas; tudo nele repugnava, ao ponto de ninguém reconhecê-lo. Em meio ao espanto dos súditos, Melquisedeque ergueu-se de seu trono como que ferido por uma grande dor; de seus lábios os súditos ouviram uma dolorosa exclamação:

–           Samael, Samael!!!

A figura deplorável daquele que fora tão belo, encheu a todos de tristeza, e começaram a prantear. Eles lamentavam por saber que o destino de Samael e de todos aqueles que o seguiram, poderia ter sido muito diferente, se eles houvessem atendido aos rogos de amor de Adonias e de seu filho. Não era o plano do rei e o sonho de Melquisedeque tê-lo como o guardião do pergaminho, sendo o segundo em honra naquele reino?

Samael que, reconhecendo sua desventura, aproximara-se cabisbaixo do trono, ao presenciar toda aquela lamentação, foi novamente iludido pelo orgulho, julgando tratar-se de uma demonstração de fraqueza de seus inimigos. A lembrança de seu exército que fortalecido o aguardava na planície, iludiu-o com a certeza de que seria vitorioso sobre Salém. Com esse pensamento, ergueu a fronte marcada pelo ódio e, fitando o rei, levantou o punho cerrado e o desafiou, desdenhando de sua autoridade, com a ameaça de tomar-lhe o trono. Ainda que condoídos por sua perdição, os súditos de Salém não suportaram a ousada afronta daquele enlouquecido jovem que, depois de causar tanto sofrimento, ainda era capaz de erguer-se com tamanho desafio.

O vitorioso rei que com tanto prazer selara com o seu cetro a conquista dos fiéis, ergueu-o dolorosamente para o selamento da triste sorte dos rebeldes. Imobilizado por uma força estranha, Samael, sem desviar os olhos do cetro, ouviu dos lábios do rei a proclamação de seu julgamento e de todos os seguidores: Prisioneiros de uma força invisível, ficariam retidos em suas cavernas por seis anos, sendo depois visitados pelo fogo do juízo que os destruiria juntamente com as cidades que a eles se aliaram.

Capítulo XIII

Ao ir para a cama depois daquele dia de tantas emoções, o jovem rei, imerso nas lembranças daquele passado de felicidade e dor, rolava em sua cama insone. Quando finalmente adormeceu, teve um sonho muito significativo. No sonho, apareceu-lhe um anjo luminoso, que saudou-o com um sorriso, dizendo-lhe que todo o Universo acompanhava com atenção aquele drama que estavam vivendo, e que o mesmo tinha um sentido prefigurativo, retratando acontecimentos passados e futuros, que envolvia todo o vasto universo.

As palavras do anjo despertaram em Melquisedeque um grande desejo de conhecer a história desse drama cósmico. Conhecendo o seu anseio, o anjo arrebatou-o no sonho revelando-lhe um distante futuro. Diante de seus olhos manifestaram-se as glórias de uma nova e esplêndida Salém, cujas muralhas e mansões eram de pedras preciosas; os portais da cidade eram de pérolas. Suas amplas avenidas eram de ouro puro. A cidade era quadrangular e se estendia por centenas de quilômetros. Estava dividida em dois setores distintos: Norte e Sul. Ao Sul elevavam-se incontáveis mansões, habitações eternas de anjos e de seres humanos redimidos. Ao Norte havia um lindo paraíso ao qual o anjo revelou ser o jardim do Éden. Ali, em ambas as margens do rio da vida, havia campos repletos de todo tipo de vegetação, com flores e frutos em abundância. Viviam ali em perfeita harmonia, todas as espécies de aves e animais.

No meio do paraíso podia-se ver uma montanha fulgurante, a qual o anjo afirmou ser o monte Sião, o lugar do trono de Deus. Era daquele monte que emanava o rio da vida, fluindo por toda a cidade. Quando alcançaram o topo da montanha sagrada, o rei de Salém ficou deslumbrado com o cenário visto ao seu redor. Encontrava-se na parte mais elevada de Sião a mais linda de todas as edificações revelado pelo anjo como o palácio de Deus. Aquela magnífica construção era sustentada por sete colunas, todas de ouro transparente, engastadas de lindas pérolas. Ao redor do palácio, floresciam a mais exuberante vegetação: havia ali o pinheiro, o cipreste, a oliveira, a murta, a romãzeira e a figueira, curvada ao peso de seus figos maduros.

Enquanto admirava-se ante a beleza daquele lugar, o anjo disse-lhe que a nenhum ser humano fora dado o privilégio de ver o interior daquele palácio de Deus. A ele seria dada esta honra, pois fora escolhido para ser o portador das mais amplas revelações sobre o reino da luz. Ao transporem com reverência um dos portais de pérolas, prostraram-se em adoração, enquanto ouviam o cântico de uma multidão de serafins, que circundavam o trono, em constante louvor Àquele que Era, que É e que Sempre Será. Ao olhar para Aquele que estava assentado sobre o trono, Melquisedeque ficou surpreso ao descobrir a figura de um homem. Ele estava coberto por um manto de linho fino, de uma alvura sem igual, e tinha sobre a cabeça uma coroa formada por sete coroas sobrepostas, repletas de pedras preciosas.

Ao olhar para as mãos que sustentavam o cetro, o filho de Adonias ficou surpreso ao descobrir nelas cicatrizes de ferimentos, semelhantes àquelas em suas mãos. O anjo afirmou-lhe ser o Messias, o Grande Melquisedeque, a manifestação visível de Yahweh, o Deus Invisível. Atraído para o cetro resplandecente, com o qual o Messias governava sobre todo o Universo, o rei de Salém viu nele o selo do domínio, e nele escrito o nome: Israel. Tomado por profunda emoção, Melquisedeque prostrou-se ante o Rei daquela eterna Salém, e, revivendo ali a história de sua pequena cidade, teve desejo de conhecer o grande drama da história universal. Conhecendo o desejo de seu coração, o anjo disse-lhe:

–           Agora lhe farei conhecer a história desta gloriosa Salém. Tudo o que lhe for mostrado na visão, você deverá registrar fielmente em um rolo. Você terá seis anos para escrevê-los. Ao fim dos sete anos, você receberá das mãos de um ancião um vaso contendo um rolo especial, com muitas revelações importantes, entre as quais estará a história de Salém. Você tomará esse rolo, e o costurará ao seu, formando um único rolo. Você o devolverá juntamente com o vaso ao patriarca para que ele o leve ao lugar que lhe mostrarei, onde ficará oculto até o fim dos dias. As revelações desse grande rolo, consistirão na luz e no consolo que enviarei aos escolhidos por ocasião da última semana de anos da história.

Depois de falar ao rei de Salém estas palavras, o anjo conduziu-o em visão a um infinito passado, quando o Universo ainda não existia. Uma história muito parecida com a de Salém passou a desdobrar-se diante de seus olhos; porém, numa dimensão infinitamente maior, começando pela criação do reino da luz. Com admiração contemplou a formação de bilhões de mundos e estrelas, repletos de vida e felicidade que passaram a girar em torno da Salém Celeste, o paraíso de Deus. Sua atenção voltou-se depois para o mais belo de todos os querubins que, honrado pelo Criador, passou a residir com Ele em Seu palácio. Uma eternidade de felicidade e paz parecia embalar aquele reino, quando a mesma experiência de egoísmo e rebeldia vivida por Samael, começou a repetir-se na vida daquele anjo amado. Cenas de uma grande rebelião começaram a ser mostradas a Melquisedeque, envolvendo todos os habitantes do Universo. O querubim honrado, semelhante a Samael, seduzira um terço das hostes que, passaram a reverenciá-lo como rei.

Em meio às cenas daquele grande conflito, o rei de Salém testemunhou a criação do planeta Terra, sobre a qual surgiu o homem como cetro racional daquele reino disputado. Com agonia viu o momento em que o chefe da rebelião aproximou-se subtilmente do paraíso, apossando-se do ser humano, depois de seduzi-lo com tentações. Ouviu então o seu brado, numa proclamação de vitória. A partir daquele momento, o inimigo de Deus passou a arruinar o ser humano, apagando nele todos os traços da glória divina, como Samael fizera com o cetro.

A sua própria experiência, ao declarar naquela manhã aos súditos de Salém sua decisão de ir em busca do cetro perdido, começou a repetir-se diante de Seus olhos. Reunindo as hostes que haviam permanecido fiéis ao Seu governo, o Criador passou a revelar um plano de resgate: Ele haveria de ir em busca do homem, e o remiria, ainda que isto lhe custasse infinito sacrifício. Diante desta revelação, o filho de Adonias prostrou-se comovido, ao descobrir que em sua vida tivera a honra de retratara o próprio Messias.

Todo o drama vivido pelo filho de Adonias em sua angustiante busca, até o momento de seu suplício pela redenção do cetro, foi ganhando amplitude naquela visão que abarcava toda uma eternidade. Diante de seus olhos desfilavam cenas de uma grande batalha que, sem trégua se estenderia até o dia do juízo final, quando o Messias, o Grande Melquisedeque, vitorioso, empunharia o cetro redimido, selando com ele a condenação de todos os filhos de Belial..

Capítulo XIV

Através das revelações recebidas do anjo, Melquisedeque tomou conhecimento do livramento alcançado por ocasião de sua coroação, quando diante de trezentos pastores com seus vasos incendiados, exércitos de cinco reis tombaram, saindo livres os cativos. Conhecendo nossa intenção de subir à Salém por ocasião de Sukot, o rei fez preparativos para uma grande festa, na qual comemoraríamos juntos a vitória sobre toda a desarmonia gerada pelo orgulho e pelo egoísmo. Foi por isso que ao chegarmos a Salém, ficamos surpresos com toda aquela honrada recepção.

Ocupar-me com o relato de todos esses acontecimentos, fez-me passar por todo este sétimo ano, quase sem notar os seus dias, que passaram velozes. Estamos hoje às portas de um novo Rosh Hashanah, quando os 300 pastores tocarão os chifres, convocando todos aqueles que possuem as pérolas, para a reunião solene de Yom Kipur. Cinco dias depois seremos recebidos em Salém para a festa de Sukot. A certeza de que acontecimentos importantes ainda deverão ser relatados neste rolo, fez-me reservar um espaço, no qual registrarei, dia após dia, os fatos, até a consumação desta história que estamos vivendo.

Rosh Hashaná! Esse foi o dia mais feliz de minha vida, pois meus braços puderam receber o filho da promessa. A primeira coisa que fiz, foi colocar-lhe em sua mãozinha direita a Segunda pérola que o Messias deu a Sara no dia de sua conversão; Ele a segurou com firmeza, alegrando-nos com a certeza de que viverá para sempre ao nosso lado. Dois dias antes do Yom Kipur, Isaque foi circuncidado, conforme a ordem do Eterno. Desde que os pastores começaram a tocar seus chifres em Rosh Hashanah, todos aqueles que possuem pérolas do vaso, deixaram suas tendas, dirigindo-se em pequenos grupos, para junto do Carvalho de Mambré.

Ao chegar o Yom Kipur, o dia da reunião solene, meus pastores informaram-me que todos aqueles que haviam recebido as pérolas, haviam comparecido ao encontro, não faltando nenhuma pessoa. É maravilhoso ver a alegria estampada no semblante de toda essa multidão que anseia pela subida à Salém. Todos trazem uma história para contar, de como foram vitoriosos sobre tantos desafios e provações. Todos estão felizes com a expectativa da subida à Salém para a festa de Sukot.

No primeiro dia da festa de Sukot, a multidão foi subdividida em pequenos grupos de doze pessoas, para subirmos em ordem à Salém. Tendo sobre os ombros o vaso com o rolo, posicionei-me à frente da multidão, sendo seguido por Sara e Isaque que vinham montados num camelo; Logo atrás vinha Ló e suas filhas; um pouco atrás, os trezentos pastores seguidos por todos os fiéis.

Iniciávamos nossa escalada quando, acompanhado por todos os seus súditos, surgiu Melquisedeque vindo ao nosso encontro, fazendo vibrar pelos ares o som festivo de muitos instrumentos musicais, comemorando a grande vitória. Depois de saudar-nos, o filho de Adonias conduziu-nos numa marcha festiva até adentrarmos os portais de Salém, que encontra-se agora mais bonita que outrora. Antes de iniciar o banquete, Melquisedeque coroou todos os vencedores, enquanto as hostes de Salém faziam soar seus instrumentos, comemorando a feliz vitória..

Grande foi a alegria do rei de Salém quando entreguei-lhe o jarro com o manuscrito. Ao desenrolá-lo, fiquei surpreso ao ver sua atenção voltar-se para a última parte do rolo que ainda estava vazia. Como se estivesse lendo algo ali, ele me disse:

–           Abraão, de tudo o que você escreveu , nada me comove mais do que o relato que você registrará na última parte de seu manuscrito.

Melquisedeque mostrou-me em seguida um rolo escrito por dentro e por fora, no qual escrevera naqueles seis anos a história do Universo, conforme revelações feitas a ele por um anjo. Tomando o meu manuscrito, ele o costurou ao seu formando um grande rolo. Tendo feito isto, enrolou-o cuidadosamente, colocando-o dentro do jarro.

Ao chegar o oitavo dia da festa, num ato que surpreendeu a todos, o rei enalteceu o jarro, colocando-o sobre o seu trono. Ao ver o vaso que fora tão humilhado e rejeitado, agora glorificado em meio aos louvores de Salém, senti uma forte emoção e chorei; Era impossível olhar para ele, sem pensar no seu significado: era um perfeito símbolo do Messias prometido. Por intermédio dele, muitas vidas haviam sido libertas e transformadas, começando pela minha. Sem o dom daquele vaso, eu não teria hoje em meus braços meu querido Isaque pelo qual Sara e eu esperamos por tanto tempo.

Depois de entronizar o jarro, o filho de Adonias, chamando-me para junto do trono, passou a honrar-me perante todos os fiéis; Tomando a caixinha de ouro na qual colocara as 144 pérolas do dízimo, ele colocou-a em minhas mãos, afirmando ser um presente seu para Isaque. Como se não bastasse, ele tomou o vaso que continha o valioso rolo e, colocando-o aos meus pés, disse que ele pertencia a mim e aos meus descendentes para sempre. Com o coração repleto de alegria, prostrei-me diante do rei que me oferecia tão precioso dom, estendendo-lhe as mãos com a caixinha das pérolas. Tomando-a de minhas mãos, ele a colocou dentro do jarro sob o rolo, reafirmando sua doação.

Capítulo XV

Ao dirigir-me ao aposento naquela noite, tendo ao meu lado Sara, Isaque e o jarro com o seu tesouro, experimentava uma felicidade jamais sentida em toda a minha vida. Como me era difícil pegar-me ao sono, fiquei acordado por longo tempo, imaginando o futuro de glória de Isaque e do jarro, cuja mensagem de amor, justiça e paz, levaria esperança aos meus descendentes por todas as gerações, até a vinda do Messias. Imaginando esse futuro feliz adormeci e tive um sonho no qual muito sofri. No sonho, o Eterno apareceu-me e disse:

–           Abraão, toma agora o jarro o qual tanto amas, e leva-o ao Mar Salgado, onde lhe mostrarei uma caverna na qual você o ocultará

Depois de dar-me esta ordem, o Eterno entregou-me uma machadinha e um manto de linho, com o qual envolvi o vaso. Comecei então uma dolorosa jornada, levando sobre os ombros aquele que simbolizava a concretização de todos as minhas esperanças. Quando cheguei à região norte do mar, fui conduzido para junto da caverna que deveria ocultar o jarro. Colocando-o sobre uma pedra, num gesto de despedida, passei a acariciá-lo, enquanto contemplava os adornos e inscrições que o embelezavam; o pensamento de que não mais o teria comigo, enchia-me de profunda tristeza. Meus olhos voltaram-se para a figura de Melquisedeque que inclinava-se para receber recebê-lo repleto de jóias. De repente a figura do rei começou a ganhar vida e movimento, e foi crescendo até que todo o jarro transformou-se num belo jovem que me olhava com amor. Pensei a princípio que fosse o rei de Salém, mas olhando para suas mãos, não encontrei as cicatrizes. Ao ver que seus olhos eram tão parecidos com os de Sara, perguntei-lhe o nome. Ele respondeu-me com um sorriso que era Isaque, o meu filho.

Alegrava-me na presença de Isaque, quando a voz divina novamente soou-me aos ouvidos dizendo:

–           Abraão, toma agora o teu filho a quem amas, e sacrifica-o com a machadinha que eu te dei(1)

Aterrorizado ante a ordem divina, caí aos pés de Isaque, não encontrando forças nem coragem para realizar o terrível ato. Contudo, ele consolou-me, afirmando estar disposto a cumprir a vontade divina. Depois de terrível luta íntima, tomei a decisão de sacrificar meu filho. Ao erguer-me, vi que Isaque contorcia-se em grande agonia, enquanto o seu corpo tornava-se coberto de chagas que cheiravam mal. Sentia desejo de socorrê-lo, curando-lhe as chagas, mas a voz insistia em sua ordem, para que eu o sacrificasse. Tomei então a machadinha e a ergui sobre o seu pescoço. Quando meus braços moviam-se para o golpe, um forte clarão nos iluminou, e senti que a machadinha não mais estava em minhas mãos.

Ao erguer a fronte, me deparei com o peregrino que anunciara o nascimento de Isaque. Ele estava vestido com vestes brilhantes, de linho fino, branco e puro; Seu rosto brilhava como o sol, enquanto olhava-me com infinito amor. Abraçando-me, ele enxugou minhas lágrimas e disse:

–           Abraão, agora sei que você verdadeiramente me ama, porque não me negou nem o jarro nem o seu filho a quem você ama. Por causa desse amor, eu transformarei você no pai da fé, e muitos povos e nações se alegrarão na luz do rolo que lhe foi dado.

Tendo dito estas palavras, o Peregrino encaminhando-se para Isaque que contorcia-se em dor, colocando as mãos sobre sua cabeça. Esse contato fez com que todas as impurezas que manifestavam-se em chagas purulentas no corpo de meu filho, se transferissem para o Seu corpo, enquanto a Sua glória era transferida para Isaque. Fiquei possuído por um misto de alívio e pesar – alívio por ver Isaque restaurado, mas aflito por contemplar o Messias opresso por tantas culpas. Por entre gemidos de dor ele afirmou:

–           Eu morrerei, para que Isaque e sua descendência possa ser justificada, redimida e glorificada perante Yahweh.

Ao voltar-me para o meu filho que fora liberto, vi que seu lugar fora ocupado por doze jovens que se chamavam: Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar, Zebulon, José, Benjamim, Dã, Naftalí, Gad, Aser. Quando lhes apresentei o Peregrino sofredor, eles o menosprezaram por não verem nele nenhuma beleza que os atraíssem. Finalmente eles o conduziram como um cordeiro e o sacrificaram, lançando o seu corpo dentro daquela caverna.(2)

Sobrevieram logo depois as trevas de uma longa noite, na qual fomos atacados por um grande exército que, depois de ferir-nos, arrancou-nos de nossa terra, espalhando-nos por entre as nações. Ali, todos os que nos encontravam nos humilhavam e perseguiam, acusando-nos da morte do Peregrino, e assim sofremos por toda a noite. Quando o dia estava quase raiando, sobreveio-nos o maior sofrimento, pois nossos inimigos, depois de uma pequena trégua, investiram sobre nós com a intenção de nos destruir completamente. O Eterno, contudo, bendito seja o Seu nome, teve compaixão de nós e nos libertou, reconduzindo-nos para a Terra Prometida. Mas mesmo ali não encontramos descanso, pois tínhamos de estar sempre atentos, defendendo-nos de muitos inimigos que procuravam nos destruir.

Cansados desses conflitos, nos aproximamos de nossos inimigos propondo uma aliança de paz; quando o acordo estava prestes a se concretizar, um desentendimento envolveu-nos num conflito ainda maior. Enquanto ouvíamos gritos de todos os lados clamando contra nós, vimos baixar as trevas de mais uma escura noite. Angustiados, passamos a clamar ao Eterno, dizendo:

–           Até quando Senhor buscaremos a paz e não a acharemos?! Ansiamos pelo descanso que nos prometestes, mas somente encontramos o furor de nossos inimigos! Auxilia-nos Senhor! Até quando teremos de esperar?!

Enquanto clamava em minha angústia, o Senhor veio ao meu encontro e disse-me:

–           Abraão, olha para o céu e conta o número das estrelas.

Ao olhar para o céu, vi que as estrelas moviam-se formando pequenos grupos de doze. Esses grupos por sua vez, juntavam-se de doze em doze, em formações perfeitas de 144 estrelas. Finalmente todo o céu cobriu-se por esses agrupamentos estelares: eram ao todo 40 grupos, somando um total de 5760 estrelas. Enquanto imaginava o que poderia significar o número daquelas estrelas, vi surgir no meio delas outra especial que foi aumentando em brilho e grandeza. A sua luz crescente, deu-me a certeza de que aquela noite seria finalmente vencida, e alcançaríamos um alvorecer de paz. A estrela de número 5761 continuou aumentando até que tornou-se do tamanho da Lua, e nela pude ler em letras muito brilhantes a palavra: Sábado, e abaixo, o nome de Israel.

Quando os raios que emanavam das letras sagradas começaram a penetrar as trevas da noite, atraindo a atenção de muitos sobre a Terra, ventos fortes vindos do Norte começaram a soprar, trazendo pesadas e negras nuvens em direção da estrela. Formou-se um cerco de trevas, enquanto camadas sobre camadas de nuvens foram comprimindo a estrela que, sem forças para resistir, foi-se apagando até que mergulhou em completa escuridão. Com o coração aflito, continuei olhando na direção da estrela oculta, sem perder a esperança de que ela seria liberta das garras daquelas nuvens ameaçadoras.

Em diferentes partes do céu escurecido pelas nuvens, começaram a surgir pontinhos de luz que foram se

agrupando de sete em sete, até alcançarem o total de 483 estrelas. Sem temerem as ameaças das nuvens escuras, elas foram-se aproximando mais e mais até formarem um anel de luz em torno da estrela opressa. O brilho dessas pequenas estrelas fez renascer a esperança de um livramento, e a estrela cativa emitiu por entre as nuvens um tênue raio de confiança.

Ao estreitarem-se cada vez mais em torno da estrela escurecida, as 483 estrelas se fundiram finalmente a ela, comunicando-lhe sua luz. Nesse momento, um grande clarão tomou conta do céu, e todas as nuvens foram desfeitas, perdendo o seu domínio. A junção de todas essas estrelas, deu origem a uma estrela de incomensurável esplendor, semelhante ao Sol. Em forma de uma coroa que pairava sobre ela, podia-se ler: Yom Kipur – É chegado o Último Jubileu.

Assim que surgiu no céu a estrela do Último Jubileu, veio ao nosso encontro um pequeno beduíno, carregando sobre os ombros um pesado jarro. Sua face estava marcada por uma grande luta, mas refletia a luz da estrela que lhe dava consolo e indizível alegria. Em seu jarro estava escrito em grandes letras o seguinte: “Caiu! Caiu a grande Babilônia! Sai dela povo meu! (3)

Aproximando-se dos doze filhos de Israel, o pequeno beduíno saudou-os com um sorriso, e disse-lhes que viera de muito longe, trazendo-lhes uma mensagem e um presente da parte do Rei de Salém. Curiosos, mas ao mesmo tempo desconfiados, eles assentaram-se e ficaram esperando, enquanto o beduíno enfiava suas mãos no jarro. A primeira coisa que ele tirou dali foi um pequeno manuscrito com uma mensagem intitulada: O Último Jubileu: Um Texto Sobre Melquisedeque. Os doze olharam entre si surpresos, pois o título da carta estava relacionado com as palavras escritas na última estrela. Ansiosos por conhecerem o conteúdo do manuscrito, eles o tomaram e passaram a ler as seguintes palavras:

–           “Falarei sobre o Ano Jubileu, que encontra-se em Levítico 25:13. Nós lemos: Neste Ano Jubileu, tornará cada um à sua possessão”. Esta é uma parte do mandamento que cumprir-se-á nos últimos dias, no Período da Remissão, quando aqueles que estão em cativeiro serão libertos, conforme as palavras de Isaias: “O Senhor enviou-me para proclamar libertação aos cativos.”(3)

–           O Libertador é o Messias, que foi prefigurado por Melquisedeque, rei de Salém. Ele era e sacerdote do Deus Altíssimo, e pronunciou uma benção sobre o nosso pai Abraão. Como Sumo Sacerdote, o Messias que é nosso eterno Melquisedeque, receberá por herança o domínio sobre todas as coisas, e Abraão tomará parte nesta herança. Não somente Abraão, como também sua descendência terá esse privilégio, quando ela se unir a Deus numa eterna aliança. Naquele tempo, o próprio Senhor será a herança e patrimônio de Seu povo. No último jubileu, Deus restaurará o Seu povo, e eles retornarão, cada um, ao seu patrimônio. A libertação referida na Lei do Jubileu deve ser entendida com o sentido de remissão de suas culpas, e não haverá mais punição para aqueles que forem justificados. Isto ocorrerá na última semana de uma série de setenta semanas de anos, envolvendo nove precedentes jubileus.(5)

–           Ao chegar o Dia do Juízo do Último Jubileu, todos aqueles que se colocam do lado da justiça, terão suas culpas anuladas, ao passo que os injustos e maus colherão as conseqüências de tudo o que semearam, e encontrarão o seu fim. (6)

–           Começará então o Ano do Favorável, do qual fala o profeta Isaias (61:2), que será marcado pelo Favor de Deus, pois o Rei da Justiça, Aquele que foi prefigurado por Melquisedeque, receberá o Seu domínio. Ele assentar-se-á entre as hostes santas no Céu, e executará várias sentenças de julgamentos, como foi predito por Davi: “Deus assentou-se em concílio entre os seres celestes, para realizar julgamento”.(7) Por meio desse julgamento, Israel será absolvido de suas culpas, e retornará ao seu lugar de eminência em meio aos povos. Esse retorno ocorrerá em cumprimento da Lei do Jubileu.

–           Ao mesmo tempo em que a palavra “Favor” indica o triunfo dos filhos de Deus, ela aponta também para a destruição dos ímpios. Salmos 7: 9 e 10 faz referência a esse julgamento, dizendo: “Deus é o juiz dos povos. Põe fim à maldade dos ímpios e confirma o justo”. Serão desarraigados todos os filhos de Belial, aqueles que desafiam os estatutos de Deus, e pervertem a justiça. O futuro Rei da Justiça, que é Melquisedeque (o Messias) executará sobre eles a justiça de Deus, estabelecendo ao mesmo tempo os justos. Acompanhado pelos exércitos celestes, ele dará fim aos intentos dos ímpios, fazendo com que os filhos de Deus fiquem em eminência. O julgamento em questão é o mesmo Dia da Retribuição do qual fala o profeta Isaias: “Como são belos sobre os montes os pés daquele que proclama a paz (Shalom), o mensageiro que anuncia coisas boas, que faz ouvir a salvação; que diz a Sião: O teu Deus agora é aclamado Rei.”(8) A palavra paz (shalom) pode também ser lida como (shillum) que significa “retribuição”.

–           O mensageiro prometido se manifestará no Último Jubileu, e proclamará a sua mensagem de paz, dizendo: “ O Senhor enviou-me para confortar todos os que choram.” (9) O conforto que ele trará, consistirá numa revelação das sucessivas eras da história do universo, desde o princípio da criação até o fim. Naquele tempo, os filhos de Belial se aliarão com o propósito de perverter toda a justiça, mas serão confundidos pelos julgamentos de Deus.

–           O reino de Deus em Sião, será estabelecido mediante a aliança que Melquisedeque ( o Rei da Justiça) fará com todos os justos , destruindo ao mesmo tempo os filhos de Belial. O mandamento do jubileu fala também de um forte som de trombeta que repercutirá por toda a terra, no dia dez do sétimo mês.(10) Aplicando-se aos últimos dias, isto se refere à uma poderosa manifestação divina que sacudirá o mundo, preparando-o para a Era Messiânica” (*)

(*) O texto em destaque é uma tradução livre do manuscrito original encontrado na Gruta 11 de Qunram, em janeiro de 1956, por beduínos da tribo de Taamireh.

Depois de lerem com atenção as promessas contidas no pergaminho, os doze voltaram-se para o beduíno que, curvando-se sobre o jarro, tomou um grande rolo de pele de cordeiro, escrito por dentro e por fora. Antes de entregar-lhes, afirmou que a mensagem de consolo prometida no manuscrito que acabavam de ler, estava contida naquele rolo especial. Ao abrirem-no, vi que era o Livro de Melquisedeque, composto pelo manuscrito do rei de Salém e pelo meu. A leitura dos relatos ali contidos comoveu-os profundamente, levando-os a compreenderem que aquele a quem menosprezaram e entregaram para a morte, era o Messias prometido, o grande Melquisedeque que, em virtude de seu sacrifício, os libertara naquele Último Jubileu.

Cheios de arrependimento, choraram amargamente, mas foram consolados pelas revelações contidas no manuscrito do rei, onde as sucessivas eras da história eram contadas em ricos detalhes, desde o princípio da criação até aquele tempo.

Ao terminarem a leitura do Livro de Melquisedeque, os doze prostraram-se reverentes, e louvaram ao Eterno pelo consolo que lhes enviara, através de tão humilde mensageiro. Curvando-se sobre o jarro, o menino tomou uma caixinha de ouro ornamentada com pedras preciosas, na qual haviam 144 pérolas de variados tamanhos. Afirmando ser um presente de Melquisedeque para eles, o beduíno passou a distribuí-las, doze para cada, começando por Rúben. Aquelas pérolas simbolizavam a vitória que haviam alcançado mediante a concretização de uma nova e eterna aliança com o grande Melquisedeque, que é o Messias.

Depois de louvarem ao Eterno pelas pérolas que selavam a vitória alcançada, os doze, num gesto de reconhecimento e gratidão, passaram a honrar o humilde beduíno que, por meio de lutas e sacrifícios, resgatara das trevas todos aqueles tesouros, para ofertar-lhes naquele Jubileu. Representando os seus irmãos, Rúben, o primogênito, tomou um de seus melhores mantos e cobriu o corpo desnudo do menino. Aquecido por aquele manto que simbolizava sua maior conquista, o beduíno emocionou-se ao ver que ele trazia, do lado de seu coração, um distintivo precioso, com a gravura de uma cruz vermelha da qual saiam raios dourados. Isto fez com que reconhecesse que toda aquela honra recebida, pertencia ao Messias que resgatou-o das profundezas de uma caverna, conduzindo os seus passos através de caminhos perigosos e solitários, até que pudesse entregar aos filhos de Israel os tesouros contidos no jarro. Ele devia também aquela conquista aos seus três irmãos, sem os quais não teria encontrado aquele presente do rei de Salém. A lembrança de seus irmãos o fez chorar de saudade, e desejou muito beijar suas faces, compartilhando com eles toda a honra recebida.

Num gesto surpreendente que consolou o coração do menino, Rúben tomou três de suas pérolas mais  brilhantes e, colocando-as numa caixinha vermelha, entregou-as ao menino e disse:

–           Estas pérolas são para os seus irmãos.

Logo depois surgiram ao longe a figura de três beduínos que caminhavam ao nosso encontro, trazendo jarros em seus ombros. Quando os viu, o menino alegrou-se ao descobrir que eram os seus irmãos. O mais velho tinha em seu jarro uma inscrição que dizia: Temei a Deus e dai-lhe glória, pois é chegada a hora de seu juízo.(11) O segundo trazia no vaso a mesma inscrição contida no jarro do menino, porém em letras menores e menos brilhantes: Caiu, caiu a Grande Babilônia!(12) O terceiro carregava um vaso um pouco maior que os dois anteriores, e nele estava escrita uma advertência: Se alguém adorar a besta ou a sua imagem, e receber o sinal na fronte, ou na mão, também o tal beberá do vinho da ira de Deus, que se acha preparado sem mistura, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro. Abaixo desta advertência, em grandes letras lia-se o seguinte: Aqui está a perseverança dos santos, daqueles que guardam os mandamentos de Deus e tem a fé do Messias.(13)

Quando eles viram o seu irmão mais novo em honra perante os filhos de Israel, correram ao seu encontro e prostraram-se, depondo os seus jarros aos seus pés. Em grande pranto revelaram o seu arrependimento pelo desprezo e sofrimentos pelos quais o fizeram passar. O pequeno beduíno inclinando-se para os seus irmãos com amor, beijou-lhes as faces, e falou-lhes que tudo o que lhes acontecera, fora para o bem. Depois de consolarem-se, os filhos de Israel prepararam um banquete em homenagem ao pequeno beduíno e aos seus irmãos. No banquete o rolo foi mais uma vez aberto, e todos alegraram-se com sua mensagem. Quando estavam quase ao fim da festa, o menino honrou os seus irmãos na presença de todos, dando-lhes as pérolas recebidas de Rúben. O mais velho recebeu a pérola menor, o do meio a pérola de tamanho médio, e o mais novo a maior. Eles ficaram felizes ao receberem aquelas jóias que simbolizavam sua vitória.

Todos tinham agora suas pérolas, menos o menino, cuja alegria consistia em ver os filhos de Israel e seus irmãos enriquecidos pelos presentes do Rei. A maior e mais brilhante de todas as pérolas, contudo, Rúben separara para ele. Quando a recebeu, seu coração transbordou de indizível alegria, vendo nela o símbolo de seu triunfo. Na pérola havia três inscrições: Melquisedeque, Eliahu Hanavi e Nova Jerusalém.

Depois da festa, o pequeno beduíno procurou pelo seu jarro, e ficou surpreso ao encontrá-lo repleto de

pérolas. Com muito esforço, tomou-o em seus braços, levando-o para junto de seus irmãos que tinham os seus jarros vazios. Começando pelo primogênito, ele foi compartilhando o tesouro, até que todos os vasos se encheram com aquelaslindas pérolas.  Renascidos pelo arrependimento e movidos pela gratidão, os três beduínos juntamente com os doze filhos de Israel, seguiram os passos do menino na realização de uma importante obra sobre a Terra: Sua missão seria abrir perante o mundo o Rolo de Melquisedeque, oferecendo a todos quantos aceitassem sua mensagem, aquelas pérolas que simbolizam a vida.

Durante seis anos a humanidade teria a oportunidade de conhecer a mensagem do rolo, e as advertências escritas naqueles jarros, apossando-se das pérolas da salvação. Ao fim dos seis anos, os jarros se esvaziariam e o rolo seria fechado. Enquanto os anos da oportunidade se escoavam, multidões acorriam de todas as partes em busca da mensagem do rolo e das pérolas. Olhando para os céus, descobri que a cada novo ano que era representado por um dia da semana, uma nova estrela surgia ao lado da estrela do jubileu, iluminando cada vez mais a Terra com a sua glória. Ao fim dos seis anos de oportunidade, o mundo achava-se dividido em duas classes de pessoas: os possuidores das pérolas da salvação, que são chamados filhos de Deus, e os que rebelaram-se contra a mensagem do rolo, os filhos de Belial.

Ao expirar-se o tempo da oportunidade, no momento em que as seis estrelas do jubileu enchiam toda a Terra com sua claridade, soou uma voz desde os céus, dizendo: Está Consumado! Quem é injusto , faça injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda; quem é justo, faça justiça ainda, e quem é santo, santifique-se ainda. Eis que cedo venho, e esta comigo a minha recompensa, para retribuir a cada um segundo a sua obra. Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o derradeiro, o princípio e o fim. Bem aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas. Ficarão de fora os feiticeiros, os adúlteros, os homicidas, os idólatras e todo o que ama e pratica a mentira.(14)

Quando o Messias, que é Melquisedeque, proclamou o decreto, o rolo foi fechado, pois não havia mais pérolas nos jarros. Subitamente as seis estrelas se apagaram, mergulhando o mundo em completa escuridão. Surgiu então no céu uma estrela vermelha, cujos raios traziam luz e proteção para os filhos de Deus, ao passo que para os ímpios traziam trevas e sofrimento. Isto fez com que eles blasfemassem contra Deus, levantando-se contra os Seus redimidos  No momento mais difícil, quando as mãos dos ímpios pesavam sobre os justos prestes a destruí-los, a Terra foi sacudida por um grande terremoto.(15) Em meio às nuvens negras, surgiu o brilho de uma estrela que foi crescendo rapidamente, até cobrir todo o céu. Hozanas de vitória ecoaram por todas as partes, quando os remidos contemplaram a face do Messias que vinha em seu socorro, acompanhado pelos exércitos dos céus. Diante de sua presença majestosa, os ímpios fugiram, mas foram consumidos pelo fogo.(16)

O Messias fez soar sua trombeta, e todos os justos mortos ressurgiram com corpos perfeitos e imortais. Logo depois, os justos vivos foram transformados, recebendo, igualmente, corpos incorruptíveis. Acompanhados pelos anjos, fomos arrebatados para o encontro com nosso Rei e Redentor nos ares. Ele nos recebeu com indizível alegria, e nos conduziu numa viagem inesquecível rumo à Nova e Eterna Jerusalém. (17)

Ao entrarmos na Cidade Santa, ficamos deslumbrados diante de tantas maravilhas. Fomos conduzidos ao paraíso, onde fora preparado um grande banquete para nós Ali, diante do trono, em meio às hosanas angelicais, fomos coroados pelo Messias, recebendo um reino de paz que jamais findará. Enquanto desfrutava as delícias do Éden, acordei e vi que tudo fora um sonho. Levantando-me, tomei Isaque nos braços e, sentando-me do lado do jarro, os acariciei até o alvorecer, enquanto relembrava as cenas marcantes de meu sonho.

Ao encontrar-me com Melquisedeque naquela manhã, desejei contar-lhe o meu sonho. Mas antes que eu lhe dissesse algo, ele fitou-me com um olhar muito parecido com o do Messias, e me deu uma ordem:

–           Abraão, toma agora o jarro que você tanto ama e leve-o ao Mar Salgado, onde lhe mostrarei uma caverna na qual você o esconderá.

Tomando uma machadinha e um manto de linho, o rei acompanhou-me até a caverna que eu vira no sonho, onde assentei-me para registrar estas últimas palavras. O rolo será agora lacrado, e será deixado no silêncio da caverna, e permanecerá oculto até que seja aberto perante as nações, no Último Jubileu.

Referências: (1) Gênesis 22: 1, 2; (2)Isaias 53; (3)Apocalipse 18: 2,4; (4)Isaias 61: 1; (5)

Levitico 25:10; Daniel 9: 24,25; (6) Levítico 25:9; (7)Salmo 82: 1; (8) Isaias 52:7; (9) Isaias 61: 3;

(10) Levítico 25: 9; (11) Apoc. 13:7; (12) Apoc. 13:9; (13)Apoc. 13:9 – 12; (14)Apoc. 22: 11-15;

(15) Apoc. 16: 17-21; (16) S. Mateus 24: 29-31; (17)I Coríntios 15: 50-55; Apoc. 21 e 22.

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Evangelhos apócrifos – O Segundo Livro de Adão e Eva

Textos apócrifos, Evangelhos apócrifosEvangelhos Apócrifos – O Segundo Livro de Adão e Eva

Capítulo 1

QUANDO LULUVA ouviu as palavras de Caim, chorou e foi chamar seu pai e sua mãe, e contou-lhes como é que Caim matara seu irmão Abel.

2 Então todos eles clamaram em altos brados e elevaram suas vozes e bateram em suas faces e jogaram pó sobre a cabeça e rasgaram suas vestes e saíram e chegaram ao lugar onde Abel fora morto.

3 E encontraram-no prostrado na terra, morto, e as feras a sua volta; enquanto eles choravam e gritavam por causa deste justo. Seu corpo, por causa de sua pureza, exalava um aroma de doces especiarias.

4 E Adão carregou-o, suas lágrimas rolando por sua face; e foi à Caverna dos Tesouros, onde o depositou e envolveu-o com especiarias, doces e mirra.

5 E Adão e Eva continuaram com o seu funeral, em grande pesar, por cento e quarenta dias. Abel tinha quinze anos e meio de idade, Caim dezessete e meio.

6 Quanto a Caim, quando o luto pelo seu irmão terminara, tomou sua irmã Luluva e casou-se com ela, sem consentimento de seu pai e sua mãe pois eles não podiam mantê-lo longe dela, por causa de seus corações pesarosos.

7 Ele então desceu até a base da montanha, longe do jardim, perto do lugar onde havia matado seu irmão.

8 E neste lugar havia muitas árvores frutíferas e florestas. Sua irmã deu-lhes filhos que por sua vez começaram a se multiplicar, gradativamente até que encheram aquele lugar.

9 Mas quanto a Adão e Eva não se uniram depois do funeral de Abel por sete anos. Após isso, entretanto, Eva concebeu e enquanto estava grávida Adão lhe disse: “Vem, vamos fazer uma oferenda e oferecê-la a Deus e pedir-Lhe que nos de uma bela criança, em que possamos achar consolo, e que possamos unir em matrimônio à irmã de Abel”.

10 Então eles prepararam uma oferenda e trouxeram-no ao altar, ofereceram — na perante o Senhor, puseram-se pedir-Lhe que aceitasse sua oferenda e que lhes desse um bom filho.

11 E Deus ouviu Adão e aceitou sua oferenda. Então, eles fizeram culto, Adão, Eva e sua filha, e desceram à Caverna dos Tesouros e colocaram uma lamparina ali, a fim de queimar de noite e de dia, diante do corpo de Abel.

12 Então Adão e Eva continuaram a jejuar e orar até que chegou a hora do parto de Eva, quando então ela disse a Adão: “Eu desejo ir à caverna na rocha, para ali dar à luz”.

13 E ele disse: “Vai e leva contigo tua filha para cuidar de ti; mas eu permanecerei nesta Caverna dos Tesouros diante do corpo de meu filho Abel”.

14 Então Eva obedeceu a Adão e foi com sua filha. Mas Adão permaneceu sozinho na Caverna dos Tesouros.

Capítulo 2

1 E Eva deu à luz um filho perfeito e belo de figura e semblante. Sua beleza era como a de seu pai Adão, ainda mais belo.

2 Então Eva consolou-se ao vê-lo, e permaneceu oito dias na caverna; em seguida ela enviou sua filha a Adão para lhe dizer que viesse ver a criança e lhe desse um nome. Mas a filha ficou em seu lugar ao lado do corpo de seu irmão até que Adão voltasse. Assim fez ela.

3 Assim, quando Adão veio e viu a boa aparência da criança, sua beleza, e sua figura perfeita, alegrou-se com ele, e consolou-se por Abel. Então deu à criança o nome de Seth, que significa “que Deus ouviu minha prece e libertou-me de minha aflição”. Mas isto também significa “poder e força”.

4 Então, após Adão ter dado um nome à criança, ele voltou à Caverna dos Tesouros; e sua filha retomou para sua mãe.

5 Mas Eva continuou em sua caverna, até que se completassem quarenta dias, quando então ela foi a Adão, levando consigo a criança e sua filha.

6 E eles foram ao rio de água, onde Adão e sua filha lavaram-se por causa de sua tristeza por Abel; mas Eva e o bebê lavaram-se para se purificar.

7 Então eles retomaram e pegaram uma oferenda, foram à montanha e fizeram a oferenda pelo bebê; e Deus aceitou. sua oferenda, enviou Sua bênção sobre eles e sobre seu filho Seth; e eles voltaram à Caverna dos Tesouros.

8 Quanto a Adão, ele não conheceu novamente sua mulher Eva pelo resto dos dias de sua vida; nem mais nasceu-lhes descendência; mas apenas aqueles cinco, Caim, Luluva, Abel, Aclia e Seth.

9 Mas Seth encorpava em estatura e força; e começou a jejuar e orar com fervor.

Capítulo 3

1 Quanto a nosso pai Adão, ao final de sete anos de separação de sua mulher Eva, foi alvo da inveja de Satã; e lutou para fazê-lo viver com ela novamente.

2 Então Adão ergueu-se e foi para cima da Caverna dos Tesouros; e continuou a dormir ali noite após noite. Mas logo que clareava, todos os dias, ele descia para a caverna para orar e receber uma bênção.

3 Mas quando anoitecia ele subia ao topo da caverna, onde dormia sozinho, com receio de que Satã o derrotasse. E continuou assim separado por trinta e nove dias.

4 Então Satã, aquele que odeia tudo o que é bom, ao ver Adão assim sozinho, jejuando e orando, apareceu-lhe na forma de uma bela mulher, que veio e parou na sua frente na noite do quadragésimo dia, e disse-lhe:

5 “O Adão, desde o tempo em que morais nesta caverna, temos sentido grande paz entre vós, e vossas preces nos alcançaram e temos estado contentes conosco.

6 “Mas agora, ó Adão, que tu subiste ao topo da caverna para dormir, tivemos dúvidas acerca de vós, e grande tristeza se nos abateu por causa de tua separação de Eva. Então, nova-mente, quando estás no topo desta caverna, tua prece esvazia-se e teu coração vagueia de um lado a outro.

7 “Mas quando tu estavas na caverna” tua prece era como fogo concentrado; ele descia até nós e tu encontravas descanso.

8 Então eu também lamentei por teus filhos que es tão separados de ti; e minha tristeza é grande pelo assassínio de teu filho Abel; pois ele era justo; e todos afligem-se por um homem justo.

9 “Mas eu me alegrei com o nascimento de teu filho Seth mas depois de pouco tempo eu me entristeci muito por causa de Eva, porque ela é minha irmã. Pois quando Deus enviou um grande sono sobre ti e tirou-a do teu lado, Ele me tirou também junto com ela. Mas Ele a elevou colocando-a contigo, ao mesmo tempo que rebaixou a mim.

10 “Eu me alegrei por causa de minha irmã por ela estar contigo. Mas Deus me tinha feito uma promessa antes: Não te lamentes; quando Adão subir ao topo da Caverna dos Tesouros e separar-se de Eva sua mulher, Eu te enviarei a ele, te unirás a ele em casamento dar-lhe-ás cinco filhos, como Eva lhe deu cinco.

11 “E agora, vê! A promessa de Deus para comigo é cumprida; pois foi Ele quem me enviou a ti para o casamento porque se tu te casares comigo, eu te darei filhos mais belo e melhores que os de Eva.

12 “Então, novamente, ti és ainda apenas um jovem; não termines tua juventude neste mundo em tristeza; mas passa os dias de tua juventude em gozo e prazer. Pois teus dias são poucos e tua provação é grande. Sê forte; termina teus dias neste mundo em júbilo. Eu terei prazer contigo e tu regozija comigo desta maneira, sem receio.

13 “Levanta-te, pois, e cumpre a ordem de teu Deus. Ela então acercou-se de Adão e abraçou-o.

14 Mas ao ver que ele seria vencido por ela, Adão orou a Deus com grande fervor para que Ele o libertasse dela.

15 Então Deus enviou Sua Palavra a Adão, dizendo: “Ó Adão, esta figura é daquele que te prometera a Divindade e majestade; ele não é benevolente para contigo; mas mostra-se a ti uma vez na forma de uma mulher; em outro momento, na semelhança de um anjo; em outras ocasiões, na semelhança de uma serpente; e em outra hora, na semelhança de um deus; mas ele faz tudo isso apenas para destruir tua alma.

16 “Agora, portanto, ó Adão, compreendendo teu coração, Eu te libertei muitas vezes de suas mãos; para mostrar-te que Eu sou um Deus misericordioso; e que Eu quero o teu bem e não tua ruína,”

Capítulo 4

1 Então Deus ordenou a Satã que se mostrasse a Adão diretamente, em sua própria forma hedionda.

2 Mas quando Adão o viu, teve medo e tremia ao ver o seu aspecto.

3 E Deus disse a Adão: “Olha para este demônio e para sua aparência hedionda, e saibas que foi ele quem te fez cair da luz para a escuridão, da paz e do repouso para a labuta e a miséria.

4 E olha, ó Adão, para aquele que disse de si mesmo que era Deus! Pode Deus ser negro? Acaso Deus tomaria a forma de uma mulher? Acaso há alguém mais forte que Deus? E pode Ele ser vencido?

5 “Olha, pois, ó Adão, e vê como ele está preso na tua presença, no ar, incapaz de fugir! Portanto, Eu te digo, não tenhas medo dele; daqui em diante toma cuidado, e cuidado com ele, no que ele possa te fazer!”

6 Então Deus expulsou Satã para longe de Adão, a quem Ele fortaleceu, e cujo coração Ele consolou, dizendo-lhe: “Desce à Caverna dos Tesouros e não te separes de Eva; Eu suprimirei de ti todo desejo animal”.

7 A partir deste momento o desejo deixou Adão e Eva, e eles desfrutaram o repouso por ordem de Deus, Mas Deus não fez o mesmo a nenhum dos descendentes de Adão, mas apenas a Adão e Eva.

8 Então Adão adorou o Senhor por tê-lo libertado e por ter apaziguado suas paixões. E ele desceu de cima da caverna e habitou com Eva como dantes.

9 Isto pôs um fim aos quarenta dias de sua separação de Eva.

Capítulo 5

1 Quanto a Seth, quando tinha sete anos de idade, conhecia o bem e o mal, era persistente em jejuar e orar, e passava todas as suas noites suplicando a Deus por misericórdia e perdão.

2 Ele também jejuava ao elevar sua oferenda todos os dias, mais do que seu pai: pois tinha um belo semblante, como o de um anjo de Deus. Ele também tinha um bom coração, preservando as melhores qualidades de sua alma; e por esta razão erguia sua oferenda todos os dias.

3 E a Deus agradava sua oferenda; mas também Lhe agradava sua pureza. E ele continuou assim fazendo a vontade de Deus, de seu pai e sua mãe, até completar sete anos de idade.

4 Após isso, descendo do altar e tendo terminado sua oferenda, Satã apareceu-lhe na forma de um belo anjo, cheio de luz; com uma vara de luz em sua mão, cingido com um cinto de luz.

5 Ele cumprimentou Seth com um belo sorriso e se pôs a iludi-lo com belas palavras, dizendo-lhe: “O Seth, por, que moras nesta montanha? Pois aqui é áspero, cheio de pedras e areia, de árvores sem frutos comestíveis; um lugar ermo sem habitações e sem cidades; não é um bom lugar para habitar. Mas tudo é calor, cansaço e sofrimento”.

6 Ele continuou dizendo: “Mas nós moramos em belos lugares, num mundo diferente desta terra. Nosso mundo é de luz e nossas condições são das melhores; nossas mulheres são mais bonitas que quaisquer outras; e eu desejo que tu, ó Seth, te cases com uma delas; porque vejo que tu és belo de se olhar, e nesta terra não há nenhuma mulher à tua altura. Alem disso, os que vivem neste mundo são apenas cinco alma a ao todo.

7 “Mas em nosso mundo há muitos homens e muitas donzelas, um mais belo que o outro Eu desejo, portanto, levar-te daqui, para que tu possas ver meus parentes e casar-te com quem tu preferires.

8 “Tu então habitarás comigo e estarás em paz; tu serás pleno de esplendor e luz, como nós.

9 “Tu permanecerás em nosso mundo e descansará; deste mundo e da sua miséria tu nunca mais te sentirás cansado e esgotado; tu nunca mais farás uma oferenda, nem pedirás misericórdia; pois não cometerás mais pecado nem serás arrebatado por paixões.

10 “E se ouvires o que te digo, tu te casarás com uma das minhas filhas; pois entre nós não é pecado fazê-lo; nem é considerado desejo animal.

11 “Pois em nosso mundo não temos Deus, mas somos todos deuses; todos pertencemos à luz, celestiais, poderoso fortes e gloriosos.”

Capítulo 6

1 Quando Seth ouviu essa palavras, ficou maravilhado inclinou seu coração para o discurso traiçoeiro de Satã e disse-lhe: “Acaso disseste que há um outro mundo criado além deste, e outras criaturas mais belas que as criaturas que estão neste mundo?”

2 E Satã disse: “Sim; procura ouvir o que te disse, mas eu ainda as louvarei e a seu modo de ser, para que me ouças”.

3 Mas Seth lhe disse: “Teu discurso maravilhou-me; e tua bela descrição de tudo isto.

4 “Ainda assim eu não posso ir contigo hoje, não antes de ir a meu pai Adão e a minha mãe Eva e dizer-lhes tudo o que me contaste. Então se eles me permitirem ir contigo, eu Irei.

5 Novamente Seth disse: “Receio fazer qualquer coisa sem o consentimento de meu pai e minha mãe, para que eu não pereça como meu irmão Caim e como meu pai Adão, que desobedeceu ao mandamento de Deus. Mas, vê, tu conheces este lugar; vem e encontra-te comigo aqui amanhã”.

6 Quando Satã ouviu isto, ele disse a Seth: “Se tu contares a teu pai Adão o que eu te contei, ele não te permitirá vir comigo.

7 “Mas ouve-me; não contes a teu pai e tua mãe o que eu te disse; mas vem comigo hoje para nosso mundo; onde tu verás lindas coisas e divertir-te-ás ali, e festejarás este dia entre meus filhos, vendo-os e tomando tua dose de alegria; e rejubilando-te mais e mais. Então eu te trarei de volta a este lugar amanhã; mas se tu preferires habitar comigo, que assim seja.”

8 Então Seth respondeu: “O espírito de meu pai e de minha mãe depende de mim; e se eu me esconder deles por um dia sequer, eles morrerão, e Deus me considerará culpado por pecar contra eles.

9 “E não fosse por saberem que eu vim a este lugar para trazer minha oferenda, eles não se separariam de mim nem por uma hora sequer; nem eu iria a qualquer outro lugar, a menos que eles me permitissem. Mas eles me tratam muito bem, pois eu volto a eles rapidamente.”

10 Então Satã lhe disse: “Que acontecerá a ti se te esconderes deles por uma noite apenas e voltares a eles ao raiar do dia”?

11 Mas Seth, quando viu como ele continuava a falar e que ele não o largaria, correu, subiu ao altar, estendeu suas mãos a Deus e buscou dEle a libertação.

12 Então Deus enviou Sua Palavra e amaldiçoou Satã, que fugiu dele.

13 Mas quanto a Seth, ele tinha subido ao altar, assim dizendo em seu coração: “O altar é o lugar de oferenda, e Deus está ali; um fogo divino a consumirá, assim Satã será incapaz de me machucar, e não me levará daqui”.

14 Então Seth desceu do altar e foi até seu pai e sua mãe, a quem encontrou no caminho, com saudade de ouvir sua voz, pois ele se tinha atrasado um pouco.

15 Ele então se pôs a contar-lhes o que lhe acontecera com Satã, sob a forma de um anjo.

16 Mas quando Adão ouviu este relato, beijou sua face e preveniu-o quanto àquele anjo, contando-lhe que era Satã que assim lhe aparecera. Em seguida Adão pegou Seth, foram à Caverna dos Tesouros e rejubilaram-se ali.

17 Mas daquele dia em diante Adão e Eva nunca mais se separaram dele, fosse para onde ele fosse, ou por sua oferenda ou por qualquer outra coisa.

18 Este sinal acontecera a Seth quando ele tinha nove anos de idade.

Capítulo 7

1 Quando nosso pai Adão viu que Seth tinha um coração perfeito, quis que ele se casas-se; para que o inimigo não lhe aparecesse mais uma vez e o dominasse.

2 Assim Adão disse a seu filho Seth: “Eu desejo, ó meu filho, que tu te cases com sua irmã Aclia, a irmã de Abel, para que ela te dê filhos, que povoarão a terra; de acordo com a promessa de Deus a nós.

3 “Não tenhas medo, ó meu filho; não há vergonha nisso. Eu desejo que tu te cases, por receio de que o inimigo te vença.”

4 Seth, entretanto, não desejava se casar; mas por obediência as seu pai e sua mãe, ele não disse palavra.

5 Assim Adão casou-o com Aclia. E ele tinha quinze anos de idade.

6 Mas quando completou vinte anos, ele gerou um filho, a quem chamou de Enós; e depois gerou outros filhos além deste.

7 Quando Enós tomou-se adulto, casou-se e gerou Cainã.

8 Cainã também tomou-se adulto, casou-se, e gerou Malaleel.

9 Esses antepassados nasceram durante a vida de Adão e moraram na Caverna dos Tesouros.

10 Então chegou a época dos novecentos e trinta anos de Adão e dos cem de Malaleel Mas Malaleel, ao tomar-se adulto, gostava de jejuar, orar e do trabalho duro; até que o fim dos dias de Adão aproximou-se.

Capítulo 8

1 Quando nosso pai Adão viu que seu fim estava próximo chamou seu filho Seth, que veio a ele na Caverna dos Tesouros e disse-lhe:

2 “Seth, meu filho, traze-me teus filhos e os filhos de teus filhos, para que eu possa abençoá-los antes de morrer”.

3 Quando Seth ouviu estas palavras de seu pai Adão, retirou-se derramou um rio de lágrimas sobre suas faces e reuniu seus filhos e os filhos de seus filhos, e trouxe-os a seu pai Adão.

4 Mas quando nosso pai Adão viu-os em sua volta, chorou por ter de separar deles.

5 E quando eles o viram chorando, todos choraram junto, prostraram-se sobre suas face dizendo: “Como é que serás separado de nós, ó nosso pai? como é que a terra te receberá e  esconder-te-á de nossos olhos” Assim eles se lamentaram muito, e com palavras assim.

6 Então nosso pai Adão abençoou-os a todos e disse a Seth, depois de abençoá-los:

7 “O Seth, meu filho, tu conheces este mundo, que cheio de tristeza e exaustão; e sabes de tudo o que nos aconteceu, de nossas provações aqui. Eu, portanto, ordeno-te agora com estas palavras; guardar a inocência, ser puro e justo e confiante em Deus; e não te inclinares aos discursos de Satã, nem às aparições nas quais ele se mostrar a ti.

8 “Mas guarda os mandamentos que eu te dou neste dia de hoje; depois dá-os a teu filho Enós; e que Enós os dê a seu filho Cainã, e Cainã a seu filho Malaleel; de maneira que estes mandamentos prevaleçam firmemente entre vossos filhos.

9 “O Seth, meu filho, no momento em que eu morrer tomai meu corpo e ungi-o com mirra, aloés e cássia e deixai-me aqui nesta Caverna dos Tesouros, onde estão estas lembranças todas que Deus nos deu do jardim.

10 “O meu filho, mais tarde virá um dilúvio que destruirá todas as criaturas e poupará apenas oito almas.

11 “Mas, ó meu filho, que aqueles que forem poupados dentre vossos filhos naquele tempo, levem meu corpo num barco até o dilúvio passar e eles saírem do barco.

12 “Então eles levarão meu corpo e deposita-lo-ão no centro da terra, pouco depois de serem salvos das águas do dilúvio.

13 “Pois o lugar onde meu corpo será depositado é o centro da terra; Deus virá dali e salvará toda a nossa raça.

14 “Mas agora, ó Seth, meu filho, coloca-te à frente de teu povo; cuida dele e mantêm-no no temor de Deus; e conduze-o no bom caminho. Ordena-lhe que jejue para Deus; e faze-o entender que não deve seguir Satã, para que ele não o destrua.

15 “Então, novamente, afasta teus filhos e os filhos de teus filhos dos filhos de Caim; nunca lhes permitas misturarem-se com aqueles; nem se aproximarem deles, seja em suas palavras, seja em seus atos.”

16 Então Adão fez sua bênção descer sobre Seth, sobre seus filhos, e sobre todos os filhos de seus filhos.

17 Em seguida voltou-se para seu filho Seth e para Eva sua mulher, e disse-lhes: “Preservai este ouro, este incenso e esta mirra que Deus nos deu como uma marca; pois nos dias vindouros um dilúvio exterminará a criação inteira. Mas aqueles que entrarem para a arca deverão levar consigo o ouro, o incenso e a mirra, junto com meu corpo; e depositarão o ouro, o incenso e a mirra, com meu corpo no centro da terra.

18 “Então, depois de um longo tempo, a cidade onde forem encontrados o ouro, o incenso e a mirra com meu corpo, será saqueada. Mas quando for saqueada, o ouro, o incenso e a mirra serão guardados junto com o espólio guardado, e nenhum deles perecerá, até que venha a Palavra de Deus feito homem; quando reis os levarão e os oferecerão a Ele, o ouro em lembrança de Ele ser Rei; incenso em lembrança de Ele ser Deus do céu e da terra; e mirra, em lembrança de Sua paixão.

19 “Ouro também como uma lembrança de Sua vitória sobre Satã e todos os nossos inimigos; incenso como uma lembrança de que Ele ressuscitará dos mortos, e será exaltado acima das coisas do céu e das coisas da terra, e mirra, em lembrança de que Ele beberá fel amargo; e sentirá as dores do inferno de Satã.

20 “E agora, ó Seth, meu filho, vê, eu te revelei mistérios ocultos que Deus me havia revelado. Guarda meu mandamento para ti e para teu povo.”

Capítulo 9

1 Quando Adão terminou sua ordem a Seth seus membros afrouxaram, suas mãos e pés perderam toda a força, sua boca emudeceu e sua língua cessou de falar de todo. Ele cerrou seus olhos e entregou o espírito.

2 Mas quando seus filhos viram que ele estava morto, jogaram-se sobre ele, homens e mulheres, velhos e jovens, chorando.

3 A morte de Adão ocorreu ao término de novecentos e trinta anos de sua vida sobre a terra; no décimo quinto dia de Barmude, após a contagem de uma etapa do sol, à nona hora.

4 Foi numa sexta-feira, no mesmo dia em que ele foi criado, e no qual descansou; e a hora em que morreu, era a mesma de quando saiu do jardim.

5 Então Seth o envolvei bem, embalsamou-o com muitas especiarias aromáticas de árvores sagradas e da Montanha Sagrada; e depositou seu corpo a leste, dentro da caverna, ao lado do incenso; colocou na sua frente uma lamparina permanentemente acesa.

6 Em seguida seus filho; puseram-se diante dele chorando e pranteando-o a noite inteira até o raiar do dia.

7 Em seguida Seth e seu filho Enós e Cainã, o filho de Enós, saíram e levaram boas oferendas para apresentar ao Senhor, e chegaram ao altar sobre o qual Adão oferecia presentes a Deus, quando ele o fazia.

8 Mas Eva lhes disse: “Esperai até que peçamos primeiro a Deus que aceite nossas oferendas, e guarde consigo a alma de Adão Seu servo, e que a leve para descansar”.

9 E todos puseram-se de pé oraram.

Capítulo 10

1 E quando terminar sua oração, a Palavra de Deu veio e consolou-os pelo seu pai Adão.

2 Depois disso, ofereceram seus presentes por eles e por seu pai.

3 E quando terminara sua oferenda, a Palavra de Deu veio a Seth, o mais velho dentre eles, dizendo-lhe: “O Seth, Seth, Seth, três vezes. Como Eu estive com teu pai, assim também estarei contigo, até o cumprimento da promessa que Eu lhe fiz, a teu pai, dizendo que Eu enviarei Minha Palavra e salvar-te-ei e à tua descendência.

4 “Mas, quanto a teu pai Adão, guarda os mandamentos que ele te deu; e afasta teus descendentes dos de Caim teu irmão.”

5 E Deus retirou Sua Palavra de Seth.

6 Então Seth, Eva e seus filhos desceram da montanha para a Caverna dos Tesouros.

7 Mas Adão foi o primeiro cuja alma morreu na terra do Éden, na Caverna dos Tesouros; pois ninguém morrera antes dele, apenas seu filho Abel, assassinado.

8 Então todos os filhos de Adão levantaram-se e prantearam seu pai Adão e fizeram oferendas por ele, durante cento e quarenta dias.

Capítulo 11

1 Após a morte de Adão e de Eva, Seth separou seus filhos, e os filhos de seus filhos, dos filhos de Caim. Caim e seus descendentes desceram e habitaram a oeste, abaixo do lugar onde ele matara seu irmão Abel.

2 Mas Seth e seus filhos moravam ao norte, na Montanha da Caverna dos Tesouros, para ficarem próximos de seu pai Adão.

3 E Seth, o mais velho, grande e bom, de alma pura e de mente forte, liderava seu povo; e instruía-o em inocência,penitência e mansidão, e não permitia que nenhum dos seus descesse para junto dos filhos de Caim.

4 Mas por causa de sua pureza eles eram chamados “Filhos de Deus”, e estavam com Deus, no lugar das hostes de anjos caídos; pois continuaram louvando a Deus e cantando-Lhe salmos em sua caverna, a Caverna dos Tesouros.

5 Pois Seth punha-se em pé defronte ao corpo de seu pai Adão e de sua mãe Eva, e orava noite e dia, e pedia por misericórdia para si e seus filhos; e ao ter alguma dificuldade no lidar com um filho, Ele o aconselhava.

6 Mas Seth e seus filhos não gostavam do trabalho terreno, mas davam-se a coisas celestes; pois não tinham outros pensamentos a não ser louvores, doxologias e salmos a Deus.

7 Por isso eles sempre ouviam as vozes dos anjos, louvando e glorificando a Deus, vindas de dentro do jardim ou quando eram enviados por Deus numa missão ou quando subiam ao céu.

8 Pois Seth e seus filhos, em razão de sua pureza, ouviam e viam aqueles anjos” Pois o jardim não estava muito acima deles, mas apenas a cerca de quinze cúbitos espirituais.

9 Agora, um cúbito espiritual equivale a três cúbitos humanos, ao todo quarenta e cinco cúbitos.

10 Seth e seus filhos habitavam na montanha abaixo do jardim; não semeavam nem colhiam; não manufaturavam nenhum alimento para o corpo, nem mesmo trigo, mas tão-somente oferendas. Comiam os frutos das árvores carregadas que cresciam na montanha onde moravam.

11 Pois Seth freqüente-mente jejuava a cada quarenta dias, como também o faziam seus filhos mais velhos. Porque a família de Seth sentia o aroma das árvores do jardim, quando o vento de lá soprava.

12 Eles eram felizes, inocentes, sem sobressaltos, não havia inveja, nem más ações nem ódio entre eles. Não havia paixão animal; de nenhuma boca dentre eles saíam palavras deturpadas ou maldição; nem conselho mau nem mentira. Pois os homens daquele tempo nunca juravam, mas, sob circunstâncias difíceis, quando as pessoas precisam jurar, eles juravam pelo sangue de Abel o justo.

13 Mas eles confinavam seus filhos e suas mulheres todos os dias na caverna para jejuar e orar e adorar Deus o Altíssimo. Eles se abençoavam no corpo de seu pai Adão e ungiam-se com ele.

14 E assim fizeram até que o fim de Seth aproximou-se.

Capítulo 12

1 Então Seth o justo chamou seu filho Enós e Cainã, filho de Enós, e Malaleel, filho de Cainã e disse-lhes:

2 “Como o meu fim está próximo, quero construir um telhado sobre o altar no qual oferecemos presentes.”

3 Eles obedeceram sua ordem e saíram, todos, tanto velhos quanto jovens, e trabalharam com persistência construíram um lindo telhado sobre o altar.

4 E a intenção de Seth, a fazer assim, era que a bênção vivesse sobre seus filhos na montanha; e que ele fizesse uma oferenda por eles antes de morrer.

5 Então, quando a construção do telhado estava pronta ordenou-lhes que fizessem oferendas. Eles trabalharam diligentemente nelas e trouxeram-nas a Seth seu pai que a levou e ofereceu-as sobre o altar; e pediu a Deus que aceitasse suas oferendas, que tivesse misericórdia pela alma de seus filhos, e que os protegesse das mãos de Satã.

6 E Deus aceitou sua oferenda e enviou Sua bênção sobre ele e sobre seus filhos. então Deus fez uma promessa a Seth, dizendo: “Ao final dos grandes cinco dias e meio, acerca dos quais Eu fiz uma promessa a ti e a teu pai, enviarei Minha Palavra e salvar-te-ei à tua descendência”.

7 Então Seth e seus filhos e os filhos de seus filhos, reuniram-se e desceram do altar foram à Caverna dos Tesouro, onde oraram e abençoaram no corpo de nosso pai Adão ungiram-se com ele.

8 Mas Seth habitou a Caverna dos Tesouros por algum dias e depois sofreu os sofrimentos da morte.

9 Então Enós, o primogênito, veio a ele, com Cainã, com Malaleel, o filho de Cainã, e Jared, filho de Malaleel, e Enoque, filho de Jared, com suas mulheres e filhos, para receberem as bênçãos de Seth.

10 Então Seth orou por eles e abençoou-os e conjurou-os pelo sangue de Abel o justo, dizendo: “Eu vos imploro, meus filhos, não deixeis que nenhum de vós desça desta Sagrada e pura Montanha.

11 Não façais camaradagem com os filhos de Caim o assassino e o pecador, que matou seu irmão; pois sabeis, ó meus filhos, que fugimos dele, e de todo o seu pecado, com toda nossa força, porque ele matou seu irmão Abel.”

12 Depois de dizer isto, Seth abençoou Enós, seu primogênito, e ordenou-lhe que mantivesse o hábito de ministrar na pureza diante do corpo de nosso pai Adão todos os dias de sua vida; e também de ir periodicamente ao altar que ele Seth construíra. E ordenou-lhe instruir seu povo em justiça, em discernimento e pureza todos os dias de sua vida.

13 Em seguida os membros de Seth afrouxaram; suas mãos e pés perderam toda a força, sua boca emudeceu e tomou-se incapaz de falar; e ele entregou o espírito e morreu um dia depois de completar novecentos e doze anos; ao vigésimo sétimo dia do mês Abib; tendo então Enoque vinte anos de idade.

14 Então eles enrolaram cuidadosamente o corpo de Seth, embalsamaram-no com ervas aromáticas e depositaram-no na Caverna dos Tesouros, à direita do corpo de nosso pai Adão, e prantearam-no durante quarenta dias. Ofereceram presentes por ele, como o fizeram por nosso pai Adão.

15 Depois da morte de Seth, Enós elevou-se à chefia de seu povo, a quem ele instruiu em justiça e discernimento, como seu pai lhe havia ordenado.

16 Mas na época em que Enós chegou aos oitocentos e vinte anos de idade, Caim tinha uma prole numerosa; pois eles casavam-se com freqüência, dados que eram a prazeres animais; até que a terra abaixo da montanha estava cheia deles.

Capítulo 13

1 Naqueles dias vivia Lamec o cego, que descendia dos filhos de Caim. Ele tinha um filho cujo nome era Atun, e ambos possuíam muito gado.

2 Mas Lamec tinha o hábito de enviá-lo para pastar por um jovem pastor, que cuidava dele; e que, ao voltar para casa à noite, chorava perante seu avó e perante seu pai Atun e sua mãe Hazina e dizia-lhes: “Quanto a mim, não posso pastorear este gado sozinho, com receio de que alguém me roube algum, ou me mate por causa dele”, Pois entre os filhos de Caim havia muito roubo, assassínio e pecado.

3 Então Lamec apiedou-se dele e disse: “Em verdade. sozinho ele pode ser dominado pelos homens deste lugar”.

4 Assim, Lamec ergueu-se, pegou um arco que guardava desde sua juventude, antes de se tornar cego, e pegou flechas grandes, pedras lisas, uma funda que possuía e foi ao campo com o jovem pastor e colocou-se na retaguarda do gado, enquanto o jovem pastor vigiava o gado, Lamec assim fez por muitos dias.

5 Entrementes, Caim, desde que Deus o renegara e o amaldiçoara com tremor e terror, não conseguia nem estabelecer-se nem encontrar repouso em lugar algum; mas vagueava de um lugar para outro.

6 Em suas andanças chegou até as mulheres de Lamec e perguntou-lhes acerca dele, Elas disseram-lhe: “Ele está no campo com o gado.

7 Então Caim foi à sua procura; e, ao chegar ao campo, o jovem pastor ouviu seu ruído e o gado arrebanhando-se para sair de sua frente.

8 Então ele disse a Lamec: “O meu senhor, acaso é uma fera selvagem ou um ladrão’?

9 E Lamec disse-lhe: “Faça-me entender para onde ele olha, quando se aproximar”.

10 Então Lamec curvou seu arco, colocou uma flecha nele e ajustou uma pedra na funda, e quando Caim saiu do campo aberto, o pastor disse a Lamec: “Atira, vê, ele está chegando”.

11 Então Lamec atirou em Caim com uma flecha e atingiu-o no lado. E Lamec golpeou-o com uma pedra de sua funda, que bateu em seu rosto e arrancou-lhe os olhos; então Caim caiu de uma vez e morreu.

12 Então Lamec e o jovem pastor foram até ele e encontraram-no prostrado no solo. É o jovem pastor disse-lhe: “Este é Caim, nosso avó, que tu mataste, ó meu senhor”!

13 Então Lamec penalizou-se com isto e, de amargura remorso, com suas mãos espalmadas golpeou a cabeça do jovem, que caiu como morto,  Lamec pensou que fosse só um desmaio; por isso ele pegou um pedra e golpeou-o e esmagou sua cabeça até que ele morreu.

Capítulo 14

1 Quando Enós completo novecentos anos de idade, todos os filhos de Seth e Cainã e o seu primogênito, com suas mulheres e filhos, reuniram-se a seu redor, pedindo-lhe uma bênção.

2 Ele então orou por eles abençoou-os, e conjurou-o pelo sangue de Abel o justo, dizendo-lhes: “Não permitais que nenhum de vosso filhos desça desta Montanha Sagrada, e não permitais que façam camaradagem com os filhos de Caim o assassino.

3 Em seguida Enós chamou seu filho Cainã e disse-lhe “Atenta, ó meu filho, e dedicaste de coração a teu povo instrui-o em justiça e em inocência; e põe-te ministrando defronte ao corpo de nosso pai Adão, todos os dias de tua vida’

4 Após isso, Enós entrou em repouso, com a idade de novecentos e oitenta e cinco  anos; e Cainã enrolou-o e depositou-o na Caverna dos Tesouros à esquerda de seu pai Adão; e fez oferendas por ele, segundo o costume de seus ancestrais.

Capítulo 15

1 Após a morte de Enós, Cainã se colocou na chefia de seu povo na justiça e inocência, como seu pai lhe ordenara; ele também continuou a ministrar perante o corpo de Adão, dentro da Caverna dos Tesouros.

2 Então, depois de viver novecentos e dez anos, acometeram-no o sofrimento e a doença. E, estando prestes a entrar em repouso, todos os chefes de família com suas mulheres e filhos vieram a ele, e ele abençoou-os e conjurou-os pelo sangue de Abel o justo, dizendo-lhes: “Não permitais que nenhum dentre vós desça desta Montanha Sagrada; e não façais camaradagem com os filhos de Caim, o assassino”.

3 Malaleel, seu primogênito, recebeu esta ordem de seu pai, que o abençoou e morreu.

4 Então Malaleel embalsamou-o com ervas aromáticas e depositou-o na Caverna dos Tesouros, com seus ancestrais; e todos fizeram oferendas por ele, segundo o costume de seus ancestrais.

Capítulo 16

1 Então Malaleel chefiou seu povo e instruiu-o na justiça e inocência, e vigiou-o para que não se relacionasse com os filhos de Caim.

2 Ele também continuou na Caverna dos Tesouros, orando e ministrando perante o corpo de nosso pai Adão, pedindo a Deus misericórdia para si e para seu povo; até que completou oitocentos e setenta anos de idade, quando caiu doente.

3 Então todos os seus filhos reuniram-se a seu redor para vê-lo e pedir-lhe sua bênção a todos, antes que deixasse este mundo.

4 Então Malaleel ergueu-se e sentou-se no leito, com lágrimas rolando pelas faces, e chamou seu filho mais velho Jared, que veio até ele.

5 Ele então beijou sua face e disse-lhe: “ah Jared, meu filho, conjuro-te, por Aquele que fez o céu e a terra, a vigiares teu povo e a provê-lo na justiça e na inocência; e conjuro-te a não permitires que nenhum deles desça desta Montanha Sagrada até os filhos de Caim, para que não pereçam com eles.

6 “Ouve, ó meu filho, futuramente virá uma grande destruição sobre esta terra por causa deles; Deus ficará irado com o mundo e destrui-lo-á pelas águas.

7 “Mas eu também sei que teus filhos não te obedecerão, e que eles descerão desta montanha e relacionar-se-ão com os filhos de Caim, e que perecerão com eles.

8 “ah meu filho! ensina-os e vigia-os, para que nenhuma culpa te seja atribuída por causa deles.”

9 Malaleel disse, ainda, a seu filho Jared: “Quando eu morrer, embalsama meu corpo e deposita-o na Caverna dos Tesouros, ao lado dos corpos de meus ancestrais; em seguida põe-te perante meu corpo e ora a Deus; e cuida deles, e cumpre teu ministério perante eles, até tu mesmo entrares em repouso.”

10 Malaleel em seguida abençoou os seus filhos; e depois disso deitou-se em seu leito e entrou em repouso como seus ancestrais.

11 Mas quando Jared viu que seu pai Malaleel estava morto, chorou e entristeceu-se, e abraçou e beijou suas mãos e pés; e assim fizeram todos os seus filhos.

12 E seus filhos embalsamaram-no cuidadosamente e depositaram-no ao lado dos corpos de seus ancestrais. Em seguida ergueram-se e prantearam-no por quarenta dias.

Capítulo 17

1 Então Jared seguiu a ordem de seu pai e ergueu-se como um leão sobre seu povo. Ele instruía-o em justiça e inocência, e ordenou-lhe que nada fizesse sem aconselhar-se com ele. Pois receava que pudesse ir ter com os filhos de Caim.

2 Por causa disso dava-lhes ordens repetidamente; e continuou a fazê-lo até o fim de quatrocentos e oitenta e cinco anos de idade.

3 Ao final desse período, aconteceu-lhe o seguinte sinal. Como Jared postava-se como um leão defronte aos corpos de seus ancestrais, orando e prevenindo seu povo, Satã invejou-o e forjou uma linda visão, porque Jared não permitia que seus filhos fizessem qualquer coisa sem a sua anuência.

4 Satã então apareceu-lhe com trinta homens da sua hoste, na forma de belos homens; sendo o próprio Satã o mais velho e o maior dentre eles, com uma bela barba.

5 Eles pararam à boca da caverna e chamaram por Jared, para que saísse a seu encontro.

6 Ele saiu a seu encontro e achou-os com a aparência de belos homens, cheios de luz e de grande beleza. Admirou sua beleza e sua aparência; e pensou consigo mesmo se eles poderiam ser filhos de Caim.

7 Ele também disse em seu coração: “Como os filhos de Caim não podem subir ao alto desta montanha, e nenhum deles é tão belo como estes parecem ser; e dentre estes homens não está nenhum da minha parentela, estes devem ser os estranhos”.

8 Então Jared e eles trocaram saudações e ele disse ao mais velho dentre eles: “O meu pai, explica-me a maravilha que há em ti, e dize-me quem são estes contigo; pois me parecem estranhos”.

9 Então o mais velho se pôs a chorar, e os outros choraram junto; e ele disse a Jared: “Eu sou Adão, a quem Deus criou primeiro, e este é Abel meu filho, que foi morto por seu ir-mão Caim, cujo coração Satã incitou que o matasse.

10 “Depois, este é meu filho Seth, que eu pedi ao Senhor, que me deu para consolar-me no lugar de Abel.

11 “Depois, este aqui é meu filho Enós, filho de Seth, e aquele outro é Cainã, filho de Enós, e aquele outro ainda é Malaleel, filho de Cainã, teu pai.”

12 Mas Jared continuou espantado com sua aparência, e com o que o mais velho lhe falava.

13 Então o mais velho disse-lhe: “Não estranhes, ó meu filho; nós vivemos na terra ao norte do jardim, a qual Deus criou antes do mundo. Ele não queria nos permitir viver lá, mas nos colocou dentro do jardim, abaixo do qual vós estais morando agora.

14 “Mas depois que eu desobedeci, Ele me fez sair de lá e deixou-me morar nesta caverna; grandes e dolorosos sofrimentos me aconteceram; e quando minha morte aproximou-se, eu ordenei a meu filho Seth que cuidasse bem de seu povo; e esta minha ordem deve ser passada de um para o outro, até o fim das gerações vindouras.

15 “Mas, ó Jared, meu filho, nós vivemos em belas regiões, ao passo que vós viveis aqui na miséria, como este teu pai Malaleel me informou; contando-me que um grande dilúvio virá e destruirá a terra inteira.

16 “Portanto, ó meu filho, receando por vós, levantei-me e levei meus filhos comigo, e vim até aqui para visitar-te e a teus filhos: mas eu te encontrei em pé nesta caverna, chorando, e teus filhos espalhados por esta montanha, no calor e na miséria.

17 “Mas, ó meu filho, ao nos perdermos ao caminharmos até aqui, encontramos outros homens abaixo desta montanha; que habitam um lindo país, cheio de árvores e de frutas, e de toda a espécie de vegetais; é como um jardim; de maneira que ao encontrá-los pensamos que éreis vós; até que teu pai Malaleel contou-me que eles não o eram.

18 “Agora, portanto, ó meu filho, ouve meu conselho e desce até eles, tu e teus filhos. Vós descansareis de todo esse sofrimento em que estais. Mas caso tu não queiras descer até eles, então levanta-te, toma teus filhos, e vem conosco ao nosso jardim; vós vivereis em nossa linda terra, e repousareis de toda esta aflição, que tu e teus filhos suportais agora.”

19 Jared, então, ao ouvir este discurso do mais velho, surpreendeu-se e se pôs a andar de lá para cá, mas naquele momento não encontrou nenhum de seus filhos.

20 Então ele respondeu e disse ao mais velho: “Por que vos escondestes até hoje”?

21 E o mais velho retrucou: “Se teu pai não nos tivesse contado, nós não saberíamos”.

22 Então Jared tomou suas palavras como verdadeiras.

23 Assim, aquele mais velho disse a Jared: “Para que procuraste em tua volta”? E ele disse: “Eu estava procurando por um de meus filhos para contar-lhe que eu vou convosco, e para que eles desçam até aqueles de quem tu me falaste”.

24 Quando o mais velho ouviu a intenção de Jared, disse-lhe: “Deixa este propósito por ora e vem conosco; tu verás nosso país; caso a terra onde moramos te agradar, nós e tu retomaremos aqui e levaremos tua família conosco. Mas se o nosso país não te agradar, tu voltarás a teu próprio lugar”.

25 E o mais velho apressou Jared que fosse antes que um de seus filhos viesse e o aconselhasse a não fazê-lo.

26 Jared, então, saiu da caverna e foi com eles, e no meio deles. E eles consolaram-no até que chegaram ao topo da montanha dos filhos de Caim.

27 Então o mais velho disse a um de seus companheiros: “Nós esquecemos algo na entrada da caverna, e que é a vestimenta escolhida que trouxemos para vestir Jared”.

28 Ele então disse a um deles: “Alguém volte; e nós esperaremos aqui. Então vestiremos Jared e ele será como nós, bom, bonito e adequado para vir conosco para nosso país”.

29 Então aquele voltou.

30 Mas quando ele estava a uma curta distância, o mais velho chamou-o e disse-lhe: “Espera até que eu chegue e fale contigo”.

31 Então ele parou e o mais velho aproximou-se dele e disse-lhe: “Uma coisa esquecemos na caverna, é isto: apagar a lamparina que queima lá dentro, acima dos corpos que lá estão. Em seguida volta a nós, rápido”.

32 Aquele partiu e o mais velho voltou para junto de seus companheiros e de Jared. E eles desceram da montanha, e Jared com eles; e ficaram junto a uma fonte de água, próximo às casas dos filhos de Caim, e aguardaram o seu companheiro até que ele trouxesse a vestimenta para Jared.

33 Aquele, então, que voltara à caverna, apagou a lamparina e voltou para junto deles e trouxe uma ilusão consigo e mostrou-a a eles. E quando Jared a viu, admirou sua beleza e graça, e alegrou-se em seu coração acreditando que era tudo verdadeiro.

34 Mas enquanto eles ali estavam, três deles entraram nas casas dos filhos de Caim, e disseram-lhes: “Trazei-nos hoje algum alimento até a fonte de água, para nós e nossos companheiros comermos”.

35 Mas, ao verem-nos, os filhos de Caim surpreenderam-se com eles e pensaram: “Estes são bonitos de se olhar, e tais como nunca vimos antes”. Assim eles se levantaram e foram até a fonte de água, para ver seus companheiros.

36 Então os acharam tão bonitos, que se puseram a clamar alto pela vizinhança para que outros se juntassem e viessem ver aqueles belos seres. Então rodearam-nos, homens e mulheres.

37 Em seguida o mais velho disse-lhes: “Nós somos estrangeiros em vossa terra, trazei-nos alimento e bebida, vós e vossas mulheres, para refazermo-nos convosco”.

38 Quando aqueles homens ouviram essas palavras do mais velho, cada um dos filhos de Caim trouxe sua mulher, e outro trouxe sua filha, e assim, muitas mulheres vieram ter com eles; cada um dirigindo-se a Jared ou em favor de si mesmo ou de sua mulher; todos iguais.

39 Mas quando Jared viu o que eles faziam, até sua alma retraiu-se; ele nem queria provar do alimento ou da bebida deles.

40 O mais velho viu-o retrair-se deles e disse-lhe: “Não fiques triste; eu sou o grande chefe, assim como me verás fazer, faze-o tu da mesma maneira”.

41 Então ele estendeu suas mãos e tomou uma das mulheres, e cinco de seus companheiros fizeram o mesmo perante Jared, para que ele fizesse como eles.

42 Mas ao vê-los agindo com infâmia, Jared chorou e disse consigo mesmo: “Meus ancestrais nunca fizeram nada parecido”.

43 Ele então estendeu suas mãos e orou com coração ar-dente, e com muito lamento, e suplicou a Deus que o livrasse daquelas mãos.

44 Tão logo Jared começou a orar, o ancião fugiu com seus companheiros; pois eles não podiam permanecer num local de oração.

45 Em seguida Jared voltou-se mas não os viu mais, porém achou-se no meio dos filhos de Caim.

46 Ele então chorou e disse: “Ó Deus, não me destruais junto com esta raça, contra a qual meus ancestrais me preveniram; pois, ó meu Senhor Deus, pensei que aqueles que me apareceram eram meus ancestrais; mas agora descobri serem demônios que me iludiram com sua aparência bonita até eu acreditar neles.

47 “Mas agora eu Vos peço, ó Deus, que me livreis desta raça, no meio da qual estou agora, como Vós me livrastes daqueles demônios. Enviai Vosso anjo para que me tire do meio deles; pois eu sozinho não tenho força para escapar-lhes.”

48 Quando Jared terminou sua oração, Deus enviou Seu anjo até o meio deles, que pegou Jared e colocou-o sobre a montanha, e indicou-lhe o caminho, aconselhou-o, e então o deixou.

Capítulo 18

1 Os filhos de Jared tinham o costume de visitá-lo a toda hora para receber sua bênção e pedir seu conselho para tudo que fizessem; e quando ele tinha trabalho para fazer, eles faziam-no por ele.

2 Mas desta vez, ao entrarem na caverna, não encontraram Jared, mas encontraram a lamparina apagada e os corpos dos ancestrais revirados, e vozes saíam deles pelo poder de Deus, que diziam: “Satã enganou nosso filho numa visão, querendo destruí-lo como destruiu nosso filho Caim”.

3 Eles também disseram: “Senhor Deus do céu e da terra, libertai nosso filho da mão de Satã, que forjou uma visão grande e falsa diante ele”. Eles também falaram de outros assuntos, pelo poder de Deus.

4 Mas ao ouvirem essas vozes, os filhos de Jared amedrontaram-se e puseram-se a chorar pelo seu pai; pois não sabiam o que lhe havia acontecido.

5 E choraram por ele durante aquele dia até o pôr-do-sol.

6 Então Jared chegou com um semblante angustiado, miserável de espírito e de corpo, e lastimoso por ter estado longe dos corpos de seus ancestrais.

7 Mas, ao aproximar-se Jared da caverna, seus filhos viram-no, e acorreram, e penduraram-se no seu pescoço lamentando-se e dizendo-lhe: “ah pai, onde estiveste, e por que nos deixaste, como não devias”? E mais: “ah pai, quando desapareceste a lamparina acima dos corpos de nossos antepassados apagou-se, os corpos foram revirados e vozes saíram deles”.

8 Quando Jared ouviu isto ficou penalizado e foi para dentro da caverna; e lá encontrou os corpos jogados pelo chão, a lamparina apagada e os próprios antepassados orando por sua libertação das mãos de Satã.

9 Então Jared caiu sobre os corpos e abraçou-os e disse: “ah meus antepassados, através de vossa intercessão que Deus me liberte das mãos de Satã! E suplico que peçais a Deus que me guarde e oculte-me dele até o dia de minha morte”.

10 Então todas as vozes calaram-se, salvo a voz de nosso pai Adão, que falou a seu companheiro, dizendo: “ah Jared, meu filho, oferece presentes a Deus por ter-te libertado da mão de Satã; e quando trouxeres essas oferendas, oferece-as no altar no qual eu oferecia. Além disso, cuidado com Satã; pois ele me enganou muitas vezes com suas visões, querendo destruir-me, mas Deus libertou-me de sua mão.

11 “Ordena a teu povo que esteja em guarda contra ele; e nunca pares de oferecer presentes a Deus.”

12 Então a voz de Adão também se calou; e Jared e seus filhos espantaram-se com isto. Em seguida colocaram os corpos como estavam antes; e Jared e seus filhos permaneceram orando durante aquela noite inteira, até o raiar do dia.

13 Então Jared preparou uma oferenda e ofereceu-a no altar, conforme Adão lhe ordenara. E enquanto subia ao altar, orava a Deus por misericórdia e perdão de seu pecado, por permitir que houvessem apagado a lamparina.

14 Então Deus apareceu a Jared no altar e abençoou-o e a seus filhos, e aceitou suas oferendas; e ordenou a Jared pegar do fogo sagrado do altar e com ele acender a lamparina que iluminava o corpo de Adão.

Capítulo 19

1 Então Deus revelou-lhe novamente a promessa feita a Adão; explicou-lhe os cinco mil e quinhentos anos, e revelou-lhe a mistério de Sua vinda à terra.

2 E Deus disse a Jared: “Quanto ao fogo que tu pegaste do altar para acender a lamparina, que permaneça junto a todos vós para iluminar os corpos; e que não saia da caverna, até que o corpo de Adão dela saia.

3 “Mas, ó Jared, cuida do fogo, para que queime brilhante na lamparina; nem saias novamente da caverna, até receberes uma ordem através de uma visão, e não de uma ilusão, como a que viste.

4 “Então ordena novamente a teu povo que não mantenha relacionamento com os filhos de Caim, e não aprenda seus costumes; pois Eu sou Deus que não ama o ódio nem ações perversas.”

5 Deus deu também muitos outros mandamentos a Jared e abençoou-o. Então retirou Sua Palavra dele.

6 Em seguida Jared aproximou-se de seus filhos, pegou um pouco de fogo e desceu à caverna, e acendeu a lamparina perante o corpo de Adão; e deu a seu povo os mandamentos conforme Deus lhe dissera.

7 Este sinal aconteceu a Jared no final dos seus quatrocentos e cinqüenta anos; como aconteceram também muitas outras maravilhas, que não registramos. Mas registramos apenas este para sermos breves e não alongarmos nossa narrativa.

8 E Jared continuou a ensinar seus filhos por oitenta anos; mas depois disso eles começaram a desobedecer aos mandamentos que ele lhes dera, e a fazer muitas coisas sem seu consentimento. Eles começaram a descer da Montanha Sagrada, um após o outro, e a se misturar aos filhos de Caim, em camaradagem impura.

9 Agora, a razão pela qual os filhos de Jared desceram da Montanha Sagrada, é esta, que vos revelaremos em seguida.

Capítulo 20

1 Depois de haver Caim descido à terra do solo escuro, e seus filhos ali multiplicado, existia um dentre eles, cujo nome era Genum, filho de Lamec o cego, que havia matado Caim.

2 Mas quanto a este Genum, Satã veio-lhe em sua infância; e ele fizera diversas trombetas e trompas, e instrumentos de corda, címbalos e saltérios, e liras e harpas e flautas; e tocava-os o tempo todo e a toda hora.

3 E ao tocá-los, Satã entrou neles, assim que deles ouviam-se belos e doces sons que arrebatavam o coração.

4 Então ele reunia grupos e mais grupos para tocá-los; e quando eles tocavam, agradavam muito aos filhos de Caim, que se inflamavam com o pecado entre si e ardiam como fogo, enquanto Satã inflamava seus corações, um para com o outro, e aumentava a paixão entre eles.

5 Satã também ensinou Genum a tirar do cereal uma bebida forte; e Genum usava-a para reunir grupos e mais grupos em casas de bebida; e colocava-lhes nas mãos toda espécie de frutas e flores; e eles bebiam juntos.

6 Assim, este Genum multiplicou o pecado excessivamente; além disso, agia com orgulho e ensinava os filhos de Caim a praticar toda sorte da mais grosseira maldade, que eles não conheciam; e conduziu-os às várias práticas que eles antes não conheciam.

7 Então, Satã, ao ver que eles cediam a Genum e obedeciam-lhe em tudo que ele lhes dizia, alegrou-se muitíssimo, aumentou o entendimento de Genum, até que ele pegou o ferro e com ele fez armas de guerra.

8 Então, quando eles se embebedavam, o ódio e o crime aumentavam entre eles; um homem usava violência contra o outro para ensinar-lhe o mal, tomando seus filhos e pervertendo-os, na sua frente.

9 E quando os homens viam que estavam vencidos, e viam outros que não tinham sido subjugados, aqueles que eram derrotados vinham Genum, refugiavam-se a selado, e ele fazia-os seus aliados seus.

10 Assim o pecado aumentou entre eles muitíssimo; a que um homem dava em casamento sua própria irmã ou filha ou mãe e outras; ou a filha da irmã de seu pai, de maneira que não havia mais distinção e parentesco, e eles não mais sabiam o que era iniqüidade; mas agiam com maldade, e a terra ficou manchada pelo pecado; eles encolerizaram Deus o Juiz que os havia criado.

11 Mas Genum reunia grupos e mais grupos que tocava trombetas e todos os outros instrumentos já mencionados, ao sopé da Montanha Sagrada; eles faziam assim para que os filhos de Seth que estavam na Montanha Sagrada os ouvissem.

12 Mas quando os filhos de Seth ouviam o barulho, surpreendiam-se e vinham em grupo e ficavam parados no topo montanha para olhar para os de baixo; e assim fizeram durante um ano inteiro.

13 Quando, ao findar daquele ano, Genum viu que eles estavam sendo aos poucos conquistados para seu lado, Satã entrou nele e ensinou-lhe como fazer corantes em diversos padrões para vestimentas, e fez entender como tingir de vermelho e carmesim, de púrpuras e de outras mais.

14 E os filhos de Caim, que engendraram tudo isso, e brilhavam belos e paramentados esplendidamente, juntaram-no sopé da montanha, em esplendor, com trombetas e vestidos suntuosos, e corridas cavalos, cometendo todas as formas de abominações.

15 Enquanto os filhos de Seth, que estavam na Montanha Sagrada, oravam e louvavam a Deus no lugar das hostes de anjos que tinha caído; pelo que Deus os tinha chamado de “anjos”, porque Ele alegrava-se muito com eles.

16 Mas, após isso, eles não mais guardavam Seu manda-mento nem acreditavam na promessa que Ele havia feito a seus antepassados, mas relaxaram-se no jejum e oração e no aconselhamento de Jared seu pai. E continuaram a se reunir no topo da montanha para olhar para os filhos de Caim, desde a manhã até o anoitecer, e para o que eles faziam, para os seus belos vestidos e ornamentos.

17 Então os filhos de Caim olharam para cima, lá de baixo, e viram os filhos de Seth, parados aos grupos no topo da montanha; e chamaram-nos para que descessem até eles.

18 Mas os filhos de Seth disseram-lhes de cima: “Não sabemos o caminho”. Então Genum, o filho de Lamec, ouviu-os dizer que não sabiam o caminho, e pôs-se a pensar consigo mesmo como trazê-los para baixo.

19 Então Satã apareceu-lhe durante a noite, dizendo: “Não há caminho para eles descerem da montanha onde moram; mas quando eles vierem amanhã, dize-lhes: ‘Vinde até o lado oeste da montanha; ali encontrareis o caminho de um riacho que desce até o sopé da montanha, entre duas colinas; descei por ali até nós”.

20 Então, quando raiou o dia, Genum soprou as trombetas e tocou os tambores sob a montanha, como costumava. Os filhos de Seth ouviram-no e vieram como de costume.

21 Então Genum disse-lhes de baixo: “Ide até o lado oeste da montanha, ali encontrareis o caminho para descer”.

22 Mas quando os filhos de Seth ouviram essas suas palavras, voltaram à caverna para Jared, para contar-lhe tudo o que tinham ouvido.

23 Então, ao ouvir isso, Jared entristeceu-se; pois sabia que eles desobedeceriam seu conselho.

24 Após isso, um centena de homens dentre os filhos de Seth reuniu-se e falou entre si: “Vamos, desçamos até os filhos de Caim e vejamos o que eles fazem e divirtamo-nos com eles”.

25 Mas quando Jared ouviu isso da centena de homens, até a sua alma comoveu-se e seu coração penalizou-se. Então ele ergueu-se com grande fervor e colocou-se no meio deles e adjurou-os pelo sangue de Abel o justo: “Que nenhum de vós desça desta montanha sagrada e pura, na qual nossos antepassados nos ordenaram morar”.

26 Mas quando Jared viu que eles não aceitaram suas palavras, disse-lhes: “O meus filhos bons e inocentes e santos, sabei que uma vez que descerdes desta montanha sagrada, Deus não vos permitirá a ela voltar novamente”.

27 Outra vez adjurou-os, dizendo: “Eu adjuro pela morte de nosso pai Adão e pelo sangue de Abel, de Seth, de Enós, de Cainã e de Malaleel, que me obedeçais e não desçais desta montanha sagrada; pois no momento em que a deixardes, sereis destituídos de vida e de misericórdia; e não sereis chamados de filhos de Deus, mas de filhos do demônio”‘.

28 Mas eles não queriam ouvir suas palavras.

29 Enoque já era adulto nesta época e, em seu zelo por Deus, levantou-se e disse: “Ouvi-me, ó vós, filhos de Seth, pequenos e grandes, ao desobedecerdes o mandamento de nossos antepassados, e ao descerdes desta montanha sagrada, nunca mais subireis aqui”.

30 Mas eles se rebelaram contra Enoque e não quiseram ouvir suas palavras, mas desceram da Montanha Sagrada.

31 E quando olharam para as filhas de Caim, para seus belos corpos e para suas mãos e pés tingidos de cor, e para as tatuagens ornamentais nos seus rostos, o fogo do pecado acendeu-se neles.

32 Então Satã fez com que elas parecessem lindíssimas perante os filhos de Seth, e também fez com que os filhos de Seth parecessem belíssimos aos olhos das filhas de Caim, de maneira que as filhas de Caim desejassem como feras selvagens os filhos de Seth, e os filhos de Seth desejassem as filhas de Caim, até que cometeram abominações com elas.

33 Mas depois de assim caírem em degradação, eles voltaram ao caminho pelo qual haviam descido, e tentaram subir a Montanha Sagrada. Mas não conseguiram, pois as pedras daquela montanha sagrada tomaram-se fogo refulgindo diante deles, por isso eles não podiam mais subir.

34 E Deus encolerizou-s com eles e teve pena deles por que desceram da glória, e com isto perderam ou renunciaram à sua própria pureza ou inocência e decaíram na impureza no pecado.

35 Então Deus enviou Sua Palavra a Jared, dizendo: “Esses teus filhos, aos quais chamaste de Meus filhos, vê, eles desobedeceram ao Meu mandamento e desceram ao antro da perdição e do pecado. Envia um mensageiro àqueles que ficaram para que não desçam e se percam”.

36 Então Jared chorou perante o Senhor e pediu-lhe misericórdia e perdão. Pois preferia que sua alma abandonasse seu corpo, a ouvir essas palavras de Deus sobre a descida de seus filhos da Montanha Sagrada.

37 Mas ele seguiu a ordem de Deus e pregou-lhes que na descessem da montanha sagrada e que não mantivessem relacionamento com os filhos de Caim.

38 Mas eles não ouvira sua mensagem e não quisera seguir seu conselho.

Capítulo 21

1 Após isso, um outro grupo reuniu-se e foi procurar por seus irmãos; mas todos pereceram como os outros. E assim foi, grupo após grupo, até que sobraram apenas uns poucos.

2 Então Jared caiu enfermo de pesar e sua enfermidade era tal que o dia de sua morte aproximou-se.

3 Então ele chamou Enoque, seu primogênito, e Matusalém, filho de Enoque, e Lamec, filho de Matusalém, e Noé, filho de Lamec.

4 E quando eles chegaram à sua presença, orou por eles e abençoou-os e disse-lhes: “Vós sois filhos justos, inocentes; não desçais desta Montanha Sagrada; pois vede, vossos filhos e os filhos de vossos filhos desceram desta Montanha Sagrada e dela se afastaram por seus desejos abomináveis e desobediência ao mandamento de Deus.

5 “Mas eu sei, pelo poder de Deus, que Ele não vos deixará nesta Montanha Sagrada porque vossos filhos desobedeceram ao Seu mandamento e ao de nossos antepassados, que recebemos deles.

6 “Mas, ó meus filhos, Deus nos conduzirá para uma terra estranha, e vós nunca mais tornareis a ver com vossos olhos este jardim e esta Montanha Sagrada.

7 “Portanto, ó meus filhos, firmai vossos corações em vós mesmos e guardai o manda-mento de Deus que está convosco. E quando partirdes desta Montanha Sagrada, para uma terra estranha que não conheceis, levai convosco o corpo de nosso pai Adão e com ele estes três presentes e oferendas preciosas. a saber, o ouro, o incenso e a mirra; e deposita-os no lugar onde o corpo de nosso pai Adão repousar.

8 “E àquele de vós que restar, ó meus filhos, virá a Palavra de Deus, e quando ele partir desta terra deverá levar consigo o corpo de nosso pai Adão e deverá depositá-lo no centro da terra, o lugar no qual será engendrada a salvação.”

9 Então Noé disse-lhe: “Quem dentre nós é aquele que restará”?

10 E Jared respondeu: “Tu és aquele que restará. E tu deverás retirar o corpo de nosso pai Adão de dentro da caverna e colocá-lo contigo na arca quando o dilúvio chegar.

11 “E teu filho Sem, que sairá de teus quadris, é quem depositará o corpo de nosso pai no centro da Terra, no lugar de onde virá a salvação.”

12 Então Jared dirigiu-se a seu filho Enoque e disse-lhe: “Tu, meu filho, permanece nesta caverna e ministram com diligência ante o corpo de nosso pai Adão todos os dias de tua vida; e instrui teu povo em justiça e inocência”.

13 E Jared acabou de falar. Suas mãos afrouxaram-se. seus olhos fecharam-se, e ele repousou como seus antepassados. Sua morte teve lugar quando Noé tinha trezentos e sessenta anos de idade, e quando ele próprio tinha novecentos e oitenta e nove anos de vida; no décimo segundo dia de Takhsas, numa sexta-feira.

14 Mas, ao morrer, lágrimas jorraram pelo rosto de Jared por causa de sua grande tristeza pelos filhos de Seth que caíram durante seus dias.

15 Então Enoque, Matusalém, Lamec e Noé, estes quatro, prantearam-no, embalsamaram-no cuidadosa-mente, e em seguida deitaram-no na Caverna dos Tesouros. Depois ergueram-se e prantearam-no ainda durante quarenta dias.

16 E quando esses dias de luto terminaram, Enoque, Matusalém, Lamec e Noé permaneceram com a tristeza no coração, porque seu pai os deixara, e eles não mais o viam.

Capítulo 22

1 Mas Enoque guardou o mandamento de Jared seu pai e continuou a ministrar na caverna.

2 E foi a esse Enoque que aconteceram muitas maravilhas, e que também escreveu um célebre livro; mas essas maravilhas não podem ser contadas aqui.

3 Então, após isso, os filhos de Seth desencaminharam-se e caíram, eles, seus filhos e suas esposas. E quando Enoque, Matusalém, Lamec e Noé os viram, seus corações sofreram por causa de sua queda na dúvida cheia de descrença; e eles choraram e buscaram a misericórdia de Deus, para que os protegesse e os retirasse desta geração má.

4 Enoque continuou a ministrar ante o Senhor por trezentos e oitenta e cinco anos, ao findar este período ele soube, pela graça de Deus, que Deus tencionava removê-lo da terra.

5 Ele então disse a seu filho: “O meu filho, eu sei que Deus tencionava trazer águas do dilúvio sobre a terra destruir nossa criação.

6 “E vós sois os último governantes deste povo da montanha; pois eu sei que ninguém vos restará para gerar filhos nesta Montanha Sagrada e nenhum de vós governará os filhos de seu povo; nem restará um grupo grande de vós nesta montanha.”

7 Enoque também disse-lhes: “Vigiai vossa alma mantende-vos em vosso temor a Deus e em vosso serviço a Ele e adorai-O em fé correta e servi-O com justiça, inocência discernimento, em penitência também em pureza”.

8 Quando Enoque terminou seus mandamentos a eles, Deus transportou-o da montanha para a região da vida, as moradas dos justos e dos escolhidos, à morada do Paraíso da alegria, na Luz que alcança céu, Luz que está além da Luz deste mundo; pois é a Luz de Deus que preenche o mundo inteiro, mas que nenhum lugar pode conter.

9 Portanto, porque Enoque estava na Luz de Deus, achou-se fora do alcance da morte; até que Deus decidisse fazê-lo morrer.

10 Ao todo, nenhum de nossos antepassados ou de seus filhos permaneceu naquela Montanha Sagrada, com exceção destes três, Matusalém, Lamec e Noé. Pois todos os outros desceram da montanha e caíram no pecado com os filhos de Caim. Portanto, foi-lhes aquela montanha, e nenhum permaneceu nela salvo aqueles três homens.

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Evangelhos apócrifos – O Primeiro Livro de Adão e Eva

Textos apócrifos, Evangelhos apócrifosEvangelhos Apócrifos – O Primeiro Livro de Adão e Eva

O Conflito de Adão e Eva com Satanás

Capítulo 1

Ao TERCEIRO DIA, Deus plantou o jardim a leste da terra, no extremo leste do mundo, além do qual, em direção ao nascente, não se acha nada além de água, que circunda o mundo inteiro, e alcança os limites do céu.

2 E ao norte do jardim há um mar de água, claro e puro ao paladar, como nada se iguala; de maneira que, através de sua transparência, pode-se olhar para as profundezas da terra.

3 E quando um homem lava-se nela, torna-se limpo por sua limpidez e branco por sua brancura, mesmo que ele estivesse escuro.

4 E Deus criou este mar de Seu próprio agrado, pois Ele sabia o que seria do homem que Ele iria fazer; assim, após deixar o jardim, por causa de sua desobediência, nasceriam homens na terra, dentre os quais morreriam os justos cujas almas Deus faria ressurgir no último dia; quando então voltariam à sua carne, banhar-se-iam na água do mar, e todos se arrependeriam de seus pecados.

5 Mas quando Deus fez Adão sair do jardim, Ele não colocou na fronteira norte, para que não se aproximasse do mar de água, e ele e Eva se lavassem nele, e se tomassem limpos de seus pecados, esquecendo a desobediência cometida.

6 Então, novamente, quando ao lado sul do jardim, não agradava a Deus permitir a Adão lá habitar; pois, quando o vento soprasse do norte, tra-lhe-ia no lado sul, o delicioso aroma daquelas árvores do jardim.

7 Por isso Deus não colocou Adão ali para que não aspirasse o doce aroma daquelas árvores, esquecendo sua desobediência e encontrando alívio ao se deliciar com o aroma das árvores, e assim se limpasse c sua desobediência.

8 Novamente, também porque Deus é misericórdia e de grande piedade, e governa todas as coisas de uma maneira que somente Ele sabe, Ele fez nosso pai Adão habitar na fronteira oeste do jardim, porque daquele lado a terra é muito extensa.

9 E Deus ordenou-lhe que ali habitasse numa caverna dentro da rocha, a Caverna dos Tesouros, abaixo do jardim.

Capítulo 2

1 Mas quando nosso pai Adão e Eva saíram do jardim, palmilharam o chão com seus pés sem saber por onde caminhavam.

2 E quando chegaram à abertura dos portões do jardim e viram a terra vasta estendendo-se diante deles, coberta de pedras grandes e pequenas, e de areia, tiveram medo e tremeram, e prostraram-se com suas faces no chão, acometidos pelo medo; e jaziam como mortos.

3 Porque haviam estado até então na terra do jardim, bela-mente plantada com toda a espécies de árvores, e agora se viam numa terra estranha que não conheciam e nunca tinham visto.

4 E porque naquele tempo eles eram cheios de graça e de uma natureza luminosa, e não tinham o coração voltado para coisas terrenas.

5 Por isso Deus teve piedade deles; e quando Ele os viu caídos defronte ao portão do jardim, enviou Sua Palavra ao pai Adão e a Eva, e ergueu-os de sua prostração.

Capítulo 3

1 Deus disse a Adão: “Eu ordenei os dias e os anos nesta terra, e tu e tua descendência deverão habitar e caminhar nela, até se cumprirem os dias e os anos: então Eu enviarei a Palavra que te criou, e à qual tu desobedeceste. a Palavra que te fez sair do jardim. e que te ergueu quando tu estavas caído.

2 “Sim, a Palavra que te salvará novamente quando os cinco dias e meio estiverem consumados.

3 Mas ao ouvir estas palavras de Deus, acerca dos grandes cinco dias e meio, Adão não entendeu o seu significado.

4 Pois Adão estava pensando que haveria somente cinco dias e meio para ele, até o fim do mundo.

5 E Adão chorou e suplicou a Deus que lhe explicasse isto.

6 Então Deus, em Sua misericórdia por Adão, que fora feito segundo Sua própria imagem e semelhança, explicou-lhe que estes eram cinco mil e quinhentos anos; e como o Um vi-ria para salvá-lo e à sua descendência.

7 Mas Deus fizera antes disso esta aliança com nosso pai Adão, nos mesmos termos, quando ele saiu do jardim e se encontrava junto à árvore da qual Eva tomara do fruto e lho dera a comer.

8 Porquanto, ao sair do jardim, nosso pai Adão passou por aquela árvore e viu como Deus então havia mudado sua aparência para uma outra forma e como ela ressecara.

9 E aproximando-se dela Adão teve medo, tremeu e caiu; mas Deus, em Sua misericórdia, ergueu-o, e então fez esta aliança com ele.

10 E, novamente, quando Adão estava junto ao portão do jardim e viu o querubim, com uma espada de fogo fulgurante na mão, encolerizar-se e fitá-lo com desagrado, tanto ele quanto Eva ficaram com medo dele e pensaram que ele tencionava matá-los. Assim eles prostraram-se e tremeram de medo.

11 Mas ele apiedou-se deles e mostrou-lhes misericórdia; e, voltando-se, subiu ao céu e suplicou ao Senhor, e disse:

12 “Senhor, Vós me enviastes para guardar o portão do jardim com uma espada de fogo.

13 “Mas quando Vossos servos Adão e Eva viram-me, prostraram-se e ficaram como mortos. O meu Senhor, que devemos fazer com Vossos ser-vos?”

14 Então Deus apiedou-se deles e mostrou-lhes misericórdia, e enviou Seu anjo para guardar o jardim.

15 E a Palavra do Senhor veio a Adão e Eva e ergueu-os.

16 E o Senhor disse a Adão: “Eu te disse que ao final dos cinco dias e meio Eu enviaria minha Palavra e salvar-te-ia.

17 “Fortalece pois teu coração, e habita na Caverna dos Tesouros, da qual Eu te falei antes.”

18 E quando Adão ouviu esta Palavra de Deus, ele foi consolado pelo que Deus lhe tinha dito. Pois Ele lhe dissera corno o salvaria.

Capítulo 4

1 Mas Adão e Eva choraram por terem de sair do jardim, a sua primeira habitação.

2 E, certamente, quando Adão olhou para sua carne, que estava alterada, chorou amargamente, ele e Eva, pelo que haviam feito. E eles caminharam e desceram docilmente para a Caverna dos Tesouros.

3 E ao chegarem Adão lamentou-se e disse a Eva: “Olha para esta caverna que será nos,sa prisão neste mundo, é um lugar de castigo!

4 “Que é isto comparado com o jardim? Que é esta estreiteza comparada como o espaço do outro?

5 “Que é esta rocha ao lado destas grutas? Que são as trevas desta caverna comparada à luz do jardim?

6 “Que é esta lápide de rocha suspensa para nos abriga comparada à misericórdia do Senhor que nos acolhia?

7 “Que é o solo desta caverna comparado à terra do jardim? esta terra, coberta de pedras, e aquela plantada cor deliciosas árvores frutíferas?”

8 E Adão disse a Eva: “Olha para teus olhos e para os meus que dantes viam anjos no céu louvando; e eles, também, sem cessar.

9 “Mas agora nós não vemos como víamos: nossos olhos são de carne; não podem ver da mesma maneira como viam antes.”

10 Adão disse novamente a Eva: “Que é nosso corpo hoje comparado ao que era em dia passados, quando habitávamos no jardim”?

11 Após isso, Adão não gostou de ter de entrar na caverna, sob a rocha suspensa, nem entraria nela jamais por vontade própria.

12 Mas curvou-se às ordens de Deus, e disse a si mesmo: “A não ser que eu entre na caverna, serei novamente um desobediente”.

Capítulo 5

1 Então Adão e Eva entraram na caverna e permaneceram em pé orando, em sua própria língua, desconhecida para nós, mas que eles bem conheciam.

2E enquanto oravam, Adão ergueu os olhos e viu acima de sua cabeça a rocha e o teto da caverna que o cobria, de maneira que não podia ver nem o céu nem as criaturas de Deus. Então ele chorou e golpeou pesadamente seu peito até que caiu e ficou como morto.

3 E Eva sentou-se chorando; pois acreditava que ele estivesse morto.

4 Então ela ergueu-se, estendeu suas mãos a Deus, pedindo-lhe misericórdia e piedade, e disse: “O Deus, perdoai-me o meu pecado, o pecado que eu cometi, e não o volteis contra mim.

5 “Pois fui eu quem provocou a queda de Vosso servo, do jardim para este lugar perdido; da luz para esta escuridão; e da morada da alegria para esta prisão.”

6 “Ó Deus, olhai para este Vosso servo assim caído e ressuscitai-o de sua morte, para que ele possa lamentar-se e arrepender-se de sua desobediência cometida através de mim.

7 “Não leveis sua alma desta vez; mas deixai-o viver para que ele possa expiar sua culpa segundo a medida de seu arrependimento, e fazer Vossa vontade, antes de sua morte.

8 “Mas se Vós não o ressuscitardes, então, ó Deus, levai minha própria alma, para que eu esteja com ele; e não me deixeis neste antro só e abandonada, pois eu não suporta-ria ficar só neste mundo, mas com ele somente.

9 “Pois Vós, ó Deus, fizeste cair uma sonolência sobre ele, e tomaste um osso de seu lado, e restauraste a carne em seu lugar, por Vosso poder divino.

10 “E Vós me tomaste, o osso, e me fizeste uma mulher, luminosa como ele, com coração, razão e fala; e de carne como ele mesmo; e Vós me fizeste à semelhança de seu semblante, por Vossa misericórdia e poder.

11 “ah Senhor, eu e ele somos um, e Vós, ó Deus, sois o nosso Criador, Vós sois Aquele que nos fez a ambos no mesmo dia.

12 “Portanto, ó Deus, dai-lhe vida, para que ele possa estar comigo nesta terra estranha, enquanto nós morarmos nela por causa de nossa desobediência.

13 “Mas se Vós não quiserdes dar-lhe vida, então levai a mim, até a mim, como ele; para que nós dois possamos morrer da mesma maneira.”

14 E Eva chorou amargamente, e caiu sobre nosso pai Adão; por causa de sua grande tristeza.

Capítulo 6

1 Mas Deus olhou para eles; pois eles se haviam matado pelo grande pesar.

2 Mas Ele queria ressuscitá-los e consolá-los.

3 Portanto enviou-lhes Sua Palavra a fim de que eles ficassem de pé e fossem ressuscitados imediatamente.

4 E o Senhor disse a Adão e Eva: “Desobedecestes por vossa livre vontade, até que saístes do jardim no qual Eu vos havia colocado.

5 “Por vossa própria e livre vontade desobedecestes por causa de vosso desejo de divindade, grandiosidade e condição sublime, tal qual Eu tenho; assim Eu Vos privei da natureza luminosa na qual estáveis então, e vos fiz sair do jardim para esta terra rude e cheia de sofrimento.”

6 “Se ao menos não tivésseis desobedecido ao Meu mandamento e tivésseis guardado Minha lei, e não tivésseis comido do fruto da árvore, da qual Eu vos disse que não vos aproximásseis. E havia árvores frutíferas no jardim melhores que aquela.”

7 “Mas o maldoso Satã, que não se manteve em sua primitiva condição nem conservou sua fé — nele não havia boa intenção em relação a Mim e, embora Eu o tivesse criado, ainda assim Me desprezou e buscou a divindade, de modo que Eu atirei do céu para baixo –  ele foi quem fez a árvore parece agradável a vossos olhos, até que comestes dela, obedecendo-lhe.

8 “Assim desobedecestes a Meu mandamento, e portanto. Eu fiz cair sobre vós todas essas tristezas.”

9 “Pois Eu sou Deus o Criador, aquele que quando criou as criaturas, não tenciona destruí-las. Mas depois de terem provocado grandemente Minha ira, Eu as puni com  castigos atrozes, para que se arrependessem.”

10 “Mas, se, ao contrário elas ainda se mantiverem firmes em sua desobediência serão amaldiçoadas para sempre.”

Capítulo 7

1 Quando Adão e Eva ouviram estas palavras de Deus choraram e soluçaram ainda mais; mas fortaleceram seu coração em Deus, porque agora sentiam que o Senhor era para eles como um pai e uma mãe, e por esta mesma razão choraram diante dEle, e buscaram sua misericórdia.

2 Então Deus apiedou deles, e disse: “ah Adão, Eu fiz Minha aliança contigo; e não voltarei atrás; nem permitir que retomes ao jardim, até que Minha aliança dos grandes cinco dias e meio se cumpra”.

3 Então Adão disse a Deus. “ah Senhor, Vós nos criastes nos fizestes aptos a estar no jardim; e antes de eu desobedecer, Vós fizestes todas as feras virem até mim, a fim de que eu as nomeasse.”

4 “Vossa graça estava então sobre mim; e eu nomeei a cada uma de acordo com Vosso pensamento; e Vós as fizestes todas submissas a mim.”

5 “Mas, ó Senhor, agora que eu desobedeci ao Vosso mandamento, todas as feras levantar-se-ão contra mim e me devorarão, e a Eva Vossa serva; e eliminarão nossa vida da face da terra.”

6 “Suplico-Vos, portanto, ó Deus, que, desde que Vós nos fizestes sair do jardim e ficar numa terra estranha, não permitais que as feras nos causem mal.”

7 Quando o Senhor ouviu estas palavras de Adão, apiedou-se dele, e sentiu que ele dissera a verdade, que as feras do campo se levantariam e o devorariam, e a Eva, porque Ele, o Senhor, estava irado com os dois por causa de sua desobediência.

8 Então Deus ordenou às feras, e aos pássaros, e a tudo que se move sobre a terra, que viessem a Adão e se afeiçoassem a ele e não o perturbassem, nem a Eva; nem ainda aos bons e justos dentre os de sua posteridade.

9 Então as feras prestaram obediência a Adão, de acordo com o mandamento de Deus; exceto a serpente, com quem Deus estava irado. Esta não veio a Adão, junto com as feras.

Capítulo 8

1 Então Adão chorou e disse: “ó Deus, quando eu morava no jardim, e havia enlevo em nossos corações, víamos os anjos que cantavam louvores no céu, mas agora não os vemos mais; ao entrarmos na caverna, toda a criação ocultou-se de nós”.

2 Então Deus, o Senhor, disse a Adão: “Quando tu eras obediente a Mim, tinhas uma natureza luminosa em ti, e por esta razão podias ver coisas muito distantes. Mas, após tua desobediência, a natureza luminosa foi-te retirada; e não te foi mais permitido ver coisas distantes, mas apenas as bem próximas, aquelas ao alcance de tuas mãos, e segundo a capacidade da carne; pois esta é grosseira”.

3 Após ouvirem estas palavras de Deus, Adão e Eva seguiram seu caminho louvando-O e adorando-O com o coração pesaroso.

4 E Deus interrompeu a comunicação com eles.

Capítulo 9

1 Então Adão e Eva deixaram a Caverna dos Tesouros e aproximaram-se do portão do jardim, e ali pararam a olhar para ele, e choraram por dele terem saído.

2 E Adão e Eva partiram da frente do portão do jardim em direção ao sul, e encontraram ali a água que irrigava o jardim, a água da raiz da Árvore da Vida, e que se dividia em quatro rios que corriam pela terra.

3 Então eles vieram e aproximaram-se desta água e olharam para ela; e viram que era a água que brotava da raiz da Árvore da Vida que estava no jardim.

4 E Adão chorou e gemeu e golpeou seu peito por estar afastado do jardim: e disse a Eva:

5 “E por que tu trouxeste sobre mim, sobre ti mesma e sobre nossa descendência tantos flagelos e castigos”?

6 E Eva disse-lhe: “Que foi que tu viste para chorar e falar-me assim”?

7 E disse ele a Eva: “Não vês esta água que estava conosco no jardim e que irrigava as árvores do jardim, e de lá corria?

8 “E nós, quando estávamos no jardim, não nos importávamos com isto; mas desde que viemos para esta terra estranha, nós a amamos, e faremos uso dela para nosso corpo.”

9 Mas quando Eva ouviu dele essas palavras, chorou; e cheios de dor e gemendo, caíram na água; e ali teriam acabado consigo mesmos, a fim de nunca mais voltar a ver a criação; pois quando eles olharam para a obra da criação, sentiram que deviam pôr um fim a si mesmos.

Capítulo 10

1 Então Deus, misericordioso e benevolente, olhou para eles assim caídos na água tão próximos da morte, e enviou um anjo que os tirou da água, e deitou-os na praia como mortos.

2 Então o anjo subiu até Deus, foi bem-vindo, e disse: “ah Deus, Vossas criaturas deram seu último suspiro”.

3 Então Deus enviou Sua Palavra a Adão e Eva e os ressuscitou de sua morte.

4 E Adão disse, após haver sido ressuscitado: “ó Deus, enquanto estávamos no jardim nem nos importávamos com esta água nem dela necessitávamos; mas desde que viemos para esta terra não podemos passar sem ela”.

5 Então Deus disse a Adão: “Enquanto estavas sob Meu comando e eras um anjo luminoso, não conhecias esta água.

6 “Mas após teres desobedecido ao Meu mandamento não podes passar sem água para lavar teu corpo e fazê-lo crescer; pois este é agora como o das feras, e necessita de água.”

7 Quando Adão e Eva ouviram essas palavras de Deus choraram um choro amargo; Adão suplicou a Deus que lhe permitisse voltar ao jardim e olhar para ele uma vez mais.

8 Mas Deus disse a Adão: “Eu te fiz uma promessa; quando esta promessa for cumprida, Eu te trarei de volta ao jardim, a ti e à tua descendência justa”.

9 E Deus parou de se comunicar com Adão.

Capítulo 11

1 Então Adão e Eva sentiram-se queimando de sede calor e tristeza.

2 E Adão disse a Eva: “Não devemos beber desta água mesmo se morrermos. O Eva quando esta água penetrar em nossas entranhas, aumenta nossos castigos e os de nossos filhos que virão depois de nós”.

3 Adão e Eva abstiveram-se então da água, e não beberam nada; mas caminharam e entraram na Caverna dos Tesouros.

4 Mas uma vez dentro dela Adão não podia ver Eva; ele apenas ouvia o ruído que ela fazia. Nem ela podia ver Adão, mas ouvia o ruído que ele fazia.

5 Então Adão chorou em profundo sofrimento e golpeou seu peito; e erguendo-se disse a Eva: “Onde estás”?

6 E ela lhe disse: “Vê, eu estou nesta escuridão”.

7 Ele então lhe disse: “Recorda-te da natureza luminosa na qual vivíamos enquanto habitávamos no jardim!

8 “O Eva! recorda-te da glória que repousava em nós no jardim. O Eva! recorda-te das árvores que faziam sombra sobre nós no jardim enquanto nos movíamos entre elas.

9 “O Eva! recorda-te de que, enquanto estávamos no jardim, não conhecíamos nem a noite nem o dia. Pensa na Árvore da Vida, de sob a qual brotava a água, e que derramava brilho sobre nós! Recorda-te, ó Eva, da terra do jardim e da sua luminosidade!”

10 “Pensa, oh! pensa neste jardim onde não havia escuridão enquanto morávamos nele.”

11 “Enquanto que, tão logo chegamos a esta Caverna dos Tesouros, a escuridão envolveu-nos; tanto que não mais podemos ver-nos um ao outro; e todo o prazer desta vida chegou a um fim.”

Capítulo 12

1 Então Adão golpeou seu peito, e também Eva, e eles prantearam a noite inteira até a aurora se aproximar, e eles lamentaram suspirando a noite longa em Miyazia.

2 E Adão agrediu-se e jogou-se no chão da caverna, em amargo pesar, e por causa da escuridão, ali permaneceu como morto.

3 Mas Eva ouviu o barulho que ele fez ao cair ao chão. E ela tateou à sua volta procurando-o e encontrou — o como um cadáver.

4 Então ela ficou com medo, sem fala e permaneceu junto dele.

5 Mas o Senhor misericordioso olhou para a morte de Adão e para o silêncio de Eva por causa do medo da escuridão.

6 E a Palavra de Deus chegou a Adão e ressuscitou-o de sua morte, e abriu a boca de Eva para que ela voltasse a falar.

7 Então Adão ergueu-se na caverna e disse: “ah Deus, por que a luz nos deixou e a escuridão nos acometeu? Por que nos deixais nesta longa escuridão? Por que nos quereis assim castigar?

8 “E esta escuridão, ó Senhor, onde estava, antes de nos acometer? Ela é tamanha que não podemos ver um ao outro.”

9 “Pois, enquanto estávamos no jardim, não vimos nem mesmo sabíamos o que é a escuridão. E eu não fiquei oculto de Eva, nem ela ficou oculta de mim, até que agora ela não me pode ver; e nenhuma escuridão nos havia acometido antes, separando-nos um do outro.”

10 “Mas ela e eu estávamos ambos numa única luz brilhante. Eu a via e ela a mim. Mas agora desde que entramos nesta caverna, a escuridão nos envolveu e nos separou, assim que eu não a vejo e ela não me vê a mim.”

11 “ah Senhor, quereis então castigar-nos com esta escuridão?”

Capítulo 13

1 Então, quando Deus, que é misericordioso e cheio de piedade, ouviu a voz de Adão, lhe disse:

2 “ah Adão, enquanto o bom anjo foi obediente a Mim, a luz brilhante repousava nele e em suas hostes.”

3 “Mas quando ele desobedeceu Meu mandamento, Eu o privei dessa natureza luminosa, e ele se tornou opaco.”

4 “E quando ele estava nos céus, nos domínios de luz, ele não conhecia nada da escuridão.”

5 “Mas ele desobedeceu, e Eu o fiz cair do céu para a terra; e foi esta escuridão que lhe sobreveio.”

6 “E sobre ti, ó Adão, enquanto em Meu jardim e obediente a Mim, esta luz brilhante repousou também sobre ti.”

7 “Mas quando Eu soube de tua desobediência, privei-te desta luz brilhante. Ainda assim, por Minha misericórdia não te transformei em escuridão, mas fiz teu corpo de carne, e sobre ele estendi esta pele a fim de que suporte o frio e calor.”

8 “Tivesse Eu permitido Minha ira cair pesadamente sobre ti, serias destruído; e tivesse Eu te transformado em escuridão, seria como se Eu te matasse.”

9 “Mas, em Minha misericórdia, fiz-te como és, quando tu desobedeceste ao meu mandamento, ó Adão, expulsei-te do jardim e te fiz chegar a esta terra; e ordenei-te habitar nesta caverna; e a escuridão caiu sobre ti, como caiu sobre aquele que desobedeceu ao Meu mandamento.”

10 “Neste caso, ó Adão, esta noite te enganou. A noite não há de durar para sempre; mais por doze horas apenas; quando terminar, a luz do dia retornara.”

11 “Não lamentes, portanto, nem te alteres, e não diga em teu coração que esta escuridão é longa e se arrasta devagar; e não digas em teu coração que Eu te estou castigando com isto.”

12 “Fortalece teu coração não e tenhas medo. Esta escuridão não é castigo. Mas, ó Adão Eu fiz o dia e coloquei nele o sol para dar luz, a fim de que tu teus filhos fizésseis o vosso trabalho.”

13 “Pois Eu sabia que tu irias pecar e desobedecer, e vir para esta terra. Ainda assim Eu não te forçaria, nem seria duro contigo, nem te confinaria; nem te condenaria por tua queda; nem por tua saída da luz para a escuridão; nem mesmo por tua saída do jardim para esta terra.”

14 “Pois Eu te fiz de luz; e quis gerar de ti filhos de luz, semelhantes a ti.”

15 “Mas um dia tu não guardaste Meu mandamento; antes que Eu terminasse a criação e abençoasse tudo nela.”

16 “Então Eu te dei um mandamento acerca da árvore, de não comeres dela. Mesmo assim Eu sabia que Satã, que enganou-se a si próprio, também te enganaria.”

17 “Assim Eu te fiz saber, por meio da árvore, que não te aproximasses dele. E Eu te disse para que não comesses do seu fruto, nem dele provasses, nem te sentasses debaixo dela.”

18 “Não tivesse Eu falado a ti, ó Adão, acerca da árvore, e te deixasse sem um aviso, e tu tivesses pecado, teria sido uma maldade de Minha parte não te dar nenhum aviso; tu te volta-rias e Me culparias por isto.”

19 “Mas Eu te dei o mandamento e te preveni, e tu caíste. Assim, Minhas criaturas não Me podem culpar; porém a culpa recai sobre elas somente.”

20 “E, ó Adão, Eu fiz o dia para ti e para teus descendentes que virão depois de ti, para nele trabalharem e labutarem. E Eu fiz a noite para eles descansarem nela do seu trabalho; e para os animais do campo saírem à noite e procurarem seu alimento.”

21 “Porém, é pouca a escuridão que te resta agora, ó Adão; pois a luz do dia logo surgirá.”

Capítulo 14

1 Então Adão disse a Deus: “Ó Senhor, levai minha alma, e não me deixeis mais ver estas trevas; ou levai-me a algum lugar onde não haja escuridão”.

2 Mas Deus o Senhor disse a Adão: “Em verdade Eu te digo, esta escuridão passará por ti todos os dias que determinei para ti até o cumprimento da Minha aliança; quando então Eu te salvarei e te levarei de novo para o jardim, para a morada de luz que tu almejas, onde não há escuridão. Eu o trarei a ele, ao reino do céu”.

3 Novamente Deus disse a Adão: “Toda esta miséria que acarretaste sobre ti por causa da tua desobediência não te libertará das mãos de Satã e ele não te salvará.

4 “Mas Eu, sim, salvar-te-ei. Quando Eu descer do céu e tomar-Me carne da tua descendência, e tomar sobre Mim a enfermidade da qual tu padeces, então a escuridão que caiu sobre ti nesta caverna virá sobre Mim no túmulo, quando Eu estiver na carne da tua descendência.”

5 “E Eu, que sou eterno, estarei sujeito à contagem dos anos, dos tempos, dos meses e dos dias, e serei considerado como um dos filhos dos homens, para te salvar.”

6 E Deus parou de se comunicar com Adão.

Capítulo 15

1 Então Adão e Eva choraram e entristeceram-se por causa das palavras que Deus lhes dissera, que eles não voltariam ao jardim até o cumprimento dos dias decretados para eles; mas principalmente por haver Deus dito que Ele deveria sofrer para salvá-los.

Capítulo 16

1 Depois disso Adão e Eva não pararam de orar e chorar na caverna até que a manhã desceu sobre eles.

2 E ao ver a luz sendo-lhes devolvida, deixaram de ter medo e fortaleceram seus corações.

3 Então Adão começou a sair da caverna. E quando chegou na boca da caverna, parou e voltou sua face em direção do leste, viu o sol levantar-se em raios brilhantes e sentiu o seu calor no seu corpo; teve medo dele e pensou em seu coração que esta chama vinha para castigá-lo.

4 Ele chorou então, e golpeou seu peito, e prostrou-se com a face na terra, e fez seu pedido, dizendo:

5 “ah Senhor, não me castigueis, nem me destruais, nem tireis já minha vida da terra.”

6 Pois ele pensou que o sol era Deus.

7 Já que enquanto estava no jardim e ouvia a voz de Deus e o som que Ele fazia no jardim e O temia, Adão nunca vira a luz brilhante do sol, nem seu calor flamejante tocara seu corpo.

8 Por isso ele ficou com medo do sol quando seus raios ardentes o alcançaram. Ele pensou que com isto Deus tencionava castigá-lo todos os dias decretados para ele.

9 Pois Adão também disse em seus pensamentos: Já que Deus não nos castigou com escuridão, eis que Ele fez es sol nascer para castigar-nos queimando-nos com seu calor.

10 Mas, enquanto ele assim pensava no seu coração, Palavra de Deus veio e lhe disse:

11 “ah Adão, levanta-te põe-te em pé. Pois o sol não é Deus; mas foi criado para iluminar o dia. Foi o que Eu te falei na caverna dizendo que aurora irromperia e haveria luz durante o dia.

12 “Mas Eu sou Deus Aquele que te confortou noite.”

13 E Deus parou de se comunicar com Adão.

Capítulo 17

1 Então Adão e Eva saíram pela boca da caverna e caminharam em direção ao jardim.

2 Mas ao aproximarem-se dele, defronte ao portão oeste do qual viera Satã quando enganou Adão e Eva, encontrara a serpente que se tomara Satã e que tristemente lambia o pó e  se arrastava com seu peito no chão, por causa da maldição Deus.

3 A serpente, que antes tinha sido o mais sublime de todos os animais, agora esta mudada e se tomara escorregadia e o pior de todos eles, e arrastava-se sobre seu peito e andava sobre seu ventre.

4 Considerando que fora o mais belo de todos os animais, mudada, tomou-se o mais feio de todos eles. Em vez de alimentar-se do melhor, agora comia o pó. Em vez de habitar, como antes, os melhores lugares, agora vivia no pó.

5 E, enquanto era o mais belo de todos os animais, todos emudeciam perante sua beleza; agora tomara-se abominável.

6 E, novamente, enquanto ela habitara uma bela morada, todos os outros animais para ali acorriam; e onde bebesse, eles também bebiam; agora, depois de se tomar venenosa pela maldição de Deus, todos os animais fugiam de sua morada, e não bebiam mais da água que ela bebesse; mas fugiam desta.

Capítulo 18

1 Quando a amaldiçoada serpente viu Adão e Eva, inclinou a cabeça, pos-se sobre sua cauda e, com os olhos injetados de sangue, fez menção de matá-los.

2 E avançou diretamente para Eva e lançou-se atrás dela; enquanto Adão, de lado, chorava por não ter uma vara em suas mãos com a qual pudesse golpear a serpente, e não sabia como matá-la.

3 Mas, com o coração ardendo por Eva, Adão aproximou-se da serpente e segurou-a pela cauda; quando então ela se voltou em sua direção e disse:

4 “ó Adão, por causa de ti e de Eva eu sou escorrega-dia e ando sobre meu ventre.” Então, sendo grande sua força, derrubou Adão e Eva e os esmagou, com intenção de matá-los.

5 Mas Deus mandou um anjo que lançou a serpente para longe deles e os ergueu.

6 Então a Palavra de Deus veio à serpente, dizendo: “Da primeira vez Eu te fiz loquaz e te fiz andar sobre teu ventre; mas Eu não te havia privado da fala.

7 “Agora, entretanto, sê muda; e não mais falarás, tu e tua raça; porque da primeira vez a ruína das minhas criaturas aconteceu através de ti, e agora tu querias matá-las.”

8 Então a serpente emudeceu, e não mais falou.

9 E soprou um vento do céu por ordem de Deus e carregou a serpente para longe de Adão e Eva, jogando-a na beira do mar, e ela foi parar na Índia.

Capítulo 19

1 Mas Adão e Eva choraram perante Deus. E Adão disse-Lhe:

2 “ó Senhor, quando eu estava na caverna Vos disse, meu Senhor, que os animais do campo se levantariam e me devora-riam, e eliminariam minha vida na terra.”

3 Então Adão, por causa do que lhe havia acontecido, golpeou seu peito e prostrou-se em terra como um cadáver; então sobreveio a Palavra de Deus que o ergueu e disse-lhe:

4 “ó Adão, nenhum desses animais poderá ferir-te porque quando Eu fiz estes animais e outras coisas moventes virem até ti na caverna, não permiti à serpente vir com eles, para que não se levantasse contra vós e vos fizesse tremer; e o medo que sentiríeis penetrasse em vossos corações.”

5 “Pois Eu sabia que esta amaldiçoada é maldosa; por isso Eu não lhe permiti chegar perto de vós com os outros animais.”

6 “Mas agora fortalece teu coração e não tenhas medo.

Eu estou contigo até o fim dos dias que determinei para ti.”

Capítulo 20

1 Então Adão chorou e disse: “ó Deus, levai-nos para algum outro lugar, onde a serpente não possa novamente aproximar-se e levantar-se contra nós. Para que não encontre Vossa criada Eva sozinha e a mate, pois seus olhos são medonhos e maus”.

2 Mas Deus disse a Adão e Eva: “Daqui por diante não tenhais medo, não permitirei que ela se aproxime de vós; Eu a afastei de vós, dessa montanha; nem permitirei que ela de modo algum vos machuque”.

3 Então Adão e Eva adoraram a Deus e deram-lhe graças e louvaram-no por livrá-los da morte.

Capítulo 21

1 Então Adão e Eva puseram-se à procura do jardim.

2 E o calor fustigava-os como chamas em seus rostos e eles suavam de calor e choravam perante o Senhor.

3 Mas o lugar onde eles choravam estava junto a uma montanha alta, defronte ao portão oeste do jardim.

4 Então Adão lançou-se do topo dessa montanha; sua face ficou dilacerada e também sua carne; muito sangue escorria dele, e ele estava próximo da morte.

5 Enquanto isso, Eva permaneceu na montanha chorando por ele que assim jazia.

6 E ela disse: “Eu não desejo viver após ele; pois tudo que ele fez a si mesmo foi por minha causa”.

7 Então ela lançou-se atrás dele e foi dilacerada e retalhada pelas pedras; e jazia como morta.

8 Mas Deus, o misericordioso, que cuida das Suas criaturas, olhou para Adão e Eva mortos, e enviou-lhes Sua Palavra e ressuscitou-os.

9 E disse a Adão: “ó Adão toda essa miséria que forjaste para ti mesmo não será eficaz contra Minha regra, nem alterara a aliança dos cinco mil e quinhentos anos.”

Capítulo 22

1 Então Adão disse a Deus: “Eu definho no calor; estou enfraquecido de andar e sinto aversão a este mundo. E não sei quando quereis retirar-me daqui para descansar”.

2 Então o Senhor Deus lhe disse: “ó Adão, isto não é possível no momento, não até que tu termines teus dias. Então Eu te retirarei dessa terra vil”.

3 E Adão disse a Deus: “Enquanto eu estava no jardim, não conhecia nem o calor, nem a fraqueza, nem tinha de me mover de lá para cá, nem sentia tremor, nem medo; mas agora, desde que vim para esta terra, aconteceu-me toda esta miséria.

4 Então Deus disse a Adão: “Enquanto tu guardaste Meu mandamento, Minha luz e Minha graça estavam sobre ti. Mas, ao desobedecer ao Meu mandamento, a tristeza e a miséria acometeram-te nesta terra.”

5 E Adão chorou e disse: “O Senhor, não me abandoneis por isso, nem me golpeeis com pesados castigos, nem ainda me retribuais de acordo com meu pecado; pois nós, de nossa própria vontade, desobedecemos ao Vosso mandamento, e abandonamos Vossa lei, e buscamos tornar-nos deuses como Vós, quando Satã o inimigo nos enganou”.

6 Então Deus disse nova-mente a Adão: “Por teres trazido a esta terra medo e tremor, fraqueza e sofrimento trilhando e vagando por ela, e por teres subido esta montanha e de lá caído para morrer, tudo isso Eu tomarei sobre Mim mesmo para te salvar”.

Capítulo 23

1 Então Adão chorou mais e disse: “O Deus, tende piedade de mim por tomar sobre Vós o que eu fizer”.

2 Mas Deus retirou Sua Palavra de Adão e Eva.

3 Então Adão e Eva puseram-se de pé; e Adão disse a Eva: “Cinge-te, e eu também me cingirei.” E ela cingiu-se, conforme Adão mandara.

4 Então Adão e Eva tomaram de pedras e as dispuseram em forma de altar; e colheram folhas das árvores fora do jardim, com a quais limparam as manchas de sangue que haviam derramado nas pedias.

5 Mas o sangue que caiu na areia, eles o recolheram junto com o pó no qual estava misturado e ofereceram-no sobre o altar em oferenda a Deus.

6 Então Adão e Eva postaram-se sob o altar e choraram, suplicando a Deus da seguinte maneira: “Perdoai-nos nossa desobediência e nosso pecado, e olhai-nos com Vossos olhos de misericórdia. Pois quando está-vamos no jardim nossos louvores e nossos hinos se elevavam a Vós sem cessar.

7 “Mas ao chegarmos a esta terra estranha, o louvor puro não era mais nosso, nem a prece virtuosa, nem corações compreensivos, nem pensamentos doces, nem conselhos justos, nem discernimento profundo, nem sentimentos sinceros, nem nos restava nossa natureza luminosa. Mas nosso corpo está transformado, não se assemelha mais ao de antes.

8 “Ainda assim, olhai para o nosso sangue, agora oferecido sobre estas pedras, e aceitai  o de nossas mãos como o louvor que costumávamos cantar a Vós antes, no jardim.”

9 E Adão começou a fazer mais pedidos a Deus.

Capítulo 24

1 Então, Deus o misericordioso, bom e que ama os homens, olhou para Adão e Eva e para o seu sangue que Lhe haviam dado em oferenda; sem ordem dele para assim proceder. Mas Ele os admirou; e aceitou suas oferendas.

2 E Deus enviou de Sua presença um fogo brilhante, que consumiu a oferenda.

3 Ele sentiu o doce aroma da oferenda e teve misericórdia.

4 Então a Palavra de Deus veio a Adão e disse-lhe: “O Adão, assim como tu derramaste teu sangue, Eu derramarei Meu próprio sangue quando tomar-me carne de tua descendência, e assim com tu morreste, Ó Adão, também morrerei. E assim como tu construíste um altar, também eu farei para ti um altar na terra; e assim como tu ofereceste teu sangue sobre o altar, Eu também farei de Meu sangue o perdão dos pecados, e apagarei nele as desobediências.

6 “E agora, vê, aceitei tua oferenda, 0 Adão, mas os dias da Aliança que Eu determinei para ti não estão cumpridos. Quando estiverem consumados, então Eu te trarei de volta ao jardim.”

7 “Agora, portanto, fortalece teu coração, e quando a tristeza vier sobre ti, faze-Me uma oferenda, e Eu serei favorável a ti.”

Capítulo 25

1 Mas Deus sabia o que Adão guardava em seus pensamentos, que ele deveria matar-se várias vezes e fazer-Lhe uma oferenda de seu sangue.

2 Por isso Ele lhe disse: Ó Adão, não te mates novamente como o fizeste, lançando-te da montanha”.

3 Mas Adão disse a Deus: “Eu tinha a intenção de acabar comigo mesmo completamente por ter desobedecido ao Vosso mandamento, e por ter saído do belo jardim; e pela luz brilhante da qual Vós me privastes, e pelos louvores que jorravam de minha boca sem cessar, e pela luz que me cobria.

4 “Agora, por Vossa bondade, ó Deus, não me abandone completamente; mas sede benévolo comigo toda vez que eu morrer, e trazei-me de volta vida.”

5 “E através disso saber-se-á que Vós sois um Deus misericordioso, que não quereis que alguém pereça; que não gostais que alguém caia; e que não condenais ninguém cruelmente, perversamente à destruição total.”

6 Então Adão permaneceu em silêncio.

7 E a Palavra de Deus veio-lhe e abençoou-o e confortou-o, e prometeu-lhe que o salvaria no fim dos dias determinado para ele.

8 Esta, então, foi a primeira oferenda que Adão fez a Deus; e assim fez disso um habito.

Capítulo 26

1 Então Adão tomou Eva, e puseram-se no caminho de volta à Caverna dos Tesouros onde moravam. Mas ao aproximarem-se e a virem de longe, uma pesada tristeza tomou conta de Adão e Eva quando para ela olharam.

2 Então Adão disse a Eva: “Quando estávamos na montanha, fomos confortados pela Palavra de Deus que conversou conosco; e a luz que vinha do leste iluminou-nos.

3 “Mas agora a Palavra de Deus ocultou-se de nós, e a luz que nos iluminava está tão mudada como se estivesse prestes a desaparecer e permitir que a escuridão e a tristeza caiam sobre nós.”

4 “E somos forçados a entrar nesta caverna que parece prisão, onde a escuridão nos envolve de maneira que ficamos separados um do outro; e tu não me podes ver, nem eu te posso ver.

5 Depois de dizer Adão estas palavras, ele choraram e estenderam as mãos a Deus; pois estavam cheios de tristeza.

6 E suplicaram a Deus que lhes trouxesse o sol para iluminá-los, para que a escuridão não tomasse a envolvê-los e para que não fossem novamente para debaixo daquela cobertura de rocha. Eles preferiam morrer a ver a escuridão.

7 Então Deus olhou para Adão e Eva e considerou sua enorme tristeza e considerou tudo que eles haviam feito como coração ardente por causa do sofrimento presente, em vez de seu bem estar anterior, e por causa de toda a miséria que lhes acontecera numa terra estranha.

8 Por isso Deus não estava irado com eles; nem impaciente com eles, mas Ele estava paciencioso e indulgente para com eles, pois eram os filhos que Ele criara.

9 Então a Palavra de Deus chegou a Adão, dizendo: “Adão, quanto ao sol, se Eu não o houvesse trazido a ti, os dias, horas, anos e meses perderiam sua validade, e a Aliança que eu fiz contigo jamais se cumpriria.

10 “Neste caso serias abandonado e submetido a um longo flagelo, e ficarias para sempre sem alguma salvação.”

11 “Sim, é melhor que conduzas tua alma por longo tempo e com serenidade, enquanto suportas a noite e o dia; até que os dias se cumpram e chegue o tempo da Minha promessa.”

12 “Então Eu virei e te salvarei, ó Adão, pois Eu não desejo que tu permaneças no sofrimento.”

13 “E Eu, ao olhar para todas as coisas boas nas quais viveste, e porque saíste delas, de boa vontade mostrar-te-ia misericórdia.”

14 “Mas Eu não posso alterar a Aliança que saiu de Minha boca; do contrário Eu te traria de volta ao jardim.”

15 “Quando, no entanto, a Aliança for cumprida, então Eu terei misericórdia para contigo para com tua descendência, e trar-te-ei para uma terra de alegria onde não há tristeza nem sofrimento, mas felicidade e louvores que nunca cessam; e um belo jardim que nunca passará.”

16 E Deus disse novamente a Adão: “Sê paciente e entra na caverna, pois a escuridão da qual tinhas medo durará apenas 12 horas, e quando terminar, a luz ressurgirá”.

17 Então, após ouvir de Deus estas palavras, Adão e Eva adoraram-no, e seus corações consolaram-se. Eles voltaram para caverna, segundo seu hábito, enquanto lágrimas corriam de seus olhos, tristeza e lamentações vinham do coração e eles desejavam ardentemente que a alma lhes deixasse o corpo.

18 E Adão e Eva permaneceram orando até que a escuridão da noite desceu sobre eles,  Adão ficou oculto de Eva, e ela dele.

Capítulo 27

1 Quando Satã, aquele que odeia tudo o que é bom, viu como eles continuavam em oração, e como Deus se comunicava com eles e os consolava, e como Ele aceitara sua oferenda, Satã criou uma visão.

2 Ele iniciou transformando suas hostes; em suas próprias mãos havia um fogo flamejante, e eles estavam envoltos em uma grande luz.

3 Em seguida, colocou seu trono próximo à boca da caverna, pois não podia entrar nela por causa das orações que proferiam. E lançou luz para dentro da caverna, até que a caverna reluziu sobre Adão e Eva; enquanto isso, suas hostes começavam a cantar louvores.

4 E Satã fez isto para que quando Adão visse a luz, pensasse consigo mesmo que era uma luz celeste, e que as hostes de Satã eram anjos; e que Deus os enviara para guardar a caverna e dar-lhes luz na escuridão.

5 Assim, quando Adão saísse da caverna e os visse, e Adão e Eva reverenciassem a Satã, então ele dominaria Adão e            humilha-lo-ia pela segunda vez diante de Deus.

6 Quando, portanto, Adão  e Eva viram a luz, imaginando que fosse real, fortaleceram seus corações; no entanto como estavam trêmulos, Adão disse a Eva:

7 “Olha para aquela grande luz e ouve aquelas muitas canções de louvor, olha para aquelas hostes paradas lá fora que não entram e nem vêm até nós, eles não nos contam o que dizem ou de onde vêm, ou qual é o significado dessa luz; nem o que são aqueles louvores; para que foram eles enviados aqui, e por que não entram?”

8 “Se eles fossem de Deus viriam a nós na caverna e nos contariam a que vieram.”

9 Em seguida Adão colocou-se de pé e orou a Deus com o coração ardente, e disse:

10 “ah Senhor, há no mundo um outro deus além de vós que teria criado anjos enchendo-os de luz e enviando-os a nós para nos guardar, e que viria junto com eles?”

11 “Pois eis que vemos estas hostes que se postam à boca da caverna; eles estão em grande luz; eles cantam altos louvores. Se eles são de algum outro deus que não Vós, dizei-me; e se eles são enviados por Vós, dizei-me a razão pela qual os enviastes.”

12 Tão logo Adão disse essas palavras, um anjo de Deus apareceu-lhe na caverna e disse-lhe: “ah Adão, não tenhas medo. Este é Satã com suas hostes; ele deseja enganar-vos como vos enganou antes. Da primeira vez, ele escondeu-se na serpente; mas desta vez ele veio a vós na semelhança de um anjo de luz para que, quando o adorásseis, ele pudesse subjugar-vos bem na presença de Deus”.

13 Em seguida o anjo afastou-se de Adão, agarrou Satã e o despojou do disfarce que assumira, e levou-o em sua verdadeira forma, horrenda, a Adão e Eva, que ficaram com muito medo ao vê-lo.

14 E o anjo disse a Adão: “Esta forma horrenda tem sido dele desde que Deus o fez cair do céu. Ele não poderia aproximar-se de vós assim; por isto é que ele se transformou num anjo de luz”.

15 Em seguida o anjo expulsou Satã e suas hostes para longe de Adão e Eva, e disse-lhes: “Não temais; Deus, que vos criou, vos fortalecerá”.

16 E o anjo partiu.

17 Mas Adão e Eva permaneceram em pé na caverna; não lhes veio nenhum consolo; eles estavam divididos em seus pensamentos.

18 E quando amanheceu, disseram suas preces; e em seguida saíram em busca do jardim. Pois seus corações ansiavam por ele, e não conseguiam conformar-se com deixá-lo.

Capítulo 28

1 Mas quando o voluntarioso Satã viu-os a caminho do jardim, reuniu suas hostes e apareceu sobre uma nuvem, como uma visão, com o intuito de enganá-los.

2 Mas quando Adão e Eva deram com ele assim, como numa visão, pensaram que fossem anjos de Deus vindos para consolá-los por terem deixado o jardim, ou levá-los de volta para lá.

3 E Adão estendeu suas mãos para Deus, implorando-Lhe que o fizesse compreender quem eram eles.

4 Então Satã, aquele que odeia tudo o que é bom, disse a Adão: “O Adão, eu sou um anjo do grande Deus; e vê as hostes que me rodeiam.

5 “Deus enviou-me e a eles para pegar-te e levar-te à fronteira norte do jardim; à praia do mar límpido e nele banhar-te e a Eva, e elevar-vos à vossa alegria anterior, para que retorneis novamente ao jardim.”

6 Estas palavras calaram fundo no coração de Adão e Eva.

7 Ainda assim Deus negou Sua Palavra a Adão, e não o fez compreender imediatamente, mas esperou para testar sua força; se ele seria derrotado como Eva o fora no jardim, ou se ele resistiria.

8 Então Satã dirigiu-se a Adão e Eva e disse: “Eis que vamos ao mar de água”, e puseram-se a caminho.

9 E Adão e Eva seguiram-nos a uma pequena distância.

10 Mas quando chegaram à montanha ao norte do jardim, uma montanha muito alta, sem degraus para chegar ao topo, o Demônio acercou-se de Adão e Eva e fê-los subir ao topo, de fato, e não numa visão; desejando, com isso, jogá-los lá de cima e matá-los, e apagar da terra seus nomes; de maneira que esta terra ficasse apenas para ele e suas hostes.

Capítulo 29

1 Mas quando Deus o misericordioso viu que Satã desejava matar Adão com suas diversas artimanhas, e viu que Adão estava dócil e sem malícia, Deus falou com Satã em voz alta e o amaldiçoou.

2 Então ele e suas hostes fugiram, e Adão e Eva permaneceram em pé no cume da montanha, de onde eles viram, lá em baixo, o grande mundo, bem acima do qual estavam. Porém as hostes que havia pouco estiveram a seu lado, desapareceram.

3 Eles choraram, os dois, Adão e Eva, perante Deus, e suplicaram Seu perdão.

4 Em seguida veio a Palavra de Deus a Adão dizendo “Compreende a respeito deste Satã, pois ele procura engana-te e a teus descendentes que virão”.

5 E Adão chorou diante de Deus e suplicou e implorou que Ele lhe desse alguma coisa do jardim, como uma pequena lembrança, para servir-lhe de consolo.

6 E Deus olhou para o pensamento de Adão e enviou anjo Miguel ao mar que se estende até a Índia, para dali pegar bastões de ouro e trazê-los a Adão.

7 Isto fez Deus em Sua sabedoria, para que estes bastões de ouro, estando com Adão na caverna, iluminassem a noite a sua volta e eliminassem o seu medo da escuridão.

8 Em seguida o anjo Miguel desceu por ordem de Deus, pegou os bastões de ouro, como Deus lhe ordenara, e levou-os para Deus.

Capítulo 30

1 Depois dessas coisas Deus ordenou ao anjo Gabriel para descer ao jardim e dizer ao querubim que o guardava, “Ouve, Deus mandou-me entrar no jardim e pegar incenso perfumado para dá-lo Adão”.

2 Então o anjo Gabriel desceu por ordem de Deus ao jardim, e falou ao querubim conforme Deus mandara.

3 O querubim então disse: “Muito bem”. E Gabriel entrou e pegou o incenso.

4 Então Deus mandou Seu anjo Rafael descer ao jardim e tratar com o querubim sobre um pouco de mirra para dá-la a Adão.

5 E o anjo Rafael desceu e disse ao querubim conforme Deus mandara, e o querubim disse: “Bem”. Então Rafael entrou e pegou a mirra.

6 Os bastões de ouro provinham do mar da Índia, onde há pedras preciosas. O incenso provinha da fronteira leste do jardim; e a mirra da fronteira oeste, de onde viera a amargura de Adão.

7 E os anjos trouxeram estas três coisas a Deus, junto da Árvore da Vida, no jardim.

8 Então Deus disse aos anjos: “Mergulhai-os na fonte de água; em seguida levai-os e borrifar Adão e Eva com esta água, para que eles tenham um pouco de consolo em sua tristeza, e dai-os a Adão e Eva”.

9 E os anjos fizeram como Deus lhes ordenara, e deram todas aquelas coisas a Adão e Eva no cume da montanha sobre a qual Satã os havia colocado, quando tentou eliminá-los.

10 E ao ver os bastões de ouro, o incenso e a mirra, Adão rejubilou-se e chorou, pois pensou que o ouro fosse uma lembrança do reino de onde ele viera, que o incenso fosse uma lembrança da luz brilhante que lhe fora tomada e que a mirra fosse um símbolo da tristeza em que se encontrava.

Capítulo 31

1 Depois dessas coisas. Deus disse a Adão: “Tu Me pediste algo do jardim para consolar-te, e Eu te dei estas três prendas para teu consolo; para que tu confies em Mim e em Minha Aliança feita contigo.

2 “Pois Eu virei e salvar-te-ei; e reis trarão para Mim, quando vestido de carne, ouro, incenso e mirra; ouro como sinal do Meu reino; incenso como sinal de Minha natureza divina; e mirra como símbolo de Meu sofrimento e de Minha morte.”

3 “Mas, ó Adão, coloca tudo junto de ti na caverna; o ouro, para que possa lançar luz sobre ti à noite; o incenso, para que sintas seu doce perfume; e a mirra, para confortar-te em tua tristeza.”

4 Depois de Adão ouvir estas palavras de Deus, ele O adoro-ri. Ele e Eva O adoraram e agradeceram-Lhe, porque Ele os tinha tratado misericordiosamente.

5 Em seguida Deus ordenou que os três anjos, Miguel, Gabriel e Rafael, entregassem a Adão o que cada um fora buscar. E eles assim o fizeram, um a um.

6 E Deus mandou que Suriel e Salatiel carregassem Adão e Eva para baixo do cume da montanha alta, e os levassem para a Caverna dos Tesouros.

7 Lá chegando, colocaram o ouro no lado sul da caverna, o incenso no lado leste e a mirra no lado oeste. Pois a boca da caverna estava no lado norte.

8 Os anjos então confortaram Adão e Eva, e partiram.

9 Eram setenta bastões de ouro, doze libras de incenso e três libras de mirra.

10 Tudo permaneceu com Adão na Casa dos Tesouros; é por isso que foi chamada “de esconderijo”. Mas outros intérpretes afirmam que era chamada “Caverna dos Tesouros” por causa dos corpos de homens justos que lá estavam.

11 Estas três coisas Deus deu a Adão ao terceiro dia após a saída do jardim, em lembrança dos três dias que o Senhor permaneceria no coração da terra.

12 E estas três coisas, como continuaram com Adão na caverna, davam-lhe luz à noite; e de dia davam-lhe um pouco de alívio a sua tristeza.

Capítulo 32

1 E Adão e Eva permaneceram na Caverna dos Tesouros até o sétimo dia; eles não comeram do fruto da terra, nem beberam da água.

2 E quando alvoreceu no oitavo dia, Adão disse a Eva: “O Eva, nós oramos para Deus nos dar alguma coisa do jardim, e Ele enviou Seus anjos que nos trouxeram o que tínhamos desejado.

3 “Mas agora, levanta-te, vamos até o mar de água que vimos antes, e vamos permanecer em pé nele, pedindo que Deus seja de novo benevolente conosco e nos leve de volta ao jardim: ou nos dê algo; ou que Ele nos dê consolo em alguma outra terra que não essa onde estamos.”

4 Em seguida Adão e Eva saíram da caverna, foram e ficaram em pé na beira do mar no qual eles se tinham lançado antes, e Adão disse a Eva:

5 “Vem, entra neste lugar e não saias daqui antes de terminarem trinta dias, quando eu virei a ti. E ora a Deus com o coração ardente e com voz doce para que nos perdoe.”

6 “E eu irei a um outro lugar, e entrarei nele, e farei com tu.”

7 Em seguida Eva entrou na água, como Adão lhe ordenara. Adão também entrou na água; e eles ficaram em pé orando; e suplicaram a Deus que lhes perdoasse sua ofensa, e que os restituísse ao estado anterior.

8 E assim eles permaneceram em pé, orando, até o final de trinta e cinco dias.

Capítulo 33

1 Mas Satã, aquele que odeia tudo o que é bom, procurou por eles na caverna, mas. não os encontrou. apesar de buscá-los diligentemente.

2 Mas encontrou-os em pé na água, orando, e pensou consigo mesmo: “Adão e Eva estão assim em pé naquela água suplicando a Deus que lhes perdoe a desobediência e os restitua a seu estado primeiro, e para que Ele os livre de minhas mãos.

3 “Mas eu os enganarei e para que saiam da água e não cumpram o seu voto.”

4 Em seguida, aquele que odeia tudo o que é bom não se dirigiu a Adão, mas a Eva, e tomou a forma de um anjo de Deus, louvando e rejubilando, e disse-lhe:

5 “A paz esteja contigo! Alegra-te e rejubila-te Deus é benevolente conosco, e Ele me enviou a Adão. Eu lhe trouxe as boas novas da salvação e de seu preenchimento com a luz fulgurante de antes.”

6 “E Adão, alegre com sua restauração, enviou-me a ti para que tu venhas a mim, para que eu te coroe de luz assim como a ele.

7 “E ele me disse: Fala com Eva; se ela não vier contigo, lembra-a do sinal de quando estávamos no cume da montanha; como Deus enviou Seus anjos que nos pegaram e nos levaram para a Caverna dos Tesouros, e colocaram o ouro no lado sul; o incenso no lado leste; e a mirra no lado oeste’. Vem até ele agora.”

8 Ao ouvir estas palavras, Eva rejubilou-se muito. E, pensando que a visão de Satã fosse real, saiu do mar.

9 Ele foi na frente, e ela o seguiu até que chegaram a Adão. Então Satã escondeu-se dela, e ela não mais o viu.

10 Ela então foi e parou diante de Adão que estava em pé na água, rejubilando-se no perdão de Deus.

11 E quando ela o chamou, ele voltou-se, viu-a ali e chorou e golpeou seu peito; e, amargurado de tristeza, afundou na água.

12 Mas Deus olhou para ele e para sua miséria e para a iminência de ele dar seu último suspiro. E a Palavra de Deus veio do céu e disse-lhe: “Sobe pela margem alta até Eva. E, ao chegar junto dela, dize-lhe: ‘Quem te disse vem aqui’?”

13 Então ela relatou-lhe as palavras do anjo que lhe aparecera e lhe dera um sinal.

14 Mas Adão entristeceu-se e fê-la saber que aquele era Satã. Ele então a tomou pelas mãos, e ambos voltaram à caverna.

15 Estas coisas aconteceram-lhes na segunda vez em que desceram até a água, sete dias depois de saírem do jardim.

16 Eles jejuaram dentro da água por trinta e cinco dias; ao todo eram quarenta e dois dias desde que havia deixado o jardim.

Capítulo 34

1 E na manhã do quadragésimo terceiro dia, eles saíram da caverna, tristes e chorosos. Seus corpos estavam enfraquecidos e ressequidos de fome e sede, de jejuar e orar, e de sua pesada tristeza por causa de sua desobediência.

2 E depois de saírem da caverna, subiram a montanha a oeste do jardim.

3 Ali pararam e oraram e suplicaram a Deus que lhes concedesse o perdão de seus pecados”

4 E, após suas orações, Adão se pôs a rogar a Deus dizendo: “O meu Senhor, meu Deus e meu Criador, Vós mandastes que se juntassem os quatro elementos, e eles foram reunidos por Vossa ordem.

5 “Em seguida abristes Vossa mão e me criastes a partir de um elemento, o pó da terra; e me trouxestes para o jardim à terceira hora, numa sexta-feira, e me informastes disso na caverna.”

6 “Naquele tempo, no início, eu não conhecia nem a noite nem o dia, pois eu tinha uma natureza luminosa, e a luz na qual eu vivia nunca me deixou para que eu conhecesse a noite ou o dia.”

7 “Naquele tempo, novamente, ó Senhor, naquela terceira hora quando me criastes, trouxestes a mim todas as feras, e os leões, e os avestruzes, as aves do ar, e todas as coisas que se movem na terra, que criastes na primeira hora antes de mim na sexta-feira.”

8 “E foi de Vossa vontade que Eu nomeasse a todos, um por um, com um nome apropriado. Mas Vós me deste entendimento e sabedoria, e um coração puro e um discernimento justo vindo de Vós, para que eu os nomeasse segundo Vosso próprio discernimento considerando a nomeação deles.”

9 “ah Deus, Vós os fiz estes obedientes a mim e ordenastes que nenhum deles se desgarrasse de meu controle, de acordo com Vosso mandamento, e com o domínio que me destes sobre eles. Mas agora eles estão afastados de mim.”

10 “Então aconteceu aquela terceira hora da sexta-feira, na qual me criastes, e me destes o mandamento referente árvore, da qual eu não me deveria aproximar, nem comer de seus frutos, pois Vós me dissestes no jardim: Quando comeres da árvore, da morte morrerás’.

11 “E se tivésseis me punido com a morte como o dissestes, eu deveria ter morrido naquele mesmo instante.”

12 “Além do mais, quando me destes a ordem relativa à árvore, que eu não deveria nem me aproximar dela nem dela comer, Eva não estava comigo: ainda não a tínheis criado nem a tirado ainda do meu lado; mais, nem ouvira esta ordem de Vós.”

13 “Em seguida, ao fim da terceira hora naquela sexta-feira, ó Senhor, provocastes uma sonolência e um sono caiu sobre mim e eu dormi, e fique dominado pelo sono.”

14 “Depois, tirastes um costela do meu lado e a criaste segundo Vossa própria imagem e semelhança. Então eu acordei; e quando a vi e soube quem era ela, eu disse: Isso é osso do meus ossos, e carne de minha carne; daqui por diante ela ser chamada mulher’.”

15 “Foi de Vossa boa vontade, ó Deus, que veio a sonolência e o sono que recaíram sobre mim; e imediatamente tiraste Eva do meu lado, até que ela estava fora, assim que eu não vi como ela foi feita; nem puc testemunhar, ó meu Senhor são sublimes e grandiosas são Vossa bondade e glória.”

16 “E por Vossa boa vontade, ó Senhor, nos destes a ambos corpos de uma natureza luminosa, e nos fizestes os dois, um; e nos destes Vossa graça e nos cumulastes de louvores do Espírito Santo; e não deveríamos estar nem famintos nem sedentos, nem conhecer o que é a tristeza, nem ainda a fraqueza de coração; nem o sofrimento, o jejum, ou a exaustão.”

17 “Mas agora, ó Deus, desde que desobedecemos Vosso mandamento e quebramos Vossa lei, Vós nos levastes para uma terra estranha e permitistes que o sofrimento e a fraqueza, a fome e a sede nos acometessem.”

18 “Agora, portanto, ó Deus, suplicamos a Vós, dai-nos algo de comer do jardim, para satisfazer nossa fome, e algo para matar nossa sede.”

19 “Pois, vede, por muitos dias, ó Deus, não provamos nada nem bebemos nada, e nossa carne está ressecada, e nossa força está esgotada e o sono abandonou nossos olhos por causa da fraqueza e do choro.”

20 “Então, ó Deus, não ousamos colher nenhum dos frutos das árvores, por temer-vos. Pois quando O desobedecemos antes, nos poupastes e não nos fizestes morrer.”

21 “Mas agora, pensamos em nosso coração, se comermos dos frutos das árvores sem a ordem de Deus, Ele nos destruirá dessa vez e nos eliminará da face da terra.”

22 “E se bebermos dessa água, sem a ordem de Deus, Ele nos porá um fim e nos erradicará imediatamente.”

23 “Portanto, ó Deus, agora que eu venho a este lugar com Eva, suplicamos que nos deis do fruto do jardim, para que possamos saciar-nos com ele.”

24 “Pois desejamos o fruto que está na terra e tudo o mais que nos falta.”

Capítulo 35

1 Então Deus olhou novamente para Adão e para seu pranto e seus gemidos, e a Palavra de Deus veio-lhe e lhe disse:

2 “O Adão, quando estavas no meu jardim não conhecias nem o comer nem o beber; nem a fraqueza nem o sofrimento, nem a magreza da carne, nem a mudança; nem o sono abandonava teus olhos. Mas desde que desobedeceste e vieste para esta terra estranha, todas estas provações têm acontecido a ti.”

Capítulo 36

1 Então Deus ordenou ao querubim, que guardava o portão do jardim com uma espada de fogo na mão, que buscasse alguns frutos da figueira e os desse a Adão.

2 O querubim obedeceu à ordem do Senhor Deus e foi ao jardim e trouxe dois figos e dois galhos, cada figo com sua folha; estes provinham de duas das árvores entre as quais Adão e Eva se haviam escondido quando Deus fora andar no jardim,e a Palavra de Deus viera a Adão e Eva dizendo-lhes: “Adão, Adão, onde estás”?

3 E Adão respondera: “ó Deus, aqui estou. Quando eu ouvi Vosso som e Vossa voz, eu me escondi, pois estou nu”.

4 Então o querubim tomou dois figos e trouxe-os a Adão e Eva. Mas lançou-os para eles de longe; pois eles não podiam aproximar-se do querubim por causa de sua carne, que não podia aproximar-se do fogo.

5 Antes, os anjos tremiam na presença de Adão e temiam-no. Mas agora Adão tremia perante os anjos e temia-os.

6 Então Adão aproximou-se e pegou um figo, e Eva também veio por sua vez e pegou o outro.

7 E, ao tomá-lo em suas mãos, olharam e reconheceram que provinham das árvores entre as quais eles se haviam escondido.

Capítulo 37

1 Em seguida Adão disse a Eva: “Vês estes figos e suas folhas, com as quais nos cobrimos quando fomos despidos de nossa natureza luminosa? Agora, não sabemos que miséria e sofrimento podem nos acometer se os comermos.

2 “Agora, portanto, ó Eva, vamos nos conter e não comer deles, tu e eu, e vamos pedir a Deus que nos dê do fruto da Árvore da Vida.”

3 Assim Adão e Eva contiveram-se e não comeram desses figos.

4 Mas Adão começou a orar a Deus e a suplicar-Lhe que desse do fruto da Árvore da Vida, dizendo assim: “ó Deus quando desobedecemos ao vosso mandamento na sexta hora da sexta-feira, fomos despojados da natureza luminosa que tínhamos e continuamos no jardim depois de nossa desobediência, por não mais que três horas.

5 “Mas ao anoitecer, Vós nos fizestes sair de lá. O Deus nós Vos desobedecemos por uma hora, e todas essas provações e tristezas acontecem-nos até hoje.”

6 “E aqueles dias, junto com este quadragésimo terceiro dia, não redimem aquela uma hora durante a qual desobedecemos!”

7 “O Deus, olhai para nós com um olhar de piedade e não nos castigueis de acordo com nossa desobediência ao Vosso mandamento, em Vossa presença.”

8 “O Deus, dai-nos do fruto da Árvore da Vida para que possamos dele comer e viver não tomar a passar por sofrimentos e outros aborrecimentos nesta terra; pois Vós sois Deus.”

9 “Quando desobedecemos ao Vosso mandamento, Vós nos fizestes sair do jardim e enviastes um querubim para guardar a Árvore da Vida para evitar que dela comêssemos e vivêsseis e não conhecêssemos fraquezas depois da desobediência.”

10 “Mas agora, ó Senhor, vede, agüentamos todos estes dias, e suportamos todos os sofrimentos. Fazei estes quarenta e três dias equivalerem à uma hora durante a qual desobedecemos.”

Capítulo 38

1 Depois dessas coisas a Palavra de Deus veio a Adão e disse-lhe:

2 “O Adão, quanto ao fruto da Árvore da Vida, o qual pediste, não o darei a ti agora, mas sim quando os cinco mil e quinhentos anos se cumprirem, Então Eu te darei o fruto da Árvore da Vida, e tu a comerás e viverás para sempre, tu e Eva, e tua descendência justa.”

3 “Mas estes quarenta e três dias não podem compensar a hora durante a qual tu desobedeceste ao Meu mandamento.”

4 “é Adão, Eu te dei de comer da figueira na qual tu te escondestes, Vai e come dela, tu e Eva.”

5 “Eu não negarei teu pedido nem tirarei tua esperança; portanto, suporta, até o cumprimento da Aliança que Eu contigo fiz.”

6 E Deus retirou Sua Palavra de Adão.

Capítulo 39

1 Em seguida Adão voltou a Eva e disse-lhe: “Levanta-te e pega um figo para ti, e eu pega-rei o outro; e vamos para a nossa caverna,

2 Então Adão e Eva pegaram um figo cada e foram em direção da caverna; era quase a hora do pôr-do-sol; e seus pensamentos fizeram-nos desejosos de comer do fruto.

3 Mas Adão disse a Eva: “Eu tenho medo de comer deste figo, Não sei o que poderá advir disso”.

4 Assim Adão chorou e pos-se a orar diante de Deus, dizendo: “Satisfazei minha fome, sem que eu tenha de comer este figo; pois, após comê-lo, de que me valerá ele? E o que desejarei e pedirei a Vós, ó Deus, depois que ele se acabar’?

5 E ele disse novamente: “Tenho medo de comer dele; pois não sei o que. me acontecerá por isto”.

Capítulo 40

1 Então a Palavra de Deus veio a Adão e disse-lhe: “O Adão, por que não tiveste antes este temor, nem suportaste este jejum, nem tiveste tanto cuidado assim? E por que não tiveste este medo antes de desobedecer?

2 “Mas depois de vires morar nesta terra estranha, teu corpo animal não poderia existir sobre a terra sem alimento terreno, para fortalecê-lo e para restaurar sua energia.”

3 E Deus retirou Sua Palavra de Adão.

Capítulo 41

1 Então Adão tomou o figo e colocou-o sobre os bastões de ouro. Eva também pegou seu figo e colocou-o sobre o Incenso.

2 E o peso de cada figo era o de uma melancia; pois os frutos do jardim eram maiores que os frutos da terra.

3 Mas Adão e Eva permaneceram em pé e jejuaram durante aquela noite inteira, até o alvorecer.

4 Quando o sol se levantou encontrou-os em suas preces, e Adão disse a Eva depois que terminaram de orar:

5 “ó Eva, vem, vamos até a beira do jardim do lado sul; ao lugar onde o rio nasce e se separa em quatro correntes. Ali oraremos a Deus e lhe pediremos que nos dê de beber da Água da Vida.”

ó. “Pois Deus não nos alimentou com a Árvore da Vida, para que não vivêssemos. Portanto, pedir-lhe-emos que nos dê da Água da Vida, para com ela aplacar nossa sede, em vez de beber da água desta terra.”

7 Ao ouvir estas palavras de Adão, Eva concordou; e ambos levantaram-se e foram à fronteira sul do jardim.

8 E eles permaneceram em pé e oraram ante o Senhor e pediram-Lhe que olhasse para eles dessa vez, que os perdoas-se e que lhes concedesse seu pedido.

9 Depois dessa prece de ambos, Adão se pôs a orar em voz alta perante Deus, e disse:

10 “ó Senhor, quando eu estava no jardim e via a água que corria sob a Árvore da Vida, meu coração não desejava, nem meu corpo precisava beber dela; nem eu conhecia a sede, pois estava vivo; e em condição superior à de agora.”

11 “De maneira que para viver eu não necessitava de nenhum Alimento da Vida, nem bebia da Água da Vida.”

12 “Mas agora, ó Deus, eu estou morto; minha carne esta ressequida pela sede. Dai-me Água da Vida para que possa dela beber e viver.”

13 “Por Vossa misericórdia ó Deus, salvai-me desses flagelos e provações, e levai-me para outra terra diferente desta, que não me permitis habitar no Vosso jardim.”

Capítulo 42

1 Então veio a Palavra Deus a Adão e disse-lhe:

2 “ó Adão, quanto ao que tu dizes: Levai-me para uma terra onde haja descanso, não é outra terra diferente desta mas é o reino do céu, o único lugar onde há descanso.”

3 “Mas tu não podes nele entrar no momento presente mas apenas depois do teu julgamento feito e cumprido.”

4 “Então far-te-ei subir ao reino do céu, a ti e à tua descendência justa; e dar-te-ei ti e a eles o descanso que pedes presentemente.”

5 “E se dizes: Dai-me Água da Vida para que eu dela possa beber e viver, isto não pode ser hoje, mas no dia que eu descer ao inferno, quebrar os portões de bronze esmagar os reinos de ferro.”

6 “Então, por misericórdia salvarei tua alma e a alma justos para dar-lhes descanso em Meu jardim. E isto será quando o mundo chegar ao fim.

7 “E, novamente, conquanto a Água da Vida que buscas não te seja concedida hoje, te será dada no dia em que Eu derramar Meu sangue sobre tua cabeça na terra do Gólgota.”

8 “Pois Meu sangue será para ti a Água da Vida, e não somente para ti, mas para todos da tua descendência que acreditarem em Mim; para que seja para eles o descanso eterno.”

9 O Senhor disse novamente a Adão: “ah Adão, quando estavas no jardim, estas provações não te aconteceram.”

10 “Mas, desde que desobedeceste ao Meu mandamento, acarretaste todos estes sofrimentos.”

11 “Agora, também, tua carne necessita de alimento e bebida; bebe, pois, daquela água que corre junto a ti na face da terra.”

12 Então Deus retirou Sua Palavra de Adão.

13 E Adão e Eva adoraram ao Senhor e voltaram do rio à caverna. Era meio-dia; e quando se aproximaram da caverna, viram ali um grande fogo.

Capítulo 43

1 Então Adão e Eva ficaram amedrontados e detiveram-se. E Adão disse a Eva: “Que fogo é esse ao largo de nossa caverna? Não fizemos nada para provocar este fogo.

2 “Não temos nem pão para assar lá dentro, nem caldo para cozinhar lá. Quanto a este fogo, não o conhecemos, nem sabemos como chamá-lo.”

3 “Mas desde que Deus mandou o querubim com uma espada de fogo que reluzia e relampejava em sua mão e que de medo caímos e ficamos como cadáveres, nunca mais vimos nada igual.”

4 “Mas agora, ó Eva, vê, este é o mesmo fogo que estava na mão do querubim, a quem Deus enviou para guardar a caverna onde moramos.”

5 “é Eva, é porque Deus esta zangado conosco e nos quer expulsar dali.”

6 “E Eva, desobedecemos novamente ao Seu mandamento naquela caverna, assim Ele enviou este fogo para queimar à sua volta, e assim impedir-nos de entrar.”

7 “Se isto for realmente assim, ó Eva, onde moraremos?

E         para onde escaparemos da face do Senhor? Pois quanto ao jardim, Ele não nos permitirá habitar nele, e Ele nos privou das. boas coisas de lá; mas Ele nos colocou nesta caverna, onde temos suportado a escuridão, as provações e dificuldades, até que finalmente encontramos consolo ali.”

8 “Mas agora, se Ele nos levasse para uma outra terra, quem sabe o que poderia acontecer lá? E, quem sabe, a escuridão daquela terra poderia ser bem maior que a escuridão desta terra?”

9 “Quem sabe o que pode-ria acontecer naquela terra de dia ou de noite? E quem sabe, ó Eva se seria distante ou próximo do jardim o lugar onde a Deus agradaria colocar-nos; ou onde Deus nos impediria de vê-Lo, porque desobedecemos ao Seu mandamento, e por Lhe fazermos pedidos em todas as ocasiões?”

10 “O Eva, se Deus nos mandar para urna outra terra estranha que não esta, onde achamos consolo, deve ser para matar nossa alma e apagar nosso nome da face da terra.

11 “Ó Eva, se formos afastados ainda mais do jardim e de Deus, onde O acharemos novamente para pedir-Lhe que nos dê ouro, incenso, mirra e alguns frutos da figueira?”

12 “Onde O acharemos para confortar-nos uma segunda vez? Onde O acharemos, para que ele possa pensar em nós com relação à Aliança que Ele fez a nosso favor?”

13 Em seguida Adão calou-se e não disse mais nada. E eles continuaram a olhar, ele e Eva, em direção da caverna, e para o fogo que se erguia à sua volta.

14 Mas aquele fogo provinha de Satã. Pois ele juntara árvores e capim seco, os carregara e trouxera para a caverna, e tinha ateado fogo neles, a fim de consumir a caverna e o que estava dentro dela.

15 Assim Adão e Eva seriam abandonados na tristeza, e ele acabaria com sua confiança em Deus, e faria com que eles O negassem.

16 Mas, por misericórdia de Deus, ele não podia queimar a caverna, pois Deus enviara Seu anjo até a caverna para preservá-la desse fogo, até que este se extinguisse.

17 E este fogo durou do meio-dia até o raiar do dia seguinte. Este foi o quadragésimo quinto dia.

Capítulo 44

1 Ainda Adão e Eva estavam parados, olhando para fogo, e incapazes de se aproximarem da caverna por causa de seu pavor.

2 E Satã continuou trazendo árvores e lançando-as a fogo, até que a sua chama elevou-se bem alto e cobriu a caverna inteira, pensando ele como pensava consigo mesma em consumir a caverna com muito fogo. Mas o anjo do Senhor a estava protegendo.

3 E mesmo assim ele não podia amaldiçoar Satã, não podia feri-lo pela palavra, porque não tinha autoridade sobre ele, nem era do seu feitio fazê-lo com palavras de sua boca.

4 Por isto o anjo lidou com ele sem proferir nenhuma palavra ruim, até que a Palavra de Deus veio, dizendo a Satã: “Vai embora daí; uma vez já enganaste Meus servos, e desta vez tu procuras destruí-los.

5 “Não fosse por Minha misericórdia, Eu teria eliminado da terra a ti e a tuas hoste. Mas Eu tenho sido paciente contigo, e o serei até o fim mundo.”

6 Então Satã fugiu da presença do Senhor. Mas o fogo continuou queimando em torno da caverna como um carvão e brasa durante o dia inteiro; qual era o quadragésimo sexto dia que Adão e Eva passava desde que haviam saído do jardim.

7 E quando Adão e Eva viram que o calor do fogo baixou um pouco, puseram-se a andar em direção à caverna para entrar nela como precisavam; mas eles ainda não podiam, por causa do calor do fogo.

8 Então ambos puseram-se a chorar por causa do fogo que os separava da caverna, e que se dirigia para eles, queimando. E Eva estava amedrontada.

9 Então Adão disse a Eva: “Vê este fogo do qual temos uma parte em nós: antes nos obedecia, mas não mais o faz, agora que transgredimos o limite da criação e mudamos nossa condição, e nossa natureza está alterada. Mas o fogo não mudou em sua natureza, nem foi alterado do estado em que foi criado. Portanto, ele tem agora poder sobre nós, e quando nos aproximamos dele ele chamusca nossa carne”.

Capítulo 45

1 Então Adão ergueu-se e orou a Deus, dizendo: “Vede, este fogo fez uma separação entre nós e a caverna na qual Vós nos ordenastes habitar; mas agora, vede, não podemos entrar nela”.

2 Então Deus ouviu Adão e enviou-lhe Sua Palavra, que dizia:

3 “ah Adão, vê este fogo! quão diferentes são a sua chama e o seu calor do jardim de delícias e das boas coisas que há nele!”

4 “Quando tu estavas sob Meu controle, todas as criaturas abandonavam-se a ti, mas depois que tu desobedeceste ao Meu mandamento, elas todas se levantam contra ti.”

5 Novamente Deus lhe disse: “Vê, ó Adão, como Satã te tem exaltado! Ele te privou da Divindade e de um estado sublime em Mim, e não manteve sua palavra a ti mas, depois de tudo, tornou-se teu inimigo. Foi ele quem fez este fogo no qual pretendia queimar-te e a Eva.”

6 “Por que, ó Adão, ele não manteve seu acordo contigo nem por um dia sequer, mas te privou da glória que estava contigo, quando tu cedeste a seu comando?”

7 “Tu pensas, Adão, que ele te amou quando fez este acordo contigo? Ou que te amou e desejou elevar-te para o alto?”

8 “Mas não, Adão, ele não fez isto tudo por amor a ti; mas desejava fazer-te sair da luz para a escuridão; e de um estado sublime para a degradação; da glória para a humilhação; da alegria para a tristeza; e do descanso para a fome e a fraqueza.”

9 Deus disse também a Adão: “Vê este fogo atiçado por Satã em volta de tua caverna; vê esta maravilha que te circunda; e saibas que isto te envolverá, tanto a ti quanto a tua descendência, se atenderdes a seu comando; que ele vos castigará com fogo; e que descereis para o inferno depois de mortos.”

10 “Então vereis o queimar de seu fogo, que assim estará queimando em volta de vós e de vossa descendência. Não haverá libertação para vós, a não ser por ocasião da Minha vinda: da mesma maneira como tu não podes entrar na tua caverna, por causa do grande fogo à sua volta; não até que Minha Palavra venha e abra um caminho para ti no dia em que Minha Aliança for cumprida.”

11 “Não há nenhuma maneira, no presente momento, de saíres daí para descansar, não até que Minha Palavra venha, aquele que é Minha Palavra. Então Ele abrirá uma passagem para ti, e tu terás descanso.” Em seguida Deus falou com Sua Palavra àquele fogo que queimava em volta da caverna, que se afastasse até Adão ter passado por ele. Então o fogo afastou-se pela ordem de Deus, e uma passagem foi aberta para Adão.”

12 E Deus retirou Sua Palavra de Adão.

Capítulo 46

1 Então Adão e Eva puseram-se novamente a caminhar em direção da caverna. E quando chegaram no caminho aberto entre o fogo, Satã soprou para dentro do fogo como um redemoinho, e lançou sobre Adão e Eva um fogo em brasa ardente; de maneira que seus corpos foram chamuscados, e o fogo em brasa queimou-os de leve.

2 E por causa da queimadura do fogo Adão e Eva gritaram e disseram: “ó Senhor, salvai-nos! Não deixeis que sejamos flagelados e consumidos por este fogo ardente, nem nos exijais isso por termos desobedecido Vosso mandamento”.

3 Então Deus olhou para seus corpos, onde Satã fez fogo queimar, e enviou seu anjo, que apagou o fogo. Mas as feridas permaneceram em seus corpos.

4 E Deus disse a Adão: ” Vê o amor que tem Satã, que fingiu dar-te a Divindade e a grandeza; e, vê, ele te queima como fogo e procura eliminar-te face da terra.”

5 “E agora olha para Mim ó Adão; Eu te criei, e quantas vezes te libertei de sua mão? Não fosse assim, não teria ele te destruído?”

6 Deus disse novamente a Eva: “Que te prometeu ele no jardim, dizendo: Ao comerdes da árvore, vossos olhos se abrirão, e vós sereis como deuses conhecendo o bem e o mal. Mas vê, ele queimou vossos corpos com fogo e obrigou-vos a provar-lhe o gosto, em lugar gosto do jardim; e obrigou-nos a ver o queimar do fogo e o no mal que disto vem; vede o poder que ele exerce sobre vós.”

7 “Vossos olhos virara bem que ele tomou de vós, e verdade ele abriu vossos olhos e vistes o jardim no qual estáveis Comigo, e vós também vistes o mal que adveio de Satã sobre nós. Mas quanto à Divindade, ele não vos pode dar, nem cumprir a promessa feita a vós.  Não, ele está amargurado convosco e com vossa descendência que virá depois de vós.”

8 E Deus retirou Sua Palavra deles.

Capítulo 47

1 Então Adão e Eva entraram na caverna, ainda tremendo por causa do fogo que chamuscara seus corpos. Então Adão disse a Eva:

2 “Vê, o fogo queimou nossa carne neste mundo; mas como será quando morrermos e Satã punir nossa alma? Não que nossa libertação esteja muito distante, a não ser que Deus venha, e por misericórdia de nós, cumpra Sua promessa.”

3 Em seguida Adão e Eva entraram na caverna, dando graças por entrarem nela uma vez mais, pois pensavam que nunca mais conseguiriam ao ver o fogo ao seu redor.

4 Mas quando o sol se estava pondo, o fogo ainda ardia e aproximava-se de Adão e Eva na caverna, de maneira que eles não podiam dormir ali. Depois que o sol se pôs, eles saíram. Este foi o quadragésimo sétimo dia depois de terem saído do jardim.

5 Adão e Eva então chegaram ao pé da colina ao lado do jardim para dormir, como necessitavam.

6 E eles puseram-se de pé e oraram a Deus que lhes perdoasse seus pecados, e em seguida adormeceram no sopé da montanha.

7 Mas Satã, aquele que odeia tudo o que é bom, pensou consigo mesmo: “Conquanto Deus tenha prometido a Adão, por meio da Aliança, que o salvaria de toda miséria, a mim nada me prometeu, através da Aliança, e não me libertará de minhas misérias; e se Ele prometeu-lhe que fará com que ele e sua descendência habitem o reino onde eu estive antes, matarei Adão.

8 “A terra estará livre dele; e ficará só para mim; de maneira que, ao morrer, ele não terá nenhum descendente para herdar o reino que permanecerá meu próprio domínio; então Deus precisará de mim e há de me recolocar com minhas hostes.”

Capítulo 48

1 Após o que Satã chamou suas hostes, que vieram todas a ele, e disseram-lhe:

2 “O Senhor nosso, que queres tu fazer?”

3 Ele, pois, lhes disse: “Sabeis que este Adão, a quem Deus criou do pó, é que nos tomou nosso reino. Vamos, reunamo-nos para matá-lo; arremessaremos uma rocha sobre ele e Eva, e os esmagaremos com ela”.

4 Depois de ouvirem de Satã estas palavras, as hostes foram até a parte da montanha onde Adão e Eva estavam adormecidos.

5 Então Satã e suas hostes agarraram uma enorme rocha, larga e lisa e sem mácula, porque pensaram consigo mesmos: “Se houver um buraco na rocha, ao cair sobre eles, o buraco na rocha poderia encaixar-se sobre eles, e assim eles escapariam e não morreriam”.

6 Ele então disse às suas hostes: “Erguei esta rocha e arremessai-a bem em cima deles, de maneira que ela não role para algum outro lugar. E depois de arremessá-la, fugi sem demora”.

7 E eles assim o fizeram conforme ele ordenara. Mas quando a rocha caiu da montanha sobre Adão e Eva, Deus ordenou-lhe que se tornasse um tipo de cobertura sobre eles, sem lhes causar mal algum. E assim se fez por ordem de Deus.

8 Mas quando a rocha caiu, a terra inteira tremeu com isso, e foi sacudida por causa do tamanho da rocha.

9 E como a terra tremia e sacudia, Adão e Eva despertaram de seu sono e acharam-se sob uma rocha que pairava como uma cobertura. Mas eles não sabiam como isso tinha acontecido; pois, quando adormeceram, estavam sob o céu e não sob um abrigo; e ao ver isso, ficaram amedrontados.

10 Então Adão disse a Eva: “Por que a montanha curvou-se e a terra tremeu e sacudiu-se por nossa causa? E por que esta rocha estendeu-se sobre nós como uma tenda?”

11 “Acaso Deus tenciona castigar-nos e encerrar-nos nesta prisão? Ou Ele quer fechar a terra sobre nós?”

12 “Ele está zangado conosco por termos saído da caverna sem ordem Sua; e por termos assim procedido por nossa própria conta, sem consultá-lo, abandonando a caverna e vindo a este lugar.”

13 Então Eva disse: “Se, em verdade, a terra tremeu por nossa causa, e esta rocha forma uma tenda sobre nós por causa de nossa desobediência então ai de nós, ó Adão, pois nosso castigo será longo.”

14 “Mas levanta-te e ora Deus e pede-Lhe que nos permita saber a respeito disso, e que é esta rocha que se estende sobre nós como uma tenda

15 Então Adão pos-se de pé orou diante de Deus para que lhe permitisse entender esse mistério. E Adão permanece assim orando até o amanhece

Capítulo 49

1 Então a Palavra de Deu veio e disse:

2 “O Adão, quem te aconselhou, quando saíste da caverna, para vir a este lugar?”

3 E Adão disse a Deus: ” ó Senhor, nós viemos a este lugar por causa do calor do fogo que nos assolava dentro da caverna”.

4 Então o Senhor Deus disse a Adão: “O Adão, tu te apavoraste com o calor do fogo por uma noite, mas como ser quando habitares no inferno.

5 “No entanto, ó Adão, não tenhas medo, nem digas em teu coração que estendi esta rocha como uma cobertura sobre ti para castigar-te.”

6 “Isto veio de Satã, que te prometera a Divindade e a majestade. Foi ele quem lançou esta rocha sobre ti para te matar, e Eva contigo, e assim impedir-vos de viver sobre terra.”

7 “Mas, por misericórdia de vós, no momento em que esta rocha estava caindo sobre vós, ordenei-lhe que formasse um abrigo sobre vós; e que a rocha debaixo de vós baixasse.”

8 “E este sinal, ó Adão, acontecer-me-á durante a Minha vinda à terra: Satã incitará o povo judeu a que Me mate; e deitar-me-ão numa rocha e selarão uma grande pedra sobre Mim, e Eu permanecerei dentro dessa rocha por três dias e três noites.”

9 “Mas ao terceiro dia Eu ressurgirei novamente, e será a tua salvação, ó Adão, e a de tua descendência, acreditar em Mim. Mas, ó Adão, não te retirarei de sob essa rocha antes de se passarem três dias e três noites.”

10 E Deus retirou Sua Palavra de Adão.

11 E Adão e Eva permaneceram sob a rocha três dias e três noites, como Deus lhes ordenara.

12 E Deus assim procedeu com eles porque eles deixaram sua caverna e vieram ter neste lugar sem Sua ordem.

13 Mas, após três dias e três noites, Deus abriu a rocha e retirou-os de lá. Tinham a carne ressequida e os olhos e os corações perturbados de tanto chorar.

Capítulo 50

1 Então Adão e Eva saíram de lá e chegaram à Caverna dos Tesouros, e ali permaneceram orando aquele dia inteiro, até o anoitecer.

2 E isto aconteceu no final dos cinqüenta dias depois de terem deixado o jardim.

3 Mas Adão e Eva levantaram-se novamente e oraram a Deus na caverna durante aquela noite inteira e pediram-Lhe misericórdia.

4 E quando o dia amanheceu, Adão disse a Eva. “Vem! vamos e façamos alguma coisa para nossos corpos”.

5 Assim eles saíram da caverna e chegaram à fronteira norte do jardim, e procuraram algo para cobrir seus corpos. Mas não encontraram nada, e não sabiam como executar o trabalho. No entanto seus corpos estavam manchados, e eles estavam emudecidos de frio e de calor.

6 Então Adão se pôs de pé e pediu a Deus que lhe indicas-se algo para cobrir seus corpos.

7 Então veio a Palavra de Deus e disse-lhe: “O Adão, toma Eva e vem à beira do mar, onde ambos jejuastes antes. Ali encontrareis peles de carneiro cuja carne foi devorada por leões, e cujas peles sobraram. Pegai-as e fazei vestimentas para vós, e vesti-vos com isto”.

Capítulo 51

1 Após ouvir estas palavras de Deus, Adão tomou Eva e partiu do extremo norte do jardim para o sul, para o rio de água onde eles haviam jejuado.

2 Mas, ao caminharem, e antes de alcançarem aquele lugar, Satã, o malvado, ouviu a Palavra de Deus conversando com Adão a respeito de suas vestimentas.

3 Isto o ofendeu, e ele apressou-se a ir ao lugar onde estavam as peles de carneiro, com a intenção de pegá-las e jogá-las ao mar, ou atirá-las ao fogo, para que Adão e Eva não as encontrassem.

4 Mas, quando estava prestes a pegá-las, a Palavra de Deus veio do céu e prendeu-o ao lado daquelas peles até Adão e Eva aproximaram-se dele. Mas ao achegarem-se, sentiram medo dele e de sua aterradora aparência.

5 Então veio a Palavra de Deus a Adão e Eva e disse-lhes: “Este é o que estava escondido na serpente, e que vos enganou e despojou-vos da veste de luz e glória na qual estáveis.

6 “Este é quem vos prometeu majestade e Divindade. Onde, então, está a beleza que estava nele? Onde está sua Divindade? Onde está sua luz? Onde está a glória que repousava nele?

7 “Agora sua figura é horrenda; ele se tomou abominável entre os anjos; e passou a ser chamado Satã.

8 “ó Adão, ele desejava tomar de vós esta veste terrena de peles de carneiro e destruí-la, e não permitir que vos cobrisses com elas.

9 “Será sua beleza, então, tão grande que vos fez segui-lo? E que ganhastes ouvindo-o? Vede suas obras más e então olhai para Mim; para Mim, vosso Criador, e para as boas obras que Eu vos faço.

10 “Vede, Eu o aprisionei ate que chegásseis e o vísseis e percebêsseis sua fraqueza, e que nenhum poder lhe restou.”

11 E Deus o libertou de sua prisão.

Capítulo 52

1 Depois disso Adão e Eva não disseram mais nada, mas choraram perante Deus por terem sido criados e porque seus corpos necessitavam de um cobertura terrena.

2 Então Adão disse a Eva. “ó Eva, estas são as peles de animais com as quais no cobriremos. Mas, ao vestirmos isto, vê, uma marca de morte quer recai sobre nós, da mesma maneira que recai sobre os donos destas peles, que morreram e desapareceram. Assim também nós morreremos e passaremos.

3 Então Adão e Eva tomaram as peles e voltaram à Caverna dos Tesouros e, uma vez ali, puseram-se de pé e oraram pois necessitavam.

4 E pensaram como poderiam fazer vestimentas dessa peles; pois não tinham habilidade para isso.

5 Então Deus lhes enviou Seu anjo para mostrar-lhe como trabalhá-las. E o anjo disse a Adão: “Vai e traz alguns espinhos de palmeira”. Então Adão saiu e trouxe alguns como o anjo lhe ordenara.

6 Em seguida o anjo pôs a trabalhar as peles diante dele à maneira de quem prepara uma túnica. E pegou os espinhos e enfiou-os nas peles mostrando-lhes como fazê-lo.

7 Em seguida o anjo pos-se de pé e pediu a Deus que os espinhos naquelas peles  ficassem escondidos, como se fossem cosidos com um único fio.

8 E assim foi, por ordem de Deus; estas se tomaram vestimentas para Adão e Eva, e Ele com elas os vestiu.

9 A partir de então a nudez de seus corpos ficou encoberta da vista um do outro.

10 E isto aconteceu no final do qüinquagésimo primeiro dia.

11 Então, com os corpos cobertos, Adão e Eva puseram-se de pé e oraram e buscaram a misericórdia e perdão do Senhor, e agradeceram-Lhe por Ele ter sido misericordioso, e por haver coberto sua nudez. E eles não interromperam a oração durante aquela noite inteira.

12 E quando amanheceu, com o nascer do sol, disseram suas preces conforme seu hábito; e saíram da caverna.

13 E Adão disse a Eva: “Já que não sabemos o que existe a oeste desta caverna, vamos pôr-nos a caminho e ver isto hoje”. Então eles partiram e caminharam em direção da fronteira oeste.

Capítulo 53

1 Eles ainda não se encontravam muito distante da caverna quando Satã veio em sua direção e escondeu-se entre eles e a caverna, sob a forma de dois leões enfurecidos após três dias sem alimento, que se arremessaram contra Adão e Eva, como se fossem despedaçá-los e devorá-los.

2 Então Adão e Eva choraram e suplicaram a Deus que os libertassem de suas garras.

3 Então a Palavra de Deus veio-lhes e expulsou os leões para longe.

4 E Deus disse a Adão: “é Adão, que procuras tu na fronteira oeste? E por que abandonaste por tua própria conta a fronteira leste, onde é a tua moradia?

5 “Agora, então, volta para tua caverna e permanece lá para que Satã não te engane, nem execute seu propósito contra ti.

6 “Pois nesta fronteira oeste, ó Adão, de ti virá uma descendência que a povoará; e que se irá degradar com seus pecados e com sua submissão ao comando de Satã, e também por imitar suas obras.

7 “Por causa disso trarei sobre eles as águas de um dilúvio e destrui-los-ei a todos. Mas libertarei os que se mantiverem justos dentre eles; e tra-los-ei a uma terra distante, e a terra onde agora habitas ficará desolada e sem nenhum morador.”

8 Depois que Deus assim discursou para eles, voltaram à Caverna dos Tesouros. Mas sua carne estava ressequida e sua força falhava-lhes à força de jejuar e orar, e por causa da tristeza que sentiam por ter desobedecido a Deus.

Capítulo 54

1 Então Adão e Eva puseram-se de pé na caverna e oraram durante aquela noite toda até que amanheceu. E após o nascer do sol, ambos saíram da caverna com o pensamento vagueando sob o peso da tristeza, e sem saber para onde caminhar.

2 E caminharam assim até a fronteira sul do jardim. E começaram a subir ao longo daquela fronteira até chegarem à fronteira leste, além da qual não havia mais espaço.

3 E o querubim que guardava o jardim estava no portão oeste, protegendo-o de Adão e Eva; para que eles não entrassem subitamente no jardim. E o querubim voltou-se, como se fosse matá-los; de acordo com o mandamento que Deus lhe dera.

4 Quando Adão e Eva chegaram à fronteira oeste do jardim — pensando consigo mesmos que o querubim não estava olhando — enquanto estavam parados diante do portão como se desejassem entrar, repentinamente veio o querubim com uma espada de fogo flamejante na mão; e ao vê-los, adiantou-se para matá-los. Pois temia que Deus o destruísse se eles entrassem no jardim sem Sua ordem.

5 E a espada do querubim pareciam flamejar de longe. Mas quando ele a ergueu sobre Adão e Eva, sua chama não faiscou.

6 Por esta razão o querubim pensou que Deus estava favorável a eles, e trazia-os de volta ao jardim. E o querubim parou intrigado.

7 Ele não podia subir até o Céu para certificar-se da ordem de Deus concernente à entrada deles no jardim; portanto, postou-se na frente deles, já que estava incapacitado de sair  junto deles; pois receava que eles entrassem no jardim se licença de Deus, que então destruiria.

8 Quando Adão e Eva viram o querubim vindo em sua direção com uma espada de fogo flamejante na mão, eles prostraram-se de medo, e pareciam mortos.

9 Neste momento os céus e a terra tremeram, e outros querubins desceram do céu até o querubim que guardava o jardim, e viram-no perplexo e silencioso.

10 Então, novamente, os outros anjos desceram até o lugar onde Adão e Eva estavam. Eles estavam divididos entre a alegria e a tristeza.

11 Estavam contentes, porque pensavam que Deus estava sendo favorável a Adão, e desejava que ele retomasse jardim; e desejava restituí-lo a felicidade que uma vez desfrutara.

12 Mas entristeciam-se por Adão, pois ele estava caído como um morto, ele e Eva; e disseram em seus pensamentos: “Adão não morreu neste lugar; mas Deus o matará por ter vindo a ele e ter desejado entrar no jardim sem sua permissão.

Capítulo 55

1 Então veio a Palavra de Deus a Adão e Eva, e os fez ressurgir de seu estado de mortos dizendo-lhes: “Por que viestes até aqui? E vossa intenção entrar no jardim, do qual Eu vos tirei? Isto não pode ser hoje, mas somente quando a Aliança que Eu fiz convosco for consumada”.

2 Então Adão, ao ouvir a Palavra de Deus e o esvoaçar dos anjos, aos quais não via, mas apenas ouvia com seus ouvidos o seu som, ele e Eva choraram e disseram aos anjos:

3 “ah Espíritos que servem a Deus, olhai para mim, e para a minha incapacidade, então eu vos via. Eu entoava louvores como vós o fazeis; e meu coração estava bem acima de vós.

4 “Mas agora, que eu desobedeci, aquela natureza luminosa abandonou-me, e eu cheguei a este miserável estado. E agora, neste estado, não posso ver-vos e vós não me servis como costumáveis. Pois eu me tomei carne animal.

5 “Ainda assim, ó anjos de Deus, pedi agora comigo a Deus, que me restitua ao que eu era antes; que me resgate desta miséria e retire de mim a sentença de morte que Ele proferiu contra mim, por tê-lo desobedecido.”

6 Então, ao ouvirem estas palavras, todos os anjos entristeceram-se por ele; e amaldiçoaram Satã que enganara Adão, até que ele saiu do jardim para a miséria; da vida para a morte; da paz para a aflição; e da alegria para uma terra estranha.

7 Então os anjos disseram a Adão: “Tu ouviste Satã e abandonaste a Palavra de Deus,que te criou; e acreditaste que Satã cumpriria tudo o que te prometera.

8 “Mas agora, ó Adão, nós te faremos saber o que nos ocorreu através dele, antes de sua queda do céu.

9 “Ele reuniu suas hostes e enganou-os prometendo dar-lhes um grande reino, uma natureza divina; e outras promessas ele lhes fez.

10 “Suas hostes acreditaram na veracidade de sua palavra, de maneira que confiaram nele e renunciaram à glória de Deus.

11 “Ele então mandou chamar-nos conforme as hierarquias nas quais estávamos – para colocarmo-nos sob seu comando e ouvir sua vã promessa. Mas nós não quisemos e não seguimos seu conselho.

12 “Então, depois de lutar com Deus e ter-se conduzido com arrogância para com Ele, reuniu suas hostes e fez guerra contra nós. E se não fosse pelo poder de Deus, que estava conosco, não poderíamos ter prevalecido contra ele para lançá-lo do céu.

13 “E quando ele caiu para fora do nosso meio, houve um grande júbilo no céu, por ele ter descido para longe de nós. Pois se ele tivesse continuando no céu, nada, nem mesmo um único anjo permaneceria nele.

14 “Mas Deus, em Sua misericórdia, expulsou-o do nosso meio para esta terra escura; pois ele se havia tornado a própria escuridão e um fazedor de injustiça.

15 “E ele continuou, ó Adão, a fazer guerra contra ti, até que te enganou e te fez sair do jardim para esta terra estranha, onde todas estas provações aconteceram a ti. E a morte, que Deus trouxe sobre ele, ele também a trouxe a ti, ó Adão, pois tu lhe obedeceste, e desobedeceste a Deus.”

16 Em seguida, todos os anjos rejubilaram e louvaram a Deus, e pediram-Lhe que não destruísse Adão desta vez, por sua tentativa de entrar no jardim; mas que o tolerasse até o cumprimento da promessa; e o ajudasse neste mundo até que ele se libertasse das mãos de Satã.

Capítulo 56

1 Então veio a Palavra de Deus a Adão e disse-lhe:

2 “Adão, olha para aquele jardim de alegria e para esta terra de labuta, e vê os anjos que estão no jardim, que está repleto deles, e vê a ti sozinho sobre esta terra com Satã, a quem obedeceste.

3 “No entanto, se tu te houvesses submetido e sido obediente a Mim, e tivesses mantido Minha Palavra, estarias com Meus anjos no Meu jardim.

4 “Mas, quando desobedeceste e ouviste Satã, tu te tornaste seu hóspede entre seus anjos, que são cheios de maldade; e vieste a esta terra, que te apresenta espinhos e cardos.

5 “ó Adão, pede àquele que te enganou que te dê a natureza divina que te prometeu, ou que faça um jardim para ti como Eu o fiz; ou que te preencha com a mesma natureza luminosa com a qual Eu te preenchi.

6 “Pede-lhe que te faça um corpo igual ao que Eu fiz para ti, ou que te dê um dia de descanso como Eu te dei; ou que crie dentro de uma alma racional, como Eu criei para ti; ou que te remova daqui para uma outra terra diferente desta que Eu te dei. Mas, ó Adão, ele não cumprirá uma única coisa sequer das que ele te prometeu.

7 “Reconhece, pois, Minha benevolência para contigo, e Minha misericórdia por ti, Minha criatura; que Eu não te repudiei por tua desobediência Mim, mas em Minha piedade por ti Eu te prometi que no fim dos grandes cinco dias e meio. Eu virei e te salvarei.”

8 Então disse Deus novamente a Adão e Eva: “Erguei-vos e descei daqui para que o querubim, com a espada de fogo fulgurante na mão, não vos destrua”.

9 Mas o coração de Adão foi consolado pelas palavras de Deus a ele dirigidas, e adorou O.

10 E Deus ordenou a Seus, anjos escoltarem Adão e Eva a caverna em júbilo por causa do medo que os acometera.

11 Então os anjos ergueram Adão e Eva e os levaram montanha abaixo, com canções e salmos, até que chegaram a caverna. Ali os anjos puseram-se a consolá-los e a fortalecê-los; e então partiram em direção ao céu, para o seu Criador que os havia enviado.

12 Mas depois que os anjos deixaram Adão e Eva, veio Satã, acanhado, e parou na entrada da caverna na qual estavam Adão e Eva. Ele então chamou Adão, e disse: “O Adão, vem, deixa-me falar contigo”.

13 Então Adão saiu da caverna, pensando ser este um dos anjos de Deus que viera para dar-lhe um bom conselho.

Capítulo 57

1 Mas quando Adão saiu e viu sua figura horrenda, teve medo dele, e disse-lhe: “Quem és tu”?

2 Então Satã respondeu e disse-lhe: “Sou aquele que se escondeu na serpente e falou a Eva e a enganou até que ela obedecesse sua ordem. Sou aquele que a enviou, através das artimanhas de minha fala, para enganar-te, até que tu e ela comestes do fruto da árvore; e saístes de sob o comando de Deus”.

3 Mas, ao ouvir estas suas palavras, Adão lhe disse: “Acaso tu podes fazer-me um jardim como o que Deus fez para mim? Ou acaso tu podes vestir-me com a mesma natureza luminosa com a qual Deus me vestiu?

4 “Onde está a natureza divina que prometeste dar-me? Onde está aquela bela conversa que mantiveste conosco antes, quando estávamos no jardim?”

5 Então Satã disse a Adão: “Tu pensas que se eu prometesse qualquer coisa a alguém,eu lha traria algum dia ou cumpriria minha palavra? Não é assim. Pois eu mesmo nunca pensei em obter o que pedia.

6 “Por isso eu caí, e te fiz cair pelo que eu mesmo caí; e assim é conosco também; quem aceitar meu conselho, cairá por isto.

7 “Mas agora, ó Adão, em razão de tua queda tu estás sob meu governo, e eu sou teu soberano; porque tu me ouviste e desobedeceste teu Deus. Nem haverá libertação alguma de minhas mãos até o dia prometido a ti por teu Deus.”

8 Novamente ele disse: “Já que não sabemos o dia combinado contigo por teu Deus, nem a hora que serás libertado, por esta razão nós multiplicaremos a guerra e o assassínio contra ti e teus descendentes depois de ti.

9 “É de nossa vontade e por nosso bel-prazer que não deixaremos nenhum dos filhos dos homens para herdar nossas hierarquias no céu.

10 “Quanto à nossa moradia, ó Adão, é no fogo ardente; e não cessaremos nossas obras más, não, nem por um dia nem por uma hora sequer. E eu, ó Adão, atiçarei o fogo sobre ti quando vieres à caverna para nela habitar.”

11 Depois de ouvir estas palavras, Adão chorou e lamentou-se e disse a Eva: “Ouve o que ele disse: que não cumprirá nada do que te prometeu no jardim. Será verdade, então, que ele se tomou nosso soberano?

12 “Mas pediremos a Deus, que nos criou, que nos liberte de suas mãos.”

Capítulo 58

1 Então Adão e Eva estenderam suas mãos para Deus, orando e pedindo-Lhe que expulsasse Satã para longe deles; para que ele não lhes causasse nenhuma violência, e não os forçasse a negar Deus.

2 Então Deus imediatamente lhes enviou Seu anjo, que expulsou Satã para longe deles. Isto aconteceu por volta do pôr-do-sol, ao qüinquagésimo terceiro dia depois de sua saída do jardim.

3 Então Adão e Eva entraram na caverna e prostraram-se com suas faces voltadas para a terra, para orar a Deus.

4 Mas enquanto oravam, Adão disse a Eva: “Tu viste que tentações sucederam-nos nesta terra. Vem, levantemo-nos e peçamos a Deus que nos perdoe os pecados que cometemos; e não sairemos antes do final do dia após o quadragésimo. E se morrermos aqui, Ele nos salvará”.

5 Então Adão e Eva ergueram-se e uniram-se na súplica a Deus.

6 Eles permaneceram assim orando na caverna; não saiam nem de noite nem de dia, até que suas preces elevaram-se de sua boca como uma chama de fogo.

Capítulo 59

1 Mas Satã, aquele que odeia tudo o que é bom, não lhes permitiu terminarem suas preces. Pois convocou suas hostes e todas vieram. Ele então lhes disse: “Desde que Adão e Eva, a quem enganamos, concordaram entre si em orar a Deus noite e dia, e pedir-Lhe que os liberte, e desde que eles não querem sair da caverna até o final do quadragésimo dia.

2 “E desde que eles continuarão suas preces como ambos concordaram em fazer, para que Ele os liberte de nossas mãos e os restitua a seu estado anterior, vejam o que faremos com eles.” E suas hostes disseram-lhe: “O poder é teu, ó Senhor nosso, para fazer o que te agradar”.

3 Então Satã, grande em maldade, levou suas hostes e entrou na caverna, na trigésima noite dos quarenta dias; e golpeou Adão e Eva, até deixá-los mortos.

4 Então veio a Adão e Eva a Palavra de Deus, a qual os ergueu de seu sofrimento, e Deus disse a Adão: “Sê forte não tenhas medo daquele que acabou de vir a ti”.

5 Mas Adão chorou e disse: “Onde estáveis Vós, ó meu Deus, quando eles nos golpearam e este sofrimento nos acometeu, a mim e a Eva, Vossa serva”?

6 Então Deus lhe disse “Adão, vê, ele é senhor e mestre de tudo que tu tens, aquele que disse que te daria a Divindade. Onde está este amor por ti? E onde está o presente que ele prometeu?

7 “Ao menos uma vez agradou-lhe, ó Adão, vir a ti, consolar-te e fortalecer-te, e rejubilar-se contigo, e enviar suas hostes para te proteger, porque tu o ouviste e seguiste o seu conselho e desobedeceste meu mandamento e seguiste seu comando?”

8 Então Adão chorou perante o Senhor, e disse: “ó Senhor, porque eu desobedeci um pouco, Vós me castigastes dolorosamente por isso, mas eu Vos peço, libertai-me de suas mãos; ou então tende piedade de mim e retirai minha alma de meu corpo que está agora nesta terra estranha”.

9 Então Deus disse a Adão: “Se ao menos tivesse havido este suspirar e orar antes, antes que tu desobedecesses! Então tu terias repouso da aflição em que estás agora”.

10 Mas Deus teve paciência com Adão e permitiu-lhe e a Eva permanecerem na caverna até que se cumprissem os quarenta dias.

11 Mas quanto a Adão e Eva, sua força e carne definharam pelo jejum e pela oração, de fome e sede; pois eles não tinham provado nem alimento nem bebida desde que deixaram o jardim; nem as funções de seus corpos ainda estavam estabelecidas; e eles não tinham mais força para continuar em oração por causa da fome, até o fim do dia posterior ao quadragésimo. Eles estavam caídos na caverna; ainda assim a fala que escapasse de suas bocas, era somente de louvores.

Capítulo 60

1 Então, no trigésimo nono dia, Satã veio à caverna vestindo um traje de luz e com um cinto reluzente amarrado à cintura.

2 Em suas mãos segurava um bastão de luz, e sua aparência era muito assustadora, mas sua face era agradável e sua fala doce.

3 Transformara-se assim com o propósito de enganar Adão e Eva, e fazê-los sair da caverna, antes de cumprirem os quarenta dias.

4 Pois ele disse consigo mesmo: “Agora, se eles cumprirem os quarenta dias de jejum e oração, Deus os restituirá a seu estado anterior; e se Ele não o fizer, ainda assim será benevolente para com eles; e mesmo se Ele não tiver misericórdia deles, ainda lhes dará algo do jardim para consolá-los; como já o fez por duas vezes.”

5 Então Satã aproximou-se da caverna com esta agradável aparência e disse:

6 “ah Adão, erguei-vos, ponde-vos de pé, tu e Eva, e acompanhai-me a uma terra boa; e não tenhais medo. Eu sou de carne e osso como vós; e fui a primeira criatura criada por Deus.

7 “E assim foi que, depois de criar-me, Ele me colocou num jardim ao norte, nos limites do mundo.

8 “E Ele me disse: ‘Permanece aqui!’ E eu permaneci ali de acordo com Sua Palavra, e não desobedeci Seu mandamento.

9 “Então Ele fez um torpor vir sobre mim, e Ele te tirou, ó Adão, do meu lado, mas não te fez habitar junto a mim.

10 “Mas Deus tomou-te em Sua mão divina e colocou-te num jardim no leste.

11 “Então eu me entristeci por tua causa, pois enquanto que Deus te tirara de meu lado, Ele não te permitiu permanecer comigo.

12 “Mas Deus me disse: `Não te entristeças por causa de Adão a quem eu tirei de teu lado, nenhum mal lhe acontecerá.

13 “`Pois agora Eu tirei de seu lado uma companheira para ele; e dei-lhe alegria assim procedendo:”

14 Em seguida Satã disse novamente: “Eu não sabia como aconteceu que viésseis para esta caverna, nem nada sobre esta provação que vos acometeu, até que Deus me disse: `Vê, Adão desobedeceu, aquele que tirei do teu lado, e Eva também, a quem tirei do lado dele; e expulsei-os do jardim; eu os fiz habitar num país de tristeza e miséria, porque eles Me desobedeceram e deram ouvidos a Satã. E eis que estão sofrendo até este dia, o octogésimo’!

15 “Então Deus me disse: `Levanta-te, vai a eles, e faze-os virem para a tua casa, e não permitas que Satã aproxime-se deles e os perturbe. Pois eles estão agora em grande miséria; e estão caídos, definhado de fome’.

16 “Ele continuou dizendo-me: Quando tu os levares para tua casa, dá-lhes de comer de fruto da Árvore da Vida, e dá-lhes de beber da água da paz;  e veste-os com uma vestimenta de luz, e restitui-os a seu anterior estado de graça, e não os deixeis em miséria, pois eles: vieram de ti. Mas não te entristeças por eles nem te arrependas daquilo que lhes sucedeu’.

17 “Mas quando eu ouvi isto, fiquei entristecido; e meu coração não pôde suportá-lo pacientemente por tua causa. O meu filho.

18 “Mas, O Adão, ao ouvir isto o nome de Satã, fiquei amedrontado, e disse comigo mesmo: Não sairei, a fim de que ele não me apanhe numa armadilha como o fez a meus filhos Adão e Eva.

19 “E eu disse: ó Deus quando eu for a meus filhos Satã me encontrará no caminho e fará guerra contra mim, como o fez contra eles.

20 “Então Deus me disse. Não tenhas medo; ao encontrá-lo, golpeia-o com o bastão que seguras em tua mão, e não tenhas medo dele, pois tu pertences à antiga ordem e ele não prevalecerá contra ti’.

21 “Então eu disse: ó meu Senhor, eu estou velho, e não posso ir. Enviai Vossos anjo para que me tragam’.

22 “Mas Deus me disse: ‘Os anjos, na verdade, não são como eles, e não concordarão em acompanhá-los. Mas Eu te escolhi porque eles são teus rebentos, e semelhantes a ti, ouvirão o que dizes’.

23 “Deus me disse mais: Se tu não tens forças para caminhar, enviarei uma nuvem para te carregar e deixar-te à entrada da caverna; então a nuvem retomará deixando-te lá.

24 “E se eles vierem contigo, enviarei uma nuvem para carregar-te a ti e a eles.’

25 “Então Ele ordenou que viesse uma nuvem, e esta carregou-me e trouxe-me a vós; e em seguida retomou.

26 “E agora, ó meus filhos, Adão e Eva, olhai para meus cabelos brancos e para meu estado de debilidade e para minha vinda daquele lugar distante. Vinde, vinde comigo para um lugar de repouso.”

27 Então ele começou a chorar e a soluçar diante de Adão e Eva, e suas lágrimas jorravam sobre a terra como água.

28 E quando Adão e Eva ergueram seus olhos e viram sua barba, e ouviram sua doce fala, seus corações comoveram-se com ele; ouviram-no, pois acreditaram que ele era verdadeiro.

29 E parecia-lhes que real-mente eram seus filhos, quando viram que sua face era igual à deles próprios; e confiaram nele.

Capítulo 61

1 Então ele tomou Adão e Eva pela mão, e começou a conduzi-los para fora da caverna.

2 Mas quando estavam a pouca distância dela, sabendo Deus que Satã os havia dominado e os estava tirando de lá antes que se cumprissem os quarenta dias, para levá-los a algum lugar distante e depois destruí-los, então a Palavra do Senhor Deus novamente veio e amaldiçoou Satã e afastou-o deles.

3 E Deus começou a falar a Adão e Eva, dizendo-lhes: “Que foi que vos fez sair da caverna para este lugar”?

4 Então Adão disse a Deus: “Acaso criastes um homem antes de nós? Pois quando estávamos na caverna subitamente veio a nós um bom velho que nos disse que era um mensageiro de Deus a nós, para levar-nos de volta a algum lugar de repouso.

5 “E acreditamos, ó Deus, que ele era o Vosso mensageiro, e saímos com ele; e não sabíamos se devíamos ou não ir com ele.”

6 Então Deus disse a Adão: “Vê, foi o pai das artes malignas que te conduziu e a Eva para fora do jardim das Delícias. E agora, certamente, ao ver que tu e Eva vos unistes para jejuar e orar, e que vós não sairíeis da caverna antes do término dos quarenta dias, ele desejou tomar vão vosso propósito, quebrar vosso laço mútuo; tirar toda vossa esperança e conduzir-vos para algum lugar onde pudesse destruir-vos.

7 “Porque ele seria incapaz de fazer-vos qualquer coisa, a não ser que se mostrasse semelhante a vós.

8 “Portanto, ele veio a vós com uma face igual à vossa e começou a fazer-vos ofertas como se elas fossem todas verdadeiras.

9 “Mas Eu, por misericórdia e pela benevolência que tive por vós, não lhe permiti que vos destruísse, mas afastei-o de vós.

10 “Agora, portanto, ó Adão, toma Eva e volta para vossa caverna, e permanece lá até o raiar do quadragésimo dia. E quando sairdes, ide em direção ao portão leste do jardim.”

11 Então Adão e Eva adoraram a Deus, e louvaram e agradeceram-no pela salvação que lhes viera dEle. E retornaram para caverna. Isto aconteceu ao anoitecer do trigésimo nono dia.

12 Então Adão e Eva puseram-se de pé e, com grande zelo, oraram a Deus, para que sua necessidade de força fosse satisfeita; pois sua força os havia abandonado, por fome e sede e oração. Mas eles permaneceram em vigília aquela noite inteira orando, até a manhã.

13 Então Adão disse a Eva: “Levanta-te, vamos em direção ao portão leste do jardim como Deus nos disse”.

14 E eles disseram suas preces como era de hábito diário; e saíram da caverna, para aproximarem-se do portão leste do jardim.

15 Então Adão e Eva puseram-se em pé e oraram e suplicaram a Deus que os fortaleces-se e que lhes enviasse algo com que satisfazer sua fome.

16 Mas quando terminaram suas preces, permaneceram onde estavam pois lhes faltava forças.

17 Então veio a Palavra de Deus novamente e disse-lhes “ah Adão, levanta-te, vai e traz para cá dois figos”.

18 Então Adão e Eva levantaram-se, e caminharam até se aproximarem da caverna.

Capítulo 62

1 Mas Satã o perverso estava com inveja pelo consolo que Deus lhes dera.

2 Assim, ele os precedeu e entrou na caverna e pegou o dois figos e enterrou-os do lado de fora da caverna, de maneira que Adão e Eva não os encontrassem. Ele também tinha em seus pensamentos destruí-los.

3 Mas, por misericórdia de Deus, logo que aqueles dois figos; estavam dentro da terra, Deus anulou o desígnio de Satã em relação a eles e transformou-o em duas árvores frutíferas que sombreavam a caverna.

4 Então, quando as duas árvores cresceram e cobriram se de frutos, Satã afligiu-se lamentou-se, e disse: “Teria sido melhor deixar aqueles figos como estavam; pois agora vê, eles se transformaram em duas árvores frutíferas, da quais Adão comerá todos o dias de sua vida. Enquanto que o que eu tinha em pensamento, quando os enterrei, em destruí-los inteiramente, escondê-los para sempre.

5 “Mas